Terça-feira, 03/06/2008 – Ano II – Edição 270
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O Banese Que Se Cuide
O apetite voraz do Banco do Brasil para aquisições deve atingir em breve o pequeno Banco do Estado de Sergipe. Com a compra de instituições menores – já foram engolidos o BRB (Brasília) e Nossa Caixa (São Paulo) –, o BB reúne forças para bater de frente com os concorrentes privados. As investidas são sempre agressivas. Para detonar o Banese, o BB já devorou a folha de pagamento dos servidores de algumas prefeituras sergipanas administradas pelo banco. Os prefeitos não perceberam a jogada do BB para enfraquecer o Banese e transforma-lo num banquete. Caíram como patinhos! O Banese teve importância estratégica no fomento econômico de Sergipe até 2006. Só o Banco do Povo investiu R$ 24 milhões em pequenos empreendimentos. Como resultado, 17.242 postos de trabalho foram abertos, beneficiando majoritariamente mulheres chefes de família (68,5%), especialmente no setor do comércio (79,59%). O governo das mudanças para pior asfixiou o Banco do Povo, considerado pelo Banco Central “o melhor exemplo de execução de microcrédito”. O relatório da conceituada agência internacional de avaliação de risco Austin Rating, publicado em 05/01/2007, destacou a “elevada solidez do Banese, tanto no âmbito financeiro como corporativo-institucional, com efeitos positivos no crescimento e sustentabilidade do banco”. Noutra publicação (VOCÊ S.A. de maio de 2007), o Banese é apontado na primeira posição entre os 20 bancos de pequeno e médio porte com “melhor rentabilidade operacional” no mercado brasileiro. Diz a revista: “O índice preço/lucro para os papéis do Banese tem retorno em quatro anos, contra os habituais 12 anos. A média do setor. O Banese ostenta um retorno sobre o patrimônio de 50%, bastante superior aos 27% da média do mercado”. O governo do PT é o principal responsável pela recente vitória do BB sobre o Banese. Muitas mentiras foram ditas para emporcalhar a imagem do governo passado com a pecha de incompetente – para dizer o mínimo. Ninguém no governo das mudanças para pior tem moral para criticar os prefeitos vendedores de folha, pois deixou sob suspense a real saúde financeira da instituição. As ameaças de retirar apoio aos eventos de prefeituras desertoras não têm outra função senão iludir a população com uma reação tardia. Sabendo das investidas do BB desde o primeiro dia do mandato, o governo do PT deveria ter se precavido para preservar a liquidez do banco. Detratou e agora faz ameaça, ao invés de ter trabalhado a imagem positiva e o convencimento. Na oposição, o PT creditava ao ex-governo o desejo de privatizar o Banese – falava-se até de negociações secretas com o Bradesco. Todos sabem da ligação umbilical do governador Marcelo Déda com o compadre-presidente Lula da Silva. Noutras situações, o governador já afiançou seu intento de jamais contrariar aquele a quem deve parte substancial do sucesso político. O Banese que se cuide! .
Para Bom Entendedor...
Com o “amém” da imprensa paraestatal, regiamente nutrida pelas verbas da Secretaria Estadual de Comunicação, o governo do PT mandou a credibilidade do Banese às favas. Dizia-se com alarde que o banco passou perto de fechar as portas no governo de João Alves Filho. Agora imagine: se a situação do Banese era tão precária, por que a oposição da época, personificada pelo então prefeito Marcelo Déda e pelo deputado federal Jackson Barreto, aliados do governo Lula da Silva, não pediu a intervenção do Banco Central por gestão fraudulenta? Na mesma linha de raciocínio, tendo em conta o tratamento VIP dispensado ao ex-governador pelo governo federal, por que manter um banco à beira de um ataque de nervos nas mãos de um perigoso adversário? O governo do PT diz ter recebido o Banese na UTI, mas anuncia lucro de R$ 28,4 milhões em 2007 “depois dos remédios aplicados”. Rápido e fácil. Já a mesmíssima imprensa paraestatal ignora as perseguições contra servidores de carreira da instituição. As “bondades” do governo das mudanças para pior vão da redução salarial ao corte de inúmeros outros benefícios já incorporados. Torna-se claríssima a fonte do tal “lucro real”.
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Eles Merecem
O crédito serve para boa parte. Na verdade, para a maioria dos servidores do Banese. Gente cuja vida sofreu mudança, mas não a prometida nos palanques pelo então candidato Marcelo Déda. Quem acreditou...

