DO MESTRE TÃO GOMES PINTO, DUAS CERTEZAS:
COM ELE, ALÉM DE APRENDER, VAI SE RIR MUITO
Dizem que recordar é viver... Eis pois, em setembro de 2011 recebo em minha casa em Aracaju um colega a quem há muito admirava e jamais pensei um dia conhecê-lo pessoalmente – até então, ele também nem sonhava com a minha pacata existência internética, diga-se! Meu primeiro ofício na Comunicação Social foi no rádio FM. Naquele 1987, com Ronaldo Moreira, Beto Moreno e companhia, já era eu um leitor contumaz de livros e revistas. As combativas semanais IstoÉ e Veja estavam entre as minhas preferidas, pela ousadia, dinamismo, modernidade...
O editor de Política da IstoÉ de então era reconhecidamente um jornalista talentoso, com passagens honradas em publicações como Notícias Populares, a Edição de Esportes d'O Estado de S.Paulo, Jornal da Tarde e na própria Veja, da qual é fundador. Com aquele mestre das palavras me era possível aprender (à distância) muitos dos vários ofícios possíveis ao jornalista, fosse como repórter, cronista ou analista da cena política – Tão Gomes Pinto!
Tenho de confessar, minha admiração dobrou ao ler o excepcional O Elefante é um Animal Político (Geração Editorial), com a reunião das mais interessantes crônicas escritas por Tão Gomes Pinto numa fase romântica do Brasil, “livro que pode funcionar como um relato de um período ainda sem leitura consistente da história política brasileira, a denominada 'fase de transição', que pelo jeito continua transitando por aí, sem chegar a lugar algum”, conforme relato do próprio autor, um mamute do jornalismo...
A memória paquidérmica, adentrada aos mínimos detalhes de cada evento, faz antes de tudo rir... rir muito com histórias entrelaçadas por comentários... elefanticamente enfáticos! O livro de Tão Gomes Pinto fala sobre quem estava no poder ou gravitava em seu entorno. Sugere proibir, por decreto, a circulação de peruas Kombi em todo o território nacional – no que haverei de... concordar! Lembra ser Brasília, até dia desses uma pacata área deserta, a cidade dos “doutores” – alcunha até para quem mal completou o curso primário. Trata a Rússia revolucionária como uma “entidade social e politicamente reacionária”... Ufa.
Mais adiante, é impossível não gargalhar com os intrépidos périplos sexuais na Casa Branca dos Kennedy ou com a concepção do velho Vladimir Ilitch Lênin (ou Lenine) sobre “a liberdade do amor” num copo d'água; ou ainda sobre a escolha (fatal!) dos candidatos a vice-presidente, mesmo depois de José Sarney e Itamar Franco – e agora, do profilático Michel Temer. Santo azar, diria Hardy, aquela hiena que possui a estranha característica de ser altamente pessimista... E claro, sem “fundos” não se pode fazer campanha eleitoral, e eles jamais poderão ser rotulados simplesmente como “não-contabilizados”, todos sabemos!
Tão Gomes Pinto é de um o tempo em que a devolução do imposto de renda era feita por meio de cheque e possuir um doutorado não era sinônimo de “saber” – que o diga Mangabeira Unger ou Tancredo Neves, escalando seu ministério a beira-mar. “Saber” aqui tem o tom hilário de um engasgo com mamão papaia, algo complicado até prus mais espertos. Aliás, o relato sobre a posse de Tancredo Neves, a posse que não houve!, deve ser lido várias vezes, muitas vezes, sempre, porquanto é mais do que memorável.
O danado jornalista ainda envereda pelas “forças conhecidas” que atormentaram Jânio Quadros, pelo Dragão da Inflação – assim, com maiúsculas –, e pela linguagem dos sinais de Paulo Coelho que, “com a exceção da jabuticaba, é episódio rigorosamente verdadeiro”. Tão Gomes Pinto, sabe-se lá a razão, achou que Leonel Brizola foi “o último dos estadistas, no sentido amplo da palavra”, mas nem por isso deixou de receber do caudilho um “fuzilamento com aquele olhar emoldurado por grossas sobrancelhas”, como diria o roqueiro Lobão.
O Elefante é um Animal Político também trata de um vampiro do Planalto que nem o mais ardiloso espião da Abin poderia localizar e se encerra, sem pretenso narcisismo, comentando a fogueira das (nossas) vaidades e o tal do cui prodest, pois alguém se aproveita de tantas e ardilosas patifarias cometidas no Brasil em nome do povo e da... Bem, melhor ler o maravilhoso livro de Tão Gomes Pinto, um observador completo! Detalhe: as ilustrações em cada crônica ou “evento” são um show à parte... almas do além!
