Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009 – 17h05

A Chorar o Leite Derramado

O TTB (Teatro Tobias Barreto) vai receber amanhã o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, para proferir a palestra de encerramento à VIII Semana Jurídica Nacional, promovida pela Universidade Tiradentes.

No Brasil inteiro, por onde passa, o chefe da Suprema Corte nacional é alvo das manifestações de jornalistas chorosos, desde a abolição do diploma para o livre exercício da profissão. Os de Sergipe, sob a liderança da representação sindical local, também farão seu protesto.

Os lamuriosos desdiplomados andam com Gilmar Mendes “atravessado na garganta” e preparam colheres de pau, panelas, apitos e narizes de palhaço para receber o ministro no TTB.

Trata-se de lamentável perda de tempo. Se ações devem ser efetivadas para tentar reavivar a calamitosa reserva de mercado, o palco adequado é o Congresso Nacional.

A personificação de Gilmar Mendes como “inimigo” da classe ocorre pela nefasta influência da esquerda tardia, refugiada nos órgãos de representação dos jornalistas, e através das páginas de “profissionais” da Comunicação Social espalhadas pela Internet.

Gilmar Mendes pode ter vários defeitos. Inclusive o de não atender ao desejo dos jornalistas de deificação do diploma ao votar contra sua obrigatoriedade. Mas é apenas um entre os votos decisórios.

As manifestações dos desdiplomados contra o ministro pelo Brasil afora não ocorrem, de fato, pelo seu voto em si. Mas pelas palavras dele pós-voto, ao comparar jornalistas a cozinheiros e costureiras.

O ato público, com direito a apitaço, panelaço e narizes de palhaço, “representando o ministro, claro”, é somente um “ato de vingança”. Poucos noviços na profissão se dão conta disso.

Aliás, convenhamos, “apitaço”, “panelaço” e “narizes de palhaço” são modos antiquíssimos de apimentar protestos. Neste caso, a falta de criatividade dos colegas compromete até a qualidade intelectual da manifestação.

Como forma de contribuir com os tantos chorosos “caçadores de notícias” desdiplomados, recomendo a substituição dos citados adereços por outros, mais modernos e bem melhor adequados: orelhas de asno!

Representariam com fidelidade a quase totalidade dos piqueteiros...

Cala-te Boca

O melhor remédio ante o indefensável é mesmo manter a língua inativa. A prescrição serve ao deputado Garibalde Mendonça, um sujeito cuja voz só é ouvida em ano bissexto. Mas quando resolve abrir o bico...

O nobre parlamentar narrou aos colegas na Assembléia, conforme o “Periscópio” do Jornal da Cidade (terça-feira, 11/09), o périplo que fez depois de ouvir as críticas da oposição quanto à qualidade do recapeamento da rodovia entre Itabaiana e Canindé, alcunhada pelo governador das mudanças para pior de “Rota do Sertão”.

Disse Garibalde Mendonça: “Percorri os 216 km daquela obra, fiz questão de ir até lá e verificar se as acusações de que a estrada já está ruim procedem e queria tranquilizar a todos porque os buracos existem, mas eles são normais e não passam de 50”.

Reveja: “buracos existem”, “são normais” e “não passam de 50”!

Melhor seria se Garibalde Mendonça nada tivesse dito, até porque a “obra” tem apenas quatro meses de inaugurada e em vários discursos –a cada trecho inaugurado, Marcelo Déda fez um comício– o governador disse que iria durar “uma década”.

“Um lugar ao Sol”

Não, não é filme ou espetáculo teatral. Trata-se do nome de batismo da ONG (Organização Não Governamental) de “propriedade” da secretária estadual de Combate à Pobreza, deputada Conceição Vieira.

Ao criticar a enxurrada de dinheiro repassado pelos governos a essas entidades, o deputado Venâncio Fonseca citou as inúmeras qualidades da “Um Lugar ao Sol”. A ONG, com sede em Japaratuba, faz de tudo: obra de pavimentação, de esgotamento, de construção de casas...

“É a Odebrecht de Sergipe”, rebatizou apropriadamente Venâncio Fonseca.

Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009 – 14h05

Confissão de Culpa Estampada

O petismo de carteirinha, leitor destes escritos, está em polvorosas por conta da grave denúncia publicada aqui na segunda-feira, quando apontei com provas inequívocas o uso da máquina do governo estadual na promoção da candidatura à reeleição de Marcelo Déda durante um comício disfarçado de evento governamental –leia sobre no último escrito, logo abaixo.

O próprio governo, quando deu publicidade ao “ato histórico”, com o objetivo de tentar reverter uma queda brusca da popularidade do governador das mudanças para pior na Grande Aracaju e nas maiores cidades do interior, conforme recentes pesquisas, produziu as provas incriminadoras.

Fato incontestável: os elementos característicos dos palanques eleitorais estavam presentes ao “ato histórico” de sexta-feira (bandeiras, charanga, faixas de apoio aos candidatos, ônibus para o transporte de pessoal e lanche, palco caracterizado e com som profissional e telão, banners e balões com as marcas do candidato, panfletaria...).

Detalhe surreal, notadamente o mais afrontoso: a quase totalidade dos presentes ao “ato histórico”, importados de cidades do alto sertão de Sergipe, recebeu camisas promocionais com um coração estampado, símbolo gráfico usado por Marcelo Déda na campanha eleitoral de 2006 e depois transformado em logomarca do governo –os bonés foram distribuídos pelo MST com verba do governo federal.

