Terça-feira, 04.03.2008 - Ano II - Edição Número 234

CRITICAR É PRECISO
Quanto às queixas de alguns leitores, relativas ao comentário de ontem sobre o viaduto Déda. A obra está pronta e serve à cidade. Isso basta! Porém, vale lembrar, quando o PT era oposição, as realizações dos governistas de então eram duramente criticadas. Algumas, como a ponte João Alves, foram transformadas em monstros inúteis. É justo, portanto, que os governistas de agora sintam o gostinho do próprio veneno. Da crítica sumária pela crítica. E só! Se para trafegar pelo viaduto Déda, motoristas de carreta precisam ser habilitados nos laboratórios da Nasa, a chacota serve apenas para irritar os autores e construtores da obra. E só! E ainda: para chegar ao destino usando uma das alças do viaduto bem cedo de manhã, é preciso um enorme exercício de paciência. Basta tentar pegar a Hermes Fontes, vindo do sentido Avenida Augusto Franco. O conta-gotas provocado pelo acesso estreito faz muita gente desistir de usar o viaduto e seguir em frente. Como se vê, problemas existem. Quanto às críticas, trata-se do nobre e salutar exercício da democracia; da alternância de poder: quem hoje é governo, amanhã pode voltar ao limbo da oposição; e do livre direito de opinar sobre absolutamente tudo! Tudo... É a vida!
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OS PSICOTRÓPICOS DO PT
A depender do comportamento do Ministério Público e da Justiça, a operação conjunta da Polícia Federal e Agência Nacional de Vigilância Sanitária no Hospital João Alves, visando combater o tráfico e consumo indevido de psicotrópicos, pode enodar a já deslustrada imagem pública do governo da mudança. Existe a suspeita do envolvimento de servidores do hospital no caso que culminou com a prisão de um médico de fora de Sergipe, acusado de usar pacientes fictícios para obter ilegalmente remédios controlados. Até este ponto, em tese, não haveria comprometimento da direção do João Alves. Porém, na formatação da defesa prévia, a Secretaria de Saúde deixou vazar que não tinha controle sobre o estoque de medicamentos por conta de anotações desencontradas no livro do almoxarifado do agora rebatizado Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), motivo que teria facilitado o acesso fácil da quadrilha aos psicotrópicos. Esta seria a única grande responsabilidade do hospital. É aqui que o bicho pega... Em novembro de 2006, após atender todas as exigências da Agetis (antiga Prodase), entrou em operação o sistema informatizado de gestão hospitalar, assistencial e financeira do João Alves. Criado pela MV Sistemas, o software permite o controle de toda a cadeia gerencial, inclusive do estoque da farmácia. O programa da MV Sistema atende mais de 400 hospitais públicos e privados do Brasil inteiro, dentre os quais se incluem nosocômios com nível de acreditação 3 – ou seja, top no setor. A pergunta é: como, depois de quase um ano e meio da implantação de uma das mais atuais e eficientes ferramentas de gestão informatizada em uso no planeta Terra, o Hospital João Alves ainda utilizava o velho e rabugento livro de anotações para manter em dia o controle do estoque dos fármacos? A resposta é simples! Quando assumiu a Secretaria de Saúde, sob a alegação de garantir que ninguém ligado ao ex-governo ou mesmo suspeito de ter alguma ligação pudesse “sabotar” as mudanças propostas pelo PT, o deputado-secretário Rogério Carvalho substituiu centenas de servidores por cabos eleitorais dele. Gente que seis meses antes segurava bandeiras de propaganda da sua candidatura à Assembléia nas esquinas das cidades sergipanas. Resultado: incapazes de manipular minimamente um software tão complexo, os novos “servidores” seguiram realizando o controle de estoque pelo moderno método – do século retrasado, claro! – da caneta e do papel. Caso o sistema fosse alimentado corretamente com as entradas e saídas, a farmácia do João Alves teria total controle sobre o quantitativo de remédios nela existentes. Pois o sistema é a prova de falhas. E no tocante aos psicotrópicos, o próprio software gera um relatório específico e aparte dos demais medicamentos, para as eventuais fiscalizações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Diante dos fatos, a direção da Secretaria de Saúde e do João Alves tem sim senhor(a) culpa no cartório, pois calou ante o aparelhamento irresponsável do hospital, para uso exclusivamente político de Rogério Carvalho. A incompetência dos apaniguados do deputado-secretário facilitou a ação dos bandidos, assim como contribuiu para as mortes de mais de 60 crianças na maternidade Hildete Falcão e de dois adultos na UTI do próprio João Alves por conta da imundície em meados do ano passado. O governador Marcelo Déda também tem sua parcela de comprometimento por aceitar passivamente a contratação de pessoal com pouca ou nenhuma qualificação técnica e por não cobrar dos assessores o treinamento adequado e rigoroso para quem vai assumir funções vitais à máquina. Só podia dar no que deu! O melhor exemplo da politicagem desmedida e sem critério do médico Rogério Carvalho está na chefia do departamento de higienização do Hospital João Alves, aquela de quem deve ser cobrada a limpeza da casa de saúde. Responde pelo setor um nutricionista sem qualquer experiência anterior numa área tão sensível e que tem na ficha funcional a perda de duas férias por conta do excessivo número de faltas ao trabalho. Da mesma forma, para dirigir a farmácia do Huse, mesmo havendo 14 farmacêuticos no quadro do hospital, Rogério Carvalho optou por importar inteligência. Contratou um profissional de outro estado cujo único predicado “superior” aos farmacêuticos de Sergipe é ter brilhando na testa a estrela vermelha do PT e privar da amizade dele. Mas quem pode, pode! Quem não pode...

