Quarta-feira, 19.03.2008 - Ano II - Edição Número 239

DE PALANQUE EM PALANQUE
Eleitores desavisados sobre as imensas virtudes político-administrativas do único candidato em campanha à prefeitura de Aracaju, o prefeito-candidato Edvaldo Nogueira, podem compreender melhor todas elas indo aos showmícios realizados pela administração comunista da Capital. Opções não faltam...
De palanque em palanque, todos armados com dinheiro público do município de Aracaju e do governo sergipano para garantir diversão gratuita ao povo, especialmente à juventude secundarista e universitária, “Edvaldo Nogueira navega tranqüilo, sem concorrência, sem nenhuma oposição”, conforme apontou a colega jornalista Grace Melo em seus escritos (http://cajueirosepapagaios.zip.net/).
Um detalhe importante: Foguinho desfila absoluto como se não houvesse regras a definir o calendário pré-votação. Lei Eleitoral para o PCdoB não tem qualquer validade ou significado moral. E ninguém, nem no Ministério Público ou na oposição, diz nada!
Nos eventos pagos pelo Erário, Edvaldo Nogueira conversa com a audiência tentando discursar no mesmo estilo do mentor dele, o governador Marcelo Déda, que se especializou no ofício de "vender o peixe" assistindo por incontáveis madrugadas às pregações dos pastores da Igreja Universal pela TV. Do gestual ao vocabulário, tudo neles se assemelha.
Por ocasião dos 153 anos de Aracaju, comemorados na praça de eventos da orla anteontem à noite, com showmício de Marco Villane, Paralamas do Sucesso e Exalta Samba, Foguinho estava ao lado de deputados, vereadores e do virtual candidato a vice-prefeito Sílvio Santos Vem Aí.
Na falação, Edvaldo Nogueira “apresentou” a tropa de choque que o acompanhava no palco. Solícito e de couro já curtido, ele falou tempo suficiente para evitar vaias! Caiu fora rapidinho.
Começado o show, a festa continuou sob uma leve garoa, dissipada com as rajadas de um vento frio e muito aprazível. Coisas da política...
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Veja foto do momento do discurso de Edvaldo Nogueira durante o aniversário de Aracaju: campanha antecipada, um flagrante desrespeito à legislação eleitoral.

Clique na foto para ampliar.

Quinta-feira, 13.03.2008 - Ano II - Edição Número 238

ELOÍSA GALDINO, A GAROTA DA CAPA
Em 20.01, contando com a cumplicidade cafajeste e ao mesmo tempo covarde do Correio de Sergipe, a secretária estadual de Comunicação, Eloísa Galdino, fez um "balanço" das ações da Secom em 2007. O destaque do material, contudo, estava na crítica veemente aos gestores que a precederam.
Na manchete do caderno com a dita "entrevista", um ano e 20 dias após sua posse, madame Galdino ainda repisava o discurso de quando sentou pela primeira vez na cadeira de secretária: "Secom desperdiçava dinheiro público". Era o desabafo de quem, supostamente, teria arrumado a casa depois de quatro anos de malfeitorias e estripulias.
Mas para desgosto de Madame Galdino, o mito da Secom acima da moral e quiçá dos bons costumes bate com a cara na parede quando se comprova a relação promíscua entre o governo a que ela serve sem cerimônias, o partido governista e os fornecedores do Estado.
Não há mínima dúvida que Eloísa Galdino gasta com sobejada eficiência o dinheiro público. Mas apenas em proveito de quem a emprega e dela própria.
Um exemplo bastante eloqüente é a estranha concentração de toda a milionária mídia do governo das falsas mudanças numa única produtora de vídeo. Exatamente a empresa que deu a Marcelo Déda, quase de graça, toda a produção de rádio, televisão e vídeo da campanha eleitoral na qual ele se elegeu governador (vide edições anteriores).
Porém, é na promoção pessoal que Eloísa Galdino torra com maior competência e sem qualquer desperdício o dinheiro do contribuinte. Neste quesito, ela tem superado até os mais esnobes companheiros. No ano passado, Madame Galdino apareceu em entrevistas e reportagens de várias publicações amigas. Em todas, por mera coincidência, claro, lá estavam também os anúncios do governo das estranhas mudanças.
O ápice da exposição pública, paga com as receitas recolhidas do pobre povo sergipano, ocorreu no mês de dezembro, quando foi lançado o primeiro e ao que parece único número da revista Ícone. Eloísa Galdino foi a "garota da capa"!
Em pose de debutante, ela exibiu com charme e elegância toda a beleza que lhe é peculiar. Mas virando a página, o leitor logo se aperceberia de que algo está errado. Um vistoso anúncio da Secretaria de Turismo denunciava o funesto compadrio...
Seguindo adiante, após algumas páginas, chega-se ao ensaio fotográfico e ao bate-papo descontraído com a secretária de Comunicação.
Explicando que madame Galdino não esperava ser convidada para estrelar a primeira edição - "sua expressão de espanto e surpresa quando fizemos o convite foi transparente" - e ter ela referências suficientes para rechear a matéria, a revista Ícone confessa: "Não foi por acaso e nem se trata de estratégia política ou de marketing ter convidado Eloísa Galdino para estrear como ícone desta edição".
Se não foi pelos motivos exposto, então deve ter sido pelo dinheiro mesmo! Nesse ponto, a publicação foi bastante sincera.
Como também foi extremamente verdadeira a própria homenageada. Falando dos conceitos dela sobre poder e consumo, madame Galdino desnudou-se por inteira:
  • É preciso ter medo do poder para saber lidar com suas benesses, mas fazendo uso dele para fazer justiça social e democratização das oportunidades.

