Sexta-feira, 09.05.08 - Ano II - Edição Número 261

AFINAL, QUEM É NILSON LIMA?
Os servidores estaduais apostaram alto quando uniram forças para eleger o governo das mudanças para pior. Embalados pelo discurso mudancista, confiaram acima de tudo na ligação entre a categoria, através das representações sindicais, e o PT – partido majoritariamente sindicalista. Não por acaso, na terça-feira o Sintese saiu às ruas num carro de som para acusar o governador Marcelo Déda de ter traído os professores. A confiança mútua de outrora se transfigurou numa relação conturbada, com palavras ofensivas ditas por ambos os lados. Mais intrigante ainda é o tratamento dispensado pelo governo do PT aos representantes dos policiais civis. Mês e pouco atrás, a categoria apresentou proposta de readequação salarial. Agentes de polícia (salário-base: R$ 420), auxiliares (R$ 420) e escrivães (R$ 620) passariam a receber até o final do governo 60% do salário-base dos delegados de 1ª classe, atualmente em R$ 7,8 mil. Para chegar ao porcentual, inicialmente seriam incorporadas as gratificações e vantagens. Num prazo de 32 meses, os valores sofreriam progressão vertical até atingir o equivalente hoje a R$ 4,2 mil. Ao final do mandato de Marcelo Déda, os policiais civis sergipanos teriam uma das melhores remunerações do país. O secretário de Fazenda, Nilson Lima, manteve pessoalmente dois encontros com os representantes sindicais. No primeiro, apresentou como contraproposta a incorporação de apenas 20% das gratificações e vantagens. A proposta foi recusada unanimemente. “Era nada sobre coisa nenhuma”, conforme definiu o vice-presidente do sindicado, Antônio Novaes. No segundo, ocorrido na quarta-feira, esteve por duas vezes com os policiais. Na primeira ocasião, surpreendeu os sindicalistas quando sugeriu pagar a proposta da categoria com uma mínima diferença. Ao invés dos 60% pedidos, o porcentual cairia para 50%, mas nos mesmos moldes da proposta anterior. Como contrapartida, os policiais passariam a trabalhar não mais seis, mas oito horas diárias, fechando quarenta horas semanais. Eufóricos, alguns parlamentares da bancada governista e sindicalistas mais afoitos até prepararam “a marvada” para comemorar a “grande vitória dos policiais e o presente do governador Marcelo Déda”. Por volta das 21h00, os sindicalistas foram chamados à Secretaria de Fazenda para bater o martelo. Acompanhado dos colegas Jorge Aberto (Administração) e Oliveira Júnior (Casa Civil), Nilson Lima mais uma vez surpreendeu os policiais. Depois de “estudar detalhadamente” as planilhas apresentadas pela categoria, o secretário de Fazenda explicou ser impossível atender àquela proposta feita por ele mesmo algumas horas antes. “Causaria um tremendo impacto na folha salarial”, justificou. Chupando dedos, os policiais, ainda atônitos, deixaram as negociações para o dia de ontem, na esperança de Nilson Lima, depois de refletir sobre os números, confirmar a proposta feita à categoria. Até o fechamento desta edição, vigorou o silêncio. Parece piada, mas o flagrante desrespeito do governo Marcelo Déda com os funcionários públicos, e especialmente com as representações sindicais, tem se tornado corriqueiro. Como justificar a irresponsabilidade do comissário gestor do Erário estadual ao propor um reajuste sem ter antes estudado o impacto nas finanças supostamente coordenadas por ele mesmo? E para completar, passando a ilusão a centenas de trabalhadores e seus familiares de que as reivindicações acordadas horas antes seriam plenamente atendidas... É mais uma das desastrosas inovações do governo das mudanças para pior a ser incluída no anedotário sergipano!

Quinta-feira, 08.05.08 - Ano II - Edição Número 260

NOTA DE REPÚDIO
O Sindicato dos Radialistas de Sergipe e o Sindicato dos Jornalistas de Sergipe vêm a público apresentar seus mais veementes protestos e repúdio contra a posição assumida pela diretoria do Hospital João Alves Filho, que numa atitude descabida, sem sentido e sobretudo arrogante e antidemocrática, proibiu no dia 05/05 que a imprensa sergipana tivesse acesso às dependências daquele hospital, que estava recebendo a visita de alguns parlamentares que buscavam ver de perto os problemas que ocorrem diariamente e principalmente agora com os casos de dengue surgidos em Sergipe.
Entendemos que, com essa atitude, a imprensa sergipana teve o seu direito à liberdade de informação tolhido. Rogamos ao espírito democrático do governador Marcelo Deda para que ele venha tomar uma posição clara no sentido de garantir aos profissionais de comunicação de Sergipe o livre desempenho do exercício profissional e que possam, assim, cumprir com o seu importante papel constitucional na sociedade, que é o de bem informar a população.
Sindicato dos Radialistas de Sergipe (Sterts)
Sindicato dos Jornalistas de Sergipe (Sindijor)
. "NA ONDA DO IÊ-IÊ-IÊ"
diz o surrado ditado: "Quem tem cútis tem medo"! A mais acovardada e apequenada imprensa do Brasil, calou-se de novo.
Afora Giovani Allieve (Correio de Sergipe), nada foi dito ontem da solicitação do líder da oposição na Assembléia, Venâncio Fonseca, sobre aos gastos definidos por ele como "promoção pessoal" de Eloísa Galdino (Veja edição anterior em www.abraoolho.net).
Enquanto o deputado quer saber quanto a secretária estadual de Comunicação Social "investiu" nos jornais e revistas onde fotos e entrevistas dela são destaques, a imprensa paraestatal preferiu dar conhecimento da intenção do deputado-secretário estadual de Saúde, Rogério Carvalho, de processar o vice-líder da oposição da Assembléia, Augusto Bezerra.
É uma questão de prioridades!
Criar um "mal-estar" com madame Eloísa Galdino por conta de assunto tão comezinho pode gerar perdas significativas. Por outro lado, o afago a quem momentaneamente detém o poder é prática secular e rotineira da imprensa sergipana.
O complicado da situação é ponderar a cabeça de quem formula tão brilhantes estratégias. Será mesmo possível esconder do respeitável público qualquer tema desinteressante, apenas para agradar ao "patrão" da vez?
As vezes me vem à cabeça certo filme dos Trapalhões...
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MAIS UMA
O deputado Mendonça Prado vai representar o governador Marcelo Déda no Ministério Público por "superfaturamento" na compra do terreno de 3,67 hectares destinado ao hospital estadual de Lagarto pelo preço de R$ 650 mil. Detalhe sórdido: a referida área é apenas uma nesga de outra muito maior (com 25,03 hectares), vendida dois meses antes por R$ 100 mil.