Na foto abaixo, vê-se o momento em que o governador entrega o título de propriedade à trabalhadora rural Maria da Anunciação durante o megacomício da Praça Fausto Cardoso. A beneficiada está fardada com uma dos milhares de camisas promocionais distribuídas antecipadamente e durante o “ato histórico” aos agricultores importados do interior para servir de plateia. No detalhe, o símbolo da campanha eleitoral de Marcelo Déda volta a ser usado. Agora com uma frase de efeito: “O governo trabalha (sic), o campo cresce e nossa vida melhora”.

Já na reprodução abaixo, gerada a partir do blog da Secretaria Estadual de Comunicação (http://esergipe.wordpress.com), fica confirmada a afirmação de Déda no seu primeiro programa de rádio (leia sobre o assunto no escrito anterior, logo abaixo), de que “cerca de dez mil pessoas” participaram do “ato histórico”, “em sua maioria agricultores”...

Se os números são verdadeiros, o intuito do “ato histórico” fica bastante claro. Marcelo Déda usou os agricultores como “massa de manobra”, como figuração de um megacomício, para impressionar o eleitorado de Aracaju e mostrar serviço –o alvo não era de fato os sertanejos, porquanto se assim o fosse o evento teria ocorrido num município do sertão­. Ou seja: o “governo não está parado, como acusa a oposição”. E a melhor prova são as novas promessas feitas em palanque.

O governador prometeu, por exemplo, criar a versão estadual do “Bolsa Família”, para doar R$ 190 mensais a 10 mil famílias de trabalhadores desempregados durante quatro meses do ano. O período correspondente à entressafra. Quem já recebe o “Bolsa Família” não terá problema, pois a renda será acrescida ao benefício pago pelo governo federal.

Como ocorre no programa de Lula da Silva, Marcelo Déda não vai exigir qualquer contrapartida aos beneficiados. Sendo mais claro: não se trata de um programa social com vistas a tirar o sertanejo da miséria. É apenas assistencialismo puro. Uma compra de votos institucionalizada. A almejada “aposentadoria” antecipada, cujo projeto chega à Assembléia Legislativa na próxima semana e vai consumir R$ 8 milhões já neste ano.

Da mesma forma como usou a máquina da Prefeitura de Aracaju para eleger-se governador sem qualquer constrangimento ou punição, pelo menos até agora, Marcelo Déda se acha no direito de abusar dos cofres estaduais para financiar o seu projeto de poder: a reeleição!

A menos que...

Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009 – 19h05

A Cara de Preocupado do Governador

O processo jurídico a arguir a cassação do governador Marcelo Déda, em tramitação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o acusa de ilícitos graves: uso da máquina pública e propaganda eleitoral antecipada –para maiores esclarecimentos, vide denúncia da revista Veja (“Micareta Picareta”, de 10/05/2006).

Talvez fosse o momento de o Ministério Público Eleitoral intervir, porquanto o uso das máquinas estadual e federal e a propaganda eleitoral antecipada estão sobejamente em uso. Agora em benefício da candidatura à reeleição do governador das mudanças para pior.

Sob os bigodes do Ministério Público Estadual e do Tribunal de Justiça de Sergipe, Marcelo Déda protagonizou na tarde de sexta-feira (7/09) no Centro Comercial de Aracaju o que a Secretaria Estadual de Comunicação classificou como “ato histórico”, ao anunciar medidas para os pequenos agricultores.

Era na verdade apenas um grande comício, mascarado sob a tarja de evento governamental. O disfarce foi uma assinatura de convênios e o anúncio do “Plano Safra” 2009/2010. Na plateia, membros fardados do MST (Movimento dos Sem-Terra) e trabalhadores rurais.

Volto ao “ato histórico” em seguida, pois ele se encaixa como luva na “política de comunicação” adotada pelo governo do PT. Antes, um outro produto da criativa Secretaria Estadual de Comunicação merece avaliação. Trata-se do programa de rádio “Encontro Com o Governador”, engendrado nos moldes do programa “Café Com o Presidente”, do compadre Lula da Silva.

Criado e produzido pela Agência Sergipe de Notícias (ASN), o programa tem Marcelo Déda como entrevistado “cativo”. A primeira edição está disponível para audição desde ontem no site da ASN. Detalhe importante: “Poderá ser utilizado na programação de todas as emissoras de rádio”, segundo o secretário Carlos Cauê. Nesse primeiro “Encontro”, o governador discorre obviamente sobre o “ato histórico” de sexta-feira.

Alguns rápidos questionamentos:

  • Quem vai pagar pela veiculação dos programas nas emissoras de rádio?
  • Se a veiculação for solicitada como “cortesia” às emissoras, aquelas que recebem mídia do governo estariam desobrigadas de veicular?
  • Alguém em sã consciência acredita que emissoras pagas mensalmente pela Secretaria Estadual de Comunicação ousariam recusar uma “cortesia” ao maior e por vezes único grande cliente?
  • O que garante que por debaixo do pano não seja efetivado um acordo de cavalheiros para veiculação do produto sem entrar na grade comercial normal das emissoras, mas estar incluído sem menção na mídia global?

Quando Marcelo Déda subtraiu Carlos Cauê da equipe de Edvaldo Nogueira pretendia usar o espírito “agressivo” do jornalista e publicitário para melhorar a chamuscada imagem pública –pesquisas realizadas pelo governo apontam a polarização entre Marcelo Déda e João Alves Filho, com leve vantagem para o ex-governador.

