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Sexta-feira, 9 de Março de 2012 | 08h50 | Eleições 2012
A quem Edvaldo Nogueira pretende enganar?
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Deveria ser um majestoso presente de aniversário para a população de Aracaju pelos 157 anos de fundação da capital, comemorados a 17 de março. Mas o tal do “reajuste zero” apresentado com pompa e circunstância pelo prefeito comunista de boutique Edvaldo Nogueira mostra-se apenas como outro factoide eleitoreiro, cujo único fito é ludibriar a patuleia e amolecer-lhe o coração. Vejamos...
A tarifa dos coletivos circulantes na Grande Aracaju foi congelada para 2012 em R$ 2,25 – em 2006, também um ano eleitoral, Edvaldo Nogueira agiu da mesma forma. Como “compensação”, as empresas prestadoras do serviço passarão a ter a partir deste mês um desconto mensal de 3% no Imposto Sobre Serviço (ISS), visando a equilibrar o suposto impacto da ausência do reajuste. O pleito dos empresários do setor era de 12% de aumento – a passagem passaria a custar R$ 2,52.
O “reajuste zero”, no entanto, poderia ter sido aplicado faz tempo. Durante as gestões de Marcelo Déda e Edvaldo Nogueira, o preço da passagem saiu de R$ 0,90 para R$ 2,25. Majoração de 150%, para uma inflação de 90% acumulada no período. Trocando em miúdos: não houve favor! Foi mantida uma tarifa já bastante obesa, cujo excesso de gordura enriqueceu na última década alguns poucos felizardos.
Diante da chiadeira dos donos de buzus, supostamente (mais uma vez) passados para trás, o pândego Edvaldo Nogueira, com cara de pastel de rua no fim do dia, cuspiu no abastado cofre que financiou as campanhas políticas dele próprio, de aliados e do padrinho Marcelo Déda. Disse o cabra macho alagoano: “Meu relógio não funciona com pressão de ninguém, muito menos de empresário” – mas só em ano eleitoral...
O “reajuste zero”, respeitável público, surge assim para enganar os trouxas...
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Piada? – O prefeito promete agora iniciar o “processo licitatório do transporte coletivo”, anunciado para o mês da mentira: dia 17 de abril. Não esqueçamos porém, na campanha de 2000 a dupla Marcelo Déda/Edvaldo Nogueira falava em “desprivatizar” a prefeitura comanda por João Augusto Gama, hoje um empresário megamilionário. Era conversa para vaca roncar. Tivesse sido feita a licitação, o preço da tarifa para 2012 seria no máximo R$ 2,00 – incluída a inflação do período (veja tabela abaixo) e o lucro das empresas.


Confira também o “Demonstrativo de Tarifas e Tributos nas Capitais Brasileiras”, comparativo a provar quanto são extorsivos os valores cobrados dos usuários do transporte coletivo na Grande Aracaju.


Tabelas colhidas no Facebook do ex-deputado federal José Carlos Machado.


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Quarta-feira, 7 de Março de 2012 | 09h20 | Políticas Públicas
Marcelo Déda, afinal, admite: Doutor Rogério Carvalho destruiu a Saúde estadual
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Leia também neste escrito: José Carlos Machado aponta uma possível razão para a derrocada da Saúde Pública nacional.
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Num comercial veiculado ontem no horário nobre das emissoras de TV sergipanas, o governo anuncia que “está reconstruindo a saúde”... A semiótica implícita na frase sugere duas interessantes alternativas: Marcelo Déda relaxou na elaboração do marketing eleitoral/governamental (não necessariamente nesta ordem), cujo gasto chega a quase R$ 30 milhões/ano... ou a Comunicação estadual imbecilizou-se!
Iniciado o calendário de 2012, entra-se no sexto ano consecutivo da gestão do PT, sendo a Saúde Pública – seguida da segurança – o maior problema enfrentado por Marcelo Déda. Se agora “reconstrói” alguma coisa, é porque supostamente havia destruição – e quem a praticou? Sem dúvida, já que a esta altura do campeonato não mais se pode admitir a ingerência do ex-governo nas ações do atual, a culpa certamente recai sobre o ex-secretário estadual de Saúde, o hoje deputado federal e candidato do governo à Prefeitura de Aracaju, Doutor (ele gosta de ser chamado assim) Rogério Carvalho.