Quarta-feira, 07.05.08 - Ano II - Edição Número 259

O ABRA-O-OLHO RECOMENDA
Dentro das comemorações dos 15 anos do Bloco Ecológico Caranguejo Elétrico será realizado em 24/05, na casa de eventos atrás do Restaurante Deppan Rio Poxim), o forró pé-de-serra com Valtinho do Acordeon & banda e a banda Zé Tramela. Participação especial de César Leite e a boneca Genoveva. Individual: R$ 15,00. Mesa em ala vip com serviço de bar: R$ 80,00 para quatro pessoas. Contatos: 9993.8105, com Antônio Leite.
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MAGOOU
Machucou muito o caudaloso queixo-duro do deputado-secretário estadual de Saúde, Rogério Carvalho, a visita dos deputados da oposição ontem pela manhã ao Hospital João Alves Filho. No programa do radialista-vereador Fábio Henrique, ainda furioso pela “invasão”, ele prometeu ajuizar à Comissão de Ética da Assembléia pedido de cassação de mandato, por quebra do decoro, contra o deputado Augusto Bezerra, vice-líder da oposição, acusado de comandar a trupe de visitantes. Augusto Bezerra nega. “Tentaram desvirtuar. Foi apenas uma visita”. O deputado lamentou a proibição da presença da imprensa na vistoria. “Quando não se permite o acesso da mídia é porque as imagens não dariam dignidade ao governo. Os pacientes estão misturados. É homem com mulher, adulto com criança. Pessoas por todos os lados. Não queremos constranger ninguém, mas é a realidade do hospital sob o comando do PT”. Por sua vez, o líder oposicionista Venâncio Fonseca relembrou a visita do governador Marcelo Déda ao João Alves em 17/12/2007. “Ele levou a imprensa e mostrou os corredores limpos, sem macas. Expôs uma realidade que não existe. Hoje (ontem), jornalistas e radialistas foram impedidos de ver e comprovar a incompetência de um governo que ameaça sindicalistas de demissão e quer cortar o ponto dos professores que reivindicam um aumento justo”. No rádio, Rogério Carvalho tentou tirar dos próprios ombros a responsabilidade pelas mazelas na Saúde estadual e creditá-las ao ex-governador João Alves Filho: “Ele passou 12 anos e não resolveu nada. Estamos a apenas um ano, reconstruindo o que foi destruído. O povo precisa esperar o tempo concedido a Marcelo Déda para solucionar os problemas”. Augusto Bezerra aponta um outro culpado. “O governo gasta entre R$ 15 mil e R$ 20 mil numa propaganda para dizer ‘estamos enviando R$ 3 mil para tal município cuidar da dengue’. Só pode ser piada. Vive-se o caos na saúde pela incompetência, pela falta de governo”. Com o coração ferido, alquebrado por ter a amazônica vaidade dilacerada diariamente, Rogério Carvalho tem atirado às cegas para todos os lados. Com o humor nos joelhos, mal acorda e já ameaça servidores, pede a prisão de jornalista e promete cassar mandato de deputado. Pior, agride a inteligência do respeitável público, imputando à terceiro – um ano, cinco meses e seis dias depois do início do governo a que ele “serve” – a culpa pelas próprias fraquezas e omissões. O receio de perder o rendoso emprego a qualquer momento, tema recorrente dentro e fora do governo das mudanças para pior, atormenta e desequilibra o deputado-secretário. Carma, Rogério, carma...
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ATÉ QUANDO?
A espera promete ser longa. Ontem, mais uma vez, os professores não ouviram do líder governista na Assembléia, Francisco Gualberto, qualquer mínima menção ao índice de reajuste salarial dos servidores da Educação. Em greve e acampada na sede do Parlamento estadual há uma semana, a categoria aguarda ansiosa alguma boa notícia do governo que ajudou a eleger. A cobrança tem sido dura. Pela manhã, um carro de som do Sintese tocava nas ruas do Centro Comercial a paródia do samba “Vou Festejar” de Jorge Aragão, eternizado por Beth Carvalho: “Você pagou com traição a quem sempre te deu a mão”. Questionei o presidente do Sintese, professor Joel Almeida, quem seria o traidor. Depois de alguns segundos de um reflexivo silêncio, perguntei se era o governador Marcelo Déda. Por fim, ele balançou a cabeça em sinal de positivo quando eu disse “O governo?”. Os professores estão acuados e humilhados. Nunca antes na história do Sintese um governante tratou os sindicalistas com tamanho desprezo. Nem mesmo o senador Antônio Carlos Valadares, mentor intelectual da homérica surra aplicada pela Polícia Militar nos professores em 1989 quando ele era governador. E se há alguém com autoridade e legitimidade para classificar como bem entender o governador Marcelo Déda, o governo do PT e o próprio PT, este é o pessoal Sintese. Neste tocante, o deputado Francisco Gualberto está coberto de razão.
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A VAIDADE DE ELOÍSA GALDINO
As vaidosas peripécias de madame Eloísa Galdino foram expostas ontem na Assembléia. O líder da oposição, Venâncio Fonseca, acusou a proba secretária estadual de Comunicação Social de fazer promoção pessoal com dinheiro público. O deputado entrou com requerimento solicitando informações da Secom sobre gastos em publicações onde fotos e entrevistas da comissária do governo Marcelo Déda são destaques. Ele quer saber quanto madame Galdino “investiu” nestes jornais e revistas. Venâncio Fonseca classificou o exibicionismo da secretária de Comunicação como “indecente”. Já o conteúdo das publicações seria para ele “desprezível e sem qualquer qualidade”. Venâncio Fonseca credita a compulsão exibicionista de Eloísa Galdino à “inocência” da secretária. “É pessoa sem noção. Não sabe como funciona a máquina pública. Não sabe que não se pode fazer promoção pessoal com dinheiro do povo”. O deputado pretende agora mover ação junto ao Ministério Público Estadual para obrigar a secretária, que mudou as práticas nefastas da Secom, a devolver o dinheiro público pago às publicações amigas. Seria algo péssimo para uma imagem tão candidamente doce e apresentável. Mas, fazer o quê?