Lemos O Elefante é um Animal Político, eu e a doce Charlene Santos, minha amada Chachá, numa tarde... num só fôlego, entre uma bicada e outra num tinto chileno! Bons momentos...
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Por David Leite | 12/07 às 11h05

REFORMA POLÍTICA VIA
PLEBISCITO É PATIFARIA
“A vida dos brasileiros melhorou da porta para dentro, mas piorou da porta para fora”. A frase é do marqueteiro de Dilma Rousseff, publicitário João Santana. Ela resume a raiz dos protestos que divide o Brasil em dois: de um lado, mais comida à mesa, eletrodomésticos e móveis modernos, até carro na garagem (fruto da continuidade da política econômica implantada pelo PSDB de Fernando Henrique Cardoso); do outro, trânsito caótico, transporte precário, saúde e educação falidas e a sensação de que segurança de verdade é coisa para gente muito rica.
O custo de vida aumentou – e não foi só o preço do tomate! Contudo, o brasileiro médio é incapaz de relacionar o impacto da inflação e a queda dos serviços públicos com o modelo perdulário imposto pela governanta. A gestão do PT gasta em demasia... e muito mal. A presidente disse que os anseios das ruas são também os do seu governo. É preciso ter coragem para dizer tal impropério; e mais ainda para propor como solução a reforma política.
O Brasil é o país dos trouxas. Gente que se deixa levar por qualquer mínima ilação de boa vontade. O plebiscito é o mais novo truque para engambelar incautos. Quem ouve Dilma Rousseff falar, pensa até que ela também estava entre os manifestantes. Esquecem todos que o partido da presidente que anseia pelas mesmas mudanças gritadas nas ruas está no poder há 10 anos e seis meses? Os parasitas da nação comemoram! Eta povo sem noção...
Dentre as propostas de Dilma Rousseff para acalmar os manifestantes havia a consulta popular para promover a esperada reforma política, mesmo que o assunto não estivesse na pauta dos protestos e só apareceu nas redes sociais depois de sugerido. Com esperteza petista, a presidente aproveitou a crise e encaixou no debate o modelo de Hugo Chávez da Constituinte exclusiva, para alterar as regras do jogo eleitoral. Diante da chiadeira no Congresso, ela amenizou. Mas persiste o tal plebiscito.
O modelo político atual está falido, não há dúvida. A reforma política, no entanto, é um tema complexo demais. Envolve o financiamento de campanha, fidelidade partidária, o voto em si – se proporcional; aberto ou fechado; distrital, misto ou em lista –, reeleição, coligações, cláusulas de desempenho ou barreira... Assuntos para muita controvérsia, sendo inadequados a um plebiscito porquanto obscuros para a maioria da população.
A oposição deve se insurgir contra o plebiscito. Se a Constituinte exclusiva seria um golpe nos moldes de Hugo Chávez, o plebiscito é uma patifaria favorável apenas a quem tem máquina partidária, militância e eleitorado cativo. Trocando em miúdos: o plebiscito só seria bom para o PT, pois detém a máquina governamental e deseja implantar suas propostas de financiamento público de campanha e o voto em lista, sonhos de consumo de Mula da Silva.
Está na cara que o desejo dos manifestantes é ter as instituições cumprindo seu papel com eficiência, servidores públicos trabalhando com honestidade e imparcialidade, e que os parlamentares ajam como legítimos representantes dos seus eleitores. Dilma Rousseff, em vez de buscar o mais simples – promover mudanças tópicas no sistema político, conduzidas pelos próprios congressistas (nos temas já citados acima) –, quer jogar para a plateia, visando o pleito de 2014.
Que estejamos de olhos abertos...
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Por David Leite | 03/07 às 17h15 

ACORDA, SINTESE! – E TAMBÉM QUEM
SUPÕE SER A EDUCAÇÃO PRIORIDADE
Antes que me acusem de pegar no pé da turma petista que há duas décadas aboletou-se no Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica da Rede Oficial do Estado de Sergipe (Sintese), reafirmo minha querência e respeito pela causa sindical, sem a qual os trabalhadores não teriam voz nas discussões com os patrões, mesmo que discordando frontalmente dos métodos desse tipo de sindicalismo jocoso e leniente. Mas vamos ao que interessa...
A ONG Todos Pela Educação, em parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), aplicou a Prova ABC no final do ano letivo de 2012. Foram avaliadas 54 mil crianças de 2º e 3º ano de 1.200 escolas públicas e privadas em 600 municípios de todo o País. O objetivo do exame era traçar um diagnóstico da alfabetização dos alunos nos primeiros anos do ensino fundamental, com base em testes de leitura, escrita e matemática.
