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Sábado, 12 de Junho de 2010 - 11h30
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  Eles estão aperreados 
Incomodado com meus escritos, Marcelo Deda
inclui este blog no “index” do governo petista

Index Librorum Prohibitorum ou Index Librorvm Prohibithorvm (Índice dos Livros Proibidos ou Lista dos Livros Proibidos, em português): resumo criado em 1559 no Concílio de Trento (1545/63) contendo publicações proibidas pela Igreja durante a Santa Inquisição (ou Santo Ofício). O objetivo era impedir quem sabia ler –basicamente os “sofisticados”, pois mais de 95% dos europeus eram analfabetos– de conhecer o protestantismo através de obras contrárias à doutrina católica, e assim prevenir a “corrupção” dos fiéis.
De modo geral, desde a ascensão ao poder de políticos da esquerda, os meios de comunicação de vários países latino-americanos enfrentam novos mecanismos de pressão para impedir a divulgação de conteúdo crítico às gestões. No Brasil, sob a presidência de Lula da Silva, o governo federal insistiu na tentativa de criar o Conselho Nacional de Imprensa, com o claro objetivo de cercear a liberdade de expressão. Foi demovido diante da gritaria de jornalistas independentes.
Os irmãos Castro, proprietários da paradisíaca Cuba, instituíram a opinião única tão logo tomaram o poder. Lá se vão cinco décadas nas quais os cubanos foram impedidos de criticar abertamente o regime que transformou um belo país numa ilha-prisão. Somente elogios aos grandes arquitetos do socialismo caribenho são permitidos na “imprensa” oficial –recentemente, as mazelas da fraude cubana passaram a ser expostas em blogs de jovens muito ousados (somente acessáveis de fora da ilha), mas ao custo de incontáveis prisões, torturas e até mortes!
Na China Comunista, apesar da larga abertura ao mercado através da qual milhões de chineses foram alçados à classe média, com o país sendo um dos principais motores da economia mundial, ainda persiste o controle à informação. O governo chinês mantém uma quebra-de-braço ferrenha com os críticos internos (que não raro pagam com a vida ou com trabalhos forçados em campos de concentração pelas discordâncias) e até empresas de outros países –caso recente do Google, cujas páginas foram hackeadas– sofrem censura.
Para evitar maior desconforto, não vou descer o nível deste debate citando as estripulias de Hugo Chávez na Venezuela. Vamos direto ao assunto tema deste escrito. Seguindo a cartilha dessa turma da pesada, o governador Marcelo Deda, inconformado com as críticas ao governo publicadas neste blog –e talvez, mais insatisfeito ainda por ouví-las comentadas por aí–, tomou a drástica decisão de impedir o acesso dos funcionários públicos através dos computadores interligados à rede da Emgetis (Empresa Sergipana de Tecnologia da Informação).
Não se trata de medida preventiva para evitar a sobrecarga da rede. Blogs de jornalistas ligados ao governo, sites oficiais (governos municipais, estaduais e federal e órgãos afins) e da imprensa, e sites de conteúdo geral têm acesso livre em todas as secretarias e órgãos do governo estadual. A censura ao ABRA-O-OLHO foi observada a partir da terça-feira (8/06), talvez em função dos inúmeros acessos de servidores públicos para assistir ao vídeo-reportagem com o governador pedindo votos no comício do Palácio de Veraneio.
Segundo pude apurar, a ideia de impedir o acesso de servidores no local de trabalho partiu de um jornalista de fora da Secretaria de Comunicação, mas acabou encampada por um assessor de Carlos Cauê ligado por anos de amizade ao dito cujo jornalista. O assunto foi tratado com o governador, que teria questionado acerca da legalidade –juridicamente, nada impede de o governo restringir acessos aos sites que considera “improdutivos”. Ao saber da falta de empecilhos legais, Marcelo Deda então teria autorizado.
De toda sorte, a censura governamental a este blog prestou-nos o grande favor de esclarecer o nível de aperreio dos governistas. Já não mais têm a sutileza dos dias passados, quando a censura era apenas velada, em forma de reprimenda a quem se dispunha a comentar esse ou aquele conteúdo aqui publicado ou através do ataque direto de bajuladores aboletados na imprensa a minha pessoa. Como perceberam que tais ações apenas alimentavam ainda mais a empatia do blog junto ao respeitável público, foram às vias de fato. Aliás, algo natural neste Governo da Mudança para Pior.