Sergipe inteiro conhece a histórica passagem de Rogério Carvalho pela Saúde da Prefeitura de Aracaju, quando inaugurou dois “hospitais” de ponta, posteriormente rebaixados a postos de saúde pelo Ministério Público, atendendo a pedido da Sociedade Médica de Sergipe, que denunciou a fraude perpetrada ainda no período eleitoral de 2006. Ao assumir a Saúde estadual, o médico e professor, munido de uma marreta, mandou destruir as partes internas do Hospital Infantil José Machado de Souza,  finalmente inaugurado  somente no fim do ano passado na calada da noite, por ordem da Justiça, também atendendo a pedido do MP por via dos médicos.
O programa “Fantástico” da Rede Globo foi assíduo nas denúncias do projeto de Rogério Carvalho para desmantelar o sistema de Saúde Pública estadual, apresentando ao Brasil a morte de mais de 100 crianças na Maternidade Hildete Falcão por conta da imundície, o fechamento por quase um ano da Maternidade N. S. de Lourdes, apesar de plenamente operacional; a transformação do Huse (ex-Hospital JAF) em matadouro de pobres e, por fim, o sucateamento do Samu Estadual e a falácia das Clínicas da Família, um dos maiores trotes da história política de Sergipe.
Ao utilizar uma peça de propaganda com o fito de tentar provar que busca solucionar as tantas barbeiragens cometidas pelo danado do Doutor Rogério Carvalho, em prejuízo da imagem pública dele próprio (Marcelo Déda), sobretudo ao admitir que “está reconstruindo a saúde”, o governador diz afinal o que todos os sergipanos já sabem faz tempo: a gestão de Doutor Rogério Carvalho só não foi pior porque, graças aos Céus, ele precisou afastar-se para concorrer à Câmara Federal e, num golpe de sorte para os pobres de Sergipe, foi eleito deputado federal.
Resta saber se, além de “reconstruir a saúde”, Marcelo Déda vai fazê-la algum dia voltar a funcionar num nível aceitável, pelo menos no mesmo nível deixado por João Alves Filho, que apesar de ser precário, era indubitavelmente mais eficiente que o da gestão do PT.
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Poderia ser ainda pior? – Ontem, através do Twitter, o ex-deputado federal José Carlos Machado, engenheiro por formação e, portanto, afeito a números, informou que o “Índice de Desempenho do SUS aponta 13 estados abaixo da média de Sergipe, que é de 5,36”. Ou seja, em 13 estados a Saúde Pública está pior do que em Sergipe – imaginem a tragédia...
“O interessante”, diz o ilustre camarada, “é que dos treze, 12 estados são governados por aliados da presidente Dilma Rousseff. Sinal que a Saúde Pública está no vermelho, literalmente! Acima da média de Sergipe estão seis estados, cinco governados pelo PSDB e o outro pelo DEM. Então, o resultado da avaliação feita pelo Ministério da Saúde significa o quê?”, questiona José Carlos Machado, para concluir que “Santa Catarina é o estado com a maior média do IDSUS: 6,29 – (santa) coincidência: o estado nunca foi governado pelo PT”.


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Terça-feira, 6 de Março de 2012 | 10h30 | Política
Marcelo Déda trata os Amorim como “lixo”
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Passemos sem delongas ao dissecamento de como a comunicação oficial, por via de assessores ligados diretamente ao governador ou através de lisonjeadores profissionais aboletados na imprensa, tratou o imbróglio gerador do cisma entre as facções controladas por Marcelo Déda e pelo chefe político – e grande colecionador de partidos –, o megaempresário Edvan Amorim.
Movido por um ódio extremo ao que considera “traição” desmedida, o garboso Marcelo Déda imbuiu-se pessoalmente de organizar o discurso – e a ação, diga-se! – visando a punir com crueldade os rebelados da ex-base aliada do governo. Sem ao menos considerar a possibilidade de manter aberto um canal de diálogo com a turma do irmãos Amorim, usou a guilhotina, “limpando” a máquina estadual da presença dos dissidentes.