Os dados divulgados em 25 de junho são alarmantes. Mostram que mais da metade das crianças matriculadas no 3º ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas do País não aprendeu os conteúdos esperados. Elas escrevem pior do que leem – 74,1% não têm conhecimento suficiente para identificar temas de uma narrativa e perceber relações de causa em um texto. O Nordeste ficou na rabeira dos resultados de escrita: 86,8% não conseguiram fazer uma boa redação, que pedia ao aluno para escrever uma carta convidando um colega para brincar nas férias. Os maiores problemas foram de coerência e de adequação ao tema, reflexo da fraca formação em língua portuguesa.
A pesquisa também apontou certo abandono do ensino de matemática. A situação é ainda pior se forem consideradas apenas as escolas públicas: 70,8% das crianças têm dificuldades elementares. Conseguem responder a questões básicas, mas ficam empacadas diante de conteúdos complexos. É como se fossem analfabetos funcionais, incapazes de resolver questões mais elaboradas. Nenhum estado brasileiro registrou mais da metade dos alunos no 3º ano do ensino fundamental com instrução adequada em matemática. No Nordeste, 86,4% das crianças estão abaixo do desempenho esperado – no Sudeste, são 57%. Os técnicos da ONG Todos Pela Educação sugerem que a causa para tamanha incapacidade com os números seja a falta de clareza curricular. Ou talvez, por temer que as crianças fracassem, o professor acabe ensinando apenas o conteúdo básico.
Diante desse caos, o tal “Pacto pela Educação Pública” proposto às pressas por Dilma Rousseff numa tentativa de responder às queixas das manifestações de rua nada resolve. É falacioso o discurso sobre os royalties do Pré-Sal para a Educação. A Câmara aprovou projeto que destina 75% deles para esta área e 25% para a Saúde. A população precisa ser informada de que, em média, um poço de petróleo, após licitado e a empresa vencedora devidamente contratada, leva de 10 a 15 anos para começar a operar. Será que a Nação terá de esperar outra década para ver a educação recebendo imprescindíveis investimentos?
Em que pese a má gestão dos recursos até agora aplicados em educação e a falta de resultados que os justifiquem, Dilma Rousseff não precisa esperar pelos “royalties do petróleo” para começar a investir mais em educação, pois tem às mãos uma solução imediata. Repousa no Senado o Projeto de Lei – PL 8035/2010, obrigando o governo a aplicar 10% do PIB em educação. Basta a presidente exigir do relator do projeto que apresse o seu parecer a fim de ser votado pelos senadores ainda neste ano. Dilma Rousseff poderia ainda criar uma campanha nacional de valorização da educação e investir em regras plausíveis de gestão, além de fiscalizar – quando necessário, punir – e cobrar a prestação de contas do dinheiro repassado até agora.
Outro problema a ser enfrentado é a precariedade das instituições de ensino. Um censo de dois atrás mostrou que no Brasil quase 11 mil escolas funcionam em condições degradantes e inapropriadas. Apenas 0,6% das unidades de ensino público funcionam em prédios completos; 44% das escolas não vão além de energia, sanitário e esgoto... Por mais que pareça um contrassenso, aumentar o orçamento da educação não resolve o problema, se a prioridade desses novos investimentos não for a capacitação dos profissionais do magistério, como fez a Finlândia, campeão do Pisa desde 2008, onde os professores do ensino fundamental são os melhor formados e 100% deles possuem no mínimo um mestrado em educação.
Professores dispostos e de alta qualidade técnica, com remuneração justa e prêmios de acordo com o desempenho dos seus alunos fazem grande diferença numa sala de aula, tanto quanto diretores capacitados e treinados para a função, pois sem um gerenciamento qualificado a escola não funciona bem, seja ela pública ou privada. São imensas as consequências econômicas diretas dos sistemas educacionais de alto e baixo desempenho na economia dos países, sobretudo em uma economia globalizada e baseada nas habilidades profissionais. O Brasil já sabe disso. Chegou a hora de arregaçar as mangas e usar todos os recursos disponíveis para melhorar a qualidade do ensino. Disso dependerá o futuro da nação. Não podemos continuar na rabeira do mundo civilizado.
Resumo da ópera: acorda Sintese! Lutar por melhores salários é justo, mas não vai resolver o problema da qualidade da educação. O segredo do sucesso dos campeões mundiais em educação nada tem a ver com métodos pedagógicos revolucionários ou com o uso intensivo de tecnologia de ponta em sala de aula. Apostaram na qualificação do professor, em metodologias baseadas em currículos de comprovada eficiência e numa “cultura” do aprendizado, que valoriza a presença da comunidade na escola. Nos países onde o estudo tem um elevado grau de importância na sociedade e as expectativas que os pais têm dos filhos são muito altas, a educação é levada a sério e frutifica-se em resultados sempre positivos.