Terça-feira, 06.05.08 - Ano II - Edição Número 258

Vale a pena conferir o novo sítio de eventos de Sergipe na Internet, sob o comando da colega Ana Matilde Costa. Veja http://www.paraondeir.com.br/.
DÉDA, O DESEMBARGADOR E AS PALAVRAS AO VENTO
Não é o caso de discutir aqui legalidade ou competência. Refiro-me ao caso do cunhado do governador Marcelo Déda, Edson Ulisses, indicado por ele para substituir o desembargador aposentado Pascoal Nabuco. Gostaria de comentar o papel de Marcelo Déda neste singular episódio e também o da imprensa sergipana. Alguém pode questionar: “Não seria extemporâneo, pois, se não há como retroceder, qual o efeito de tecer ideário sobre o tema?”. As lamentáveis contradições. Só elas, caro público leitor, já valeriam um livro. A imprensa paraestatal, nutrida com as rechonchudas verbas da publicidade oficial, deu apoio incondicional à campanha de Edson Ulisses através do silêncio magnânimo. Em outubro, por exemplo, o deputado federal Mendonça Prado denunciou o uso descarado da máquina estadual em favorecimento explícito à candidatura do cunhado do governador. Como procurador-geral do Estado, Edson Ulisses, segundo Mendonça Prado, teria feito nomeações para conselhos deliberativos com efeito retroativo, promovido reajuste salarial de procuradores, contratado advogados estagiários e realizado eventos pagos pelo Erário onde abertamente pedia votos aos colegas causídicos. Os bajuladores fizeram ouvidos moucos e o assunto foi sepultado sem nenhuma cerimônia. Nem os colunistas ditos “independentes” ousaram contrariar a ordem do “Número Um”, questionando a legitimidade das denúncias. Finalmente, na semana passada, Marcelo Déda deu por encerrado o lastimável processo de indicação do novo desembargador do Tribunal de Justiça de Sergipe, com a homologação de Edson Ulisses. O rito foi absolutamente legal e certamente o novo desembargador deve ter cabedal técnico suficiente para atender aos requisitos exigidos dos julgadores da egrégia Corte. Porém, só durante a ditadura militar um político teve a ousadia, o despudor de indicar um parente a desembargador – Fernando Franco, já falecido, era primo em segundo grau do então governador Augusto Franco; um coronel cujas práticas eram combatidas e criticadas pelo estudante de Direito Marcelo Déda. Uma coisa, contudo, é votar num sujeito como o ex-governador e ex-senador baiano falecido, Antônio Carlos Magalhães – alguém capaz de tudo no exercício do poder! –, sabendo que dele pode-se esperar as mais estapafúrdias ações, omissões e até rasteiras estripulias. Outra é acreditar num discurso de mudança, de respeito à ética e a moral pública, e receber na cara a incoerência da camaradagem aos camaradas-companheiros e até ao parente. Qualquer um poderia empregar o cunhado na função de desembargador sem manchar a biografia. Marcelo Déda, não! Edson Ulisses chegou onde está porque assim desejou o governador das mudanças para pior. O brilhante advogado nunca antes concorreu às indicações da OAB ao Tribunal de Justiça. Só o fez quando o cunhado alcançou o Diário Oficial do Estado. Além de incentivar a candidatura de Edson Ulisses e usar a força indissociável do cargo para influir na campanha, Marcelo Déda relegou aos aterros sanitários todas as críticas feitas ao longo da prolífica carreira legislativa contra os adversários e desafetos. Desapartado dos grandiosos discursos idealistas e mudancistas, sentiu-se livre para fazer valer seu desejo pessoal, passando por cima de todo e qualquer empecilho. Maquiavel explica... O povo, diz a máxima, tem memória curta – talvez seja neste viés que se fie o soberbo governante sergipano. A História, no entanto, é eterna. E nela Marcelo Déda vai figurar como o governador cujo discurso era apenas palavras ao vento! Um político de quem a rebuscada falação servia ao embuste – biombo para exercer o poder ao bel-prazer. É a triste realidade...
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A BOMBA ROGÉRIO (Por Jozailto Lima – Cinform 05/05)
É impressionante como até nas entranhas do governo há a convicção de que Rogério Carvalho é uma bomba que, mais cedo ou mais tarde, vai explodir no colo de Déda. Mas o governador, que seria tão “arrumadinho e orgânico” nestas questões de zelo “com a coisa pública”, permanece anestesiado. Fugindo ao pregão eletrônico estabelecido pelo governo, Rogério Carvalho adquiriu recentemente R$ 8 milhões em medicamentos. Deixou desconfortáveis alguns setores do governo.