Segunda-feira, 03.03.2008 - Ano II - Edição Número 233

LULA, CABO ELEITORAL DE JOÃO

Na viagem de quinta-feira ao Nordeste, segundo Cláudio Humberto (Correio de Sergipe, 01.03), o presidente Lula da Silva celebrou no Air Force 51 as quatro vitórias consecutivas do Corinthians. A notícia talvez explique a contagiante “empolgação” do Grande Molusco na inauguração do viaduto Déda. Como se sabe, nas alturas cada dose equivale a três em terra firme.
Naquela noite inesquecível, quando chovia horrores em Aracaju, Lula da Silva fez dos sergipanos, mais uma vez, testemunhas passivas de como age em estado alterado de consciência. A mais alta autoridade do País permitiu-se soltar a língua.
Depois de saber do desempenho de João Alves Filho nas pesquisas de opinião para a prefeitura aracajuana, o Grande Molusco não se conteve: “Ele (JAF) trava os dentes e morde a língua quando Marcelo Déda faz algo certo, torcendo para dar errado e você (Déda) quebrar e cara para dizer que só ele sabe governar”.
Pobre prefeito-candidato Edvaldo Nogueira. Na noite mais feliz da sua vida, quando após ano e meio de labuta inaugurava uma obra 80% conduzida por ele, foi relegado a capacho dos petistas. Era Marcelo Déda quem levava os louros pelo viaduto Déda...
O presidente, mesmo incontido pela “marvada”, teve um bom motivo para atacar o ex-governador. Perder a prefeitura de Aracaju neste instante político sepultaria os planos dele de transformar Sergipe em feudo do PT.
Contudo, dar “palanque” à cobra-criada, falando um tom acima do permitido pelo bom senso, é um tiro no próprio pé. Cada mera citação do Negão pelos governistas, seja apenas para criticá-lo, converte-se em espaço gratuito para ele na mídia!
Quem diria: Lula da Silva, cabo eleitoral de João Alves Filho...
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CARRETA EMPACA NO VIADUTO DÉDA

O viaduto Déda, assim batizado em homenagem ao avô do governador Marcelo Déda, seria na opinião da oposição mais uma das inúmeras manifestações de querência à similitude demonstrada pelo governo da mudança para equivaler-se em realizações ao ex-governo.
Uma ponta de verdade existe. As duras críticas à ponte Aracaju/Barra por causa do nome do pai do ex-governador, levando o povo a recordar eternamente do nome do próprio, tiveram sua “compensação”: a maior obra concebida pela administração Marcelo Déda na prefeitura é exatamente o viaduto Déda.
Agora, apesar de plenamente concluído, o Viaduto Déda não pára de gerar atrito entre oposição e governo. O pessoal “do contra” dizia horrores da obra. Que ônibus, caminhão e carreta ficariam entalados ao tentar passar. Os governistas desdenhavam da chacota.
Mas não é que o imponderável aconteceu!
Tão logo foi aberto ao tráfego, nas primeiras horas da sexta-feira, o viaduto Déda teve sua primeira prova de fogo. Desacostumados com os novos sentidos viários, os motoristas criaram grande confusão. Resultado: uma carreta não completou a volta num dos retornos e acabou destruindo parte da guia e da grama recém-plantada no canteiro.
As fotos da carreta atolada no gramado, para regozijo dos opositores de Marcelo Déda e Edvaldo Nogueira, foram publicadas nas edições de sábado do Jornal da Cidade e Correio de Sergipe e podem ser vistas aqui.
É torcer para ter sido apenas um mero incidente!

(Clique na foto para ampliar / Fotos de Fernando Silva/CS)