Observem a palavra “limpando”, pois ela não está em uso ao acaso. Foi exatamente o verbo limpar que definiu a retórica política retaliatória de Marcelo Déda. Pode-se concluir portanto que, se se estava limpando, é porque havia sujeira, muita sujeira – e quem era o tal “lixo” ou o “sujo”? Sim, eles mesmos... aqueles que ajudaram o PT e companhia a conquistar o segundo mandato no governo sergipano, os irmãos Amorim e sua turma.
A aliança entre Marcelo Déda e os Amorim nunca foi bem digerida por ambas as facções políticas e, tudo indicava, o rompimento era apenas uma questão de tempo, sobretudo por haver interesses eleitorais conflitantes entre as partes envolvidas. Por seu turno, o governador nunca foi afeito a pressões – a soberba e o narcisismo não lhe permitem conviver com pleitos “impostos”!
A pragmática do discurso de Marcelo Déda tem sido a seguinte: precisou, de fato, unir-se aos “sujos” para obter um novo mandato, mas quando esta união já não mais era do seu agrado (ou interesse!) – nem nos moldes do “jeito petista de governar” –, optou por promover uma devassa, a “limpeza” em curso, numa espécie de purificação da alma política governamental.
Restou aos irmãos Amorim o consolo de, ao serem tratados como “lixo” político, retribuir na mesma moeda onde puderem – ou, ao contrário, oferecer aos governistas uma merecida “complacência”, já que agora detêm o poder absoluto na Assembleia Legislativa e devem fazer a maioria dos prefeitos e vereadores, fonte da mágoa entranhada em Marcelo Déda.


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Domingo, 04 de Março de 2012 | 18h00 | Livros
“Privataria Tucana”, mais um livro-panfleto
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Palavras de Oscar Wilde: “As boas intenções têm sido a ruína do mundo. As únicas pessoas que realizaram qualquer coisa foram as que não tiveram intenção alguma.” Parcela expressiva da imprensa brasileira está contaminada por gente de “boas intenções”, uma cambada nutrida pelo poder de plantão, a serviço de conglomerados econômicos, governos e partidos...
A imprensa é um fenômeno recente. São mais ou menos 300 anos de história – e no início, já havia o propósito de servir à sociedade burguesa e suas atividades lucrativas. Esta primeira fase, entre os séculos XV e XVI, foi marcada principalmente por dois fatores decisivos para sua evolução: a escolaridade (grande parte da população era analfabeta) e o poder aquisitivo (o papel impresso era muito caro).
O acesso à informação de qualidade, mesmo nesta “Era da Informação” gratuita – e havendo uma maioria absoluta de pessoas letradas, apesar de isso não significar que pensem de modo independente –, exige do cidadão comum atenção redobrada com as letras impressas em papel ou postadas em sites e blogs. Saber separar o “joio” do “trigo” tem sido uma tarefa cada vez mais complexa...
Lançado ao final de 2011, sucesso na lista dos “Mais Vendidos” da revista Veja, “Privataria Tucana” (343 páginas, Geração Editorial), do jornalista Amaury Ribeiro Jr., deveria ser um livro-bomba, com “segredos e verdades sobre o maior assalto ao patrimônio público brasileiro”. Mas é apenas um livro-panfleto, dedicado a provar a tese (furada) dos petistas, segundo a qual o único (e “maior”) benefício das privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso foi enriquecer os barões do tucanato.
Muita sujeira, de fato, ocorreu no âmbito das privatizações, podendo ser resumidas no diálogo de Ricardo Sérgio de Oliveira, controlador das finanças nas campanhas de FHC e José Serra, com o então ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros, tratando sobre a privatização das operadoras de telefonia: RSO - “Nós estamos no limite da irresponsabilidade.” LCMB - “É isso aí, estamos juntos.”
Mas, afinal, qual seria a “novidade”, os tais “segredos e verdades” de “Privataria Tucana”? Uma penca de documentos a unir familiares e amigos do então ministro da Saúde de FCH, José Serra, cujos laços com empresas de fachada – provavelmente usadas para lavagem de dinheiro – o deixam numa situação bastante desconfortável. Por que, então, lançar o livro exatamente às véspertas do pleito eleitoral de outubro? Pimba! Lula da Silva tem um candidato à Prefeitura de São Paulo, Fernando Hadad, um sujeito sem votos, mas com um grande cabo eleitoral...
O livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr. presta-se ao valoroso serviço de espalhar inúmeras cascas de banana no caminho de José Serra, de quem se pode dizer tudo, menos alegar “santa inocência”, sobretudo diante de tantos documentos – alguns, diga-se, foram contestados por familiares do ex-governador e o jornalista defendeu-se dizendo serem todos cópias de material oficial colhido em fóruns, cartórios, juízos... Ponto para Lula da Silva.
Assim, recomendo cautela a quem decidir ler o bólido. Ao centrar toda a patifaria supostamente ocorrida no período das privatizações de FHC apenas na figura do ex-ministro José Serra, seus familiares e amigos, como se o hoje candidato tucano fosse o grande “mafioso” do pedaço – o que se sabe, é uma deslavada mentira –, “Privataria Tucana” expõe sem meios termos a missão a que se devota!
Mais uma danação sem estofo político factual de um membro da turma aloprada  da  grande imprensa nacional – muito bem sevado, aliás – a serviço do poder da hora...


Ultimate Fighting Championship/UFC - A luta dédádó...
Marcelo Déda X Eduardo Amorim
Façam suas apostas: http://twitpic.com/8qztwg >>>



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Quinta-feira, 01 de Março de 2012 | 12h50 | Eleições 2012
Quem perde e quem ganha com a trairagem a Marcelo Déda

Como disse um certo twitteiro, “traição é igual a consórcio; um dia você acaba contemplado”. Quem acompanha a política de Sergipe tinha informação prévia sobre o rompimento da aliança entre o grupo comandado por Marcelo Déda e a penca de partidos sob a mão-de-ferro de Edvan Amorim. A questão é que não se esperava para tão cedo e de maneira abrupta...
A governabilidade, graças ao modelo político-partidário em uso no Brasil, obriga governantes a lidarem com parceiros nem sempre unidos por laços republicanos. Vejamos o caso do deputado Doutor (ele gosta de ser chamado assim) Rogério Carvalho, sem dúvida o candidato do PT à Prefeitura de Aracaju. Coronel em Sergipe do PHS, uma agremiação nanica, ele tem afilhados pendurados numa secretaria da gestão do jornalista Fábio Henrique, em Socorro. Será que o parlamentar romperá com o prefeito, hoje aliado incondicional do senador Antônio Carlos Valadares, acusado pelo PT de ser coadjuvante na rasteira dada pelos Amorim no governo?
Numa reunião realizada ontem, o grupo dos irmãos Amorim decidiu entregar todos os cargos do governo – nem precisava, pois o próprio Marcelo Déda já promove a limpeza geral. Decidiu também que “não irá radicalizar”. Trocando em miúdos: “pretende votar a favor de projetos do interesse público e contra aqueles que prejudiquem o povo e os servidores estaduais”. Decidiu ainda manter a “nova” bancada independente, inclusive elegendo um líder.
Com essa arrumação política inusitada, quem ganha e quem perde com a implosão da bancada governista, após a eleição extemporânea da mesa diretora da Assembleia Legislativa? A primeira grande vitoriosa é a deputada-presidente Angélica Guimarães, pois assegurou o cargo até 2014. Outro grande vencedor é Marcelo Deda... Por mais estapafúrdia que tal assertiva possa parecer, após o susto inicial, o governador deu graças aos Céus por ter recebido o tombo de segunda-feira.
Desde os primeiros momentos, a militância do PT não engoliu o acordo “pela governabilidade”, firmado entre os agora litigantes. Porém, como se sabe, seria por demais temeroso a Marcelo Déda tentar a reeleição sem ter o apoio dos irmãos Amorim – não se deve esquecer, o senador teve votação muito superior a do governador... Por outro lado, ninguém ignora a composição que vem sendo realizada por Edvan Amorim para eleger o maior número de prefeitos sob seu comando, visando a preparar o terreno para 2014, quando pretende fazer do irmão o próximo governador.
Ao antecipar uma jogada que teriam de fazer mais cedo ou mais tarde, os irmãos Amorim deram ao governador o “motivo” que este tanto almejava para voltar-se à militância do PT, dando ao seu partido um novo fôlego, essencial na busca de manter-se como força hegemônica em Sergipe. Portanto, ganha também o PT e seus prováveis candidatos a prefeito e vereador, agora livres da concorrência que lhes sangrava cargos e vantagens políticas e econômicas (a tal da “máquina pública”) dentro do seu próprio governo.