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Quinta-feira, 10 de junho de 2010 - 13h30
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 Marcelo Deda x Almeida Lima
Governador trabalha nos bastidores
para impedir senador de ter legenda
Desde o princípio, sabia-se da incompatibilidade –por conta do gênio de cada um– da aliança entre o governador Marcelo Deda e o senador Almeida Lima. Enquanto o primeiro tem por si profunda admiração narcísica e inamovível incapacidade de conviver com o contraditório; o segundo confere no espelho, sempre que possível, se o charme e a inteligência ainda se lhe abundam.
Almeida Lima deixou claro desde a semana passada: será candidato à reeleição e ponto final. Marcelo Deda afiançou a pessoas próximas: “Perco os minutos de RTV do PMDB, mas o senador não subirá no meu palanque nem terá legenda”. O cisma criou-se, conjurado pela disputa de egos. A dúvida é: se o PMDB não importa, como fica a situação de Jackson Barreto?
Diante da decisão do governador, restou a Almeida Lima a opção única de solicitar a intervenção no Diretório Estadual de Sergipe. Em Brasília, a candidatura do senador obteve o apoio de nove dos membros da Executiva Nacional do PMDB –e, pasmem, de 11 da cúpula petista. Nesta quarta-feira, no programa de Gilmar Carvalho, o vice-presidente da Executiva Nacional do PMDB, senador Valdir Roupp, disse não achar justo Almeida Lima ser impedido de disputar a reeleição: “Ele já é senador e nas pesquisas aparece à frente do candidato do PSC (Eduardo Amorim)”.
Na semana passada, Marcelo Deda definiu a provável configuração da chapa governista. Cada partido da base aliada teria apenas um representante, razão pela qual Belivaldo Chagas não mais seria candidato a vice-governador. Valdir Roupp disse, contudo, que o PMDB, “a princípio, não aceitaria esta composição, pois Almeida Lima tem o direito de pleitear a reeleição”.
Almeida Lima, como se sabe, é mestre em contendas. Surpreende a reação dele, por assim dizer, humilde. Através do Twitter ponderou: “... com boa vontade, a solução será encontrada. Quero somar sem excluir. Não fui nem estou sendo levado em consideração. Busquei o diálogo e fizeram ouvidos de mercador. Jamais vi tanta soberba e desdém. Não haverá briga. Acho que posso contribuir muito com a aliança e a reeleição de Marcelo Deda. Por que me excluir? Como vão justificar ao povo de Sergipe a minha cassação sem que eu responda a nenhum processo? Nem a ditadura militar fez isso. Ela, pelo menos, forjava um processo para tentar se justificar à opinião pública nacional e internacional”.
Marcelo Deda também se movimenta. Através do presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, encaminha para evitar a intervenção do PMDB sergipano, e assim manter a configuração da chapa montada para concorrer contra João Alves Filho. Ao construir a engenharia política que permitiu ao senador Antônio Carlos Valadares e aos Amorim manterem-se apoiando o PT, o governador avariou importantes egos. Belivaldo Chagas perdeu a vice-governadoria –foi rebaixado à Secretaria de Educação. A vice ficou para JB, cuja vaga de senador acabou acomodando Eduardo Amorim.
A questão é: talvez, mesmo que quisesse, como Marcelo Deda poderia encaixar Almeida Lima agora sem amputar algum dos já escolhidos? No caso do queixoso senador, existe ainda uma barreira de difícil transposição. O governador  não o perdoa pelas alfinetadas morais (insinuações de improbidade) ditas da tribuna do Congresso, com audiência garantida pela TV Senado.
Por tudo isso, a presença do presidente Lula da Silva em Sergipe pode ser a oportunidade de ouro para o governador tentar, por via do seu oráculo, encontrar a paz, tão necessária para enfrentar o poderoso troco preparado para o Governo da Mudança para Pior (!) por parcela expressiva da população.

Briga de branco
O Twitter definitivamente foi ocupado como palco principal das disputas políticas. Através do microblog, Almeida Lima e Marcelo Deda têm dado muitos recados. O presidente nacional do PT, ex-senador José Eduardo Dutra, um dos comandantes da campanha de Dilma Rousseff, adora polemizar com membros da oposição, sobretudo com o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, transformado numa espécie de desafeto particular.
Ontem, não satisfeito com as mensagens postadas pelo senador Antônio Carlos Valadares –e talvez até por ter algum conhecimento de causa de como age o ex-governador nos bastidores–, José Eduardo Dutra alfinetou: “Caro amigo Valadares, não entendo o por quê de você repercutir tanto possíveis divergências internas do PMDB/SE”. O senador respondeu como fazem os bons coronéis: “... ainda não nasceu o homem capaz de impedir-me de dar minha opinião, ainda mais porque, quando o faço, respeito sempre os demais”.

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Segunda-feira, 07 de Junho de 2010 - 15h00
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. Parece praga de madame .
A história da gravação do comício do Palácio
de Veraneio ainda aperreia os governistas