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Por David Leite | 02/06 às 18h50

ONIPOTENTE, JOÃO ALVES FILHO
É UM SUJEITO COM “DUAS” CARAS
Sempre me foi comum ouvir entre amigos o bordão segundo o qual João Alves Filho teria comportamentos difusos dentro e fora do poder. Seria um sujeito com “duas” caras: a do extremadamente humildade, useiro e vezeiro da querência, afetuosidade e fidalguias quando fora de cargos públicos; e o onipotente todo-poderoso, ao empossar-se. Os fatos provam que o bordão é verdadeiro!
Por falar em dueto de faces, só para quebrar o gelo, lembro agora de uma tirada magnífica do então senador Esperidião Amin, quando discutia em plenário com o colega Eduardo Suplicy. Os ânimos ficaram exaltados e o pai do roqueiro Supla atacou: “O senhor tem duas caras!” Rápido no gatilho, apontando para o próprio rosto, o barriga-verde retrucou: “Não seja injusto comigo, senador. Se eu tivesse duas caras, o senhor acha que eu viria ao Plenário com esta?”
Uma dupla de rápidas notinhas publicadas ontem no “Periscópio” do Jornal da Cidade resume a situação, apontando os estragos que as tais “duas” caras do Negão podem trazer à permanência de aliados importantes no grupo por ele liderado. Não é novidade que João Alves Filho optou por manter na prefeitura militantes do PCdoB e PT em detrimento do pessoal que ajudou a elegê-lo. Também não se ignora ter o prefeito de Aracaju desprezado (e isolado da prefeitura) antigos aliados, como afiança a nota, e ter ainda a estranha mania de só atender quando o assunto em pauta lhe interessa.
Leiam o material (foto; clique para ampliar) e tirem suas próprias conclusões. Abraços a todos. Uma semana feliz...
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Por David Leite | 01/07 às 18h28

>> Resumo da Semana <<
PEDRADA NA REPÓRTER, VAIAS PARA MENDONÇA,
A SAIA FURADA DE GALDINO E BATALHA, DE NOVO
Acordei mais leve na sexta-feira, após perceber duas ausências matinais. A serpente falante da cabeça redonda avantajada e de olhos esbugalhados, pança nababesca e pernas finas tirou uma folguinha na Megga FM, acompanhado pela serpente falante da fiação trocada, seu arquirrival. George Magalhães e Gilmar Carvalho... caladinhos! Ah!, se todos os dias fossem assim, longe daquele serpentário! Uma pitada de silêncio faz muito bem ao bom espírito, não há dúvida.
Semana danada, até uma colega do Portal Infonet recebeu uma pedrada no meio da testa, durante a manifestação do “Acorda Aracaju” na quarta-feira – aliás, o movimento miou, com cada vez menos gente participando. Na quinta-feira, os manifestantes hostilizaram Carla Suzane, repórter da TV Sergipe, e a viatura da empresa teria tido os pneus furados. Através do Facebook, manifestantes afirmam que o veículo saiu rodando. Quanto ao esvaziamento do evento, também pudera! Uma cambada marginal se infiltrou entre os manifestantes, causando balbúrdia, danificando o patrimônio público e queimando um ferro-velho sobre rodas, apelidado pelo Poder Público Municipal de ônibus.
A frase da semana vem da douta secretária estadual de Cultura, Madame Eloisa Galdinho, via Twitter: “O partido do tal (Marco) Feliciano (o PSC), com VT anunciando um novo Sergipe, é uma piada de péssimo gosto. Nosso Estado merece outro futuro.” A queixa não teria sido uma manifestação ao alheio proferida pela querida gestora cultural. De fato, a bela senhora defende apenas o “pão nosso de cada dia”, afinal o PT – leia-se, o governo do PT – está em fim de carreira.
Quanto ao deputado falastrão, a questão é mais em cima. Espécie de Maria Bonita moderna – comenta-se que Madame Eloisa Galdino costumaria levar à cama uma garruncha e só dormiria com uma faca entre os lábios –, ela detestaria o deputado-pastor não pela impertinência, impropérios, desvarios e, mais recentemente, a tal “cura gay”. É aquele cabelo ensebado com laquê e esticado a ferro frio que a incomoda. Para Eloisa Galdino, se quer ficar bem na fita, Marco Feliciano deveria fazer uma chapinha profissional. Ela tem os canais...