Aos assinantes: Estamos com problemas no provedor de envio do ABRA-O-OLHO. Esperamos saná-los em breve. Gratos pela compreensão, David Leite//

Quarta-feira, 28.04.2008 - Ano II - Edição 269
. AINDA HÁ TEMPO
A pendenga de Tobias Barreto, onde Edvan Amorim resolveu mexer na cumbuca, promete ser desastrosa para o PT. Tudo indica, o empresário começa a dar o troco nos petistas e nos aliados do governo do PT pelo salto alto. O objetivo é diminuir ao máximo a influência destes grupos para 2010. O presidente do PR e do PSC pretende eleger o irmão, deputado federal Eduardo Amorim, governador - não necessariamente no próximo pleito. A engenharia política já está traçada. Edvan Amorim perdeu um importante escudeiro, responsável por auxiliá-lo no financiamento do projeto. O conselheiro-lobista do TCE Flávio Conceição operava o braço armado para “acertar a jugular” de Marcelo Déda e forçá-lo a negociar. Cortado ao meio pela Operação Navalha, Flávio Conceição agora convalesce dos imensos remendos causados pelos atropelos judiciais que lhe ferem mortalmente a saúde física e moral. Marcelo Déda percebeu de pronto o alto custo material e político de juntar-se a Edvan Amorim. Beneficiário das estripulias maquinadas pelo empresário na eleição passada, quando juntos conspiraram para derrotar João Alves Filho, o governador resolveu esquivar-se. Marcelo Déda tem a estranha mania de governar por e-mail. Secretários despacharam pessoalmente com ele apenas duas vezes nos últimos 15 meses – ressentem-se da relação apenas virtual. Trata-se de um executivo peculiar, de difícil acesso até aos mais chegados. Um servidor público com hora para chegar e sair do trabalho. Só não bate ponto! Edvan Amorim estava acostumado a entrar sem bater nas portas. Depois de acertar a eleição “por unanimidade” de Flávio Conceição ao TCE em dezembro de 2006, ele nunca mais trocou um único dedo de prosa com o governador. Marcelo Déda depende de Edvan Amorim para manter a maioria no parlamento. Edvan Amorim tem a fidelidade partidária como trunfo e ostenta o atrevimento da discordância. Se quisesse, o governador poderia incitar o motim. Armas não lhe faltam. A deputada Susana Azevedo confessou a Flávio Conceição, numa conversa gravada pela Polícia Federal, receber um “mensalinho” de Marcelo Déda. Não bastaria aumentar a cota? Voltando aos negócios! Edvan Amorim disse não saber com quem deve tratar no governo sobre alianças municipais. Faz sentido buscar alianças fora deste círculo O resultado colide com o projeto de poder do governador Marcelo Déda. Talvez ainda haja tempo... .
NADA COMO TER BONS AMIGOS
Sergipe foi sorteado para receber auditores da CGU (Controladoria-Geral da União). Em abril, eles passaram a esmiuçar contratos do governo do PT com órgãos federais. Debruçados sobre algumas compras feitas com dinheiro do SUS (Sistema Único de Saúde), deram de cara com um turbilhão de tirar o sossego do governador Marcelo Déda. No meio da devassa, sem mais nem menos, o grupo recebeu um chamado inadiável para retornar imediatamente a Brasília.
Coisas de quem tem amigos influentes...

