Caso César Gama
Acaba de ser autorizada pelas entidades que a subscrevem, a Nota de Repúdio e Solidariedade ao jornalista César Gama, vítima de arbitrariedade da Polícia Militar de Sergipe (veja foto abaixo; clique no arquivo para ampliar).


Caso César Gama
Representantes da imprensa sergipana pedem apoio a OAB/SE
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Na tarde desta segunda-feira, 21, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Sergipe, Carlos Augusto Monteiro Nascimento, recebeu representantes dos sindicatos dos Jornalistas e Radialistas e da Associação Sergipana de Imprensa, para discutir sobre assunto referente ao constrangimento sofrido no sábado, 19, pelo jornalista César Gama, fato amplamente divulgado no final de semana, sobretudo através das redes sociais.
No Plenário da Casa foi formada a mesa, composta pela presidente do Sindicato dos Jornalistas, Caroline Santos, pelo presidente do Sindicato dos Radialistas, Fernando Cabral, e por Cleiber Vieira, presidente da Associação Sergipana de Imprensa, além do presidente da OAB/SE e do jornalista César Gama. Inicialmente foi ouvido César Gama, que expôs a sua versão sobre o episódio no sábado.
Logo depois, o jornalista David Leite, também presente a reunião, disse ser imperativa a tomada de posição da categoria ante dois fatos, que segundo ele são de enorme implicação para o exercício legal da profissão. O primeiro seria o não reconhecimento pelo policial que abordou César Gama quanto a validade do documento de identificação profissional emitido pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). O segundo, o fato de, nas palavras do policial, ser o jornalista César Gama “inimigo da PM” por ter denunciado maus policiais em oportunidade passada.
Para David Leite, a afirmação abre um precedente perigoso, o de que qualquer profissional de imprensa que venha a expor atos de arbitrariedade de membros da Polícia Militar possa vir a ser considerado por alguns deles como inimigo da corporação. “Temos de agir rápido, para evitar que isso se repita. Não podemos nos calar diante de tal ameaça. Denunciar abusos de qualquer que seja a autoridade é dever do profissional da comunicação. Se não o faz, corrobora, coaduna... Isso tem de ficar bem claro”.
A presidente do Sindicato dos Jornalistas, Caroline Santos, também condenou o fato do policial negar-se a reconhecer a validade da carteira da Fenaj. “Trata-se de um documento que identifica o jornalista, de acordo com lei específica, aprovada pelo Congresso Nacional. Ficou evidente a humilhação a César Gama quando esse apresentou seu documento de jornalista e não foi aceito pelos policiais”, disse.
Já Fernando Cabral afirmou não ser admissível que um profissional de imprensa seja tolhido no direito de informar a comunidade, sob pena de ser considerado inimigo da categoria da qual faz parte o denunciado. Por sua vez, o presidente da Associação Sergipana de Imprensa, Cleiber Vieira, relembrou a atuação de César Gama como jornalista investigativo e o “relevante serviço prestado à sociedade ao denunciar o grupo de extermínio conhecido como 'A Missão'”.

OAB apoia
Após ouvir os relatos e considerações, o presidente Carlos Augusto reafirmou que está mantendo contato com a assessoria do comando da Policia Militar de Sergipe e da Segurança Pública com vistas a travarem encontro objetivando discutir o incidente ocorrido na semana passada com o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SE, Cláudio Miguel. Para ele, os fatos se assemelham pelas circunstâncias que demonstram despreparo dos policiais na hora da abordagem. “É preciso rever o modo como essas abordagens são feitas, pois estão confundindo pessoas de bem com marginais, sendo esse um fato que hoje transmite insegurança à sociedade”, disse.
Carlos Augusto convidou os representantes da imprensa para participarem do encontro a ser agendado com o comando da PM e da SSP para tratar do caso de Cláudio Miguel. “Faremos questão de também levar a essas autoridades o caso do jornalista César Gama, porque os cidadãos sergipanos não podem ficar à mercê de policiais mal preparados”, ressaltou.
Caroline Santos afirmou ainda ser preciso refletir as práticas dos agentes públicos e por isso, “nada melhor do que contar com o apoio da OAB, para discutirmos e desenvolvermos um diálogo, uma reflexão junto à sociedade desse momento em que estamos vivendo, com homens de bem sendo aviltados nos seus direitos, fazendo com que se tenha medo da polícia”.
Ao final do encontro, que também contou com a participação de diversos jornalistas, radialistas e da advogada do jornalista César Gama, Ana Cecília Cacho, ficou definido que o grupo representado pelos sindicatos e pela associação irá emitir uma nota de repúdio, para que o fato seja de conhecimento de toda sociedade sergipana. Também será organizado, com o apoio da OAB/SE, um seminário envolvendo imprensa, sociedade civil organizada e agentes públicos, a fim de discutir a segurança pública e o seu papel no Estado.


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Domingo, 20 de Maio de 2012 | 17h00 | Polícia
Quem são os terroristas da Polícia Militar – a banda podre da corporação?