Sexta-feira, 29.02.2008 - Ano II - Edição Número 232

A EUGENIA DE ROGÉRIO CARVALHO
O inesquecível milagre do hospital perfeito, que literalmente limpou os sobrecarregados corredores do João Alves, volta à discussão depois de o deputado-secretário estadual de Saúde Rogério Carvalho se vangloriar no rádio (Rede Ilha, 27.02) de ter acabado com o "Corredor da Morte". O fiel escudeiro do governador Marcelo Déda não teve coragem de dizer. No entanto, para substituir o macabro "Corredor da Morte", ele implantou um sistema muito interessante, apelidado pelos servidores do agora rebatizado Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) de "Altas da Morte". O sistema é simples e tem a mesma eficiência da política de eugenia implantada pelos nazistas durante a II Guerra Mundial, para exterminar o maior número possível de "imprestáveis". No caso do Hospital João Alves, a política do médico Rogério Carvalho é negar atendimento aos pobres que não passam pela "triagem" ou mandar para casa pacientes não totalmente curados.
Resultado: aos olhos dos desavisados, o governo do PT cumpre com maestria a promessa de mudar a saúde pública. Porém, construída sobre pés de barro, tal mudança não resiste a um mínimo sopro da verdade. O povo que o diga - e tem dito no rádio e na TV! Pior ainda é assistir ao silêncio-cúmplice do Conselho Regional de Medicina, do Ministério Público e até dos médicos do João Alves diante dos óbitos decorrentes da eugenia rogeriana. Em qualquer outra parte do universo onde as leis funcionassem, Rogério Carvalho e seus asseclas vestidos pomposamente de branco penariam na cadeia por quebrarem o solene juramento de salvar vidas.
Mas para certas tipos desobrigados, assim como foi para tantos outros oportunistas espalhados pela história humana, o que vale é manter a pose. Custe o que custar, morra quem morrer... . . SERÁ QUE AGORA VAI?
Deve ser louvada a coragem do promotor de Justiça Rony Almeida ao ajuizar uma ação civil pública determinando o início das atividades do Hospital Pediátrico José Machado de Souza (anexo ao Hospital João Alves), inaugurado em dezembro de 2006. O prazo para a abertura da unidade é de 60 dias.
O promotor, segundo fontes do MPE, teria ameaçado deixar a Curadoria de Saúde caso a ação não fosse imediatamente encaminhada ao Judiciário. O governo do PT descaracteriza totalmente a estrutura física da unidade hospitalar para funcionar como pronto-socorro. Rony Almeida entende que a reforma em curso, ao custo de mais de R$ 1 milhão, seria um "desvio de finalidade". Na ação, ele comenta que "dessa forma, o hospital deixa de atender crianças e adolescentes necessitados dos serviços médicos".
Já não era sem tempo! O Ministério Público tem agido com estranha passividade nos casos envolvendo o governo do PT, especialmente na área da Saúde. Num passado recente, o MP parecia mais ágil, atento, dinâmico. Hoje, como se tomado pela apatia, deixa sob o manto do esquecimento casos graves, até hoje não totalmente explicados.
Estão vivas na memória do povo, por exemplo, as mortes de mais de 60 crianças num período de três meses por conta da imundície da hoje extinta Maternidade Hildete Falcão enquanto uma maternidade de ponta era mantida fechada por puro capricho, bem como as baixas na UTI do João Alves pelo mesmíssimo motivo. Contratações irregulares, compras de mais de R$ 200 milhões sem licitação, descontrole do material de almoxarifado, pacientes dependentes de remédios controlados e altamente caros entregues à própria sorte, cirurgias interrompidas no meio dos procedimentos por falta de material... Tudo isso parece não ter despertado o interesse da briosa Curadoria de Saúde, comandada pela promotora Miriam Teresa Cardoso Machado.
A saudade daqueles tempos, quando outros governantes tinham no MP um vigilante arguto para evitar as mazelas que agora contaminam de ponta à cabeça o governo da mudança, finalmente é recompensada pela determinação do promotor Rony Almeida ao garantir que o Ministério Público vai insistir - isso mesmo, INSISTIR! - na abertura do hospital infantil e para isso aguarda somente a decisão do poder judiciário.
Resta, então, esperar pelos senhores das leis...