Terça-feira, 27.04.2008 – Ano II - Edição 268
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DUVIDAR É PRECISO
Algo não bate com a realidade. A pesquisa do Ibope de avaliação do governo Marcelo Déda destoa do noticiário. A aferição aponta o seguinte resultado: 47% acham o governo do PT ótimo e bom, 32% regular e 21% ruim e péssimo. Os números são os maiores obtidos pela gestão de Marcelo Déda desde janeiro de 2006 – o Ibope fez três avaliações até agora. O interessante está nas reações antagônicas do povo diante do pesquisador do Ibope e quando conversa com jornalistas e radialistas. Senão, vejamos: 61 mortes de crianças na Hildete Falcão sem qualquer explicação até hoje; epidemia de dengue, com mais de 20 mortes; hospital João Alves Filho em situação de penúria; fugas em presídios e delegacias; mais de 90 carros roubados apenas nos últimos cinco meses; mais de 420 ônibus assaltados em 2008 na Grande Aracaju, superando todos os casos registrados no ano passado; paralisação de serviços essenciais... A pesquisa do Ibope revela uma anomalia passível de aprofundado estudo. O povo adora o governo do PT e confia plenamente em Marcelo Déda (63%). Mas não pára de reclamar da falta de governo nas emissoras de rádio e TV e nos jornais. Pesquisas podem ser conduzidas ao gosto do freguês. Buscar a informação positiva onde ela está não significa necessariamente manipulação dos resultados. Pode ser este o caso da recente aferição feita pelo Ibope (apesar de o governo ter informado que ouviu 1.008 sergipanos entre 06 e 12 de maio). Outra possível explicação para números tão alvissareiros está no bem sucedido projeto de usar a mídia para difundir propaganda enganosa. Os filmes sobre água e segurança veiculados em emissoras abertas e nas TVs a cabo são vergonhosamente mentirosos. Apresentam, por exemplo, as adutoras do Alto Sertão e Sertaneja, obras projetadas e com financiamento contratado no ex-governo, como sendo de Marcelo Déda. Armas antigas são mostradas como novas; carros comprados no ex-governo e entregues somente no ano passado por força dos contratos são “idéias” do PT. Quem está em casa vendo TV e não usa os serviços públicos – os da Saúde, especialmente – não se dá conta da real situação nos hospitais geridos ou mantidos pelo governo estadual. Tende a acreditar nos depoimentos da propaganda do governo. Da mesma forma, quem não se locomove de ônibus e não passou pelo vexame de ser assaltado duas e até três vezes no mesmo trajeto, ao ouvir tantas “boas notícias” sobre a SSP se confunde. Tende a acreditar na informação massificada dez, vinte vezes ao dia. No noticiário a ação dos bandidos é vista apenas uma, duas vezes a cada dia. Num ano eleitoral, quando perder a Prefeitura de Aracaju significa permitir aos adversários sonhar com 2010, Marcelo Déda faz do marketing a principal, senão a única ação plenamente real do governo das mudanças para pior...
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DUAS CARAS
Posando de bom moço, o governador Marcelo Déda disse na TV no exato dia da chegada do ex-governador João Alves Filho, após o indiciamento pelo MPF na Operação Navalha, que não opinaria sobre o caso. Mesmo indiciados, não havia ainda um julgamento final dos acusados. Por enquanto, até prova em contrário, na opinião dele eram inocentes – suspeitos, no máximo. Já nos comícios, em cima dos palanques, o indefectível monarca que habita o ventre de Marcelo Déda surge rompante. Noite dessas, no Coqueiral, ao lado do deputado federal Jackson Barreto, o governador entregou-se por inteiro a baixaria. Corroborando com os discursos de JB e de políticos do mesmo quilate moral, Marcelo Déda desferiu seguidos golpes contra a honra de João Alves Filho. De “suspeito”, o Negão passou a “ladrão do dinheiro público”, dentre outras interessantes definições na mesma linha, sempre abaixo da cintura. A claque de servidores do governo e da prefeitura de Aracaju – era o lançamento de um programa de casas populares para favelados do governo federal, gerido por Edvaldo Nogueira – aplaudia a cada novo ataque. Tal conduta, no entanto, não surpreende. O PT sempre foi o partido da algazarra. Depois de alçar à Presidência da República, especializou na produção e difusão de escandalosas espertezas e na perseguição abjeta dos adversários e desafetos.
Marcelo Déda sabe o que diz quando fala sobre estripulias...

Segunda-feira, 26.05.08 - Ano II - Edição Número 267
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UNS SIM, OUTROS NÃO
Parlamentares da ala governista reclamam da oposição por estranhar a ausência do “número dois” entre os 11 sergipanos denunciados pelo MPF ao Supremo Tribunal Federal na Operação Navalha. Não há lógica na indignação. O caso “Gautama”, de fato, não começa com o pagamento de R$ 600 mil feito por Marcelo Déda em abril de 2006, atendendo ao apelo de Belivaldo Chagas, consoante acerto com o conselheiro-lobista do TCE Flávio Conceição. O quiproquó é mais antigo.
  • Parêntese importante – Por tratar-se de órgão extra-oficial do governo das mudanças para pior, o Jornal do Dia merece todo o crédito. A edição deste domingo fala em milhões e não em R$ 600 mil apenas, como valores pagos por Marcelo Déda à Construtora Gautama. Diante dos “novos” números, quem fala a verdade: o governo do PT, ao declarar quanto de fato repassou ou o JD. Seria mais outra das recorrentes barrigadas?