As pesquisas aferiram a vertiginosa queda de prestígio de Marcelo Déda, especialmente na região metropolitana de Aracaju e nas maiores cidades do interior. O “número um” continuaria bem quisto apenas no sertão, com o “Bolsa Família” a lhe dar suporte eleitoral.

O “ato histórico” de sexta-feira veio como a demonstrar o poder de arregimentação política no setor onde o governador ainda está bem, pois nos municípios dotados de melhor infraestrutura econômica, onde a população recebe influência dos “formadores de opinião” e a oposição atua com competência, o discurso de mudança caiu no ridículo.

Esse novo foco na “comunicação política” do governo deve ser motivo de criteriosa observação. Carlos Cauê já mantém com jornalistas e radialistas atitude “acessível”. Da mesma forma, o diálogo com os próceres da mídia agora é feito “sem entraves”. O secretário também é craque em embaixadas. Aliás, sua especialidade são as eleitorais.

O “ato histórico” de sexta-feira e o programa de rádio do governador se inserem no contexto da “comunicação política” idealizada por Carlos Cauê. O objetivo mais do que claro é tornar Marcelo Déda palatável em outubro de 2010. Os meios não importam.

Mas nem tudo é perfeito. Talvez sem querer, quem sabe traído pelo amazônico ego, o governador cometeu uma inconfidência terrível no seu primeiro colóquio radiofônico. Ao falar sobre o “ato histórico” de sexta-feira, disse que havia “10 mil” presentes...

Questionamentos rápidos:

  • Quem organizou e quem pagou o transporte de toda essa gente, posto que 80% eram sertanejos de Monte Alegre, Poço Redondo, Canindé...?
  • Quem pagou o lanche? (Entre ida e volta foram cinco horas de viagem + cerca de quatro horas de permanência em Aracaju.)
  • Quem pagou a infraestrutura usada antecipadamente e durante o evento (carros de som, faixas, palco, som de palco, luz, banners, estandartes, panfletaria, recursos humanos)?
  • Quem pagou as camisas, bandeiras e bonés novinhos em folha distribuídos antecipadamente e durante o evento à audiência?
  • Quem pagou as faixas saudando Marcelo Déda, Lula da Silva, Dilma Rousseff e o MST portadas por cabos eleitorais?

Marcelo Déda deve ter poderosas costas quentes para afrontar a Lei Eleitoral sem se intimidar: faz programa de rádio, promove megacomícios com distribuição de brindes...

O governador está enrolado no TSE por conta dos ilícitos mencionados no início deste escrito, que remontam ao período quando Marcelo Déda ainda estava prefeito de Aracaju e candidato ao governo. Diante daquelas tentativas de ludibriar a legislação, seu passado hoje está sujo. Com a esbórnia de agora, Marcelo Déda pode também comprometer seu futuro político.

Mas pelo visto, isso não faz parte das preocupações do governador. Pelo menos, a julgar pela lustrada face...

Marcelo Déda no palanque: sorriso de vencedor e afronta a Lei Eleitoral
O candidato acena ao público: João Alves é o "adversário dos sonhos"
A plateia fardada: camisas com o símbolo do governo do PT, o caração
A mega infraestrutura: mais de 80% da plateia veio importada do sertão
(Fotos : ASN)
PS – A quem interessar possa, pelo menos no primeiro programa de rádio, Marcelo Déda não atacou de cantor. Fomos poupados!

Segunda-feira, 03 de Agosto de 2009 – 21h25

Antes Tarde, Mas...

Um amigo jornalista me fez hoje uma ponderação interessante com relação à nota “Curiosa Renúncia” publicada logo após meu último escrito. Disse-me ele: “Você foi injusto com Thaïs Bezerra. Ela nada publicou sobre o ‘chega para lá’ de Edvaldo Nogueira e Marcelo Déda na festa do PPS para receber Nilson Lima porque fecha a coluna na quinta-feira, exatamente quando ocorreu a querela”.

Bem... meu amigo pode até ter razão nesse ponto. Mas, o que disse a prezada jornalista em seu caderno dominical (ontem) nada acrescenta à dantesca cena. Pelo contrário, a alivia sobremaneira. Portanto, injusto não fui. Que o diga a própria nota, caros leitores e leitoras:

  • # Vale o registro! Após prestigiar o fabuloso espetáculo da pianista portuguesa Maria João, no Teatro Tobias Barreto, na noite do dia 23, o governador Marcelo Déda foi jantar no La Tavola. Estava super charmoso e de alto astral ao lado do prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, do presidente do Banese, Saumíneo Nascimento, do secretário de Comunicação, Carlos Cauê, e do jornalista Amaral Cavalcanti. O papo foi regado a vinho de boa safra!
  • # Mesa animada reuniu na mesma noite no La Tavola, o presidente nacional do PPS, o pernambucano Roberto Freire, que veio prestigiar a filiação de Nilson Lima no partido - que foi bastante cumprimentado no restaurante de Haroldo Silva. Freire e Nilson jantaram com Zé Franco, Emanoel Cacho, Wellington Mangueira, Job Carvalho e outros, celebrando a sua chegada ao PPS com o velho scoth e muita conversa.
  • # Bomba bomba!! Lá pras tantas, o governador Marcelo Déda levantou-se e chamou o compadre e seu ex-secretário da Fazenda, Nilson Lima num cantinho do La Tavola e conversaram ao pé do ouvido, e nem sequer sentaram-se. Foi um momento de muita expectativa nos curiosos de plantão... o clima estava tranquilo, com sorrisos de ambas as partes. Até hoje todo mundo quer saber o que eles conversaram...
  • # Na mesa ao lado, jantando após o belo show da pianista no TTB, os amigos Hugo Julião, TB, Mario Britto, Clarinha Oliveira, Bete e Gilson Figueiredo, viram de camarote toda a cena política no La Tavola. Foi uma noite movimentada e cheia de surpresas... O La Tavola é o templo da alta gastronomia e dos grandes encontros.