O desamor da semana ocorreu entre o secretário de Cultura da Prefeitura de Aracaju Josenito Vitale de Jesus (amém!), o Nitinho, e o colega da Comunicação Carlos Batalha. O “Amigo da Febem” ficou irado porque o jornalista queria montar um camarote exclusivo para a sua secretaria numa área do ForróCaju não liberada (para este fim) no projeto aprovado pelos órgãos fiscalizadores. Carlos Batalha ainda chegou a mandar um caminhão com equipamentos para montar seu “puxadinho” na tora, mas encontrou um Nitinho reticente e pronto para o embate. O jornalista, fulo de raiva pela desfeita, nem apareceu na festa...
Aliás, Nitinho é um caso raro de gestor de Cultura incapaz de citar um único título de livro que (não) leu, exceto a Bíblia, da qual tem de cabeça alguns esparsos versículos – coisas inventadas pela cabeça do onipotente João Alves Filho. Mas Joselito Vitale compensa a falta de erudição sendo um secretário generoso com os artistas sergipanos. Normalmente, um conjunto de “Pé de Serra” recebe por apresentação em época junina entre R$ 400 e R$ 800, a depender da fama. Nitinho não se fez de rogado e, ao menos no papel, paga até três mil reais a cada um dos grupos contratados pela FunCaju.
Já o fato mais comentado da semana ocorreu em meio ao show de Flávio José, segunda atração do palco principal do ForróCaju na noite da quarta-feira. Dona Ana Alves do Nascimento, filha do prefeito João Alves Filho e esposa do deputado federal Mendonça Prado, havia deliberado aos apresentadores da festa que citassem somente o nome do pai, do vice José Carlos Machado e do consorte – nas noites anteriores, secretários estavam sendo mais citados que os políticos, sobretudo Carlos Batalha e André Carvalho, seu adjunto.
Flávio José passou a anunciar os nomes das autoridades, seguindo a sequência ordenada por Dona Ana Alves. Ao chegar ao nome de Mendonça Prado, foi interrompido por uma sonora vaia que cortou a lombra até dos maconheiros do Alto da Divineia, em São Cristóvão. Motivo para tanto desamor popular? O deputado do DEMo votou A FAVOR da PEC 37 – aliás, ele foi um dos nove votos favoráveis entre os 513 parlamentares federais; e depois disso, o cujo sumiu das redes sociais. Para evitar maior hostilidade, foi montada uma operação de bota-fora! Um case de sanfona serviu para transportar o pequeno Mendonça Prado do camarote até um carro-forte da frota particular de Carlos Batalha, estacionado nos fundos do palco, de onde escafedeu-se sem deixar vestígios...
É como diz a cara amiga Thaïs Bezerra, minha doce TB, “Em Sergipe, tudo se sabe”... Eta semaninha danada, mosfias e mosfios... Abraços! Inté mais...
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Por David Leite | 30/06 às 11h55  

Caso “Urubus” da Imprensa
PARA SINDICATOS, SÍLVIO SANTOS
GENERALIZOU O XINGAMENTO
De volta com o tema da agressão do secretário-chefe da Casa Civil do governo sergipano Sílvio Santos (leia textos anteriores), para quem seriam “urubus” os responsáveis pela divulgação no sábado de informações sobre a suposta piora do estado de saúde do governador Marcelo Déda. Havia eu estranhado e reclamei do silêncio dos Sindicatos dos Radialistas e Jornalistas.
Conversei na terça-feira com Fernando Cabral, presidente do Sindicato dos Radialistas e Caroline Rejane, presidente do Sindicato dos Jornalistas. Ambos “ignoravam” a agressão de Sílvio Santos à categoria. Chiei... Era para mim absurda tamanha “ignorância”, diante da repercussão do fato – comentários entre colegas, textos (meus e de outros) publicados em sites e blogs, e as inúmeras manifestações através do Twitter e Facebook.
Hoje voltei a falar com os caros Fernando Cabral e Caroline Rejane, a fim de tornar do conhecimento público o entendimento das representações sindicais ante a agressão.
Fernando Cabral, a quem conheço por mais de 20 anos – e sem dúvida, tem sido o mais atuante de todos os presidentes já empossados no Sindicato dos Radialistas –, resumiu assim o seu pensar: “Sílvio Santos não citou a categoria de forma direta. Entendo ter havido uma generalização, envolvendo toda a sociedade. Já pensou se a gente protestar sempre que surgirem demandas por hipótese? Quem se sentiu ofendido, que proteste diretamente.”