A primeira etapa da adutora do São Francisco foi inaugurada em 1980, no governo de Augusto Franco. Aracaju passou a ser a primeira capital do Nordeste abastecida pelo São Francisco. Em 1992, João Alves Filho iniciou o projeto para a duplicação do sistema, considerado obsoleto para atender à demanda futura. Coube a Albano Franco contratar a empreiteira, em 1997. Ao assumir o terceiro mandato (2003), João Alves Filho encontrou a obra em andamento com a Construtora Gautama. A adutora do São Francisco é uma obra gigantesca. Começou com Albano Franco, teve seqüência na gestão de João Alves Filho e segue no governo do PT. Custou até agora mais de R$ 220 milhões. Financiada pela Caixa Econômica Federal, a obra teve e tem todas as fases de construção fiscalizadas. Pela própria CEF e também pelo Tribunal de Contas da União. Três governos se passaram. Muitos personagens se envolveram com a empreiteira. Uns aparecem na denúncia ao STF. Outros não. O interessante é imaginar o desvio de R$ 178 milhões em três gestões – ou 80% do valor da obra – e a pecha de ladrão recair apenas sobre uns poucos (adversários). Evidências colhidas pela Polícia Federal suscitam surpresa ante a ausência de Belivaldo Chagas entre os indiciados, partindo do princípio de que a “suspeita” deveria valer para todos. Também, não se deve duvidar da possibilidade bastante plausível de perseguição política. Num país onde até ministros da mais alta corte de Justiça têm os telefones “monitorados” pelos arapongas do governo do PT, tudo é possível. A oposição, portanto, tem todo o direito de estranhar...

  • A TRANSPARÊNCIA DA MUSA DA PROBIDADE
  • Os oposicionistas na Assembléia tentaram a todo custo convencer a bancada do governo a endossar o requerimento à Secretaria de Comunicação solicitando o valor do "investimento" nas publicações onde a secretária Eloísa Galdino aparece com destaque.
  • Não houve acordo. O líder governista fez muxoxo do pedido de informação. Para Francisco Gualberto, transparência tinha serventia apenas quando o PT estava na oposição. Hoje, "mando eu!".
  • Quinze dias se foram e nada da Secom se manifestar, apresentando espontaneamente os contratos firmados.
  • Madame Galdino poderia agora mostrar que nada tem a esconder e revelar quanto finalmente pagou para posar para jornais, revistas e programas de TV, porquanto auto-proclamada musa da transparência e da probidade nas dezenas de entrevista que deu.
  • A conta, dizem certos desafetos, é de dar água na boca...

Quarta-feira, 21.05.08 - Ano II - Edição Número 266
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PARA QUAL LADO DÉDA PENDE?
O “autismo seletivo” proporciona ao governador Marcelo Déda traduzir a realidade como ele a deseja. Para tanto, conta com a lisonja do bando esquerdista infiltrado no rádio, TV e jornais, ávido por coadunar e difundir o anseio palaciano. Esta trupe tratou de evocar a esdrúxula sugestão de Marcelo Déda ao prefeito Edvaldo Nogueira de pedir na Justiça punição aos assessores do senador Almeida Lima, acusados de pichar a cidade com a hilária frase “Fora dengue, fora Edvaldo”. Pichação, não obstante o reflexo negativo desta conduta, especialmente do ponto de vista do prejuízo patrimonial e ambiental, constitui “apenas” um delito. Não tem potencial para aumentar a sensação de insegurança nem perpetra ato de violência. Mas há um crime ignorado tanto pelo governador das mudanças para pior quanto pela “turma do amém”, lotada nas redações e microfones: o de espionagem! A nova lei da escuta transforma em crime até mesmo a gravação de conversa própria, feita sem o conhecimento do interlocutor. A regra vale para gravações de diálogos telefônicos e para as chamadas escutas ambientais. Quem grava ou divulga conversas próprias ou alheias está sujeito à pena de prisão de um a três anos, mais multa. As “interceptações ambientais”, ainda não regulamentadas na legislação em vigor, foram incluídas na nova lei e seguem o mesmo rito legal das execuções e do sigilo de escuta telefônica convencional. Na semana passada, o radialista-deputado Gilmar Carvalho (Ilha FM) e o radialista-vereador Fábio Henrique (Liberdade FM) fizeram um carnaval com a gravação dos assessores de Almeida Lima. Divulgaram uma gravação feita clandestinamente por espião infiltrado na reunião de um partido político. Ninguém questionou quem gravou as conversas, com autorização de quem ou a pedido de quem e se rolou grana para a execução do serviço... Se a espionagem é crime passível de cadeia. A omissão de homens públicos ante um crime também merece séria reprimenda. O primeiro a ser ouvido pela Polícia deveria ser o deputado federal Jackson Barreto. De quem ele recebeu a fita? Como ficou sabendo do conteúdo? Por que resolveu divulga-la? Por seu turno, ao invés de pedir a punição de quem pichou ou tramou a pichação, o governador Marcelo Déda deveria por a SSP a vasculhar o submundo político de Sergipe para descobrir quem é o canalha que grava reuniões políticas alheias e se ele (ou ela) agiu por conta própria ou a mando de outrem. A história não perdoará o governador Marcelo Déda se cometer mais este ato de omissão. O governo dele já entrou para a literatura como “o das mudanças para pior”, “o das promessas ao vento”. Não seria de bom alvitre juntar a este desastroso cabedal o título de “o governo que acoberta espiões e permite o violento crime da espionagem dos adversários políticos”. Afinal, ficará o governador com a legalidade?