Trecho de “No caminho com Maiakóvski”, do poeta brasileiro Eduardo Alves da Costa
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na Segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém, recita o velho adágio. Apesar da truculenta arbitrariedade, o caso a envolver o conselheiro e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil/Sergipe, o cantor e compositor Cláudio Miguel Menezes de Oliveira, sugeriu-me excesso descabido dos policiais militares, alto despreparo profissional e, talvez, até uma ponta de ressentimento – pensava eu, contudo, tratar-se de fato isolado, passível de severa punição, certamente; mas apenas isso: “um fato isolado!”
Na sequência, o episódio coator contra o jornalista César Gama... Apesar de também eivado de descabida prepotência e ressentimentos confessos – ainda no bojo das denúncias feitas por ele há quase 20 anos, expondo a comprovada existência na Polícia Militar do esquadrão da morte denominado “A Missão”, responsável por inúmeras mortes de bandidos e inocentes –, de forma idêntica, achei que seria mais “um fato isolado”, sem maiores consequências para a categoria profissional.
Ocorre que hoje, ao acompanhar a repercussão desses terríveis fatos nas redes sociais e sítios noticiosos – aliás, de forma geral, a vilania dos policiais em ambos os casos foi veementemente condenada pela maioria da sociedade em vários comentários –, deparo-me com a mais intrigante “informação”, publicada em meio ao comentário de alguém supostamente denominado “Soldado Oliveira”, em alusão ao ocorrido com César Gama.
Antes de tomar o texto (http://www.infonet.com.br/cidade/ler.asp?id=128412&pagina=1reprodução abaixo; clique na imagem para ampliar) como verdade verdadeira, convém relembrar as palavras no início deste escrito...
À parte o virulento ataque do tal “Soldado Oliveira” à língua portuguesa, a solidariedade com os “companheiros, em especial cabo Correia, por ter prendido o marginal da imprensa”, merece considerações, por conter inverdade caluniosa. César Gama tem, todos sabemos, uma corajosa história de combate ao autoritarismo, ao banditismo e ao maucaratismo, motivo pelo qual angariou inimigos nefandos, sobretudo no âmbito das Polícias Civil e Militar, razão pela qual foi autorizado a portar arma, a fim de defender-se – direito assegurado pela Constituição.

O jornalista possui ainda um currículo invejável, com sólida formação em biologia e filosofia, além de militar como psicanalista terapeuta e ser um pesquisador respeitado. Não é, portanto, um “marginal da imprensa”. Ao contrário, é caçador de marginais, inclusive – e talvez daí a má querência – de bandidos fardados. César Gama, contudo, foi definido pelo cabo Correia, em tom acusatório e sem o mínimo constrangimento, de ser “inimigo da Polícia Militar”.
Somos todos, então, aqueles que se ressentem das evidentes e abusivas arbitrariedades, inimigos da Polícia Militar. Mas de qual Polícia Militar? Da que não se respeita e não respeita, da que espanca e mata, da que sugere “prender autoridades todo dia, para forçar o governo da tranca do Marcelo HITLER Chagas a nos dar tíquete alimentação, carga horária de 30 horas, terço aos 25 anos, adicional noturno, adicional de qualificação, isonomia com a Polícia Civil.”
Quem será na verdade o tal “Soldado Oliveira”, esse terrorista? Será mesmo um policial ou apenas mais um outro marginal disfarçado de policial, pronto a radicalizar? Alguém que diz “Temos que atingir a jugular do ditador (Marcelo Déda) com essas prisões de VIPs” precisa ser seriamente investigado. Os bons policiais militares de Sergipe, certamente, não concordam com os “companheiros das associações unidas por mais essa brilhante ideia”. Que ideia...
Sendo verdade o que disse esse fundamentalista nominado “Soldado Oliveira”, a coisa toda muda de figura. Haveria de fato uma ação terrorista orquestrada para desestabilizar a cadeia de comando e forçar o governo a atender a agenda de reivindicações das “associações unidas” da Polícia Militar? Quem comandaria esse núcleo? De onde realiza suas operações e sob que circunstâncias? O comandante da PM, coronel Maurício Iunes, pretende se pronunciar? O governador Marcelo Déda vai reagir?
Por tantas demandas, decidi que ficar calado seria cooptar – algo que não é do meu feitio. Até porque, pelo que sugere o “Soldado Oliveira”, podemos nós, também, ser desafetos passíveis de detenção arbitrária (ou coisa pior), bastando ter à frente um policial militar aloprado. 