Segunda-feira, 05.05.08 - Ano II - Edição Número 257

Se quiser viver em paz Não insulte nem arengue Nem ande pelo subúrbio Pra não cair no perrengue Evitando com cuidado Pra não ser mais um picado Pelo mosquito da dengue
  • Do mestre cordelista Azulão
A DENGUE E OS FAMOSOS
Sergipe contabiliza alguns “famosos” entre os mais de dez mil casos de dengue registrados oficialmente no estado. Ele pode negar de pés juntos, mas um dos primeiros soropositivos do vírus foi ninguém menos que Rogério Carvalho. O deputado-secretário estadual de Saúde simulou uma viagem no início do mês passado para encobrir ser portador da doença. Foi tratado por uma infectologista carioca. Outra vítima “famosa” do vírus foi o ex-governador Albano Franco. Em meados do mês passado, ficou acamado por cerca de uma semana e passou uma outra se recuperando. Reclamou muito dos sintomas da doença. Foi tratado em São Paulo. No final do mês, o presidente da SMTT/Aracaju (Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito), o médico sanitarista e ex-vereador Antônio Samarone, ficou vários dias hospitalizado no São Lucas.
Piadas entre os médicos e servidores do hospital não faltaram. Do soro aplicado duas gotas a cada três minutos – um suplício – à velocidade de 0.60 km/h para chegar ao apartamento, quando eram chamados por Samarone. A lista de “dengosos famosos” inclui ainda prefeitos, deputados, advogados e muitos médicos, além de secretários do governo do PT e da Prefeitura de Aracaju.
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DESTAQUE NACIONAL
O governo das mudanças para pior conseguiu o notável feito de numa mesma semana inserir Sergipe duas vezes no Jornal Nacional (TV Globo/Rio). E registre-se: negativamente! Na terça-feira (29/04), o deputado-secretário estadual da Saúde, Rogério Carvalho, ao lado do secretário de Saúde de Aracaju, Marcos Ramos, finalmente admitiu haver uma epidemia de dengue no estado. A notícia acabou no Jornal Nacional: “Sergipe já é o segundo do país em incidência da doença. De acordo com dados do Ministério da Saúde, o estado fica atrás apenas do Rio de Janeiro. Onze mortes já foram confirmadas e outras doze estão em investigação. Dos 75 municípios sergipanos, 60 estão em epidemia ou em risco de epidemia”. Na quinta-feira (01/05), o Jornal Nacional exibiu o Hemose (Centro de Hemoterapia de Sergipe) de portas fechadas. Cerca de 30 pessoas vindas do interior para doar sangue aos pacientes com dengue hemorrágica não puderam fazê-lo. Desculpa do diretor do órgão: “Não abrimos nos feriados”. Nem em plena epidemia? O próximo fato polêmico com potencial para mais uma vez expor Sergipe à vergonha nacional é a possível manipulação de dados pelo governo das mudanças para pior visando mascarar o número real de falecimentos decorrentes da dengue. Uma médica ligada à SSP sugeriu a este ABRA-O-OLHO verificar os atestados de óbitos emitidos no último trimestre de 2007 tendo pneumonia como causa da morte e compara-los aos dos meses subseqüentes. Segundo a fonte, “entre janeiro e abril de 2008, houve um inusitado incremento nas mortes por pneumonia, quando na verdade são óbitos por dengue hemorrágica. Querem esconder a realidade”. A denúncia é grave e caso seja comprovada será mais um triste escândalo sob a égide de Rogério Carvalho. Se médicos do Estado estão atestando mortes por dengue como sendo causadas por pneumonia, apenas para evitar danos políticos à imagem do governo do PT, estariam incorrendo em crime cuja conseqüência pode ser, inclusive, a cassação do registro profissional e o impedimento do exercício legal da profissão. Por que esses médicos agiriam assim? Haveria alguém pressionando ou mesmo dando ordens neste sentido? Quem os pressiona? Quem dá tais ordens? Que outras maquilagens foram ou estão sendo praticadas? O governo Marcelo Déda tem se notabilizado pelo descaso à vida. Mais de 60 crianças pobres morreram por conta da imundície de uma maternidade estadual, enquanto uma maternidade de ponta era mantida fechada apenas por birra política. Outros vários pacientes adultos tiveram fim semelhante na UTI do Hospital João Alves Filho, pelo mesmo motivo: sujeira, porque o detergente era diluído numa quantidade de água que o tornava sem efeito no combate aos germes. Há ainda um sem número de mortes decorrentes da “Operação Limpeza” feita nos corredores do Hospital João Alves Filho. Médicos não integrantes do quadro funcional do hospital foram contratados apenas para dar alta a centenas de pacientes pobres. Sem atendimento, mesmo o oferecido precariamente nos corredores, quantos não morreram? Com histórico tão desabonador, e agora destaque praticamente diário no Jornal Nacional, o governo das mudanças para pior só se destaca positivamente num setor: o da propaganda enganosa. Nada mais esdrúxulo que no intervalo comercial do mesmíssimo Jornal Nacional, onde os podres foram mostrados, ver um comercial louvando as grandes mudanças feitas pelo governador Marcelo Déda. Haja cara de pau...