Obviamente, quem também ganha com o rompimento são os irmãos Amorim. Nas palavras do senador Eduardo Amorim – “É preciso haver o diálogo, pois amigo não é aquele que diz amem a tudo e sim aquele que aponta o problema e apresenta solução” – a comunicação (nas entrelinhas) sugere um recado claro: a partir de agora, como será cada um por si, as necessidades do governo terão pesos diferenciados... Sem compromissos formais prévios, de hoje em diante Marcelo Déda terá de ser bem mais humilde e generoso ao negociar com as muitas bancadas na Alese – a maioria controlada ou influenciada por Edvan Amorim –, se quiser manter-se politicamente vivo até 2014, como fez Albano Franco, ao passar por vexame semelhante em 1999.
Quem perde? Em parte, o próprio governador, pelo que se disse logo acima. Também perdem os irmãos Amorim, cuja vantagem auferida da máquina pública terá de ser agora garimpada etapa a etapa, via de regra em exaustivas negociações. Perde ainda o senador Antônio Carlos Valadares, mais uma vez publicamente exposto como inconfiável, vindo a confirmar a definição feita pelo deputado Almeida Lima no escrito “Os óio da cobra verde”, onde diz: “O senador Valadares, dono de uma ficha vastíssima de traições e de outras maldades políticas..., chega a ser um exemplar raríssimo da espécie. Uma peça difícil de ser vista, excêntrico por natureza! Quase uma figura sui generis...”
Quem nada perde, e talvez tenha até algum ganho político é o provável candidato do DEM a prefeito de Aracaju, o ex-governador João Alves Filho. Tido pela população, segundo pesquisas, como “tábua de salvação” ao engodo das gestões do PT e do PCdoB de Edvaldo Nogueira, ele segue em céu de brigadeiro, tocando em silêncio sua campanha – apesar de ter, com os votos da bancada da oposição, “ajudado” Marcelo Déda e Edvan Amorim a engendrar seus planos de livrar-se um do outro.
Longe, aos olhos do respeitável público, do picadeiro e das rasteiras que implodiram a base governista – e observando o império do PT tentando se reinventar, para ao menos chegar unido e eleitoralmente capacitado até outubro –, o Negão pode inclusive se dar ao luxo de, caso seja questionado sobre o tema, gargalhar homericamente – uma de suas inseparáveis características – e dizer, com certa irônica danação: “Nessa briga de brancos, eu não me meto.”


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Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012 | 12h00 | Eleições 2012
O papel do senador Valadares na trairagem a Marcelo Déda
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De esquerda ou de direita, qual seria a “ideologia” partidária do senador Antônio Carlos Valadares, acusado pela cúpula petista – ele nega! – de facilitar a ação que resultou na rasteira dada pelo esperto Edvan Amorim no garboso governador Marcelo Déda, causa da implosão da base aliada do governo na Assembleia Legislativa? O cabra, digamos, é do centro-móvel. Pende para onde lhe for mais aconchegante!
A questão é simples: vice de Marcelo Déda no primeiro mandato (2007/2010), Belivaldo Chagas foi instado pela turma do PT a desistir de continuar no cargo de vice na reeleição, para ser abrigado na chapa o danado do então deputado federal pelo PMDB de Michel Temer, Jackson Barreto.
Nas negociações, a título de compensação ficou acordado com o senador Valadares que uma das vagas do TCE/SE seria reservada ao cujo (Belivaldo)... mas, cheio de chorumelas, o governador deu para trás, pois tinha outros planos – e queria agora, como moeda de barganha para manter o PSB na base aliada, empurrar de novo o mesmo cheque já passado em 2010 e carimbado como sem fundos.
Um acabrunhado Valadares fez as contas e totalizou que, com Marcelo Déda nada tinha (mais) a ganhar. Contudo, se tivesse o apoio do senador Eduardo Amorim – leia-se, do manda-chuva Edvan Amorim –, seria possível, além de eleger Belivaldo Chagas ao TCE/SE, tentar a sorte com a candidatura do deputado federal Valadares Filho a prefeito de Aracaju em outubro próximo, pondo de escanteio Marcelo Déda, o PT e agregados... Jackson Barreto junto!