Terça-feira, 15 de Maio de 2012 | 14h15 | Imprensa
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David Leite X Eugênio Nascimento
Acabrunhado com a chacota, um irado Eugênio Nascimento surge com sete pedras às mãos – e me atira todas elas...
ALERTA: Por dever de ofício, peço aos leitores perdoarem a mal-ajambrada sintática do “cumpanheiro” Eugênio Nascimento – o texto talvez tenha sido escrito às pressas, no calor da ira! –, em resposta arisca a minha publicação de domingo, onde contesto comentário feito por ele sobre a segurança pública na gestão do PT. Notem que meu escrito (vide post anterior) é, apesar de irônico, uma contenda sem cunho pessoal. Já o dele, quem sabe por falta de argumentos, vem eivado de ressentimentos, com pitadas de humilhação e prepotência...
Leiam-no e depois vem minha tréplica, encerrando – espero! – essa boba discussão. Vamos rir...

PORRE DERROTISTA - Davi vive ansioso, angustiado, desapracatado da vida
Conheci o jornalista Davi Leite em mesa de bar e sempre o encontrei  nesse mesmo tipo de ambiente, bebendo, tanto ele quanto eu, e contando lorotas mil.  Davi era uma pessoa mais bem humorada quando estava atuando na Secom do  governo do hoje  demista  João Alves Filho. Bebia, ficava bêbado e só falava mal de seu chefe de plantão na Secretaria e do pessoal da  oposição.
Mas desde que o  seu patrão  caiu em desgraça popular e perdeu o poder para  Marcelo Déda (PT) por duas vezes (em 2006 e em 2010), Davi vive ansioso, angustiado, desapracatado da vida, de bar em bar  “curtindo”  os seus  “porres derrotistas” (alcool e depressão) , que o abateram de vez. A partir das sucessivas derrotas, ele se enganchou na internet em busca de gente para brigar. E desta vez sou eu.
Os amigos recomendaram não rebater. Mas achei por bem não deixar o assunto passar sem resposta, ainda com o interlocutor seja um Davi Leite. Acho que ele deveria reagir ao que eu escrevo de modo mais civilizado, decente, sem baixarias. Mas o seu estilo é esse mesmo, que o faça, mas sem a estupidez de querer me obrigar a pensar como ele. Acho e reafirmo que Sergipe não é um Estado violento,  como querem que seja. Nem tão pouco reina a paz que os outros querem.
O número de mortes registradas nos finais  semana é o mesmos desde o segundo governo de João Alves Filho, que em dado momento subiu por conta do excesso de missões. Hoje, como antes, as mortes variam de 10 as 17 corpos no IML, embora  o Hospital de Urgência (Huse) viva lotado com vítimas de acidentes, muitas das quais motoqueiros atingidos no trânsito de Aracaju. E olhe que já se passaram muito tempo do segundo governo de João para cá. Mas o discurso da violência grande é forte e permanente na boca da oposição.
Davi também peca quando diz que eu sou da cozinha do governador Marcelo Déda. Conheço Déda desde meados dos anos de 1970. Nunca estrive na cozinha dele ou de quaisquer outros governadores e prefeitos de Aracaju ou outra cidade qualquer. Sempre preferi o ambiente de minha casa, do trabalho e de um bom bar que sirva da cerveja geladinha à boa cachaça, ao bom uisque e até um conhaque mediano, como o Domec. E digo mais nada que coloquei no blog www.primeiramao.blog.br veio molhado pelo alcool, mas pelo que realmente vejo.
Portanto, vou continuar fazendo o que quero, como quero, sem depender das porralouquices e provocações de Davi, que vai continuar desaparacado por aí tentando atingir quem faz qualquer crítica aos seus patrôes.
No mais, recomendo: Vá procurar o que fazer, rapaz!

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Minha resposta...

EU BEBO SIM, Eugênio Nascimento
De duas uma: ou o meu dileto colega Eugênio Nascimento não leu na inteireza o texto no qual fiz referência a um dos seus escritos dominicais (veja-o logo abaixo); ou como diria o poeta Mário Quintana, “quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro”.
Não, prezado Eugênio Nascimento, minha intenção NÃO foi causar encabulação. A referência etílica no texto por mim escrito é apenas alegoria verbal – uma jocosa junção de palavras jeitosas, cuja combinação serve apenas de amarração linguística ao trato do comentário. Não houve assédio moral, desacato coator ou tentativa de chamar ninguém para a briga... NÃO!
Usei dessa analogia sabuja, pois só de porre da “cachaça” político-partidária – sim, como dizem os mais antigos, a política é mesmo uma “cachaça” –, seria possível ao distinto jornalista “acreditar” na propaganda oficial. Certamente deve ser por mera coincidência meu caro, mas sua afirmação (“Por mais que segmentos populares e a própria imprensa (sic) insistam em apontar Sergipe como um Estado Violento, não chegamos ainda neste estágio”) é a mesma usada pelo garboso governador Marcelo Déda quando discursa sobre os feitos da própria gestão.
Por via das dúvidas, provei com números incontestáveis – porquanto foram divulgados pelo Ministério da Justiça, frise-se – que suas palavras distorciam a realidade factual, a verdadeira verdade. A chacota talvez tenha lhe machucado, mas era apenas isso querido amigo: chacota!
Como você mesmo afirmou, temos uma convivência etílica de anos e sorvemos nossos copos sempre em alto astral, pois sabemos desfrutar das benesses advindas do vinho, uísque, conhaque, cachaça... Mas eles nada tinham a ver com o meu texto! O papo era outro, camarada... Devemos dar o devido desconto: ontem foi segunda-feira, dia muito propício às “ressacas morais” após os exageros do fim de semana. Nem sempre temos disposição para a esbórnia alheia... 