Antes do comentário, informo ao respeitável público a postagem no YouTube de vídeo-reportagem com o trecho no qual Marcelo Déda pede votos a prefeitos e lideranças políticas, no comício do Palácio de Veraneio (sábado, 15/05/2010). Acesse e confira: http://bit.ly/cC7uF6.
Certamente, até pelo fato de não ter havido qualquer punição para os crimes eleitorais praticados quando o governador Marcelo Déda ainda era candidato ao cargo (“Micareta Picareta”, revista Veja de 10/05/2006), tudo levava a crer, o comício realizado no Palácio de Veraneio seria mais uma das ilegalidades cometidas pelo PT sem expectativa de consequência futura. Mas, ao que parece, a espera positiva deu lugar à ansiedade desmedida: finalmente, após inquietante letargia, o Ministério Público Eleitoral resolveu (re)agir.
Para começo de história, a Procuradoria Regional Eleitoral de Sergipe, segundo comenta-se, estaria a investigar se o rega-bofe eleitoral, custeado com dinheiro público nas dependências de um prédio do governo, teria agredido a legislação em vigor (uso da máquina) –a oposição não tem a mínima dúvida! Hoje, através do programa de rádio, Gilmar Carvalho reavivou o tema ao comentar ter ele recebido da Justiça uma intimação para entregar a fita original, gravada durante o comício (não vale a gravação do ar, que estaria retalhada).
O jornalista, apesar de manter uma cópia da gravação original –a fita original teria sido destruída por quem a gravou, por medo de represálias–, não a entregará ao MPE: “Podem, inclusive, fazer busca e apreensão na minha residência, pois ela (a cópia da gravação) não está lá e se depender de mim vai permanecer onde está”. Não se trata de viril coragem de Gilmar carvalho. Talvez, no máximo, seja só uma (enviesada) maneira de ganhar dividendos eleitorais. Vai que a Justiça mande prendê-lo por ocultação/sonegação de provas? O mote do cabra valente, destemido; daquele que afronta a PODER de mãos vazias, estaria devidamente criado para a campanha eleitoral...
Por outro lado, quem sabe se o candidado a deputado estadual Gilmar Carvalho não esteja querendo proteger Marcelo Déda de sua verve incontida? Afinal, como o próprio jornalista afiançou, apenas “fragmentos, retalhos” das quase duas horas de discurso do governador, saudando a si mesmo e pedindo votos a prefeitos e lideranças políticas, foram veiculados no rádio. Ou seja, quem sabe haveria na fita um conteúdo altamente comprometedor, e justamente quando o grupo de Edvan Amorim se firma como integrante da chapa governista, seria péssimo (eleitoralmente) entregar à Justiça a prova do crime, que pode impedir o governador de candidatar-se!
Acostumado desde a época da prefeitura a abusar da máquina pública em seu benefício pessoal e a torrar dinheiro dos impostos em campanhas políticas sem merecer nem mesmo uma pequena reprimenda da Justiça (?) Eleitoral, Marcelo Déda não teria estômago para enfrentar um questionamento de tal magnitude. Além do aperreio moral, seria um forte argumento à oposição para exibir ao respeitável público como o poder político remove montanhas.
Por essa Marcelo Déda não esperava! Quem o deixou de calças curtas há pouco mais de duas semanas, ao veicular no rádio o discurso do comício do Palácio de Veraneio, agora mostra-se solidariamente comprometido, “para não prejudicar o projeto do governador”. Tanta contradição é capaz de enlouquecer qualquer um...
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PS – A quem interessar possa, informo haver outras cópias da gravação do comício do Veraneio em mãos de gente da oposição, aguardando apenas o momento certo para trazê-la a público!

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Quarta-feira, 02 de Junho de 2010 – 17h00
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Lambança na cozinha governista
Jornalista insinua ser o vice-prefeito maconheiro
e chama deputado de denguinho fofo
Corações incontinentemente nervosos, cutucadas ferinas, agressões morais, declarações de amor e conclusões comoventes... Não, não se trata do resumo da próxima novela mexicana das seis! Tudo leva a crer, era para ser somente mais uma dia tranquilo no Twitter. Veio a chuva e deixou o céu cinza, motivo suficiente para acirrar os ânimos no eclético saco de gatos governista.
Entre uma twittada e outra, o jornalista Diogenes Brayner, espécie de assessor informal do senador Antônio Carlos Valadares, a quem consulta até sobre o sexo dos anjos (e vice-versa), cutucou a ala governista do PT, questionando: “O quê vocês acharam da nomeação de Belivaldo Chagas para a Educação? Por que vocês acham que agora (eles) elogiam tanto a atitude de Belivaldo e não o fizeram quando ele pretendia continuar vice?”. Em seguida, concluiu que “na política não existem bobos nem burros. Mas existem os sabidos em excesso”.
Em resposta ao prestimoso jornalista acorreu o próprio presidente estadual do PT, o vice-prefeito de Aracaju Sílvio Santos. Disse ele: “Brayner, meu caro, estou lhe achando indócil. O que você achou da operação política do governador?”. O doce Diogenes Brayner partiu para a briga: “Silvio Santos, eu indócil? Será que você fumou maconha? Ficou doido? Indócil por que? O governador Marcelo Déda fez o mais correto. Não aceito provocações nem insinuações. Leio nas entrelinhas e não sou político. Vejo o que você, por conveniência, não vê”.
Pego de surpresa, e certamente ainda tonto e nauseado com o ataque matreiro, Sílvio Santos tentou amenizar: “Que é isso, meu rapaz? Mantenha a calma e o respeito. Não há razão para ser tão agressivo. Take it easy (fique frio, em Inglês). Não sou provocador nem afeito a insinuações. Digo o que penso sem meias palavras. No mais, insisto que devemos manter o nível”.
Para encerrar a querela –aliás, já não era sem tempo–, o colunista do Correio de Sergipe alfinetou: “Você não merece meu respeito. E vou encerrar o papo, porque é um debate grosseiro, que não me interessa”. Pois é, quando todos pensavam que a briga na cozinha governista através do Twiiter tinha acabado, surge o deputado Jackson Barreto –sim, ele mesmo, o ficha suja: “Chapa pronta... Oposição angustiada... E aquele jornalista pseudo-independente, que apostou tanto na divisão do grupo, quebrou a cara. Esse jornalista torce tanto contra nós que nem disfarça a sua posição”.
O Twitter pegou fogo. O primeiro a entrar na futrica foi o jornalista Douglas Magalhães: “Deputado, quem é o jornalista? O povo quer saber quem é o pseudo-jornalista”. Logo em seguida, certamente em tom de pilhéria, o jornalista Eugênio Nascimento disse: “Ele diz que é independente”. Até o sisudo editor e apresentador do Sergipe Notícias, jornalista Ricardo Marques, contribuiu com o importante debate: “Deputado, todos querem saber”.
O próprio Diogenes Brayner, esforçado com é para garantir uma boa análise política, trouxe sua versão: “Olha o Jackson Barreto entrando com gracinha. Eu adoro Jackson. Acho-o um fofo. O jornalista pseudo-independente sou eu. Não é uma fofura... Particularmente acho Jackson um dengo. E acho que ele será um ótimo vice. Nada contra. Vejo isso explodindo de amor... Gostaria tanto que o Jackson fofo lesse o que recebi agora contra ele. Mas não vou publicar...”.
Pausa para uma rápida provocação deste escriba: publica, Brayner, publica, cara! Ameaçar só para fazer charminho não vale. Publica, publica...
Voltando à análise do colunista Diogenes Brayner: “Continuo achando-o um charme, um denguinho. Falando sério –desculpe, mas preciso de outra rápida pausa: e seria possível falar sério depois de tanto amor para dar destilado?–, acho que a chapa formada pelo governador Marcelo Deda é boa, competitiva e dentro dos padrões de lisura do seu titular. Não entro em baixaria [só se for necessário] e nada tenho –porque não posso– a contestar o que ele decide. O quê não deixarei de fazer é publicar o que está acontecendo para agradar a ninguém. E falo sério: acho que Jackson merece estar na chapa. No restante é intriga besta e Jackson deveria mudar sua postura. Não fica bem para um candidato a vice usar picuinhas e bobagens”.
Respeitável público, a quase novela da lambança governista não acabou no capítulo acima. Muitas cenas, digamos, interessantes, ainda poderão ocorrer. Mas, confesso, pelo bom andamento da minha digestão, rogo que a encerremos por aqui e agora. Contudo, para olhos mais curiosos, recortei a sequência dos diálogos (veja ao lado e clique para ampliar). Merecem ser guardados para a posteridade...