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VERGONHAS SELETIVAS
(Com informações de http://www.pensandoassim.com/) O deputado Augusto Bezerra estranhou o repentino acesso de rubor e vergonha da deputada comunista Tânia Soares, externado no plenário da Assembléia Legislativa depois da divulgação do indiciamento de 11 pessoas de Sergipe na Operação “Navalha” da Polícia Federal. Segundo a deputada, sergipanos residentes em outras paragens se sentiram constrangidos por ver na mídia conterrâneos em situação de desagravo moral, prejudicando a imagem do estado. Em boa hora, Augusto Bezerra questionou se o fato de Aracaju ser, proporcionalmente, a capital nacional da dengue também não envergonharia a nobre deputada e os sergipanos lá de fora. Considerando como verdadeiro o choroso pejo da deputada Tânia Soares, imagino como ela e os sergipanos de dentro e de fora do estado não se sentiram com a divulgação pelo Jornal Nacional da morte de 21 crianças decorrentes da imundície da maternidade pública estadual comandada pelo governo a que ela serve. Da mesma forma, deve ter doído muito quando a revista Veja gastou duas páginas inteiras da edição 1.955 de 10/05/2006, mostrando ao planeta Terra a famosa “Micareta Picareta”, com a farra do dinheiro público gasto nas homéricas festas de despedida do então prefeito Marcelo Déda para concorrer ao governo que ela serve. A deputada comunista Tânia Soares, como se vê, tem motivos de sobra para se envergonhar...
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ATÉ UM POSTE
A sorte da candidatura de Edvaldo Nogueira pode ser decidida nas próximas semanas. Pesquisas para consumo interno encomendadas pelo governador Marcelo Déda apontam resultados sofríveis para o candidato governista. Quando a eleição se polariza entre o prefeito-candidato Edvaldo Nogueira e o ex-governador João Alves Filho, o Negão dá uma surra de dá dó. O mesmo ocorre quando Edvaldo Nogueira é confrontado com o ex-deputado Fabiano Oliveira. Até o empate técnico com o senador Almeida Lima soa como derrota antecipada do candidato sem carisma ou apelo eleitoral. A piada dentro das hostes governistas é que Edvaldo Nogueira perde até se concorrer com um poste. Quanta maldade...

Terça-feira, 20.05.08 - Ano II - Edição Número 265
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FALTOU ÓLEO DE PEROBA
A sexta-feira foi movimentada no Calçadão da Rua João Pessoa. A CUT fez manifestação de protesto pela passagem do primeiro aniversário da Operação “Navalha”, da Polícia Federal. A CUT está de bolsos cheios. Ganhou do governo Lula da Silva a parte de um quinhão de mais de R$ 100 milhões distribuídos de mão beijada às centrais sindicais somente neste ano. Dinheiro do vergonhoso Imposto Sindical, tributo descontado de todo trabalhador com carteira assinada, que deixou de ser “empecilho ao livre exercício da representação sindical”. Nascida das entranhas do PT no histórico Primeiro Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (28/08/1983, São Bernardo do Campo, SP), a CUT não tem moral para cobrar decência de ninguém. A CUT está embaraçada demais para poder pedir a punição dos responsáveis pelo “mensalão”, “dólares na cueca”, “dólares na mala”, “máfia dos Correios”, “quebra do sigilo do caseiro”, “máfia dos cartões corporativos”, “capina em terreno cimentado de postos de saúde”, “micareta picareta”, “mortes da Hildete Falcão”, “milhões em compras sem licitação”, “CPI da Deso”, “escândalo da merenda escolar”, “o descalabro da epidemia de dengue”... A Central Única dos Trabalhadores, na falta do que fazer depois de admitida no paraíso da finança fácil bancada com o suado dinheiro dos operários brasileiros, sai às ruas a cobrar do alheio o que não pode cobrar de si mesma nem dos companheiros do PT. Durante o ato de sexta-feira, a CUT distribuiu pizza, doce de leite e vinho (vagabundo). Faltou distribuir óleo de peroba... .