O senador agiu apenas do modo como normalmente se faz em política: apostou alto no jogo para faturar um pouco mais adiante, “lavando as mãos” no episódio da Alese – ou alguém acredita que Maria Mendonça e Adelson Barreto votariam contra o governo, do qual usufruem várias benesses, ao bel-prazer? Dará certo? Só o tempo dirá...
Mas, como já está entranhado no seu caráter político o estilo “morde e assopra”, Valadares vai tentar manter, sim, duas velas acesas: uma para Marcelo Déda, pois ainda precisa dos cargos que detém no governo para abrigar afilhados; a outra, para Edvan Amorim, de quem recebeu inestimável apoio para reeleger-se senador em 2010 e com quem se aliou visando um futuro no poder, sem tantos atropelos...


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Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012 | 10h30 | Política
Frustrado, Marcelo Déda chora de raiva
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Do alto da esperteza adquirida em anos de convivência com o compadre Lula da Silva e com o inseparável “irmão” José Dirceu, foi um duro golpe para Marcelo Déda ser passado para trás justamente pelo grupo do danado do Edvan Amorim, que se mostra cada vez mais astuto na composição de dividendos políticos. A antecipação da eleição da diretoria da Assembleia Legislativa rachou a base aliada do governo do PT sergipano...
Marcelo Déda calculou mal a “ansiedade” da deputada Angélica Guimarães, cujo desejo de antecipar a eleição na Alese era do conhecimento até das pedras do molhe do bairro Coroa do Meio. O governador pretendia conversar com a presidente da Casa nesta terça-feira. Contudo, acabou chefe de nada – a bancada governista miou! “Lamento ver setores da base aliada unindo-se à oposição para derrotar os próprios companheiros de bancada”, disse.
Do ponto de vista institucional, a rasteira dada pela turma de Edvan Amorim estaria absolutamente legal. Mas, digamos, foi “politicamente incorreta”, porquanto deflagrou o já decantado processo de ruptura, “denunciado” pelo PIG (Partido da Imprensa Governista) há mais de mês. Quando se trata do PT, antecipar-se pode salvar a pele! Por baixo do pano, Marcelo Déda trabalhava para colocar um nome dele na presidência da Alese, pondo de escanteio Angélica Guimarães, com quem manteve um relacionamento sem muita empolgação. Deu no que deu...
A lição que se pode tirar, sobretudo pela reação da turma governista aboletada na imprensa e nas redes sociais, é a de que Marcelo Déda anda enferrujado. Perdeu a eleição na Grande Aracaju – a própria e a da presidente Dilma Rousseff (esta em dois turnos) – e tem sido alvo do desamor da população, não obstante torrar milhões de reais em propaganda para tentar reverter a péssima imagem pública. Agora, como se para finalizar a ópera bufa, escorrega numa casca de banana e cai com a cara no chão.
Eta vida sofrida...

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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012 | 13h15 | Eleições 2012
João Augusto Gama, o jactancioso, contesta Almeida Lima
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Após plantar muito vento, Almeida Lima finalmente colhe agora enormes tormentas – mas não se iludam: ele gosta dos desaforados imbróglios públicos; parece alimentar-se deles, aliás! O “Katrina” da hora é o empresário Augusto Gama, prefeito de Aracaju (1997/2002) meia-boca, levado ao cargo pelo ex-mago Jackson Barreto, quando este ainda detinha algum prestígio político em Aracaju.
O jactancioso Augusto Gama diz ter ficado um monte de “noites sem dormir”, coitado, apenas para “consertar” a bagunça deixada pelo hoje deputado do PPS. Cá entre nós, suspeito que muitas e muitas garrafas de uísque envelhecido e decantados vinhos foram detonadas nessas fartas noitadas... mas isso é outra querela!
Almeida Lima teria deixado, pelo prontuário divulgado por Augusto Gama, certa “herança maldita”, qual seja: salários de servidores atrasados (outubro, novembro e dezembro de 1996, mais o 13º) e contas (R$ 2 milhões) bloqueadas por falta de pagamentos ao Instituto de Previdência de Sergipe (Ipes). O ex-prefeito alega ter tido “dificuldades enormes” por mais de dois anos para tocar a gestão, pois pegou “a casa totalmente desarrumada”.