Quarta-feira, 27.02.2008 - Ano II - Edição Número 231

MARCELO DÉDA FICA OU SAI?
Assessores do prefeito-candidato Edvaldo Nogueira comentam com satisfação sobre a possibilidade de afastamento de Marcelo Déda do cargo de governador por dois, quem sabe até três meses, para coordenador pessoalmente a campanha de Foguinho à reeleição. Ontem, esta publicação dizia o seguinte sobre como está a administração estadual, ao comentar a situação de penúria da Segurança Pública: “É por essas e outras que o governador Marcelo Déda deveria dar um tempo nas tarefas políticas e se dedicar de verdade à gestão da máquina. Entregue ao bel-prazer de secretários como Kércio Pinto, o governo comandado pelo PT vai de mal a pior. Apenas na propaganda a coisa anda bem... Fora dela, reina o caos, a esperteza desmedida e a embromação descarada!”. Na verdade, quem conhece Marcelo Déda de perto sabe de sua ojeriza à labuta executiva, motivo pelo qual delega a assessores de confiança tarefas para ele consideradas hercúleas, como planejar, discutir, arregimentar e, acima de tudo, cobrar resultados. Tão logo assumiu, o governador da mudança se empenhou em desfazer a imagem da gestão anterior, tratando tudo o que foi feito com discursos ácidos, nos quais não faltavam acusações de toda ordem. Também esteve dedicado a projetar-se nacionalmente, aproveitando a brecha que tem na grande imprensa, quem sabe para angariar a simpatia de pretensos candidatos a presidente - sim, o governador de Sergipe sonha compor uma chapa à sucessão do Grande Molusco como candidato a vice-presidente. Não sobrou tempo para materializar as promessas feitas nos palanques durante a espetacular campanha! Na sexta-feira passada, por ocasião da posse dos novos dirigentes do PT, Marcelo Déda se auto-proclamou coordenador da campanha do comunista-prefeito de Aracaju. Era de se esperar, portanto, que viesse a se dedicar em tempo integral ao pleito. O príncipe petista sofre calafrios horríveis só de imaginar a chegada de um oposicionista à prefeitura, comenta uma fonte bem próxima dele. Especialmente alguém disposto a esmiuçar cada centímetro quadrado das duas administrações que fez. Por que será? Uma devassa de tal monta poderia revelar alguma mazela ainda entocada, talvez podendo comprometer planos futuros? Ninguém sabe... Diante de tais fatos, caso Marcelo Déda se afaste mesmo do cargo pelo tempo que desejar e venha de fato se engajar de corpo e alma na campanha, bom mesmo será para Foguinho. Pois, pelo andar da carruagem, a saída dele em nada alterará a rotina comezinha do governo do PT. Se até agora, 15 meses depois da posse, as propaladas mudanças aparecem apenas nos anúncios dos jornais, rádios e TVs, com a devida proteção dos Céus, pior não haverá de ficar! E mais: derrotar Edvaldo Nogueira sozinho ou tendo como penduricalhos Jackson Barreto, João Augusto Gama, Antônio Carlos Valadares... teria um sabor menor para o vencedor. Uma coisa é destronar um sujeito sem cabedal eleitoral como Foguinho e seus correligionários com parca ou nenhuma expressão política. Outra é tirar o docinho da boca do próprio Marcelo Déda, num terreno onde ele ciscou impávido por duas eleições, derrotando fragorosamente os adversários ainda no primeiro turno e garantindo a hegemonia política que hoje detém em todo o estado. Parte respeitável da oposição aposta na histórica resistência do eleitorado da Capital à concentração de poder para alcançar a vitória. Somente uma única vez nos últimos 23 anos elegeu-se um prefeito alinhado com o governador. Naquele longínquo 1984, Jackson Barreto recebeu de mão beijada a prefeitura de Aracaju, surfando na imensa popularidade de João Alves Filho no primeiro mandato. De lá para cá, a festa governista acabou. Seria Marcelo Déda o primeiro mandatário a quebra tal paradigma, dando um drible a la Garrincha nos adversários e consolidando de vez a centralização de toda a política do estado apenas num único grupo, após quase 30 anos de luta? A dúvida persiste. Dizia o ex-governador mineiro Magalhães Pinto: "Política é como nuvem, a todo instante muda de lugar". E eleição, não esqueça, é sempre uma caixinha de surpresas...

Terça-feira, 26.02.2008 - Ano II - Edição Número 230

ERRATA
Na edição de ontem (229), informou-se um número equivocado. A constante estabilidade do ex-governador João Alves Filho, observada nas pesquisas feitas pelo Instituto Padrão, está sempre acima dos 40% e não dos 45%, como foi incorretamente informado.
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AS QUALIDADES DE KÉRCIO PINTO
Quando era estudante na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Sergipe, no início da década de 1980, Marcelo Déda teve os primeiros contatos com o hoje delegado da Polícia Federal Kércio Pinto. À época, o atual secretário de Segurança Pública de Sergipe era “olheiro” do regime militar, tendo a responsabilidade de produzir relatórios sobre as atividades “subversivas” do alunado envolvido com a política estudantil. Berço para o fomento de idéias contrárias à ditadura e manjedoura dos militantes esquerdistas. Apesar da formação em Direito, Marcelo e Kércio seguiram rotas profissionais distintas. O destino, contudo, tratou de uni-los, desta feita como chefe e subordinado. O governador da mudança apostou alto na competência do policial. Porém, a insegurança transformou a propalada esperança de dias melhores no desalento de o passado ter sido menos doloroso – a sensação de violência é muito maior agora! Mas não é por falta de dinheiro para combater a criminalidade! No Cinform de ontem, o perito criminalista Anselmo Cardoso apresentou mais uma das recorrentes e incontáveis mazelas do governo do PT. Segundo denunciou, a SSP “jogou no lixo” quase R$ 1 milhão com gratificações indevidamente pagas a funcionários alheios à Coordenadoria Geral de Perícia. Ainda de acordo com Anselmo Cardoso, Kércio Pinto sabe das irregularidades e teria até a lista dos “assessores” beneficiados. Todos indicados pessoalmente por ele. O secretário dedo-duro de estudantes fingiu preocupação e agiu como faz no combate ao crime: não fez nada! As bem-aventuranças de Kércio Pinto para favorecer quem lhe dá suporte político na SSP vão longe. O perito ouvido pelo Cinform revelou também que funcionários do Instituto de Identificação estão à disposição da agremiação sindical Sincongerp, sem inscrição no Cadastro Nacional de Registro Sindical do Ministério do Trabalho. Colegas sufocados pela extenuante escala de serviço pediram ao secretário o retorno dos servidores às atividades fins. Para dar guarida aos seus apaniguados, ao invés de atender à solicitação, ele encaminhou um pedido parecer à Procuradoria-Geral do Estado visando garantir a permanência dos “sindicalistas” onde estão. É por essas e outras que o governador Marcelo Déda deveria dar um tempo nas tarefas políticas e se dedicar de verdade à gestão da máquina estadual. Entregue ao bel-prazer de secretários como Kércio Pinto, o governo comandado pelo PT vai de mal a pior. Apenas na propaganda a coisa anda bem... Fora dela, reina o caos, a esperteza desmedida e a embromação descarada! PS - Em sua obra prima “O Homem Sem Qualidades”, o escritor austríaco Robert Musil tratou sobre a “consciência” moderna. Dizia ele: "Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar. Ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez e só um caminho, e está sempre em desvantagem". Trata-se de uma interessante ambigüidade, que cabe como uma luva para definir este momento estranho vivido pelos sergipanos!