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Terça-feira, 01 de Junho de 2010 – 22h15
> Comício no palácio, aulas de marketing eleitoral e celulares pagos com dinheiro público... Neste governo, tudo é possível!
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Neste governo, tudo é possível!
A Procuradoria Regional Eleitoral de Sergipe –leia-se Ministério Público Federal– estaria a investigar se houve crime no comício organizado pelo PT sábado 15/05, no Palácio de Veraneio. A oposição não tem qualquer dúvida, sobretudo após a divulgação do discurso de Marcelo Deda no programa de Gilmar Carvalho. Agora, talvez seja o caso de o MPF incluir na investigação outras ações de cunho eleitoral realizadas pelo governador com dinheiro público.
Um bom começo seria observar as contas telefônicas dos diversos órgãos da administração estadual (especialmente a Secretaria de Comunicação) até o mês passado e depois compara-las com as emitidas a partir do próximo mês. Dezenas de celulares BlackBerry com capacidade para acessar a Internet foram entregues a cargos comissionados. A missão deles é interagir nas redes sociais –além de divulgar o governo, a equipe também trabalha a imagem do governador e da candidata do PT à Presidência da República. Detalhe importante: não há limite para o uso.
A entrega dos aparelhos coincidiu com o ingresso de Marcelo Deda no Twitter, atualmente a mais crescente rede social brasileira. Desde então, 2.040 pessoas passaram (até o momento) a seguir o governador. São em sua maioria jovens –há ainda assessores, jornalistas ligados ao governo, simpatizantes do PT e os apenas curiosos. Aliás, eis aí a questão: de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, cerca de 55% das pessoas aptas a votar nestas eleições têm entre 16 e 45 anos de idade –exatamente o público consumidor das redes sociais.

Trocando em miúdos... A Comunicação do governo encontrou a fórmula mágica de interagir com o eleitor de forma direta, através da Internet, tendo como ferramenta para ações de marketing eleitoral telefones celulares de última geração comprados com dinheiro público, cujas contas, ilimitadas, serão pagas pelas respectivas secretarias e órgãos da administração direta e indireta.