Quarta-feira, 29 de Julho de 2009 – 17h15
O "Assédio Moral" de Marcelo Déda

Rende muita conversa a cavalar deselegância de Edvaldo Nogueira ao mandar retirar da Assembleia faixas em homenagem a Nilson Lima e ao presidente nacional do PSS, ex-senador Roberto Freire, na quinta-feira da semana passada (vide texto anterior).

Entre outros estranhamentos, um ponto ainda não estava devidamente esclarecido. O que pretendia o governador Marcelo Déda ao se dirigir ao restaurante onde ocorria a comemoração da cúpula do PPS?

A praxe é a seguinte: quando o governador se desloca a qualquer local público, integrantes da segurança pessoal são designados para checar o ambiente e suas cercanias. Marcelo Déda não apenas sabia quem estava no restaurante, como já havia sido informado por Edvaldo Nogueira, com quem assistiu a um concerto no TTB, do episódio com as faixas.

O governador chegou ao restaurante e imediatamente foi à mesa onde ocorria a refrega do PPS. Em tom irônico, falando alto e visivelmente nervoso, Marcelo Déda cumprimentou Roberto Freire e disse: “Você conquistou um grande quadro” –referia-se a Nilson Lima. Logo depois, juntou-se ao chefe o garboso “secretário” Edvaldo Nogueira.

Os lisonjeadores do governador lotados na imprensa não disseram, mas havia várias, muitas mesas vazias no restaurante. Marcelo Déda, porém, preferiu sentar-se exatamente à mesa ao lado. Cochichos e mais cochichos com o prefeito comunista eram entremeados por gargalhadas homéricas e algumas palavras soltas, ditas em alto volume –de ambos, diga-se.

Para surpresa dos presentes, após uns goles a mais, Marcelo Déda levantou-se, pegou Nilson Lima pelo braço e dirigiu-se a um canto do restaurante para uma conversa reservada com o ex-auxiliar. Foram longos minutos, no primeiro reencontro deles depois da demissão de Nilson Lima, “por justa causa”, do cargo de secretário (Fazenda).

Ao retornar à mesa, Nilson Lima estava “da cor de papel”. A anterior euforia foi substituída por um ar sisudo. Dali adiante, o ex-secretário permaneceu calado até o momento da despedida. A quem o questionou sobre o teor da conversa, disse: “Nada, nada de importante”.

O clima no restaurante não estava bom. Na chegada do prefeito, uma rápida discussão acirrou os ânimos. Roberto Freire definiu Edvaldo Nogueira como “esbirro da ditadura” –para quem não sabe, “esbirro da ditadura” significa “lambe botas de general”, “aquele que faz o trabalho sujo” ou simplesmente o “puxa-saco”. Que retrucou: “Tirei e mando tirar quantas vezes botem” (referência às polêmicas faixas).

No retorno de Nilson Lima, o ar estava irrespirável. Por decisão geral, as comemorações do PPS foram encurtadas. Meia hora depois, estavam todos do lado de fora. Antes da saída, contudo, um novo momento de tensão. Marcelo Déda se dirigiu em tom autoritário e desafiador, mesmo aparentando brincadeira, ao ex-prefeito de Socorro, José Franco: “Você tome cuidado, você tome cuidado!”.

Aglomerados à porta do restaurante, os próceres do PPS estavam atordoados. Roberto Freire falava de “pressão idéntica à da ditadura”, o criminalista Emanuel Cacho classificou os atos do governador como típicos de “assédio moral” e o arredio José Franco queria retornar ao restaurante para “tomar satisfação”, no que foi dissuadido pelo sempre pacífico líder comunista Wellington Mangueira.

O governador Marcelo Déda, acompanhado do prefeito mauricinho, queria deliberadamente “melar” a festa do PPS por razões óbvias. Isso está mais do que claro. A dúvida é sobre as palavras que ele teria dito a Nilson Lima para provocar reação tão inesperada, a ponto de deixar emudecido o antigo amigo e correligionário.

Marcelo Déda pauta sua atuação política sob a marca do “autoritário”, “prepotente” e “arrogante”. Não são palavras minhas. O próprio Nilson Lima já as utilizou, e disse ao Cinform desta semana ter testemunhado o governador “estimular a desavença entre os secretários”. Um modo muito estranho de governar, convenhamos. Na mesma reportagem, ele ainda disse : “(Marcelo) Déda não tem visão da construção política. Política de verdade não se faz sozinho”.

Conhecendo como poucos o compadre-governador, Nilson Lima deve ter um milhão de razões para ter ficado “da cor de papel” ao conversar com o ex-chefe. Suas palavras ao Cinform são elucidativas: o nível da próxima campanha promete ser quente. Muito quente!