Segunda-feira, 25.02.2008 - Ano II - Edição Número 229

SOLIDARIEDADE AO GOVERNADOR MARCELO DÉDA
A casa legislativa estava cheia. Quando o governador Marcelo Déda entrou no plenário da Assembléia sexta-feira à noite para dar posse aos dirigentes recém-reeleitos da direção do PT, foi aplaudido efusivamente. A ovação, porém, não o fez mudar um único milímetro do propósito de aproveitar a ocasião para espezinhar o governo de João Alves Filho e fazer queixas contra aliados e militantes do PT. Depois da costumeira ladainha de ser o governo dele o mais honesto de toda a Via Láctea, Marcelo Déda disse que auditorias estão sendo feitas em todos os setores, “mas sem alarde”! Também ratificou o tom do discurso a ser adotado na campanha eleitoral contra o temido adversário: “Eu vou mostrar os erros, a corrupção e a maior orgia com o dinheiro público”. Não, o governador da mudança não estava se referindo à famosa “micareta picareta”. Falava sobre o ex-governo! E adiantou: “Documentos não faltam...”. Contudo, o trecho mais feérico da eloqüente falação foi dirigido aos próprios correligionários. Marcelo Déda queixou-se das traíras “que levam à imprensa” fatos relacionados ao seu governo: “É preciso conversar antes, senão sangra. E cada gota do nosso sangue fortalece os vampiros que querem nos derrotar. Não podemos dar munição aos inimigos que buscam retomar o poder”. O pito tinha como destinatário os sindicalistas presentes ao ato, especificamente os ligados à Saúde e à Educação. Marcelo Déda, de fato, tem se mostrado muito preocupado com o crescimento da oposição. A última pesquisa de intenção de voto para prefeito de Aracaju, realizada pelo Instituto Padrão entre os dias 16 e 17 com 675 eleitores de 26 bairros e do Centro da capital, apresentou como prováveis candidatos Almeida Lima (PMDB), Edvaldo Nogueira (PCdoB), João Alves (DEM) e João Fontes (PPS). João Alves estaria à frente com 43.9%, Edvaldo Nogueira em segundo com 26.3%, Almeida Lima teria 14.2%, João Fontes 7.7%, nenhum deles 4.9% e não souberam responder 3.3%. Apesar dos números temerários para o candidato governista, sobretudo pela constante estabilidade do ex-governador João Alves Filho (sempre acima dos 45%) e do avanço do senador Almeida Lima, o queixume de Marcelo Déda contra os próprios correligionários decorre da má fama que toma conta do governo do PT: o desprezo pela decência! São compras de mais de R$ 200 milhões na Saúde sem licitação, má gestão em unidades hospitalares com a morte de paciente como se fossem pulgas, estudantes espancados por protestar contra as condições físicas da escola, superfaturamento na compra de alimentos para a merenda escolar... Para citar alguns rápidos exemplos. É disso que ele se contorce de medo! De forma inusitadamente humilde, Marcelo Déda pediu à companheirada que maneire na entregação, evitando passar para jornalistas e radialistas os podres que ocorrem nos subterrâneos do governo da mudança. Encerrou a falação com um apelo dramático, próprio de quem sabe o quanto tem sofrido: “Ninguém venceu na História desconhecendo a que bloco pertence, tratando companheiro como se fosse inimigo”. O príncipe do PT tem razão. Com tanto dedo-duro dentro do próprio governo, fica difícil esconder as mazelas! Assim, verdadeiramente solidários com o governador da mudança, reiteremos esse solicitação tão profundamente lamuriosa: vocês dos sindicatos, calem essa boca...

Sexta-feira, 22.02.2008 - Ano II - Edição Número 228

A OPOSIÇÃO MOSTRA A CARA
Finalmente, a oposição parece ter tomado ciência do papel que lhe cabe e fará ofensiva para acabar com a enxurrada de contratações temporárias sem concurso público e também para derrubar os mais de R$ 150 milhões alocados no Orçamento federal à TV BRASIL, nova emissora pública que está no ar desde dezembro. A vergonha na cara pode ter chegado tarde ao PSDB e DEM, mas antes tarde que nunca!
Outra mamata - na verdade uma porta aberta para a esperteza - que os oposicionistas tentarão acabar é a dispensa de licitação para a TV BRASIL firmar parcerias com entidades públicas ou privadas que explorem serviços de comunicação ou radiodifusão, e para que a Empresa Brasileira de Comunicação (nome oficial da TV pública) possa ser contratada por instituições da administração pública, "desde que o preço seja compatível com o de mercado".
Essa tal TV pública nada mais é que um grande cabide de empregos para apaniguados do PT e o pote de mel para os capangas do partido infiltrados na grande mídia faturarem um gordo quinhão do dinheiro público. As medidas chegam em boa hora...