Para Fernando Cabral, o caso se assemelha ao do jornalista Cristian Góes, processado pelo desembargador Edson Ulisses por um texto onde sequer lhe citou. “Trata-se de um exemplo de carapuça que serviu, com todo o respeito que tenho por sua excelência. O texto de Cristian Góes é uma obra ficcional, cujo personagem poderia ser qualquer um. Mas Edson Ulisses achou que se encaixava no seu perfil. Não há como concordar com algo assim...”
Caroline Rejane trilhou por caminho semelhante. Para ela, não houve ofensa direta a nenhum associado ou mesmo à imprensa: “Trata-se de uma generalização, até porque havia muita gente falando sobre a saúde do governador, não apenas os comunicadores”. A jornalista também se disse “intrigada” com o meu escrito: “Informei-lhe que não sabia da suposta agressão, o que mantenho. Meia hora depois, você publica um texto no qual passa a impressão de que, mesmo anteriormente conhecendo o fato, optamos por ignorá-lo. Não somos oniscientes nem onipotentes para monitorar as redes sociais 24 horas ao dia, sete dias por semana. Somente após você entrar em contato, é que tomei conhecimento.”
A presidente também observou um outro ponto do meu texto: “Você citou como se fosse estranha a nossa reação no caso do senhor Edivan Amorim (presidente do PTB). A situação é diferente. Ele citou a imprensa, de modo direto. Agrediu a categoria. Agimos de modo semelhante contra o ex-prefeito de Capela Sukita na agressão a Jozailto Lima e, mais recentemente, na ofensa ao profissional e a pessoa do jornalista Ivan Valença, tratado pelo vereador de Aracaju Agamenon Sobral como incapaz, por ser ele um idoso. Tivesse Sílvio Santos chamado a imprensa de urubu diretamente, a reação seria idêntica, pode ter certeza.”
As ponderações de Fernando Cabral e Caroline Rejane estão baseadas numa premissa verdadeira: Sílvio Santos tomou o cuidado de não atacar qualquer comunicador de forma direta. Também não citou a imprensa. Pior para ele, se “generalizou” – atacou desta forma toda a sociedade sergipana! Ocorre que o secretário-chefe da Casa Civil do governo do PT falava, sim, da imprensa. Isso está na cara. Não há qualquer dúvida, por causa do contexto. Os sindicatos não quererem comprar essa briga, não isenta Sílvio Santos da agressão ou mesmo da cara de pau de fazê-la de forma velada. Mas é isso... mesmo que eu não concorde com a posição de Fernando Cabral e Caroline Rejane, não me resta alternativa senão aceitá-la. Vivemos numa democracia e estamos todos desobrigados de submeter-nos a pressões.
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Por David Leite | 21/06 às 12h00

PS – Este texto foi escrito tendo como fundo musical Jair Rodrigues cantando Bésame Mucho, na audiência da rádio Eldorado FM (São Paulo), para mim a melhor do Brasil.


PASMEM! SINDICATOS DA COMUNICAÇÃO DIZEM
IGNORAR AGRESSÃO DE SÍLVIO SANTOS À CLASSE
Por meio do Twitter à tarde, tratei do silêncio dos Sindicatos dos Radialistas e Jornalistas na agressão do secretário-chefe da Casa Civil do governo sergipano Sílvio Santos (leia texto anterior). Segundo ele, seriam “urubus” quem divulgou no sábado informações sobre a suposta piora do estado de saúde de Marcelo Déda, internado faz 20 dias no Sírio Libanês em São Paulo, “o melhor hospital de Sergipe”, segundo o esperto jornalista Marcos Cardoso.
Conforme comentei anteriormente, tivesse o governo se antecipado, antes até da viagem do vice-governador Jackson Barreto no sábado numa visita ao governador, tudo estaria em paz, longe das especulações e da ofensa de Sílvio Santos. Mas, que fez a Secretaria de Comunicação? Nada! Os comunicadores pediam informações, como não as recebiam de fontes oficiais, tentaram ouvir fontes oficiosas e deu no que deu: a fofoca imperou...
Como bem disse o ilustre professor do curso de Direito da UFS José Lima Santana em artigo publicado hoje no portal Click Sergipe, “ninguém, em sã consciência, vai almejar o pior para pessoa nenhuma, político ou não. A imprensa livre quer apenas notícias. Os homens e as mulheres da imprensa (...) não são nem querem ser aves de rapina. Não são nem querem ser carniceiros. Não são nem querem ser urubus. Querem as informações, que lhes são negadas, e que (por conseguinte) são negadas ao povo...”