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Domingo, 13 de Maio de 2012 | 23h50 | Gestão Pública
Um “gole” a mais de Eugênio Nascimento – agora, na questão do caos na segurança...
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O jornalista Eugênio Nascimento é um sujeito bonachão, do tipo capaz de arrancar sorriso até das pedras mais indômitas apenas pelo olhar cinicamente irônico. Escriba dominical em coluna de prestígio no Jornal da Cidade, ele ainda edita a página de Política do diário e escreve notas para a coluna Periscópio, sem dúvida o informe mais lido em Sergipe.
Hoje, talvez tungado pela “etílica emoção” costumeiramente provocada por Marcelo Déda quando discursa sobre os feitos da própria gestão, o “cumpanheiro” – sim, o prezado Eugênio Nascimento também tem um dedinho na cozinha do PT –, deu-se em tombos na tentativa de amenizar o caos na segurança pública em Sergipe. Como não é possível aplicar ao texto do cujo um “bafômetro” para aferir o teor acólito da turbinada exaltação, pode-se tentar ver se num teste básico, consegue ele – o texto, por favor, gente! – ficar de pé numa única perna, tendo a outra cruzada à altura do joelho.
Vejamos...
Diz Eugênio Nascimento: “Por mais que segmentos populares e a própria imprensa (sic) insistam em apontar Sergipe como um Estado Violento, não chegamos ainda neste estágio”. Ops, tem uma azeitona a mais nesse drinque! Como é? Conta outra, estimado Eugênio Nascimento. Essa daí foi narrada com requintes de melação pelo garboso governador em pessoa e, comentário geral, só Ele acredita nisso, caramba! – Ele e quem, como Ele, se “ilude” com a propaganda governamental.
Aliás, quem aponta a alta da violência em Sergipe é o “Mapa da Violência 2011”, divulgado pelo Ministério da Justiça, com dados da década entre 1998 e 2008. Nele, o Nordeste é a “grande chaga” da violência no País. Enquanto a pobreza diminuiu na região, os homicídios aumentaram 65%, os suicídios 80%, e os acidentes de trânsito 37%. Na população jovem os índices são ainda piores: um crescimento de 49% nos acidentes, 94% nos homicídios e 92% nos suicídios. Alagoas e Bahia, antes vistos na parte de baixo do ranking, agora pularam para as primeiras posições.
Sergipe não fica fora dessa triste estatística e apesar de as autoridades – e alguns jornalistas, não é caro Eugênio Nascimento? – tentarem negar o óbvio ululante, o índice de violência aumentou, sim!, e de forma assustadora em todo o estado. Em 1998, quando se fez o penúltimo levantamento, o Estado ocupava a 21ª posição e agora ocupa a 14ª em nível nacional. Já em nível de Nordeste, a situação é ainda pior. Infelizmente, Sergipe ocupa a 4ª colocação, perdendo apenas para Alagoas (o campeão), Pernambuco e a Bahia.
Não se sabe de que boteco Eugênio Nascimento trouxe essa lorota de que “quem mais ver (sic) violência é pobre”. O brioso jornalista deveria assistir mais aos noticiários de rádio e TV, ler a página policial do jornal no qual trabalha e, se tiver estômago para mais um “trago”, assistir ao programa “Tolerância Zero” do caríssimo Otoniel Bareta, no ar pela TV Atalaia ao meio dia, para ver que a violência está em todas as partes, incluindo apartamentos de alto luxo e shopping centers.
Os dados já dizem tudo – as autoridades precisam agir rapidamente para prover à população dias melhores, mais tranquilos. Abafar o caso, caro Eugênio Nascimento, contribui apenas para deixar a todos bêbados de tristeza pela infelicidade de tantas famílias, vítimas do crescente abuso dos marginais. Tenha um pouco de lucidez, camarada: como está, não pode e não deve ficar...
O atual quadro brasileiro mostra que em nenhum Estado a taxa de homicídios fica abaixo de dez por cem mil habitantes, o máximo considerado aceitável. Em 1998, seis ostentavam números abaixo de dez. A menor taxa hoje é no Piauí, com índice de 12,4 por cem mil habitantes. Porém, o número é mais do que o dobro de dez anos atrás. O Maranhão, antes o 27º no ranking dos Estados, quadruplicou o índice, e só não aumentou mais sua posição – está em 21º – porque outros subiram mais ainda, sobretudo Sergipe.
Enfim, nada como viver sob o conforto dos “paraísos artificiais” – não aqueles narrados por Charles Baudelaire, mas os provocados pelas entorpecentes palavras de políticos encantadores como Marcelo Déda, a vender mundos e fundos tão gratos aos dadivosos – não é, Eugênio Nascimento? Só mesmo bafejado por uns goles a mais da velha “cachaça político-partidária”, amaciada por um caju maduro, para acreditar em duendes...  