Aulas de Marketing Eleitoral – Com despesas pagas pelo erário estadual, foi realizado na semana passada o seminário “Mídias Digitais e Transformação Social”. De acordo com a Secretaria de Comunicação, participaram do evento “cerca de 300 pessoas, entre estudantes, professores, gestores públicos e interessados no tema”. Foram quatro dias de “participação popular, integração, compartilhamento e protagonismo social”, sob a batuta do jornalista Marcelo Branco.
O seminário serviu de biombo para o governo apresentar aos cabos eleitorais (e a gente ligada à Comunicação) o modelo sistematizado de divulgação e interação nas redes sociais, criado e proposto pela cúpula da campanha de Dilma Rousseff –e, claro, acatado pela campanha à reeleição de Marcelo Deda. O investimento com locação de hotel, traslado, alimentação e o coquetel de despedida do evento rendeu ainda ao governo um cadastro extra com potenciais cabos eleitorais, que serão essenciais para viabilizar o projeto de Marcelo Branco.
Para quem não o conhece, Marcelo Branco é coordenador de mídias sociais da campanha à Presidência da República da candidata do PT. Criador do site www.dilmanaweb.com.br com vídeos para mostrar o “lado humano” da ex-ministra, ele coleciona gafes e trapalhadas –já foi, inclusive, advertido pelo comando nacional de campanha*–, sendo a maior das suas lambanças o anúncio através do Twitter de que o filme de aniversário dos 45 anos da Rede Globo camuflava uma mensagem subliminar em favor de José Serra – 45 é o número do PSDB.
Restam, então, algumas incômodas perguntas: Até quando Marcelo Deda continuará a subverter a lei, abusando da máquina pública em benefício próprio? Se não foi punido quando usou recursos da Saúde de Aracaju (“Micareta Picareta”, revista Veja de 10/05/2006) para fazer comícios em sua campanha ao governo, o será agora? Que outras ações eleitoreiras estariam sendo implementadas com recursos do governo de forma secreta? Cabe ao MPF apresentar as devidas respostas.

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(*) Dilma Rousseff muda o mapa do Brasil
Um vídeo no qual Dilma diz que o filme Vidas Secas retrata “a saída das pessoas do Nordeste PARA o Brasil” pegou fogo na rede. Por conta do estrondoso sucesso, o PT resolveu censurar o PT, para proteger-se das estripulias de Marcelo Branco – ele acabou levando um puxão de orelhas da direção nacional do partido. Para quem não viu o vídeo, vale a pena dar uma olhadela, só para rir. Afinal, alguém precisa dizer a candidata do PT que o Nordeste também é Brasil. Você se habilita?
Coisa de canalha (Por Roberto Jefferson)
Segundo O Globo, há uma crise aberta no comando de campanha de Dilma. Sua causa seria a montagem de um dossiê, bem do gosto dos aloprados petistas, que teria como alvo a filha de Serra. Dossiê contra filho é coisa de canalha. Esses neoaloprados parecem não ter aprendido com os erros de 2006. Pior que isso, confirmam que a alopração está no DNA deles e reproduzem tristemente a fábula do escorpião, na qual dá uma estocada no sapo mesmo com a possibilidade de morrer afogado. Ferroada é com eles mesmos.
(Publicado originalmente em http://www.blogdojefferson.com/index.aspx)

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Segunda-feira, 31 de Maio de 2010 – 08h45

> Marcelo Déda ainda chora o leite derramado
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Marcelo Déda ainda chora
o leite derramado
A soberba da infalibilidade típica dos deuses não tem permitido ao governador Marcelo Déda, pois entranhada até às madeixas cinzas, enxergar o óbvio: não adianta vociferar desaforos para quem gravou o comício do Palácio de Veraneio (leia mais no comentário anterior) nem lastimar a divulgação de gravações do abusado evento de campanha pelo jornalista Gilmar Carvalho. Se o leite derramou, derramado está e só resta a alternativa de limpar a sujeira.
Por incrível que pareça, após quase duas semanas do fatídico encontro eleitoral, Marcelo Déda ainda não dorme confortavelmente. Sente-se amargurado... Aperta-lhe o peito relembrar a presença de um réprobo entre seus aliados –o traidor nefasto, cuja malfeitoria expôs ao distinto público o desprezo do governador pelo mais comezinho dos ditames estabelecidos pela legislação eleitoral: “Não usarás a máquina pública para obter vantagem sobre seus adversários”.
O que era para ser um “simples almoço de agradecimento” acabou transformado pela turma do barulho oposicionista num homérico uso indevido do poder governamental. Marcelo Déda engoliu direitinho a isca. Ao invés de manter-se distante, deu-se feito pato em desabrida autodefesa, sobretudo através de seu novo brinquedinho, o Twitter –ao reboque do chefe acorreram também seus áulicos; todos em busca de defender o indefensável.
O tempo transcorrido desde então –repito, quase uma semana– deveria servir para a profunda reflexão dos governistas acerca do risco político-moral de contrariar o rito legal em vigor. No entanto, estranhamente, esse pessoal da esquerda quando não usa a força das armas para “convencer” quem não se convence doutro modo –como fizeram/fazem os irmão ditadores de Cuba e o filhote de ditador Hugo Chávez–, abusa das “verdades absolutas”. Foi assim que o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, resolveu meter-se nessa história.
Disse ele ao jornalista Joedson Telles (http://www.universopolitico.com/) quinta-feira: “...a reunião do palácio, não tinha nada demais. O governador pode receber e fazer reuniões. O que lá foi tratado são temas de interesse do Estado. Não foi tratado campanha eleitoral, campanha política. Não foi tratado candidaturas. Política faz parte do trabalho administrativo. Eleição é outra coisa”.
Além de ser quase médico, Edvaldo Nogueira também é um quase alquimista. O prefeito comunista de butique tenta transformar um almoço-comício, descaradamente eleitoreiro –conforme ouvido por meio Sergipe no programa de Gilmar carvalho–, num “trabalho administrativo” de “interesse do Estado”. Talvez o prefeito esteja emitindo juízo baseado no que lhe afiançou o chefe maior. Somente isso justificaria ter ele perdido a chance de continuar de boca fechada.
Pelo sim, pelo não, o melhor para o governador Marcelo Déda (e sua turma de assessores com BlackBerry) seria encerrar este tenebroso assunto. Nada de mais delongas, tão prejudiciais à já carcomida imagem do Governo da Mudança para Pior. Nada de piadinhas envenenadas contra a oposição em blogs e twittadas... Enfim, chega de choramingar o leite derramado!