Curiosa Renúncia - A temida jornalista Thaïs Bezerra presenciou todos os fatos narrados acima. Ela estava no TTB –tirou até foto com o “chefe” Marcelo Déda, publicada no caderno dominical do Jornal da Cidade– e seguiu com o séquito governamental ao restaurante. Sentou-se numa bem discreta distância, mas os olhos e ouvidos treinados na arte da fofoca e da futrica estavam atentos. Curiosamente, a moça danada, apesar do burlesco babafá, fez de conta que estava em Paris, sorvendo champanhe bem longe da miúda contenda. Seus escritos, sempre tão recheados de bombásticas "notícias", simplesmente ignoraram o imbróglio. Qual terá sido a razão? Pois é, perderam seus pacientes leitores, apreciadores de chá calmante Maratá...

Domingo, 25 de Julho de 2009 – 00h05

A Nojeira de Edvaldo

O pré-candidato ao governo Nilson Lima sentiu o gostinho de estar na oposição num estado comandado pelo seu ex-chefe Marcelo Déda.

Na quinta-feira, pouco antes do evento promovido na Assembleia pelo PPS para recebê-lo como novo membro, a máquina administrativa da prefeitura de Aracaju mostrou “serviço”. Sob o olhar espantado de convidados e do presidente nacional do PPS, o ex-senador Roberto Freire, fiscais do município arrancaram as faixas comemorativas e de boas vindas fixadas nos limites do prédio do Legislativo.

O líder histórico dos comunistas de Sergipe Wellington Mangueira tentou argumentar com o chefe da “operação” que o evento era político e estava marcado com antecedência. Mas desistiu depois de um curto e grosso “Cumpro ordens, doutor”.

Após a festa na Assembleia, a alta cúpula do PPS seguiu para um restaurante chique da cidade, onde ocorreria a refrega etílica e gastronômica típica de comemorações do porte. Tal não foi a surpresa quando minutos depois Marcelo Déda, acompanhado do “secretário” Edvaldo Nogueira, chegou ao local.

Ex-colegas de parlamento, Roberto Freire foi à mesa do governador cumprimentá-lo. Não reconheceu o prefeito de imediato. Contou o ex-senador ao jornalista Carlos Batalha (“Batalha na TV”, TV Cidade, 23/07): “Não foi deselegância ou atitude de ressentimento pela maldade com as faixas, mas é que ele (Edvaldo Nogueira) estava tão bem vestido que eu sinceramente não o reconheci. Aproveitei a oportunidade e falei sobre o ocorrido. Para minha surpresa, dedo em riste, o prefeito disse que a ordem partira dele próprio, que faria tantas vezes fosse necessário e que tiraria até faixa homenageando o presidente Lula (da Silva) se estivesse irregular, quanto mais minha ou de Nilson Lima”.

Opa, calma lá. Eu não entendi muito bem... Edvaldo Nogueira mandaria tirar da Assembleia uma faixa em homenagem ao compadre-presidente?

Pausa rápida. Comento essa pérola na seqüência, pois não posso ignorar a tal “elegância” do prefeito comunista. Reparou que depois do noivado com a herdeira milionária, Edvaldo Nogueira virou outro. Trocou a cachaça por vinhos caros, o botequim por refinados restaurantes e assumiu um look metrosexual, bem semelhante ao do chefe maior. O visual casual dos surrados jeans e camisas pólo deu lugar a ternos bem cortados, cabelos aparados, barba alinhada, unhas feitas, perfumes sofisticados... Nada contra, afinal o dinheiro do comunista-burguês é dele e ele gasta como quiser. Mas é uma mudança inesperada, quase surreal! Ops, eu já estava esquecendo um “detalhe” pequenino: estamos no governo das mudanças, mudanças gente, mudanças...

Voltando à história das faixas. Edvaldo Nogueira é um grande loroteiro. Ele não teria tamanha ousadia. Digo mais, ele não teria coragem de mandar retirar uma faixa de louvor ao Todo Poderoso, mesmo se o evento não tivesse a presença do presidente. É conversa para boi dormir. Aliás, já teve muitas chances de agir assim, quando faixas homenageando Lula da Silva viraram mulambo de tantos dias expostas sem que ninguém ousasse retirá-las de ruas e avenidas de Aracaju.

Na condição de destacado “secretário” do governo Marcelo Déda, o prefeito comunista quis apenas lambuzar com litros de saliva o requisitado saco escrotal do chefe maior. Está claríssima a intenção de Edvaldo Nogueira no episódio: simplesmente “melar” o evento de Nilson Lima para agradar o “número um”, sabidamente um cidadão que não morre de amores por Nilson Lima. Vá lá, com alguma razão...

Ontem pude comprovar como a maldosa deselegância de Edvaldo Nogueira mexeu com Céus e Infernos. Numa entrevista a Fabiano Oliveira (“Arretado”, FM Sergipe), até o enigmático e eternamente “em cima do muro baixo” Albano Franco saiu em defesa do líder socialista: “Todo mundo sabe que eu nunca fui comunista. Pelo contrário, sou cristão de muita fé. Mas ele (Roberto Freire) é alguém cuja história de luta pela democracia no Brasil merece todo nosso respeito. Foi um ato pequeno (do prefeito)”.

A deselegância quase nunca é vil. Porém, quando se associa à maldade, estraga qualquer ambiente! Edvaldo Nogueira abusou do requinte de incivilidade. Foi medieval e cavalarmente deseducado. Tudo para não perder a oportunidade de babar...

É... trapos de pano gerando tanto tumulto. Esqueca isso, Edvaldo. Nojeira pouca é bobagem!