Agora, pasmem as senhoras e os senhores! Conversei há pouco com Fernando Cabral, presidente do Sindicato dos Radialistas e Caroline Rejane, presidente do Sindicato dos Jornalistas (foto; clique para ampliar) e ambos simplesmente “ignoravam” a agressão de Sílvio Santos à categoria. Enviei-lhes e-mail com um texto por mim escrito sobre o caso e a reprodução da twittada na qual o secretário do governo do PT chama os comunicadores de “urubus”. No mesmo e-mail, solicitei informações sobre procedimentos que pretendam tomar...
Não devemos esquecer, mês e meio atrás, o Sindicato dos Jornalistas enviou ao presidente do PTB Edivan Amorim correspondência solicitando os nomes dos membros da categoria arrolados por ele numa entrevista de rádio como “vendidos” ao governo estadual. Houve ainda inúmeras manifestações de vários radialistas e jornalistas, em protesto a atitude de Edivan Amorim. Por que tantos escreveram tertúlias chorosos contra ele e nada dizem agora sobre o petista? Haverá “piquete” semelhante contra Sílvio Santos, alcunhado de O Primeiro-Ministro? Vão lhe pedir a lista dos “urubus”? O silêncio indicaria um caminho diferente?

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Por David Leite | 18/06 às 20h20

CULPA PELO BOATO SOBRE A PIORA NA SAÚDE
DE MARCELO DÉDA É DO PRÓPRIO GOVERNO
Bajuladores oficiais (e não oficiais) se ressentem sobre as fortes especulações – boatos mesmo, de fato – acerca da saúde do governador Marcelo Déda, internado faz 15 dias no Sírio Libanês em São Paulo, que segundo o esperto ex-secretário de Comunicação da Prefeitura de Aracaju, jornalista Marcos Cardoso, seria “o melhor hospital de Sergipe”. A quem porém se deve atribuir tanta ilação, senão ao próprio governo?
Por mais de uma semana a fofoca de que Marcelo Déda teria sofrido uma piora no câncer que o acomete há mais de ano – cuja “culpa” foi barbaramente atribuída à deputada Maria Mendonça pelo senador Antônio Carlos Valadares – circulava em Sergipe com “prognósticos” terríveis. Que fez a Secretaria de Comunicação – seria uma ordem do governador em exercício Jackson Barreto? Nadica de nada! Deixou “o barco rolar”... e o povo a cacarejar!
Depois, como se nada tivesse acontecido – o silêncio também é uma forma de comunicação –, aparece um destemperado secretário-chefe da Casa Civil Sílvio Santos a desancar os profissionais da imprensa, classificados como “urubus” por buscarem informação. Será que os sindicatos da categoria vão repudiar também esse “ataque” aos companheiros, ou apenas quando vêm dos adversários da oposição é que merecem reprimenda? (Veja detalhes na imagem; clique para ampliar).
Eis a questão: quem muito omite é porque prefere esconder o que não lhe é conveniente publicar, não é Carlos Cauê? Aos alarmados, seria de bom alvitre (re)lembrar do famoso adágio “quem cala, consente!” Ou seja, tivesse o governo se antecipado, antes até da viagem de Jackson Barreto a Sampa no sábado, tudo estaria em paz! Resta saber por que tanto silêncio em torno de um assunto de real interesse público. Que o episódio tenha servido de lição...
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Por David Leite | 17/06 às 15h50 

JACKSON BARRETO VIVE ANESTESIADO?
Ser visto e sentido publicamente como poderoso tem seus encantos... Aliás, dizia Henry Kissinger: “O poder é o maior dos afrodisíacos.” É grande a tentação de se achar gostoso quando se tem o Diário Oficial às mãos. Talvez seja esta uma boa explicação para o momento de desabrido deslumbramento vivido pelo governador de Sergipe em exercício, Jackson Barreto.
Narra o repórter Douglas Magalhães a chegada do mandatário à solenidade de assinatura da ordem de serviço para reforma do Batistão (terça-feira, 11): “Desceu do carro preto, a Banda da Polícia Militar começou a tocar e em seguida se ouviu o estrondo de fogos para saudar o chefe maior... Quem não estava acostumado, ficou de olhos esbugalhados! Jackson Barreto não toca zabumba nem arrisca cantar... Mas quando o assunto é politica, é afinadíssimo.”
Afinadíssimo e salpicado pela excitação, diga-se... Ao perfilar-se para a Guarda de Honra da Polícia Militar no Batistão, Jackson Barreto estava danado: da cor da camisa despojada ao bronzeamento da pele; do andar altivo ao sorriso e piscadelas estratégicas, o candidato governista portava-se como uma estrela da política – um passado revivido? Nos vários trejeitos e falações, exibia a quase certeza de ser “a bola da vez”...