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Quarta-feira, 19 de Maio de 2010 - 21h35
> Humilhado, Marcelo Déda matuta: “o perigo mora ao lado”
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Humilhado, Marcelo Déda matuta:
“o perigo mora ao lado”
Gente da cozinha de Marcelo Déda garante: desde ontem pela manhã, quando ouviu no programa de Gilmar Carvalho o maravilhoso som da própria voz num discurso para lideranças políticas, reunidas sábado no Palácio de Veraneio, o governador é só impropérios recheados de grande ira.
Também, pudera! Afinal, quem poderia cometer a tamanha deselegância de comer e beber de graça enquanto ouvia apologias sobre como o nobilitante chefe sabe cumprir acordos políticos e pretende tocar o estado se reeleito, e na cara dura gravar o comício, para depois entregar a comprometedora fita ao especialista em “furos” Gilmar Carvalho? Convenhamos, o governador cobre-se de razão em sua fúria...
Para completar, esse pessoal da oposição, que não havia engolido a desculpa de o almoço ter sido privado (restrito aos cerca de 300 convidados), com o objetivo de agradecer a solidariedade recebida quando Marcelo Déda se afastou para duas cirurgias no ano passado, saiu em disparada a denunciar “mais um crime eleitoral” sem levar em conta a desdita do governador.
De fato, relendo a revista Veja* de 10/05/2006, através da qual o Brasil inteiro soube que “Marcelo Déda, do PT de Sergipe, desviou dinheiro público para animar sua campanha a governador”, entende-se a preocupação da oposição. Se desde aquela época as farras custeadas com verdas dos impostos seguem impunes, haveria agora alguma chance de punição? Na dúvida, o jeito foi gritar...
Por outro lado, doravante, seria de bom alvitre a Marcelo Déda pensar duas vezes antes de retomar diálogos com qualquer um dos 300 “aliados” presentes ao fatídico evento de sábado. Afinal, quem garante não seriam gravados também os encontros reservados, onde o assunto pode não conter somente as tertúlias eleitorais de agora, indo depois o conteúdo destes colóquios parar nas mãos de gente disposta como Gilmar Carvalho?
Como se vê, o perigo mora ao lado. Desta vez, a gravação veiculada no rádio revelou ter Marcelo Déda dito apenas mais uma boa lorota, a fim de tentar dissimular a flagrante transgressão à ordem legal em vigor. E amanhã, que outros segredos, talvez eticamente inconfessáveis, poderão chegar ao ouvidos do distindo público, exibindo como joga o candidato do PT? Vamos aguardar...
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(*) “Micareta Picareta” http://veja.abril.com.br/100506/p_054.html

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Sábado, 15 de Maio de 2010 - 14h20
> “Tá todo mundo desligado, desligado. Todo mundo...”
> Marcelo Déda se liga no Twitter

“Tá todo mundo desligado, desligado. Todo mundo...”
A semana passou sem uma única palavra da Justiça Eleitoral acerca de como Marcelo Déda gerencia a distribuição de cargos no governo, transmitida em meio às queixas do empresário político Edvan Amorim ao jornalista Jozailto Lima na última edição do Cinform.
Se Amorim tiver dito nada mais do que somente a verdade, o governador da Mudança para Pior teria encontrado a fórmula mágica de privilegiar cabos eleitorais. Segundo o empresário, somente na Saúde, Marcelo Déda estaria a contratar mil servidores em regime temporário.
Ao contratar milhares, fraudando a obrigação do concurso público para suprir supostas faltas de pessoal na Administração estadual –além da Saúde, haveria outros setores também absorvendo mão de obra temporária–, o governador provocou a ira de Amorim, porque dele o magnânimo se esqueceu.
Para o empresário, trata-se de homérica sacanagem Marcelo Déda “só ter olhos para aliados filiados ao PT, enquanto os do PSC, PTdoB e afins não conseguem sequer indicar um único currículo” para o Metrô da Alegria estadual. Amorim revelou ainda outros privilégios dos petistas: somente um candidato a deputado estadual (ligado ao MST) pode distribuir 1.200 cisternas no Alto Sertão.
Que a Justiça Eleitoral anda a passos de cágado, sobretudo (e estranhamente) quando as querelas envolvem os altos coturnos do PT, não é novidade. A novidade é tamanho descaramento vir à público e a oposição simplesmente ignorar a desabrida transgressão da ordem jurídica em vigor.
Então, de duas uma: o jornal Cinform carece de leitores entre juízes, promotores e líderes políticos da oposição; ou está todo mundo desligado! Epa, dá até hip-hop: “tá todo mundo desligado, desligado. Todo mundo...”.