FALTA NOTÁVEL
Observou-se a ausência de algumas estrelas na manifestação de protesto da CUT na sexta-feira. O governador Marcelo Déda, por exemplo, deveria estar lá. Outro que não poderia ter faltado é o “número 02”, Belivaldo Chagas. Nem tampouco o presidente da Deso, Max Montalvão. Em 14/03/2007, conforme escuta telefônica gravada pela PF com autorização da Justiça, Belivaldo Chagas teria acertado o pagamento de duas faturas, cuja soma chegava a R$ 1,1 milhão, com o conselheiro-lobista do TCE (Tribunal de Contas do Estado) Flávio Conceição. Em abril, uma repentina viagem do “número 01” pôs o comando do governo das mudanças para pior sob a tutela do vice-governador. Foi quando Max Montalvão teve a brilhante idéia de pagar, naturalmente por conta própria, R$ 600 mil reais à Construtora Gautama. Dias depois, a casa caiu. A Operação “Navalha” pegou todos de surpresa – ou quase todos! Marcelo Déda, para lavar as mãos, disse que Max Montalvão pagou “porque estava tudo correto”. Vem a oposição e sugere a CPI da Deso. A bancada comandada pelo líder governista Francisco Gualberto – outro eminente grupo ausente à manifestação da CUT – tem trabalhado contra a proposta. Na semana passada, o MPF (Ministério Público Federal) encaminhou ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) denúncia contra 61 almas, acusadas de abusar do dinheiro público. Assim como esteve ausente na manifestação da CUT, o vice-governador sergipano também, inusitadamente, não estava entre os indiciados pelo MPF. Certamente os diálogos gravados pela PF, onde Belivaldo Chagas diz que já “conversou com o número 01!” e “está tudo ok!”, nem a consolidação posterior dos acertos através do pagamento à Gautama foram “evidências” relevantes para fazê-lo incluso. Homem de sorte o governador Marcelo Déda...

Segunda-feira, 19.05.08 - Ano II - Edição Número 264

Mais uma vez peço desculpas ao estimado público leitor pelo espaçamento na publicação de novas edições. Afazeres profissionais limitam o exíguo tempo. Bem, mas voltamos à trincheira...
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QUEM GRAVOU?
A semana encerrou com a enigmática sugestão do governador Marcelo Déda a Edvaldo Nogueira para processar judicialmente aliados do senador Almeida Lima, acusados pelo deputado federal Jackson Barreto de pichar muros e paredes em Aracaju com “frases desabonadoras à imagem” do prefeito comunista. Tudo começou terça-feira, no programa do radialista-deputado tampão Gilmar Carvalho. Jackson Barreto disse ter em mãos gravação com o ex-vereador Marcélio Bomfim, assessor de Almeida Lima, comandando pichadores e alertando para não falarem no nome do senador, caso fossem pegos em flagrante. As pichações com a frase “Fora dengue, fora Edvaldo” apareceram na semana retrasada, na madrugada da quinta-feira. Para Jackson Barreto, “a campanha nem começou e a baixaria já corre solta”. Sobre baixarias em campanhas eleitorais – e também, antes e depois delas –, o nobre deputado, cujo histórico judicial tem quase cinco quilômetros de extensão, é catedrático. O hoje sexagenário Jackson Barreto, talvez em respeito às madeixas brancas tingidas de acaju, não negou as delinqüências da juventude. Ele contou a Gilmar Carvalho, vertendo as homéricas e onipresentes lágrimas de crocodilo, sua epopéia como pichador. Àquela época, pichava-se por uma causa justa: derrubar a ditadura! Jackson Barreto, contudo, não encerrou a carreira de pichador com o fim da ditadura, como fez crer no programa do Cão-Cão. Preceptor de toda uma geração de grandes pichadores de esquerda, o deputado deu continuidade ao uso indiscriminado da pichação como instrumento covarde para achincalhes virulentos contra a honra e a moral dos adversários também no período democrático. Jackson Barreto, inclusive, tinha cuidados especiais com sua trupe de elite de pichadores de alta confiança. Batizou um deles, o ex-vereador Luis Carlos dos Santos, com a sugestiva alcunha de Branca de Neve, para