Quinta-feira, 01.05.08 - Ano II - Edição Número 256

NÃO VEM, NÃO!
Finalmente ontem à tarde, tomei conhecimento do processo movido contra mim pelo deputado-secretário estadual de Saúde, Rogério Carvalho. A queixa-crime tem alegações descabidas e se utiliza de legislação equivocada.
Os meus “crimes”, pelas alegações do comissário petista, seriam por “injúria e calúnia”. O primeiro, por tê-lo definido como “moço arguto, danado e ligeiro”. O segundo, por denunciar supostas “práticas de improbidade administrativa e peculato”.
Rogério Carvalho conclama a Justiça a não aceitar qualquer retratação de minha parte. Pede, aliás, a pena máxima – neste caso, são arbitrados de seis meses a três anos de reclusão. Os advogados dele solicitam ainda o pagamento dos serviços advocatícios (custas processuais) na hipótese de eu ser condenado.
Interessante é observar o encaminhamento da ação. Para os advogados do deputado-secretário, ela “poderia ser pública, quando as ofensas ocorrem contra funcionário público em razão de seu desempenho funcional”. Mesmo assim, optaram por fazê-la de modo pessoal: Rogério Carvalho x David Leite; e não MPE (Ministério Público Estadual) x David Leite.
Se o MPE declinou de processar-me, através de Ação Pública, certamente a pendenga tem lastro probatório precário.
Por que então Rogério Carvalho apresentaria, ele próprio, uma queixa-crime contra mim, ciente do flagrante despropósito da fundamentação legal? O objetivo, óbvio, é intimidar-me e evitar a divulgação de qualquer nova estripulia na gestão da Saúde.
A intimidação não funciona comigo. Para prová-lo, apresento mais uma transação a por sob suspeição o deputado-secretário Rogério Carvalho e o governo das prometidas mudanças.
Na segunda-feira, o vice-líder da oposição na Assembléia, Augusto Bezerra, denunciou um suposto superfaturamento nos preços de terras adquiridas pelo governo do PT para construir um hospital em Lagarto.
De acordo com o deputado, em novembro de 2007, o empresário Eusébio Francisco de Lima comprou 80 hectares na entrada do município por R$ 100 mil. Apenas dois meses depois, o governo do PT desapropriou 12 hectares da citada área, pagando pelo lote R$ 650 mil. Cada tarefa valia em novembro R$ 1,25 mil. Em janeiro, passou a valer R$ 54 mil!
Para Augusto Bezerra, o governo do PT deveria ter desapropriado o terreno pelo mesmo valor pago 60 dias antes: “É muita falta de respeito com o dinheiro público. Um superfaturamento de quase 4.000%. Não tem euro, dólar, ouro ou petróleo que tenha valorização tão grande. Isso é crime de responsabilidade”.
Caso agisse movido pelo mais legítimo ideal deontológico* da ética, visando manter irrepreensível sua conduta, bastava Rogério Carvalho agir como Augusto Bezerra fez em 25/04/2008 ao buscar os documentos no 1º Ofício de Lagarto.
Prejulgando não ter o deputado-secretário qualquer mínimo conhecimento prévio da operação de compra e venda de novembro de 2007, antes de pagar pelo valioso imóvel, ele deveria ter consultado os cartórios sobre transações feitas naquela área.
Pagaria assim o preço “justo” – para ficar numa palavra menos ofensiva à sacrossanta sensibilidade rogeriana. Ou quem sabe procuraria um terreno mais em conta!
Não obstante os documentos cartoriais constituírem atestados públicos de absoluta veracidade da surreal atividade imobiliária do governo do PT, alguma explicação deve haver para tamanhas e estranhas coincidências sob a égide de Rogério Carvalho – médico pós-graduado em Saúde Pública; eleito democraticamente deputado estadual e ocupante do nobilitante cargo público de secretário de Estado da Saúde, realizando trabalho digno de encômios frente à SES; pessoa que sempre pautou sua vida, tanto na seara pessoal quanto na profissional, no mais alto lídimo ideal deontológico de ética e moral; portador de conduta irrepreensível, de passado sem qualquer mácula, conforme o deputado-secretário é descrito pela verborragia diarréica dos seus causídicos na queixa-crime encaminhada à Justiça contra mim.
A sociedade as aguarda...

Documentos expedidos pelo Cartório do Primeiro Ofício de Lagarto. Acima, o ato de compra feito em novembro. Abaixo, o de aquisição pelo governo do PT, após a desapropriação.