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Domingo, 06 de Março de 2012 | 15h00 | Política Públicas: A Cidade do Futuro
Exemplos do Rio de Janeiro servem ao mundo – incluindo Aracaju, viu Edvaldo Nogueira?
Ou: Os desafios para os próximos prefeitos brasileiros por meio do TED
O advogado Eduardo Paes é um andejo. Já passou pelo PV, PFL, PTB, PSDB e agora está filiado ao PMDB, partido pelo qual obteve o mandato de prefeito do Rio de Janeiro, cidade com 6,5 milhões de habitantes e problemas estruturais graves, típicos das grandes metrópoles, mas que encontram neste jovem de 45 anos encaminhamentos bastante simples, porém muito eficientes. Boas ideias brasileiras sobre o futuro das cidade estão a servir de exemplo para outras nações...
O projeto “TED - Ideas Worth Spreading” apresenta palestras curtas – ou colóquios, se preferirem – com pessoas cujas boas ideias merecem ser disseminadas mundo afora, por serem inovadoras. Gravados ao longo do ano e publicados na página do TED na Internet, esses eventos reúnem estudiosos, professores, estudantes e curiosos em torno das atualidades em campos diversos: da gastronomia ao comportamento animal, da medicina a astrofísica, passando ainda pelo humor e experimentos científicos.
No caso de Eduardo Paes (seu programa foi gravado em fevereiro deste ano e postado no final de abril), ele compartilha quatro propostas, nominadas por ele de “Quatro Mandamentos”, em desenvolvimento no Rio de Janeiro, com aplicação possível em qualquer grande ou média capital/cidade, visando a prepará-la para enfrentar inexoráveis problemas futuros que já se mostram embrionários no presente, agora...
Fiz um resumo dos 12 minutos e 21 segundos do colóquio de Eduardo Paes e os trago aos caros leitores – veja a palestra na íntegra (em inglês) no endereço http://www.ted.com/talks/eduardo_paes_the_4_commandments_of_cities.html .
Inicialmente, ele fala sobre cidades, especificamente sobre o futuro das cidades: “Como prefeito, creio que os prefeitos estão numa posição de poder contribuir para, de fato, mudar o futuro das cidade”. Diz à plateia do desejo de dividir com ela um momento especial e mostra no telão a cerimônia na qual a cidade do Rio de Janeiro foi escolhida para sediar os Jogos Olímpicos: “Foi emocionante, mas não foi fácil chegar lá. O desafio foi vencer Madrid, Tóquio e Chicago, mas mostramos para estes homens (imagens do rei da Espanha, do primeiro-ministro japonês e do presidente dos EUA são exibidas no telão) que sim, nós podíamos.”
De fato, apesar da brincadeira inicial para “quebrar o gelo”, o que Eduardo Paes queria mesmo era falar sobre os caminhos que as cidades terão de percorrer se quiserem vencer os grandes e difíceis desafios nominados por ele como “Os Quatro Mandamentos”, para fazer delas lugares melhores de viver. Após mostrar um curto trecho do filme “Rio” de Carlos Saldanha, ele comenta: “No Rio de Janeiro temos um monte de gente, poluição, carros e concreto, muito concreto.” Passa, então, a exibir o primeiro mandamento: “A cidade do futuro terá de ser ambientalmente envolvente, amigável...” ou seja, ao pensar na cidade do futuro, “deve-se pensar no verde, no verde, no verde...”
Cidades foram feitas para as pessoas, diz Eduardo Paes. Mas como fazer para garantir mobilidade a tanta gente? Grande capacidade de transporte requer muito, muito dinheiro. O prefeito do Rio de Janeiro mostra o exemplo do “BRT – Bus Rapid Transit (ou trânsito rápido de ônibus)” de Curitiba, criado pelo urbanista, arquiteto e ex-prefeito da cidade Jaime Lerner, que também tem uma interessante palestra no TED. Trata-se de um ônibus igual aos demais por fora, mas internamente modificado – assemelha-se a um trem urbano, que circula por vias exclusivas separadas dos demais veículos e tem “estações” em pontos estratégicos tão confortáveis como as de um metrô moderno.
Eduardo Paes mostra também um mapa com as linhas de tráfego atuais (vermelha e amarela) no Rio de Janeiro, através das quais a cidade atende somente 18% da demanda por transporte público de alta capacidade. Contudo, apenas introduzindo um sistema de BRT similar ao de Curitiba, seria possível alocar 63% de toda a demanda do transporte público carioca de alta capacidade: “Como disse antes, nem sempre é preciso ser rico ou poderoso para pensar caminhos originais acerca do que é preciso fazer.” Passa, então, a exibir o segundo mandamento: “A cidade do futuro tem um compromisso com a mobilidade e a integração com as/das pessoas...”
Agora, a parte chamada por ele de “a mais controversa”, a questão das favelas: “Hoje posso dizer, favelas nem sempre são um problema. Favelas por vezes podem ser uma solução, se você as atende com políticas públicas.” Segundo Eduardo Paes, dos atuais 6,5 milhões de habitantes do Rio de Janeiro, 1,4 milhão vive em favelas espalhadas pela cidade (conforme se vê num mapa), num convívio entre ricos e pobres. Mas é possível sair do círculo vicioso para adentrar num círculo virtuoso? Como?
Para Eduardo Paes, levar às favelas serviços públicos essenciais, sobretudo educação e saúde com alta qualidade, faz a diferença. Ele mostra um prédio antigo transformado numa escolar para o ensino fundamental “com alta qualidade” numa favela do Rio de Janeiro. Em seguida, mostra um outro prédio, também com estrutura moderna, que ele diz ser uma Clínica de Saúde da Família, “também com alta qualidade”.
Ainda nas favelas, Eduardo Paes propõe a ocupação pública de terrenos ociosos, para realizar projetos de urbanização e transformá-los em áreas públicas atrativas. Mostra, então, um moderno complexo denominado Praça do Conhecimento, para crianças que vivem numa casa pobre ter nas cercanias acesso à alta tecnologia, a um teatro, Cinema 3D, um tipo de mudança que faz grande diferença para elas. Passa, então, a exibir o terceiro mandamento: “A cidade do futuro tem de ser socialmente integrada...”
Eduardo Paes fala sobre as festas tradicionais cariocas – Carnaval, Ano Novo – e também dos problemas com enchentes, desabamentos de encostas. Mas a razão de ele estar no TED era exatamente apresentar um projeto implantado nesta gestão um ano e meio atrás, nominado Centro de Operações / Prefeitura do Rio de Janeiro, através do qual é possível ao prefeito e demais gestores acompanhar em tempo real o que ocorre na cidade. Por meio da internet, Eduardo Paes entra em contato com o chefe do Centro de Operações e fica sabendo como está o tempo e o tráfego na cidade. Um avanço fundamental para prevenir problemas, contornar situações de risco e elevar a eficiência da resposta dos serviços públicos às demandas. Passa, então, a exibir o quarto mandamento: “A cidade do futuro tem de usar a tecnologia para estar presente”, visando melhor administrar os problemas.
Afinal, “Os Quatro Mandamentos” são maneiras objetivas e racionais de governar as cidades, investindo em tecnologia, no verde, abrindo novos espaços públicos, para integrar pessoas... Eduardo Paes diz que em breve, num futuro próximo, teremos 10 bilhões de pessoas vivendo no planeta e para ele isso é bom demais, pois “teremos 10 bilhões de cabeças pensando juntas, 10 bilhões de talentos juntos”. De fato, a cidade do futuro deve cuidar dos seus cidadãos, integrando-os socialmente. A cidade do futuro não poderá deixar ninguém de fora deste contexto de integração!
Lição interessante para quem governa ou pretende governar uma cidade.