despistar a Polícia. Negro, forte e alto, Branca de Neve passava incólume pelos policiais, que procuravam “o cara branco e franzino”. Marcélio Bomfim foi colega de pichação de Jackson Barreto, Marcelo Déda, Edvaldo Nogueira e de uma centena de outros vanguardistas da esquerda sergipana, especialistas em borrar muros e paredes. Um dos mais lendários causos, sempre rememorado quando os mestres da pichação têm encontros etílicos para enaltecer o passado glorioso, conta da “timidez” de Marcelo Déda. Na hora de pegar na brocha para pichar a antológica frase “Abaixo a ditadura!”, o esgalgado estudante de Direito sempre dava um jeitinho de escapar de fininho – quem era preso, invariavelmente tomava uns tabefes. A obscura atitude de Marcelo Déda de induzir o prefeito comunista a pedir ao Judiciário para punir os pichadores de hoje revela um interessante sintoma de “autismo seletivo”. Para ele, a percepção da (real) realidade é apenas a que lhe convém. Marcelo Déda, de fato, deveria mandar descobrir o verdadeiro criminoso de toda essa pendenga. Afinal, quem invadiu a reunião do PMDB e gravou clandestinamente todas as conversas tratadas e em seguida repassou a fita gravada – graciosamente ou recebendo algum provento – a um político adversário do grupo pichador? O precedente é perigoso! A SSP precisa urgentemente investigar – e descobrir, claro! – quem é o autor das gravações, quem mandou gravar e se houve transação comercial das informações (a fita em si), cujo teor, apesar de risível, expõe as entranhas do modus operandi de uma entidade de direito público supostamente inviolável. Estaríamos diante de um PMDBgate? Jackson Barreto e Marcélio Bomfim tiveram a vida esmiuçada pela ditadura. Ambos sofreram o horror do confronto direto com um regime de exceção arbitrário. O deputado diz que parou de pichar. O assessor foi flagrado ordenando pichações. A grande diferença é que a bisbilhotice de agora acontece num ambiente de suposta democracia! Lamentável, porém, é que um chefe de Governo esteja mais preocupado em garantir punição a quem pichou a hilária “Fora dengue, Fora Edvaldo” do que por investigar quem é o canalha que anda gravando as reuniões políticas alheias. Mesmo sendo um “advogado chumbrega” (conforme foi definido pelo compadre-presidente Lula da Silva), Marcelo Déda deve conhecer minimamente de leis. Sabe não ter havido crime na pichação. Mas há um crime que Marcelo Déda pode contribuir para elucidar, por ter o instrumental necessário. Daria, por conseguinte, grande contribuição à manutenção do Estado de Direito e à prerrogativa constitucional da privacidade. Afinal governador, dá para mandar saber quem gravou a reunião?

Terça-feira, 12.05.08 - Ano II - Edição Número 263

GENTE, NÃO PERCA TEMPO
O descaramento da banda podre da imprensa sergipana é notório. Mas nada supera o engajamento da camarilha do Jornal da Cidade. Bastou o governo da mudança para pior rebatizar o Hospital João Alves de Huse (Hospital de Urgência de Sergipe) para o bando esquerdista infiltrado no JC reproduzir a hilária cantilena. Porventura passou pela cabeça dos áulicos jornalistas do Jornal da Cidade estar o povo alheio à imposição do novo nome? .
NA CORDA BAMBA
Pode até ser verdadeira a afirmação do deputado-secretário de Saúde, Rogério Carvalho, quanto a ter gasto menos em dispensa de licitação – ele prefere chamar de “dispensa emergencial” – em 2007, que o ex-governo em 2006 (Jornal da Cidade, 11/05). A questão, porém, reside na aplicação digna dos recursos. Existem suspeitas de superfaturamento em várias compras – algumas, inclusive, estão sendo “avaliadas” pelo TCU (Tribunal de Contas da União) e pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado). Por conta disso, o vice-líder da bancada de oposição na Assembléia, Augusto Bezerra, já protocolou no TCE duas representações contra Rogério Carvalho. Ambas pela contratação de R$ 171 milhões sem licitação, só no ano passado. É aguardar o resultado... .
QUEM NÃO CHORA...