Terça-feira, 29.04.08 - Ano II - Edição Número 255

NÚMEROS SÃO NÚMEROS
As muitas tragédias acumuladas em 15 meses de administração solapam o projeto de poder urdido pelo governador Marcelo Déda. O imaginado “passeio” tem-se transformado num tormento diário. Inúmeros erros, arrogância desmedida, perseguição desproporcional e incompetência generalizada geram a ira no distinto público. Mudanças de altos comissários são cogitadas e estariam em costura, aproveitando a desincompatibilização de quem pretende disputar cargos de prefeito e vereador. Talvez seja a grande chance de Marcelo Déda contratar currículos capazes de por o governo para funcionar de verdade. Comentar sobre males já corriqueiros, da finalmente admitida epidemia de dengue à calamitosa insegurança pública, levaria o cronista a repetir-se, porquanto são temas discutidos à exaustão. A bola da vez é a fachada de “profissional qualificado e eficiente” pintada com sete robustas camadas no secretário Nilson Lima. A Fazenda estadual serve de excelente parâmetro para aferir qualidades. O discurso de campanha, cujo mote era mudar para dar à máquina feição modernosa, degringolou com o insosso incremento da arrecadação do ICMS. Nilson Lima mostrou-se incapaz de avançar em vários setores menos tortuosos, como a relação com os servidores. Mas é justamente com os mecanismos de cobrança onde tem o pior desempenho. A arrecadação de ICMS em 2005 foi de R$ 885 milhões*. Em 2006, o ex-governo fechou a gestão com 23% a mais em caixa: R$ 1,092 bilhão. Já sob o comando de Nilson Lima, a arrecadação minguou. Sem descontar a inflação, avançou apenas 9,6%: R$ 1,196 bilhão (2007). Números tão desabonadores no ICMS são alguns dos muitos a envergonhar o governo do PT. Há outros, como o de mortes pela violência, pela imundície dos hospitais e por falta de prevenção à dengue. Há ainda o número de dias e dias sem professores em sala de aula, sem sementes para plantar e sem alguém para reclamar, pois o governador estava ausente, viajando. Números, números... Se Marcelo Déda não acordar para a triste realidade e honrar a promessa de mudança, a soma dos votos necessários para reeleger o candidato dele à Prefeitura de Aracaju agora em novembro, e a ele próprio em 2010, pode lhe trazer resultados bastante desagradáveis. Nunca é demais prevenir-se!
  • (*) Fonte: Relatório Resumido da Execução Orçamentária/Sefaz.

Sexta-feira, 25.04.08 - Ano II - Edição Número 254

ATRIBULADO
Peço desculpas pelo espaçamento na publicação de novas edições deste ABRA-O-OLHO. Tarefas que me tomam todo o tempo têm me impedido de manter este prazeroso diálogo com o distinto público. Prometo uma maior dedicação daqui para frente.
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PROCESSO
São 15h19 desta quinta-feira, 24. Acabo de ser informado de uma queixa-crime impetrada contra mim na 1ª Vara pelo deputado-secretário estadual de Saúde, Rogério Carvalho. O processo está a cargo do juiz João Hora Neto. Tão logo meu advogado tome ciência da ação, informarei ao público leitor o teor das acusações feitas pelo probo gestor público a este escriba.
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CINISMOS E PATETICES
A dengue é o assunto da vez. Por agora, contudo, atenho-me ao escrito domingueiro do jornalista editor-chefe do Jornal da Cidade, Marcos Cardoso, na edição de 20/04. O tema, mesmo com atraso, interessa pela manipulação da realidade em favor de um partido. O jornalismo paraestatal de Sergipe é mestre na produção de pérolas raras. Mas levará um tempo enorme para outro áulico superar a voluntariosa parcialidade de “As Contradições do Sintese”. Na crônica, Marcos Cardoso exibe sem pudores como o esquerdismo barato pode se transfigurar em esquerdismo ignorante, apenas para desviar a atenção do distinto público do caos reinante em várias secretarias do governo das prometidas mudanças. Marcos Cardoso acha engraçado não ter havido uma greve sequer nos dois anos de gestão de Lindberg Lucena, último secretário de Educação do ex-governo. Enquanto que no governo do PT, os braços sindicais do partido – no caso, o Sintese – exacerbam “no modo como confrontam o governador”. Marcos Cardoso acha que o “sindicato tem todo direito, e o dever até, de buscar melhorar a situação salarial dos filiados, apesar do reajuste solicitado ser discutível”. Mas se arrepia da cabeça aos pés – e pensa até em correr léguas – quando recorda de um texto “desconexo”, publicado pelo Sintese, no qual o sindicato exorta o governador a “não calar a boca dos sindicalistas”. Na “opinião” de Marcos Cardoso, “Nem Venâncio Fonseca, nem Augusto Bezerra, os mais destacados deputados da oposição, acreditariam nisso”. Que o governador estaria – imaginem! – “tentando cercear o sagrado direito dos professores à livre expressão do pensamento”. O jornalista-editor certamente prefere esquecer, mas quando discursava na Assembléia Legislativa, durante a posse de Márcio Macedo (22/02), reeleito presidente do PT, o governador deu um puxão de orelhas nos sindicalistas presentes ao evento. No trecho mais feérico da eloqüente falação, Marcelo Déda, “olhando nos olhos” dos companheiros, queixou-se das traíras “que levam à imprensa” fatos que desabonam o governo: “É preciso conversar antes, senão sangra. E cada gota do nosso sangue fortalece os vampiros que querem nos derrotar. Não podemos dar munição aos inimigos que buscam retomar o poder. Ninguém venceu na História desconhecendo a que bloco pertence, tratando companheiro como se fosse inimigo”. O pito do “chefe”, o “número 01”, era dirigido especificamente aos falastrões paredistas dos sindicatos da Saúde, SSP e os “que têm como estrela-guia a deputada licenciada e secretária (do Combate à Pobreza) Ana Lúcia Menezes”. Aqueles “que exageram na reivindicação”, conforme são definidos por Marcos Cardoso os integrantes do Sintese. O objetivo do jornalismo paraestatal é desinformar, numa ação deliberada de militância político-jornalística, para prover o público leitor da visão que interessa à propaganda ideológica do “projeto de mudança” – na verdade, um projeto de poder – ungido pelo governo petista. Neste tocante, Marcos Cardoso tem se mostrado um escudeiro imbatível!