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Marcelo Déda se liga ao Twitter
Deu no microblog do governador neste sábado à tarde: raquel_passos - Só aqui mesmo que vc vê @MarceloDeda falando "mano", "tô ligado", "cara", "tamojunto" e expressões afins. #gostodisso (about 2 hours ago via HootSuite in reply to @MarceloDeda. Retweeted by MarceloDeda). Este é “nosso” Marcelo Déda no Twitter...
Semana passada, “o maior tribuno do Brasil”, conforme definição do ministro do STF Carlos Ayres Brito, resolveu entrar na rede das mensagens concisas –são apenas 140 caracteres por texto publicado. Acostumado a discursos longamente enfadonhos –neste ponto, frise-se, João Alves Filho ganha de longe–, Marcelo Déda tem se comportado direitinho.
Além de republicar elogios dos seus seguidores –faz parte do jogo esquecer as críticas, que não são poucas–, o governador também costuma informar o que anda fazendo da vida. Hoje, por exemplo, a primeira twittada ocorreu por volta do meio-dia (não que ele tenha acordado a esta hora, obviamente), e entre as “pérolas” estava a bajulação aposta acima.
Sem dúvida, a internet será a grande arena eleitoral (alternativa) deste ano.

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Quinta-feira, 13 de Maio de 2010 – 20h00

> Aperreado, doutor Rogério Carvalho expõe como argumento os músculos


Aperreado, doutor Rogério Carvalho
expõe como argumento os músculos
Dizem as más línguas, o doutor Rogério Carvalho anda roendo muito as unhas –segundo observadores audazes, elas estariam no cotoco! O motivo para tamanha ansiedade seria a incansável atitude crítica da oposição quanto à desastrosa gestão do Governo da Mudança para Pior no setor da Saúde, sobretudo a documentada veemência do deputado Augusto Bezerra.
Doutor Rogério Carvalho tem motivos de sobra para querer esganar o colega oposicionista com o que lhe resta das extremidades dorsais dos dedos, contando na operação “vias de fato” com o obsequioso apoio do deputado do facão, Francisco Gualberto. Na quarta-feira (12/10), o trio quase se engalfinha no plenário da Alese... O troca tapas apenas não ocorreu porque, convenhamos, iria pegar mal para todo mundo.
A tropa da oposição conta com poucos soldados. Mas o pequeno grupo tem sido mestre na arte de infernizar o cotidiano dessa gente supostamente preparada para conviver com a crítica. Afinal, por mais de 20 anos, o PT foi oposição ferrenha. Hoje fica claro: quem batia não sabe apanhar!
Augusto Bezerra é cinicamente ardiloso, desavergonhadamente provocador e extremamente maledicente. Contudo, merece o devido respeito porque representa a parcela da sociedade que o elegeu seu legítimo representante. Ademais, a grande frustração do doutor Rogério Carvalho é não intimidar a oposição com seu olhar de vilão de subúrbio da novela das oito.
Quando estava secretário, doutor Rogério Carvalho negava um bom dia aos servidores comuns e costumava resolver problemas com murros na mesa, gestuais de bordel e urros de incontida fúria. No parlamento, para desgosto dele, terá de educadamente exercitar outra forma de convivência com os demais da espécie. Lá, o probo doutor Rogério Carvalho é “apenas” mais um deputado.
A raivinha do doutor Rogério Carvalho com o quebra-barraco Augusto Bezerra vem de longe. Começou quando o oposicionista apareceu com uma fita na qual um empresário magoado queixava-se da cobrança do pedágio de 30% nas operações realizadas com a Saúde estadual. À época, o tal k-7 foi enviado pelo secretário para análise na SSP. A “perícia” deu em nada: a gravação, inaudível, conteria mais gritos de papagaio, latidos de cachorro e cocoricós de galinha que fala de gente.
Depois, Augusto Bezerra apareceu com duas certidões do cartório da Comarca de Lagarto. Na primeira, uma fazenda era vendida por menos de R$ 100 mil. Na outra, apenas dois meses depois, uma parte da dita propriedade foi negociada com a Saúde estadual por R$ 600 mil. Como se vê, um grande negócio imobiliário. Desculpas para lá, desculpas para cá... Hoje, no terreno, está em construção o hospital do governo naquele município.
Com um baú de documentos praticamente inesgotável, o deputado da oposição exibiu os Diários Oficiais do Estado com as constantes dispensas de licitação, sob alegação de “compra emergencial”. A última fatura da SES contabilizava mais de R$ 50 milhões em medicamentos e insumos hospitalares. Augusto Bezerra também mostrou o DOE com a autorização para contratação por R$ 800 mil de um buffet, para atender as festinhas organizadas pela Secretaria Estadual de Saúde.
Ou seja, aperreado pela enxurrada de denúncias da oposição, a maioria deflagrada por Augusto Berreza e reverberada sem dó pela imprensa, o deputado Rogério Carvalho, na falta de argumentos factuais verosímeis, resolveu contraditar o adversário político usando os próprios músculos.

De onde pode-se concluir: para ser oposição ao governo Marcelo Déda, além da destreza para livrar-se de facões e bordoadas morais, o cabra também deve ter bom preparo físico para o caso de enfrentamento no corpo-a-corpo. Haja mudança...