Quinta-feira, 03 de Maio de 2012 | 09h20 | Eleições 2012
Pesquisa eleitoral encomendada pelo Oráculo Almeida Lima detona pretensões do PT
Pesquisa extensa, encomendada pelo candidato a prefeito de Aracaju, o Oráculo Almeida Lima, detona de vez com a pretensão do PT de permanecer hegemônico na capital sergipana – o atual prefeito, o comunista de boutique Edvaldo Nogueira, foi vice de Marcelo Déda e segue o padrinho até na antipatia popular; candidato indicado por eles, seja quem for, já sai no prejuízo!
Há setenta e cinco dias do início do pleito, quando ocorrerá a liberação da propaganda eleitoral nas ruas – no rádio e TV só em agosto –, o candidato da situação, Doutor (ele gosta de ser chamado assim) Rogério Carvalho segue na lanterna, empacado... Perde em todos os cenários apresentados pela pesquisa divulgada ontem pela TV Atalaia, parceira do candidato do PPS na empreitada.
Os números não deixam dúvida: o Negão é o candidato a representar melhor a insatisfação com a incompetência generalizada e o abuso do poder! O candidato do Democratas está bem à frente dos concorrentes e venceria (hoje) todos com folga – detalhe: a forma como o questionário foi criado indica que Almeida Lima ainda insiste em acreditar que João Alves Filho desistirá da prefeitura num último instante...
Não obstante, e ainda em desfavor dos demais candidatos concorrentes do ex-governador, vê-se em todas os cenários um alto número de indecisos (Não sabe/decidiu). No entanto, quando o nome de João Alves Filho vem citado, a tendência é de consolidação do nome dele como candidato favorito e imbatível.
Naturalmente, trata-se de uma “fotografia” deste momento político, quando as candidaturas ainda são embrionárias e a propaganda eleitoral para valer não teve início nos veículos de massa. Mas, é possível apostar numa possibilidade cada vez mais arraigada: o Negão, ao que tudo indica, vai fazer um estrago grande, daqueles enormes, no poder de mando de Marcelo Déda e corriola em Aracaju.
Cenários possíveis (clique no quadro para ampliar), na visão da pesquisa do querido Oráculo...