Quarta-feira, 22 de Julho de 2009 – 21h45

Cláudio Nunes, o Comunista-Colunista do Patronato

Passaram a ser corriqueiros os sistemáticos ataques dos lisonjeadores do governador Marcelo Déda, especialmente os travestidos de analistas políticos, contra os sindicatos de servidores públicos estaduais. Por vezes são ataques sutis, disfarçados sob o manto da “legalidade” ou mesmo dos “interesses maiores do estado”.

Representantes dos professores, dos policiais e até dos médicos já foram acusados de toda sorte de mazelas, notadamente os sindicalistas ligados ao Partido dos Trabalhadores, por essa camarilha esquerdista lotada nos órgãos de imprensa.

Detalhe sórdido: quando o governador Marcelo Déda não quer se comprometer publicamente, até para evitar arranhar ainda mais a já carcomida imagem pública, usa o bando de lisonjeadores oficiais para fazer o serviço sujo.

Nem sempre, contudo, tais investidas encontram uma pena adequadamente adestrada na arte de bajular o chefe maior, o “número um” como denominado pelo saudoso Flávio Conceição, e concomitantemente “mandar bala” de modo eficiente em quem cobra o cumprimento das muitas promessas feitas pelo governador das mudanças para pior

O “serviço” de hoje foi encomendado ao comunista-petista Cláudio Nunes, comandante do Diário Oficial Eletrônico do governo Marcelo Déda no Portal Infonet. Para desqualificar a luta por direitos adquiridos dos servidores da antiga Cohidro, Cláudio Nunes abjurou o ditame marxista de “trabalhadores em primeiro lugar” e passou a reverberar como verdade absoluta o prodigioso discurso do patrão Marcelo Déda.

Atacou ele em suas mal traçadas linhas: “Não pode aplaudir (referência aos sindicalistas) um aumento salarial ou qualquer outra vantagem quando estas têm origem na ilegalidade. Então só se denuncia como errado aquilo que não favorece a eles? Se auferir (sic) alguma vantagem por meio ilegal é válido? Omissão como essas e outras se traduz em crime que não sei tipificar...”.

  • Pausa rápida para uma aulinha de gramática da língua portuguesa. Por favor, Claudinho, Se auferir, não. Auferir, sem conjunção subordinativa condicional, dileto jornalista diplomado...

Voltando à vaca fria. Sem conhecer os meandros daquilo que comenta (“crime que não sei tipificar”), Cláudio Nunes avoca-se à defesa intransigente do governo Marcelo Déda desprovido de argumentação plausível. Ao confundir tripas com coração, acaba por favorecer a luta dos servidores, pois muitos deles agora se sentem ludibriados e moralmente “inferiores” quando comparam os salários aos de policiais civis e militares, por exemplo.

Na ânsia de babar o escroto do chefe maior sem deixar escorrer uma única gota de saliva, o lisonjeador-mor do governador Marcelo Déda no Portal Infonet “informa” ter a procuradoria estadual questionado os ganhos de servidores da Cohidro na Justiça do Trabalho, de quem obteve autorização para proceder “cortes, inclusive com retroatividade, em favor do Estado (dos cidadãos)”.

Às questões: porventura os servidores da Cohidro não são também cidadãos no pleno gozo do direito constitucional de arguir na Justiça qualquer “sintoma” de prejuízo, incluindo os de ordem salarial? Os sindicalistas da Cohidro não estariam apenas cumprindo o dever quando defendem uma categoria organizada civil e socialmente, que se sente ofendida no seu direito? Quem acreditou na cantilena poética do Céu na Terra feita pelo governador não pode agora cobrar que Ele finalmente a cumpra, inclusive através da Justiça?

Mas Cláudio Nunes apenas cumpre ordens, minha gente. O patrão é quem manda e Ele --o patrão-- tem sempre razão nas “análises” do camarada Cláudio Nunes. Os servidores da Cohidro e qualquer um que ouse discordar, cobrar promessas, criticar deslizes ou que promova qualquer desilusão no patrão dele que se...

Bem, o interessante de tudo isso é verificar que já não se faz mais comunista com vergonha na cara como antigamente.