Quarta-feira, 20.02.2008 - Ano II - Edição Número 227

DISCURSO VAZIO
O canto da sereia parece não ter cativado os ouvidos calejados do líder da oposição Venâncio Fonseca. Disse ele que o “discurso bonito não é novidade”, ao comentar a mensagem lida pelo governador Marcelo Déda na abertura do ano legislativo. Para o deputado, o governador sabe produzir um texto com frases de efeito, mas o desejo dele é ver o pronunciamento transformado em prática, em ações. Um dos temas da fala de Marcelo Déda veementemente repudiado por Venâncio é quando ele diz ter recebido o Banese quase moribundo, a beira de um colapso financeiro. O líder oposicionista fez um alerta ao governador e chamou para um desafio: “Enganaram ele. Para tirar dúvidas, basta chamar o ex-presidente da instituição Jair Oliveira e o atual João Andrade para virem à Assembléia e esclarecer o assunto. Cada um faz sua explanação e vamos tirar nossas dúvidas”. São as primeiras querelas de um debate que promete ser longo e exaustivo, afinal 2008 está apenas começando... .
ADEUS, FIDEL CASTRO!
Não, ele ainda não desencarnou. Mas o mundo ficou muito mais leve ontem com a renúncia de Fidel Castro, um dos mais sanguinários assassinos seriais da história das Américas, à Presidência da Ditadura de Cuba. Não foi por desapego ao cargo, ao poder! Na carta do “adios camaradas”, o senil comunista fala sobre limitações causadas pelos problemas de saúde e diz que trairia sua consciência assumir uma responsabilidade que requer mobilidade e entrega total, o que não estaria em condições físicas de oferecer. Fidel Castro será para sempre lembrado pelo “trote” aplicado no povo cubano. O historiador argentino Jose García Hamilton, estudioso da História Cubana, vê semelhanças entre a trajetória política dele e a dos líderes latino-americanos do século 19, José de San Martín e Símon Bolívar: “Como os dois ‘libertadores da América’, o ex-líder cubano tentou se eternizar no poder depois de ter liderado uma campanha de libertação. Virou um ditador pior do que seu principal inimigo, Fulgêncio Batista (líder do regime derrubado pela Revolução Cubana). A diferença é que Fidel bateu recorde de tempo no poder”. O detalhe sórdido desse poder absoluto e perene é o custo em vidas humanas e tragédias familiares imposto a um povo secularmente explorado. Os opositores do regime criado por Fidel Castro com o apoio do rebelde terrorista Che Guevara foram quase totalmente aniquilados. Escapou quem conseguiu fugir, deixando para trás o legado de várias gerações. Quem não teve a mesma sorte foi fuzilado após um julgamento fajuto ou mofa nas prisões. Com a agravante de tais ações terem o “respaldo” de gente de alto calibre da esquerda internacional. Fidel Castro se aposenta tarde. Há muito deveria ter vestido o pijama. Ninguém – perdão, só o escritor colombiano, ganhador do prêmio Nobel em 1982, Gabriel García Márquez – agüentava mais aqueles intermináveis discursos, hoje agregados por Hugo Chávez, outro desses mártires que cativam os cabeças-ocas. Também cansaram as farsas montadas pelo governo para dar respaldo eleitoral ao único partido de Cuba, o Comunista. A tristeza advém apenas de uma constatação: mesmo com a saída de Fidel Castro de cena, isso não significa o fim da sua influência. Para o lugar dele já está devidamente nomeado o irmão, general Raul Castro. Espécie de Fidel moderado, Raul assumiu o comando da Nação desde 2003, quando o ditador caiu enfermo, vítima de um suposto câncer de estômago. De lá para cá, nada mudou na pequena ilha. Alguns, como o atravancado presidente dos EUA George Bush, prevêem que nada mudará em Cuba até que Fidel Castro desencarne. Daqui até lá, o povo daquele belo país terá que suportar o melancólico definhar do governo de esquerda mais atrasado da galáxia! . O Outro Lado – Nem tudo é miséria em Cuba. O economista Gustavo Ioschpe, especialista em educação, comenta sobre o sistema educacional cubano, “certamente o legado mais duradouro e positivo que a passagem de Fidel deixará sobre o país. Estudo da Unesco do final da década de 90 coloca o ensino cubano com grande folga em relação aos demais países latinos”. Leia o texto completo em http://veja.abril.com.br/gustavo_ioschpe/index_190208.shtml