Clique na foto para ampliar... Bom riso!

Segunda-feira, 30 de Abril de 2012 | 14h10 | Política Públicas: Educação
Ana Lúcia Menezes e o embuste sindical
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A foto a ilustrar este escrito foi publicada na página pessoal de alguém nominado Hildebrando Maia no Facebook, trazida em apoio a um texto divulgado em 29/01 pela assessoria de imprensa da deputada Ana Lúcia Menezes, sob o título “Mobilização difunde leis de combate à violência contra a mulher”. Somente na quinta-feira passada, ao fuçar pela rede social em questão, é que vi ambos, texto e foto. Como encontrei questões muito intrigantes, resolvi comentar.
A primeira delas é quanto à cor da blusa da deputada representante do Sindicado dos Trabalhadores em Educação de Sergipe (Sintese). A ausência da cor vermelha, típica dos petistas de carteirinha, caso de Ana Lúcia Menezes, fala muito – grita, aliás! A interpretação da linguagem corporal possibilita resultados surpreendentes. Por meio dela, é possível revelar até mesmo quando alguém está mentindo ou tentando omitir alguma informação...
No dia em que a foto foi tomada, um domingo, a professora-deputada perambulava por semáforos de Aracaju junto com “militantes sociais e companheiros do mandato...”, numa “campanha de combate à violência contra a mulher”, segundo o texto da assessoria. Não apenas Ana Lúcia Menezes, mas quase todos os integrantes da equipe estavam sem o vermelho tradicional. Por quê?
Tudo indica, numa associação com a neurolinguística, possa a linguagem corporal suscitar como razão primeva o desejo – talvez até inconsciente – de evitar que aquela ação fosse confundida pela população como “partidária”, “do PT”, ou mesmo a tentativa consciente de evitar agregar àquela causa meritória o desgaste político do governo Marcelo Déda, cujo vermelho é a cor-símbolo. Por outro lado, ao deparar-me com a foto e os comentários elogiosos a Ana Lúcia Menezes, não pude evitar o sarcasmo de provocar os brios da turma de contendores e disse: “Bem que a professora Ana Lúcia Vieira – nome usado por Ana Lúcia Menezes no Facebook, não me pergunte porquê – poderia ter o mesmo desprendimento na luta para melhorar a qualidade do ensino público nas escolas estaduais administradas pelo seu partido, o PT. Seria pedir demais? Bom dia...”
A resposta da professora-deputada não tardou a vir: “Caro David Leite, essa é a luta que também venho travando, se acompanhar meus pronunciamentos na Assembleia Legislativa verá que tenho apresentado dados socio educacionais dos municípios apontando as fragilidades, e também as possíveis soluções. Tenho feito pesquisas, e mostro aos colegas parlamentares os programas educacionais que estão finaciando as escolas, o mau uso dos recursos. Vou as escolas ouvir as reivindicações dos trabalhadores/as e através disso faço indicações de reformas.”
Não vou comentar a sintática mal-ajambrada, pois sempre prefiro discutir ideias... Então, fui ao sítio de Ana Lúcia Menezes na internet e lá, de fato, constam pesquisas sobre o tipo de ensino ministrado por prefeituras não administradas pelo PT e muita, muita loa sobre “piso da categoria”, “luta da categoria”, “manifestação da categoria” – e nada, nem uma vírgula que seja sobre um plano, um projeto da deputada para melhorar a educação pública em Sergipe.
Os petistas sempre se ocuparam mais do ataque aos poderosos de plantão – quando eram oposição, obviamente – do que com discussões sérias. Encaminhei em meados de novembro passado dois estudos que poderiam ajudar a professora-deputada a basificar a luta pela implantação de um programa de Qualidade Total nas escolas públicas (veja títulos abaixo). Se leu o material, nunca disse e, convenhamos, em mais de 20 anos de movimento sindical dos educadores, Ana Lúcia Menezes e sua turma foram competentes até demais em ajudar a atrasar a educação. Fosse com greves, paralisações pontuais ou simples sabotagens – usar a sala de aula como palanque para promover o PT e seus candidatos foi o mínimo!
É com esse espírito que se deparam agora aqueles que veem os sindicalistas da educação filiados ao PT metidos com toda sorte de manifestações “engajadas” – o tal do “politicamente correto” –, menos a que mais interessa ao País e a Sergipe, em particular: fazer da educação pública a justa porta de entrada para a ascensão social e profissional por méritos próprios, apenas estudando!
Seria pedir demais?
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ESCOLAS CHARTER NO BRASIL: A EXPERIÊNCIA DE PERNAMBUCO (http://ww2.itau.com.br/itausocial2/biblioteca/BibliotecaInterna.aspx?idBiblioteca=210)
Além destes dois trabalhos, recomendo ainda que a professora Ana Lúcia Menezes e sua turma se detenham, se não for muito incômodo, na leitura de dois outros documentos que li neste final de semana e retomam o tema da qualidade do ensino e a importância do ensino em tempo integral, cujo propósito não é defendido pelo Sintese pois, ao que sugerem as manifestações do sindicato, acarretaria em mais “trabalho” para os sofridos professores da rede estadual...
AVALIAÇÃO DO PROGRAMA ESCOLA INTEGRADA DA PREFEITURA DE BELO HORIZONTE (http://ww2.itau.com.br/itausocial2/biblioteca/BibliotecaInterna.aspx?idBiblioteca=20)
THE ECONOMIC IMPORTANCE OF SCHOOL QUALITY - WITH LESSONS FOR BRAZIL (http://ww2.itau.com.br/itausocial2/biblioteca/BibliotecaInterna.aspx?idBiblioteca=69)