Terça-feira, 21 de Julho de 2009 - 1oh37
Cochilo da Revisão e Canalhice Editorial
Posso garantir, o propósito não é “pegar no pé” do Jornal da Cidade. Mas não dá para ficar na moita quando os coleguinhas diplomados em Comunicação Social (Jornalismo) e defensores do diploma com unhas e dentes, mesmo tentando dar algum “molho” crítico às maracutaias envolvendo a prefeitura de Aracaju e as ONGs, cometem deslizes na briosa língua pátria e abusam dos limites éticos. Senão vejamos (nota publicada hoje na coluna Periscópio):
ONGs
Se o Ministério Público estiver disposto a fazer uma rígida fiscalização e apuração da atuação das organizações não-governamentais (ONGs) vai encontrar muitos políticos, senão como donos, apoiadores e recebedores de apoios de pessoas que comandam as instituições, que viraram braços do poder público na politicagem. Em Sergipe, ao que parece, a ONG mais séria é a do “Almir do Picolé”. Ou não?
Alô revisão, o correto seria ... políticos, se não* como donos...
Agora, sinceramente, não teve a menor graça a chinfra com a Creche Almir do Picolé. O cara é um abnegado, pé rapado --ou “urêia seca” como queiram. Vive nos semáforos sob sol ardente recolhendo uns trocados para tocar sua “ação social” e recebe esse petardo gratuito e completamente fora de propósito. Uma alusão idiota pela falta de conteúdo real e visceralmente canalha por comparar Almir do Picolé com a camarilha que se instalou na prefeitura de Aracaju para sorver gordos dividendos do erário através de Organizações Não-Governamentais.
Pelo trabalho humanitário e verdadeiramente social que realiza, Almir do Picolé merece muito respeito.
O jornalista diplomado e defensor do diploma lotado no Jornal da Cidade deveria, sim, levantar a bunda da confortável cadeira de lisonjeador oficial e investigar de verdade os negócios milionários atrás do biombo dessas ditas ONGs. Deveria procurar, por exemplo (vai aí a pauta!) onde se ligam as entidades “Missão Criança Aracaju”, da senhora Eliane Aquino, esposa do governador Marcelo Déda, e a “Recriando – Inclusão e Cidadania”. Saber quem são seus reais proprietários e provedores já seria um bom começo de conversa.
Com sua maldosa e irresponsável ilação contra Almir do Picolé, uma brincadeira típica de moleques porquanto desprovida de argumentos factuais ou evidências comprovadas de desvios éticos, o Jornal da Cidade se nivela a um mural oficial, ocupado unicamente por criar cortinas de fumaça para mascarar verdades incômodas a quem está no comando. Triste sina!
  • (*) Rápida aulinha de gramática da língua portuguesa aos diplomados do JC: senão é conjunção adversativa e preposição, com o sentido de: 1. do contrário, caso contrário, de outro modo, de outra forma; 2. mas, mas sim; 3. mais do que; 4. a não ser. Já se não são duas palavras distintas; conjunção subordinativa condicional se + não advérbio de negação; significa dizer “caso não”.
Volto mais tarde! A todos um bom dia.
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veja o texto original:

Domingo, 19 de Julho de 2009 – 23h50

A Farra das ONGs em Aracaju

O assunto é chato, porquanto repetitivo. Contudo, os negócios entre a prefeitura de Aracaju e as Organizações Não-Governamentais parecem ser um novelo prolífico, cujos meandros ainda minimamente conhecidos apontam para um oceano de estripulias. É preciso entendê-los em toda sua inteireza a fim de evitar qualquer mínima dúvida.

Parte da história já está clara. Para burlar normas típicas da administração pública --prestação de contas, por exemplo-- e princípios éticos básicos, Edvaldo Nogueira usa entidades “filantrópicas” através das quais emprega cabos eleitorais e apadrinhados dele próprio e de apaniguados. Repasses milionários não totalmente explicados sugerem o abuso de recursos públicos para fins obscuros (leia textos publicados anteriormente sobre o assunto logo abaixo).

É surrealmente simples o modus operandi da “rede social” criada por Marcelo Déda quando esteve prefeito, mas levada à quintessência pelo seu sucessor, tendo a “consultoria geral” do calejado deputado federal Jackson Barreto, especialista em arranjos “político-administrativos”:

1 – A prefeitura repassa dinheiro do erário a uma entidade cadastrada como Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), também conhecida como Organização Não-Governamental (ONG).

2 – A entidade, por ser regida através de leis próprias (lei federal 9.790; leis estaduais 5.285/5.850), não tem obrigações típicas da administração pública; pode contratar pessoal sem concurso público, realizar obras e contratar serviços sem licitação, e o regime de prestação de contas é diferenciado.

3 – A entidade geralmente é teleguiada por um político via apaniguados e funciona como braço financeiro e comitê eleitoral; através dela, o político emprega cabos eleitorais e amigos, realiza “atividades sociais e educativas” nas comunidades onde “atua”, constrói (ou dá apoio a) bases eleitorais avançadas, disfarçadas de creches, orfanatos e escolas profissionalizantes; tudo gerenciado como empresa particular.

4 – A entidade pode servir ainda para abrigar “despesas” cuja presença na contabilidade da prefeitura geraria um escândalo; às relacionadas a atividades tipicamente eleitorais e eleitoreiras, por exemplo.

Até a semana passada apenas a Sociedade Eunice Weaver estava na berlinda, inclusive por conta dos repasses milionários feitos por Edvaldo Nogueira à entidade nos últimos quatro anos: quase R$ 25 milhões. Sabe-se agora, ela não está sozinha no negócio.

Numa entrevista ao Jornal da Cidade deste domingo, o prefeito Edvaldo Nogueira admitiu ser a Sociedade Eunice Weaver uma entre várias ONGs contratadas para prestar serviços à prefeitura de Aracaju em casos de projetos temporários e nas situações onde não se realizou concurso público, “como acontece em alguns projetos da Secretaria de Assistência Social e Cidadania”.

O documento abaixo é cópia da Carteira Profissional de um cidadão comum. Um entre um número ainda desconhecido de contratados através de ONGs para supostamente prestar serviços em repartições da prefeitura de Aracaju --no caso em questão, uma escola.

Algumas observações:

1 – Ao verificar a data de contratação do cidadão pela Sociedade Eunice Weaver na página à esquerda (destacada em verde) e a data de dispensa do serviço, logo abaixo na mesma página (destacada em vermelho), comprova-se ter sido por um período inferior a três meses --soa bastante comovente a contratação ocorrer justamente três dias antes da eleição vencida por Edvaldo Nogueira ainda no primeiro turno em 2008; mas isso é outro capítulo dessa tumultuada história!