Um Pouco de História

  • Sergipe foi pioneiro no Brasil na implantação da avaliação do desempenho dos professores da rede pública estadual. Quem tinha os melhores resultados recebia como prêmio um 14º e até um 15º salário anual. Ao final da ex-gestão, mais de 60% dos docentes tinham sido premiados. O governador Marcelo Déda suspendeu o sistema de avaliação e, por conseguinte, a premiação.
  • O rendimento salarial médio dos professores do Ensino Fundamental, com jornada de 40 horas, ficou em 3º lugar no Brasil, conforme estudo do Ministério da Educação (2006). Sergipe estava atrás apenas do Distrito Federal e Rio de Janeiro, sendo que neste último os salários eram praticamente iguais aos que eram pagos pelo governo sergipano.
  • Mais de 70% dos professores receberam computadores pessoais gratuitamente, custeados pelo ex-governo. A previsão era que em 2007 100% deles tivessem um PC em casa com acesso à Internet. Mas o governador Marcelo Déda suspendeu o programa.
Talvez esses “pequenos mimos” justifiquem a relação nada hilária, mas pelo contrário, respeitosa, do ex-governo com os professores. O que evitou as greves que agora atormentam a vida da estudantada e deixa os pais tensos com o futuro dos filhos. Falta ao governo da mudança cumprir as promessas que fez durante a campanha e depois de haver assumido o poder. Talvez assim, os sindicalistas façam o que Marcos Cardoso sugere nas entrelinhas do brejeiro artigo: adiram incondicionalmente ao patrão... PS – Alguém do Jornal da Cidade precisa urgentemente apresentar ao colega editor-chefe a matéria de página inteira publicada na B-2 da edição de domingo (20/04), sob o título: “Os professores bóias-frias da rede estadual. Com uma marmita na sacola, educadores que lecionam no interior sergipano pagam para trabalhar”. Lá são apresentados vários bons argumentos para o nobre jornalista estancar os frouxos risos quando recordar que entre 2005 e 2006 não houve greves de docentes da rede estadual.

Sexta-feira, 17.04.08 - Ano II - Edição Número 253

ERRATA
Contrariamente ao informado em O POVO MERECE, (segunda-feira, 14.04/edição 251) o governo chegou atrasado para salvar a vida de duas mulheres em Monte Alegre e não em Moita Bonita, como informado. Pedimos desculpas por qualquer transtorno causado.
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QUEM MATA É A MÁ GESTÃO PÚBLICA
O Ministério da Saúde (MS) alertou os governos e as prefeituras em outubro do ano passado para a epidemia de dengue que ocorria em várias áreas da América do Sul, com possibilidade de chegar ao Brasil. Num documento reservado, o MS dizia: “...epidemias de dengue são registradas anualmente... sendo eventos previsíveis, nada mais lógico que organizar a rede de serviços de saúde com antecedência e o planejamento que o problema exige. A elaboração de planos de contingência antes do início das epidemias, certamente contribuirá de maneira decisiva para a redução da letalidade”. Parece uma recomendação lógica. Mas nem o governo das prometidas mudanças, a administração comunista da capital e os prefeitos do interior deram ao comunicado a importância devida. Resultado: 2.726 casos de dengue já foram confirmados no estado – oficialmente, porque nem todos os casos foram efetivamente notificados à Secretaria Estadual de Saúde (SES). O número de municípios em situação de epidemia também subiu e agora são 20. Vinte e seis pessoas têm dengue hemorrágica, sete morreram e outras oito mortes estão sob investigação. A incidência de casos é de 293 para cada 10 mil habitantes. Oito a menos que o número estabelecido para considerar a situação epidêmica, conforme noticiou ontem a TV Sergipe (SETV Segunda Edição). Diante do caos, o sistema de saúde entrou em colapso. No Hospital João Alves Filho, agora rebatizado pelo governo Marcelo Déda de Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), as fila são intermináveis. As crianças sofrem mais, pois os pediatras não conseguem dar conta do exorbitante número de infectados, que só cresce a cada dia. A repressão dentro do Huse também tem sido terrível. Funcionários e usuários estão proibidos de falar com a imprensa. Ontem, a TV Sergipe denunciou que algumas pessoas tentaram sair do setor de atendimento para desabafar com a reportagem sobre as péssimas condições do atendimento e foram impedidas pela segurança do hospital. As ameaças foram claras: quem sair para falar com os jornalistas, não entra mais. A irresponsabilidade de Rogério Carvalho pode ser definida como criminosa. Ao invés de organizar o sistema público, preparando o estado para evitar a dengue e cobrando dos prefeitos e da própria Vigilância Epidemiológica da SES ações efetivas de prevenção, o deputado-secretário de Saúde derrubava paredes e substituía privadas no Hospital Infantil, anexo ao Huse. Mesmo com a estrutura física totalmente concluída, faltando apenas receber os equipamentos médicos para funcionar, o que poderia ter sido feito até abril do ano passado, o Hospital Infantil ficou parado por quase seis meses e depois foi praticamente destruído. Vitimado por um misto de insensatez e esperteza de Rogério Carvalho, que gastou na “reforma” mais de R$ 1 milhão, o prédio recém-construído hoje está desfigurado. Se já estivesse em operação, o Hospital Infantil poderia ter evitado o sofrimento de tantas crianças e o desespero das mães, que os asseclas de Rogério Carvalho tentaram ontem calar. Mas nada faz conter o clamor de quem quer “apenas” atendimento digno para os filhos. Esta lição, Rogério Carvalho parece não ter aprendido na Faculdade de Medicina. Para não ficar apenas na crítica, talvez seja hora de ouvir o bom sendo. Ontem, o deputado Augusto Bezerra sugeriu que durante a crise os postos de saúde da Prefeitura de Aracaju funcionem nas 24 horas do dia. Assim, quem apenas necessita de hidratação, não precisaria ir ao João Alves Filho. Outra ação sugerida pelo deputado é transportar a máquina do fumacê por todo o Estado. Sem dúvida, diante da incapacidade do governo que prometeu o melhor dos mundos e não consegue conduzir minimamente a epidemia de dengue, pode-se concluir: quem mata não é o vetor (aedes aegypti) nem a doença, mas a má gestão pública.
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ESPERANDO
Por http://www.pensandoassim.com Cada dia que passa, os aliados do governo descobrem que a administração atual não é tão da “mudança” assim. Tomou gosto pelas pontes, permanece com os jetons nos conselhos estaduais, não aumentou o salário do funcionalismo como era esperado. Agora, segundo o Jornal da Cidade, há também uma denúncia do Sintese de que empresas condenadas pelo TCU nove anos atrás ainda fornecem merenda à Secretaria de Educação. Se a população for tão paciente quanto o presidente do sindicato, o governador não terá problemas: “Eu ainda tenho esperança”, diz Joel Almeida.