A aura de bom gestor de Almeida Lima sofreria com o ataque um arranhão irreparável? Sem dúvida, é justamente esta a real intenção de Augusto Gama, sob os auspícios do vice-governador Jackson Barreto: enquanto perde tempo nas réplicas/tréplicas e explicações, o deputado deixa a verdadeira campanha de lado. Santos pedregulhos no caminho...
A conta é simples: quem é, eleitoralmente falando, o milionário João Augusto Gama? Não concorrer à reeleição em 2000 diz muito acerca do conceito público da sua gestão. O candidato Marcelo Déda, cujo discurso tratava justamente da incestuosidade malandra a unir prefeitura, grandes empreiteiras e concessionários de serviços públicos, dizia: “Vamos desprivatizar a administração”. Claro, era papo para boi dormir, mas exemplifica o nível da esbórnia praticada naqueles idos.
Ao promover “tempestades” sem futuro político plausível, utilizando o rádio e também as redes sociais para calcinar desafetos (pessoais?), Almeida Lima galga mais e mais antipatia pública. O eleitorado, caríssimo deputado, quer soluções para os graves problemas de Aracaju, não mais o ignóbil bate-boca característico do reinado de Jackson Barreto.
Prezado Almeida Lima, ilustre respeitável público, tudo indica, o nobre candidato ainda não se apercebeu, mas o momento histórico é outro...


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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012 | 13h14 | Economia
Os vigarista de Washington DC
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Chega a ser chocante, mas trata-se de verdade comprovada em dados do próprio governo dos EUA: em 1974, o 1% mais rico daquela nação detinha 9% da riqueza nacional; hoje, possui quase 25%... Após os governos de Gerald Ford, Jimmy Carter, Ronald Reagan (reeleito), George H. W. Bush, Bill Clinton (reeleito) e George W. Bush (também reeleito), o acúmulo de riqueza nas mãos dos mais ricos apenas se expandiu, numa clara evidência que “dinheiro faz dinheiro”.
Mas não apenas disso, porquanto estamos a falar do país carro-chefe da economia mundial. Noutras palavras: tudo indica serem plenamente plausíveis as suspeitas dos chamados “conspiracionistas” acerca do uso das instituições dos EUA pelas grandes corporações, em especial o complexo industrial-militar, para, além de tentar criar um “governo mundial”, abastecer com bilhões de dólares a máquina capitalista norte-americana, comandada pelos principais conglomerados financeiros do planeta.
A desmedida voracidade dessa turma por mais dinheiro, riqueza e poder jamais respeitou soberanias nacionais, direitos humanos, questões ambientais nem leis internacionais de comércio. Vale ressaltar, a receita dos próceres financeiros dos EUA aos países em desenvolvimento, sobremodo as do FMI e Banco Mundial, tinham como premissa básica abastecer com crédito farto essas nações – no mais das vezes, “molhando a mão” de políticos corruptos para aceitarem as condições dos leoninos contratos de “arrendamento financeiro”, modalidade criada para extorquir riquezas nacionais de quem não conseguia honrar com os serviços da dívida. Ou seja, quase 100% dos que caíram nessa armadilha dos vigarista de Washington DC.
Eis então o resultado: após a invasão do Panamá para garantir o controle do canal; do patrocínio de “revoluções”, guerras e intervenções militares, parte delas com a chancela da ONU, no Oriente Médio e Ásia – em acordo com a China e a Rússia – pelo controle do petróleo e carvão; dos empréstimos fraudulentos feitos às Filipinas, Argentina, Venezuela, Colômbia, Chile e Brasil (...), os banqueiros norte-americanos estão ainda mais ricos. A desigualdade socioeconômica do povo americano, portanto, não se deu em prejuízo deste, mas pela exploração dos países pobres.
Assim, a “globalização”, sem regras ou decoro, permitiu ao poder dominante nos EUA, fosse sob a presidência de republicanos ou democratas, atuar em escala mundial para aumentar a própria riqueza (de uns poucos). Nunca na História recente a frase “O negócio dos EUA são os negócios” foi tão prefeita para definir o modus operandi dos novos exploradores capitalistas...