Terça-feira, 19.02.2008 - Ano II - Edição Número 226

A FARRA VAI CONTINUAR...
A próxima leva de shows a ser paga com dinheiro do contribuinte de Aracaju deve ocorrer em março, por ocasião do aniversário da cidade. Depois chegam os festejos juninos... O ano eleitoral promete ser muito mais animado que 2007. Dinheiro para gastar não falta! Aliás, a verba para tanta folia já está devidamente alocada no Orçamento 2008 da prefeitura. São R$ 13,3 milhões – valor destinado ao “custeio” da Fundação Cultural de Aracaju (Funcaju). O ponto interessante é observar como a prefeitura de Edvaldo Nogueira, um comunista cujo discurso é de compromisso com a causa social, trata as “prioridades”. A Fundação de Amparo ao Trabalhador (Fundat), para ficar num exemplo dentro do lero-lero da esquerda, também recebe verbas “carimbadas” no Orçamento municipal. Em 2006 foram destinados à Fundat R$ 1,9 milhão. Naquele mesmo ano, a Funcaju recebeu R$ 7,7 milhões. No ano seguinte (2007), a Fundat ficou com R$ 4,1 milhões, enquanto a Funcaju faturou R$ 15,5 milhões. Agora, contra os R$ 13.312.074,00 destinados à Funcaju, apenas R$ 4.325.138,00 estão alocados para a Fundat. Como se comprova, diante das verbas já aprovadas pela Câmara Municipal, a grana não vai faltar para bancar a nova mania de Edvaldo Nogueira: fazer do show business uma atividade do poder público. Outrora, antes do PT e do PC do B, shows abertos ao povo eram comprados através de empresários sergipanos do setor artístico. Depois que os “agenciadores” oficiais entraram no negócio, fazer eventos públicos em Sergipe passou a ser atividade de alta rentabilidade - para artistas e também para alguns espertalhões! No ano passado, citando um exemplo recente, já nos estertores do Forró-Caju (25.05.07), a banda Cavalheiros do Forró fez sua esperada apresentação. Se fosse agenciado através de um empresário local, o dito show não sairia por mais de R$ 30 mil. A prefeitura e seu “bureau de eventos", no entanto, pagaram R$ 60 mil, fora os extras (produção), a um empresário-atravessador. É consenso entre os profissionais do show business sergipano que a presença de agentes da Funcaju e do governo do PT nas negociações com as bandas tem inflacionado os cachês, pois a tendência “natural” é cobrar muito mais do poder público que de empresas privadas. Por que, então, os senhores Marcelo Déda e Edvaldo Nogueira preferem pagar mais caro por um show que poderia custar menos da metade do preço e ainda geraria emprego local se comprados através dos escritórios de agenciamento existente no estado, sem falar que os impostos acabam sendo recolhidos por outros governos? Trata-se de uma incógnita. Tudo indica, fazer show virou um negócio da China, algo que tanto a prefeitura de Aracaju quanto o governo de Sergipe dispensam atenção bastante especial e muita, muita energia em recursos humanos e, sobretudo, financeiros. . Detalhe instigante - Assim como a prefeitura do PC do B, o governo do PT também encontrou um jeito bastante “inteligente” de financiar seus eventos sem ter que dar muitas explicações a quem quer que seja. Entre os projetos aprovados a toque de caixa e repique de sino nos dois últimos dias do ano legislativo de 2008, estava o que criou o Fundo Estadual de Patrocínio, destinado a projetos sócio-culturais e de comunicação social. O fundo é gerido pela Secretaria de Comunicação e tem verba gorda. De acordo com o sítio da Secom, “o fundo deve funcionar sob a forma de apoio a fundo perdido e/ou empréstimos reembolsáveis. Entre suas metas estão a captação de patrocínios junto a iniciativa privada para realização de eventos específicos dentro de Sergipe, o estímulo às produções cinematográficas, festivais de música, apresentações artísticas e festas populares do calendário de eventos do Estado, além de incentivar a realização de eventos, simpósios e congressos que cumpram com o papel de alavancar o debate acerca da comunicação pública”. Percebam a esperteza: o Fundo Estadual de Patrocínio da Secom é, na verdade, a solução mágica para desvincular de vez o “bureau de eventos” e de apoios que interessam ao governo do PT e a secretária Eloísa Galdino das atividades de publicidade, cujo orçamento para 2008 é de R$ 21,5 milhões. Com o fundo operando 100%, será possível realizar shows, por exemplo, sem o envolvimento das agências de propaganda “vencedoras” da licitação nem de outros empecilhos, como a Secretaria Estadual de Cultura, a quem, em tese, tais atividades deveriam estar pelo menos co-relacionadas. Convenhamos, é uma mobilidade imensa para quem quer se especializar no espetacular ramo do agenciamento de artistas! Tem gente querendo o bis...