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Terça-feira, 11 de Maio de 2010 – 10h35
> Afinal, ao que serve a oposição?

Afinal, ao que serve a oposição?
no DNA do PT o gene da opinião única: só presta quem coaduna com o projeto das lideranças maiores do partido. Seria uma quase profissão de fé. A nova religião hegemônica e ditatorial adotada pelo petismo estatal. A alternativa seriam as chamas do inferno.
Quando por mais de 20 anos Marcelo Déda atuou na oposição, as ações dos grupos contrários ao governo eram então bastante justas; espécie de contribuição à causa republicana. Hoje no poder, o governador criou a dicotomia dos estrelados: é do bem quem está com ele; e do mal quem é contra!
Nos palanques ou através dos bajuladores aboletados na imprensa, sobretudo no “jornalismo opinativo”, tem-se a impressão de Marcelo Déda ter sempre razão, em contraposição a todo o resto. Tenta-se convencer a população não com a eficiência na gestão da máquina pública, mas pelo cínico apelo emocional da propaganda enganosa ou a desqualificação moral dos adversários.
A julgar pelas queixas da população, amplamente reverberadas na mídia, talvez a ladainha da “mudança” esteja a definhar. Neste tocante, seria a oposição injusta ou irresponsável quando aponta a falta de planejamento e a gritante incompetência da administração Marcelo Déda na Saúde, Educação e Segurança Pública? Torce a oposição pelo pior, conforme cutuca o governador, quando não ignora os apelos da população, sobretudo a mais pobre?
Na prática, Marcelo Déda não deveria ficar contrariado com a atuação dos oposicionistas, porquanto, como ele bem sabe –se é que ainda lembra–, cada um apenas cumpre o papel que foi-lhe definido pelas urnas. Ele o de governar (mal). A oposição de conquistar adeptos a sua causa, que não seria outra senão destronar o atual governo do conforto do poder...
A bola da vez – Desprezado pelo Partido Verde –aliás, num ato de absoluta idiotia política–, o professor Anderson Góis virou uma espécie de “pessoa desnecessária”, após anunciar sua intenção de apoiar João Alves Filho ao governo. Sem palanque para este pleito, restou ao promissor político da nova geração juntar-se a quem teria, em sua ótica, mais condições de derrotar Marcelo Déda. Pois é, bastou a simples declaração de intenção de voto para os áulicos da bajulice governamental decretarem o sepultamento de uma carreira que visivelmente está apenas começando, com a alma de Anderson Góis sendo devidamente recomendada ao sofrimento eterno.

De Anderson Góis no seu Twitter: Os petistas dizem que cometerei suicídio político se ficar com João. E com Déda é suicídio existencial, moral ou ético?
Todos do mesmo lado A contabilidade do “jornalismo opinativo” ignora fatos cruciais quando apresenta como indício da futura vitória de Marcelo Déda o apoio de 65 prefeitos ao governador, contra oito de João Alves Filho. Como memória boa é para poucos, relembremos o embate de 2006. Além da quase totalidade dos prefeitos e lideranças comunitárias, JAF contava naquela eleição, como Marcelo Déda conta agora, com a maioria dos deputados federais e estaduais. Mas acabou derrotado.

Dinheiro não vai faltar – Claro, não se fala abertamente sobre o assunto. No entanto, nos cálculos dos governistas acerca das vantagens oferecidas pelo poder para vencer em outubro, soma-se o caixa do governo –há quase R$ 1 bilhão estocado desde 2007– como “elemento” fundamental para garantir a permanência de Marcelo Déda, levando em conta que o governador, como fez no passado (“Micareta Picareta”, revista Veja de 10/05/2006), será capaz de tudo para obter a vitória.
Novamente me vem à memória um interessante pleito... A campanha a prefeito de Aracaju em 1988, na qual o médico dos pobres Lauro Maia foi fragorosamente derrotado pelo praticamente desconhecido Wellington da Mota Paixão, apoiado pelo mago das urnas, o hoje deputado Jackson Barreto.
O senador Antônio Carlos Valadares, governador de então, era arqui-inimigo de JB, a quem havia defenestrado da prefeitura sob acusação explícita de desvio de dinheiro público. ACV escancarou desavergonhadamente a máquina estadual para derrotar os adversários. Fez festa na periferia da capital com artistas de renome nacional, distribuiu milhares de colchões, botijões de gás, dentaduras, óculos, cestas básicas, e quitou débitos de água e luz...
Jackson Barreto dizia com voz rouca na TV: “Recebam tudo, pois vocês precisam. Mas o voto é secreto. Ninguém sabe em quem você vota. Receba e vote contra quem quer comprar seu voto”. Nas visitas aos bairros, adentrava as casas debochando: “Chegou a 'boneca, o ladrão'... Você vai votar em quem me tirou da prefeitura e me esculhamba todo dia?”.
Wellington Paixão foi eleito com mais de 60% dos votos válidos, com JB sendo transportado nos braços do povo em plena praça pública, para desgosto de Antônio Carlos Valadares, João Alves Filho, José Carlos Teixeira, Viana de Assis... Prova inequívoca de que o poder financeiro nem sempre define resultados eleitorais. Afinal, quando o povo opta por uma liderança, ensina a História, quase nada consegue demovê-lo da escolha.