Uma coisa é certa. Só saiu com alguma grana a mais na disputa pela reposição salarial entre os sindicalistas do PT e o governo das mudanças para pior quem esbravejou mais alto. Apesar dos recados ameaçadores do governador Marcelo Déda aos policiais, os milicos e civis foram os grandes beneficiados – um coronel da PM passa a receber R$ 8,8 mil. Saíram-se melhor até que os professores, tradicionalmente mais aguerridos. No caso dos professores, aliás, a derrocada da categoria é vergonhosa. Quem ganha mil reais de salário-base, por exemplo, vai receber em maio R$ 1.050,00 + 60% de regência (se tiver). Quem também bradou grosso e acabou “sensibilizando” os ouvidos de sua alteza foram os sindicalistas petistas do fisco! Agregam a partir de agora algumas gratificações ao salário final. Já quem não pôde reclamar ou fazer greve – caso dos sindicalistas petistas da saúde, por conta da epidemia de dengue –, terá de se contentar com 5% de reajuste linear. Pior ainda para quem recebe o salário mínimo e não conta nem com sindicalistas do PT para defendê-los nem com qualquer outro tipo de sindicalista. Como o reajuste nesta faixa de remuneração é definido pelo governo federal, o “aumento” vai repor apenas as perdas inflacionárias e ponto final. Assim, o ditado “quem não chora não mama” cai como uma luva para definir a relação entre os petistas dos sindicatos e os petistas governistas. Interessante, muito interessante...

Segunda-feira, 11.05.08 - Ano II - Edição Número 262

ENTREVISTA
Nesta segunda-feira será apresentada pela TV Cidade a entrevista que concedi a Gélio Albuquerque na sexta-feira. Trato, entre outras questões, do processo movido contra mim pelo deputado-secretário estadual de Saúde, Rogério Carvalho. O programa vai ao ar às 23h45 e será reprisado na terça-feira no mesmo horário. .
QUADRIMESTRE FECHA
COM 400 ÔNIBUS ASSALTADOS
A edição 174 (22/10/2007) deste ABRA-O-OLHO informou sobre a instalação de câmeras de vídeo em 70% da frota do sistema integrado de transporte da Grande Aracaju. Custaram às empresas de ônibus e a Secretaria de Segurança Pública 500 mil reais. O secretário Kércio Pinto dizia que elas inibiriam os assaltos. Os empresários do setor e os trabalhadores dos coletivos definiram a cantilena do delegado como grandiosa balela. Na dúvida quando ao efeito das câmeras, o próprio Kércio Pinto se comprometeu a manter o policiamento ostensivo nas proximidades de pontos de parada e terminais. Não cumpriu a promessa. Lá se vão sete meses e 19 dias desde a primeira semana de funcionamento das câmeras e os bandidos nem deram conta delas. Aliás, a polícia também não. Servem apenas de enfeite. O presidente do Sintra (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Aracaju), João Batista, não sabe precisar o tamanho do estrago ou mesmo fazer a média mensal exata de assaltos. O dado oficial aponta que entre janeiro e abril deste ano foram registrados 401 assaltos a ônibus. Excetue-se daí os ocorridos durante o período de greve da Polícia Civil, que suspendeu as atividades e, conseqüentemente, o registro de boletins de ocorrência. Somente na quarta-feira passada sete veículos foram rendidos pelos bandidos no Conjunto Jardins e no Parque dos Faróis. Entre sexta-feira e a madrugada de ontem, mais seis ocorrências foram registradas. Agora são 407 assaltos... A Zona Norte da cidade virou palco de guerra: bandidagem x população pobre. Pois a polícia sumiu! O governo das mudanças para pior resolveu fechar a delegacia plantonista da região. A situação passou de péssima para degradante. Há um consenso sobre a incapacidade do governo do PT de gerir a segurança pública. Mas não se pode culpar unicamente a cúpula petista da SSP por todas as mazelas. Os petistas infiltrados nas Polícias Civil e Militar e nos sindicatos compartilham a (ir)responsabilidade. Não se justifica ocorrerem assaltos sempre nas mesmas rotas e horários e não haver ação preventiva, apenas porque petistas em desacordo com o governador Marcelo Déda resolveram trabalhar contra o governo das promessas ao vento! As pendengas, contudo, devem arrefecer. O processo de reestruturação salarial da categoria foi aprovado. No final deste mês, os policiais receberão 5% de reajuste. Em junho, as gratificações serão incorporadas. Em dezembro de 2010, a base salarial será de 45% do valor pago aos delegados – hoje em torno de R$ 7,8 mil. A carga horária de trabalho passa de seis para oito horas diárias, fechando em 40 horas semanais. Espera-se agora que a cúpula petista da SSP e os petistas infiltrados na polícia e nos sindicatos se entendam e passem a trabalhar para livrar o povo pobre desta epidemia de assaltos a ônibus. Salário baixo deixou de ser um problema...