Segunda-feira, 18.02.2008 - Ano II - Edição Número 225

“MICARETAS” DE DÉDA CONTAMINAM EDVALDO
A carreira política de Marcelo Déda é contraditoriamente interessante. Provindo da classe média, trocou a terra natal Simão Dias pela “agitada” Aracaju dos anos 1970, para cursar o secundário no Atheneu. Foi perseguido pelo regime militar. Sujeito aguerrido, ele permaneceu “na luta contra a direita e pelo socialismo”. Estudante de Direito, fez um pacto com o hoje presidente da OAB/Brasil César Brito: carro era coisa de burguês e ambos jamais aprenderiam a dirigir. César, que não é bobo, quebrou o acordo e hoje aproveita as benesses do automóvel, enquanto Déda ainda depende de terceiros para guiar veículos. Nessa mesma época, surgiu a personalidade combativa de Marcelo Déda. Tudo o que a “direita” fazia estava errado. O radicalismo foi levado aos píncaros quando esteve deputado federal. Líder do PT na Câmara, Déda contribuiu para atrasar importantes reformas pretendidas pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, pois iam de encontro aos “interesses” da nação. Hoje, ironicamente, as mesmas reformas foram transformadas em bandeiras do petismo. Cabia a Marcelo Déda a tarefa de cobrar do governo federal, no horário nobre a TV, ética, respeito à boa governança e ao dinheiro público. O intróito serve para mostrar como certos mitos são construídos. E como rapidamente caem em desgraça! Bastou ter a chave do cofre na mão... E eis Marcelo Déda a emporcalhar com os próprios pés sua pomposa biografia, construída ao longo de mais de 20 anos de vitórias, derrotas e novas vitórias. Deixando de lado histórias como a da capina de postos de saúde onde havia só cimento, centremos atenção na estrondosa denúncia da revista VEJA (10.05.2006) sobre os cachês superfaturados pagos com o dinheiro da Saúde municipal para os cantores dos animados comícios de despedida de Marcelo Déda da Prefeitura de Aracaju para concorrer ao governo estadual. Pela contabilidade da prefeitura, o show de Daniel, por exemplo, teria custado R$ 271 mil. O cantor, porém, alega ter recebido apenas R$ 103 mil. O mesmo correu com Ana Carolina: R$ 189 mil contra os R$ 100 mil alegados como recebidos pela cantora. Diferenças semelhantes ocorreram com os cachês de Fábio Jr., Luiz Caldas, Agnaldo Timóteo, Exaltasamba e Dudu Nobre. Detalhe: conforme apurou VEJA, o dinheiro usado para pagar a farra de despedida era de verbas do Sistema Único de Saúde (SUS). Estranhamente, até hoje, nem a Polícia, o Ministério Público, a Justiça ou o Ministério da Saúde se manifestaram sobre o assunto. O traquejo de Marcelo Déda para lidar com o show business parece ter estimulado o aliado, prefeito Edvaldo Nogueira. Na farra de fim de ano, estima-se em mais de R$ 1,5 milhão os gastos da municipalidade, sem contar o repasse ainda não esclarecido de imensas quantias em dinheiro vivo às associações comunitárias na rocambolesca tentativa de resgatar o carnaval de Aracaju. Engana-se, contudo, quem acha que Marcelo Déda aposentou o “empresário” que existe nele. Um bom exemplo é o projeto Verão do governo do PT, executado pela Secretaria de Comunicação. Dentre as atrações contratadas esteve o grupo baiano Olodum, cujo cachê é de R$ 20 mil + transporte da banda, hospedagem, alimentação + produção (som, luz e palco). Fora os extras e por conta da presença de um atravessador, a prefeitura petista de Japaratuba pagou R$ 30 mil pela apresentação dos batuqueiros dia 17.01.2008, durante as festividades do padroeiro da cidade. Em 25.01.2008, portanto quase uma semana depois, o mesmo Olodum animou o público no projeto Verão em Pirambu. Detalhe ao gosto do freguês: estranhamente, o governo da mudança desembolsou R$ 40 mil pelo mesmíssimo show, sem contar os extras. Como explicar para um marciano ser o Marcelo Déda responsável por tais peripécias o mesmo que cobrava na oposição um mínimo de vergonha na cara dos administradores públicos? E as essas crianças chegando à idade do voto, como evitar a desilusão diante da figura messiânica do homem que iria mudar Sergipe, mas, lamentavelmente, ainda insiste em fazer de bestas os crédulos eleitores do tal discurso de honestidade, de zelo com o erário público? Sem falar que Sergipe, depois do advento PT – e agora dos comunistas do PC do B -, virou a Meca dos shows pagos com dinheiro público! Os artistas (de fora do estado) agradecem... E olha que o projeto Verão da prefeitura acaba exatamente hoje, com a apresentação da banda Nação Zumbi. Empresários consultados pelo ABRA-O-OLHO cotam o cachê do grupo em R$ 100 mil, assim como o do Capital Inicial (também R$ 100 mil), que se apresentou na quinta-feira. Paulinho da Viola deve custar em torno de R$ 60 mil. Mas será que foram exatamente esses os valores pagos por Edvaldo Nogueira? Ainda é uma incógnita. Como até agora ele tem se mostrado um dedicado discípulo do dedismo, certamente que a fumaça a nublar os céus pode ser um presságio de mais uma instigante esperteza a vista... É aguardar para ver!