Terça-feira, 15.04.08 - Ano II - Edição Número 252

PT APOSTA EM ELEIÇÃO SEM JAF
A alta cúpula do PT em Sergipe acredita piamente que as reviravoltas ocorridas nos últimos meses com João Alves Filho o farão desistir da candidatura a prefeito de Aracaju. Quando estava no governo, o Negão foi vítima de ações do governo do presidente Lula da Silva, planejadas, discutidas e executadas com o aval e a participação direta do então prefeito Marcelo Déda e aliados, para impedir a reeleição dele. O plano teve êxito! O ex-governador aponta sua liderança em defesa do Rio São Francisco, além do desejo pessoal de Marcelo Déda de chegar ao poder por qualquer meio, como motivo para a perseguição orquestrada contra ele, usando a máquina federal e o suporte da imprensa paraestatal de dentro e de fora do estado. O fato de agora a cúpula do PT sergipano já ter como certa a indisposição eleitoral de João Alves Filho teria “razões sólidas”:
  • Tão logo o Negão finalizou o governo em 2006, o presidente Lula da Silva e o governador Marcelo Déda “agendaram-lhe” tarefas para afastá-lo das atividades políticas e principalmente da luta contra a transposição – a prisão do filho foi a mais violenta delas.
  • Assim que assumiu, Marcelo Déda orientou o secretariado a levantar dados para constranger o ex-governador ao passar à opinião pública, através da mídia paraestatal, a imagem de que ele foi irresponsável em algumas áreas e desonesto em outras.
  • O dossiê também serviu para solicitar ao Tribunal de Contas do Estado, de forma sorrateira, a revisão das contas da administração do Negão, mesmo já estando previamente aprovadas as de 2003, 2004 e 2005 – o ex-governador estaria, assim, impedido por lei de candidatar-se a cargos eletivos, zerando a concorrência do candidato escolhido por Marcelo Déda.
  • Dentro das atividades de desmoralização, usando o velho truque de socializar os prejuízos e faturar sozinho os benefícios, o governo das prometidas mudanças culpou o Negão sempre que falhou, atrasou ou simplesmente foi incompetente – da caça a Pipita à epidemia de dengue, tudo sobrou para João Alves Filho.
  • Com as atenções voltadas para cuidar da esposa adoentada, o ex-governador teria, assim, abdicado de todo o resto, inclusive a vida pública, para se dedicar exclusivamente ao pleno restabelecimento da saúde da senadora Maria do Carmo Alves.
O rosário descrito acima contém apenas alguns poucos lances dos desestímulos impostos a João Alves Filho. Na ótica da cúpula petista, eles já seriam bastante suficientes para até o mais abnegado e ambicioso dos homens “vestir o pijama”. Embalado por esta visão e descrente da hipótese do Negão concorrer a Prefeitura de Aracaju, o PT decidiu por unanimidade indicar o nome de Sílvio Santos para vice do prefeito Edvaldo Nogueira. O moço já teria se desincompatibilizado do cargo de presidente da Emsurb para dedicar-se de imediato ao pleito. João Alves Filho, entretanto, não parece disposto a ceder tão facilmente. O deputado Mendonça Prado, espécie de porta voz da família, voltou na sexta-feira a defender a candidatura do sogro. “João seria imbatível na disputa com Edvaldo Nogueira. A senadora Maria do Carmo está se recuperando e em breve voltará ao Senado". No tocante à transposição, amanhã o ex-governador estará na Argentina, a convite da Universidade de Buenos Aires (UBA), proferindo palestra sobre os riscos do projeto e apresentando soluções alternativas bem mais baratas e que não agridem o rio. Portanto, se depender de fôlego, da disposição e capacidade de manter-se de pé ante tantas adversidades, o PT de Sergipe e de Brasília que se prepare: o Negão ainda não pendurou as chuteiras!