Vem desse sujeito alterado e exalando libido a frase mais picante da semana. Acostumado em sua vida pública à promiscuidade política e às penetrações oriundas de todos os matizes partidários e vieses ideológicos, Jackson Barreto tenta agora cativar João Alves Filho. Um dos meios usados na conquista é desqualificar o aliado do prefeito de Aracaju, o PSC. Perguntado se temeria concorrer com o senador Eduardo Amorim, respondeu: “Não faz nem cócegas... Estou tranquilo!”
Noutras palavras: Jackson Barreto anda tão anestesiado com a máquina estatal que nem sente mais nada... Tudo lhe adentra o animus politicus sem mínimo esforço. Até mesmo a massaroca eleitoral do senador mais votado da história de Sergipe não o intimida... Afolozado politicamente e calejado na arte de mamar na mangueira do poder desde jovem, Jackson Barreto goza entalado nas vantagens do Erário, ejaculando jatos de desprezo nos adversários.
Em A Arte da Guerra, o general chinês Sun Tzu ensina: “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas, mas desprezar o poder do adversário é um erro fatal...” Eis a questão: até que ponto o insensível Jackson Barreto não estaria se enganando, ao achar que, por nada mais sentir – nem mesmo cócegas –, estaria livre de potenciais estragos?
De toda sorte, é bom recordar que “o poder é o maior dos afrodisíacos”, a encher de “virtudes” quem nele se funda. Pena que até agora, ao menos até onde meus parcos conhecimentos alcançam, não inventaram um KY Gel político! Mas pensando bem, para Jackson Barreto seria justificadamente dispensável... Vai no cuspe mesmo!
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Por David Leite | 12 de junho às 19h16 

MENDONÇA X ROGÉRIO:
EU VOU ELOGIAR O DIABO
Tenho pendor lendário pelo político Winston Churchill. Gosto do estilo conservador do estadista e primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial. Contudo, são os aforismos do jornalista e escritor sarcástico que fazem dele meu herói entre todos os grandes gênios do século XX. Diz ele: “A política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes.” Diante dos seus próprios altos e baixos, Winston Churchill sabia o que dizia...
Faz mais de mês, Sergipe acompanha com espanto a afetação do deputado federal Mendonça Prado para se afirmar como liderança política importante. Para incômodo de parcela significativa dos eleitores do Democratas, teceu elogios fogosos ao governo da presidente Dilma Rousseff e classificou o senador Antônio Carlos Valadares como “um político comprometido com o povo”. Também serve de ponte para o diálogo entre a madrinha senadora Maria do Carmo e o candidato governista, vice-governador Jackson Barreto.
No PT, um palanque com João Alves Filho e corriola é visto como inadequado e até contraproducente – todas as principais lideranças do partido não enxergam vantagens eleitorais para nenhum dos lados. O pressuposto só não parece inconveniente para Jackson Barreto, cuja promiscuidade política já o uniu a todos os políticos de Sergipe. Mendonça Prado potencializa nos bastidores o desejo do candidato governista. No entanto, o próprio Mendonça Prado tem severas reservas contra algumas das estrelas petistas, e as tem dito!
Na sexta-feira 7, pelo Twitter – sempre o Twitter, aliás –, o deputado democrata classificou o doutor (ele gosta de ser chamado assim) Rogério Carvalho, secretário de Saúde da Prefeitura de Aracaju na gestão de Marcelo Déda e também secretário de Saúde no seu primeiro governo, como “coveiro-mor da Saúde” e responsável pelo “maior rombo” nas finanças do setor nos âmbitos municipal e estadual (veja algumas das postagens ao lado; clique na foto para ampliar). As provocações não tiveram resposta a altura, ao menos até agora...
O máximo que fez o deputado federal Rogério Carvalho (PT) foi dizer ontem que “aceita” o desafio do deputado Mendonça Prado para debater a Saúde pública em Aracaju, mas impôs uma condição ridícula: “Desde que tenha mediador, e seja em um auditório com regras claras e pré-definidas”. Sempre me questionei quanto à ausência de doutor Rogério Carvalho no #CabaréDe5ª, quando lá esteve seu colega André Moura... Santa ingenuidade, a minha!
Disse meu herói Winston Churchill: “Se Hitler invadisse o inferno, eu faria ao menos um comentário favorável ao Diabo na Casa dos Comuns (equivalente à Câmara dos Deputados).” Pois eis que hoje fico sem saber quem é o diabo dessa pendenga. Mas que um embate entre Mendonça Prado e Rogério Carvalho seria muito interessante, ah!, isso seria...
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Por David Leite | 11 de junho às 17h54