2 – Indo à página da direita, vê-se a nova contratação (destacada em azul), agora datada de cinco meses depois, precisamente 20 de maio de 2009. Dessa vez no entanto, o contrato foi assinado por outra ONG, a Sociedade de Estudos Múltiplos, Ecológica e de Artes - Sociedade Semear. O “servidor público” do exemplo continua lotado numa escola municipal. Para evitar possíveis retaliações, omiti sua função.

  • Dica ao Ministério Público Estadual. Trata-se não de um caso atípico, onde o trabalhador estava em avaliação de desempenho e acabou dispensado. Tem sido usual à Sociedade Eunice Weaver e a outras ONGS subvencionadas pelo município de Aracaju --e suspeito que seja uma prática de muitas ONGs-- a contratação de pessoal por menos de 90 dias. O trabalhador do exemplo acima tinha registros anteriores na própria “Eunice Weaver”, de onde foi dispensado e um tempo depois recontratado.

Noutras palavras: apesar de receber da prefeitura a verba integral (remuneração do empregado + remuneração da entidade + impostos) para contratar pessoal, a rotatividade de contrações e dispensas gera uma receita adicional transversa à ONG berneficiária: não está obrigada a pagar o aviso prévio de dispensa, por exemplo.
A questão intrigante é: por que a transferência do empregado de uma ONG para outra se ele permeneceu no mesmo serviço, na mesmíssima repartição, da qual aliás ele nunca se afastou mesmo quando o documento legal de contratação não estava de novo assinado? Detalhe importante: os pagamentos no tipo de operação do exemplo acima são feitos não mensalmente, mas por períodos acumulados geralmente em torno de três meses.
Dor de Cabeça - A farra das OGNs tem gerado uma dor de cabeça no prefeito Edvaldo Nogueira e pode atingir em breve também o governador Marcelo Déda. Em novembro de 2006, a imprensa nacional divulgou o milionário repasse de dinheiro feito pela Petrobras à “Missão Criança Aracaju”, entidade comandada pela então primeira-dama do município, dona Eliane Aquino.

Entre 2003 e meados de 2006, apenas da Petrobras foram mais de R$ 2 milhões. A soma teria sido usada para atender cerca de mil crianças. Os contratos foram autorizados pelo então presidente da estatal José Eduardo Dutra.

A Missão Criança Aracaju parece manter uma relação simbiótica com outra ONG, o Instituto Recriando – Inclusão e Cidadania. E não seria uma ligação qualquer...

Por hoje é só. Até mais!

Sábado, 18 de Julho de 2009 - 19h52

Do Siderado e Outros Bichos

O prezado criminalista, ativista político e senador suplente Emanuel Cacho enviou-me a mensagem abaixo, que comento logo a seguir. Volto já!

Caro David Leite

É com enorme satisfação que recebo a notícia que o “Siderado” está de volta para de-leite de alguns e tristeza de outros. Se houvesse uma canção que você pudesse fazer para ele (César Gama), seria “Siderado” do Skank:

“Eu fiz esta canção
Faltando alguém, quem
Fiz essa canção sem opção, sei
Fiz essa canção porque me falta alguém
Fiz essa canção de coração, sei
Porque eu te espero nas manhãs
De nuvens só feitas de lãs”

Enfim!!! Brincadeiras à parte, nosso “siderado” César é um dos melhores e mais apimentados colunistas que conheci. Em seus textos diretos e objetivos, destila conhecimento e coragem peculiar aos quase-loucos, quase-insanos, mas revestido de notícias e fatos quentes.

Em seus estudos de auto-análise nas ciências de Freud, se especializou muito mais para se entender, do que para entender os clientes.

A Senadora Maria do Carmo, com seu senso apurado e sutil, sem guardar reservas, adjetivou César com esse termo de forma conceitual para retratar alguns momentos da administração do ex-governador João Alves Filho diante de turbulências eventuais.

Afinal, César era "alvo" constante de críticas e elogios. Não se conhecia meios termos para ele. Reconheço, entretanto, que é um grande jornalista e sua ausência estava sendo sentida.

Que bom ter César de novo na “Oposição”. Acho que ele ouviu seu chamamento.

Emanuel Cacho

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Voltei! Preclaro Emanuel Cacho, de uma coisa tenha plena certeza: com a chegada de César Gama ao “inferno” do jornalismo sergipano, onde praticamente somos os últimos e os únicos com algum desejo real de não dizer “amém” ao governo das mudanças para pior, confesso, fiquei entusiasmado.

Enquanto 99% da crônica política estão dedicados à manter sempre lustrada a santificada imagem pública do governador Marcelo Déda, uma farpa de “oposição” faz bem.

Você foi testemunha das minhas brincadeiras ao incitar César Gama a voltar a escrever. Portanto, conhece os fatos! Sei que, como eu, você também riu muito da cara de muxoxo do nosso amigo quando eu destilava meus venenos.

Porém, é preciso ter cristalina a noção de “Oposição” contida no seu texto e aqui referendada. Meu compromisso é unicamente com os fatos. César Gama, posso garantir, também se fia neles para emitir qualquer juízo, porquanto “oposição” ou não, ambos pretendemos basicamente fomentar um diálogo crítico e não o monólogo estritamente lisonjeador, apreciado como iguaria pelo Palácio do Governo. Grato pelo comentário. Um abraço forte.

Volto mais tarde, porque a chapa continua quente. O imbróglio “Eunice Weaver”, ao que parece, é apenas a pontinha de um novelo prolífico. Os negócios da administração comunista de Aracaju estão longe de se restringir apenas a ela...