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Quarta-feira, 25 de Abril de 2012 | 19h45 | Comportamento
Fofoqueiros e mentirosos, cuidado com eles nas campanhas eleitorais
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Mentes satânicas e astutas, dotadas sobremodo do “prestimoso” senso de inveja – e oportunismo visceral –, os fofoqueiros e mentirosos são uma praga a ser combatida e eliminada em campanhas eleitorais. Nestes quase 20 anos dedicados ao esforço de eleger candidatos a cargos públicos e assessorar políticos, pude observar como são perigosos...
O fofoqueiro, na conjunção semântica, é um leva-e-traz; presta-se somente a isso. De tão inútil, esse ser abjeto repara no alheio para transbordar maledicências. No ambiente de decisões sensíveis e de nervos à flor da pele, como numa campanha eleitoral, tem a capacidade de desviar o foco das coisas realmente importantes para fixá-lo à sua “agenda” maléfica. Podem ainda servir de “fonte” infiltrada por adversários...
Não menos atroz, o mentiroso tem a nefanda habilidade de tomar um contexto, na maioria das vezes baseado no factual, e acrescentar nele elementos da “verdade” que lhe interessa. Em campanhas eleitorais, aproveita cada momento com o poderoso de plantão para atacar os oponentes com pontuados desgastes na imagem pessoal e profissional, sempre expondo-os aos julgamentos “morais” às escusas, nas sombras...
O híbrido ignóbil, ainda mais perigoso porquanto dotado de perspicácia malandra, é o fofoqueiro-mentiroso. Para disseminar invencionices no combate a desafetos, esse espécime demoníaco se utiliza de ferramentas sofisticadas, como a hermenêutica. Pinta quadros tão críveis que, dependendo do grau de influência junto ao interlocutor, é capaz de iludi-lo como a uma criança. Nunca é demais lembrar o adágio segundo o qual pessoas inteligentes se ocupam de ideias, as comuns das coisas da vida (carros, casa, comida...) e as medíocres a falar (mal) sobre pessoas.
Definidos os canalhas, fica mais fácil entender por que tais personas devem ser sumariamente afastadas do ambiente de campanhas eleitorais: elas desagregam equipes bem formadas; tiram do candidato a confiança em colaboradores importantes mas nem sempre afeitos a bajular; e pior ainda, podem confundir os demais membros do grupo com algum poder decisório através de argumentações insidiosas e da calúnia, comprometendo o desempenho da campanha em todos os níveis.
Em dados momentos nos embates eleitorais, por razões que talvez só Freud poderia explicar, candidatos tendem a interagir com pessoas que lhes afagam o ego – quase todos os políticos o têm bastante inflado! Admitem também aqueles que lhes “protejam” de certas situações e lhes iludam com “realidades virtuais”... Todavia, o custo de tal interação é ser vítima de manipulação sagaz, às vezes com resultados catastróficos nas urnas.
Portanto, políticos e assessores devem prestar muita atenção no agir de colaboradores estratégicos. Devem sempre ter olhos com “visão de Raio-X”. Devem, quando houver qualquer mínima dúvida, buscar esclarecer a verdadeira verdade. Jamais devem decidir sem ouvir o contraditório, por mais estapafúrdio que seja; e nunca, sob qualquer hipótese, devem admitir que picuinhas ou ações sem embasamento técnico e profissional, o famoso “achismo”, influenciem nas decisões, por mais simples que elas pareçam.
Por fim, mas não menos importante, políticos e assessores – e no geral, as pessoas de bom senso – devem sempre auferir daqueles que lhes cercam o melhor de cada um, em sua especialidade ou habilidade. Afinal, todos temos desvirtudes, mas somente os chefes mais inteligentes sabem como torná-las sem efeito, ao bem das causas superiores.