Sem dúvida, concentrar a mídia da Secom sem licitação na produtora que fez a campanha do chefe é socialmente justo e fomenta democraticamente as oportunidades.

  • "Às vezes, concordo com o 'tudo que eu faço é imoral, é ilegal ou engorda'.

Ainda não atribuíram a madame Galdino o pecado da gula...

Assim, pode-se concluir, a gestão da secretária Eloísa Galdino na Secom tem operado mudanças significativas no modo de lidar com o dinheiro público num setor tão cheio de melindres. Uma das mais importantes dessas mudanças é atender livre de remorsos ou desídia os interesses políticos do PT.
A outra, não menos significativa, é mostrar-se a si mesma como garota-propaganda da Comunicação governamental, usando a plataforma de desfile de jornais, revistas e programas de rádio e TV dos seus apaniguados, regiamente pagos com verbas do Erário, para exibir publicamente as muitas virtudes que ela julga ter.
Sem qualquer traço de ceticismo, uma missão bastante honrosa!
Veja a foto de capa e uma outra muito interessante do ensaio fotográfico de Eloísa Galdino para a Ícone. Veja ainda o anúncio da Setur publicado na contracapa e página 03 da revista. Tire você mesmo suas conclusões!

Clique nas imagens para ampliar!

A "garota da capa".

No penduricalho da roupa, réplicas de dinheiro (detalhe): Freud explica!

Anúncio da Setur: a contrapartida?

Quarta-feira, 12.03.2008 - Ano II - Edição Número 237

ERRAR É HUMANO
Nunca espere de um petista admissão de culpa. Petista não tem culpa! Quando algo dá errado, a culpa não é de ninguém. E principalmente, não é de quem comanda. A lógica para formular tão cínica assertiva é fruto da mudança sofrida pelo PT ao deixar o limbo da oposição e ascender ao governo estadual. Até os capangas do Partido dos Trabalhadores infiltrados nas redações de jornais, rádios e TVs aderiram ao mote. Quando o governador não era Marcelo Déda, um flato do ex-mandatário, ainda que inodoro, gerava um furacão de indignação. Notas, artigos comentados e reportagens sobre a escandalosa flatulência enchiam páginas em impressos e ocupavam generosos espaços nos meios eletrônicos. Neste tempo de estranhas mudanças, Marcelo Déda pode, por exemplo, concentrar toda a mídia do governo numa única produtora de vídeo, exatamente a que lhe deu quase de graça toda a mídia da campanha eleitoral, e absolutamente ninguém ao menos se perguntar: “Como assim?”. Noutras palavras: não há nada de errado! Aliás, a maior novidade no governo das falsas mudanças é exatamente esta. Nunca errar! Vejamos o caso da apuração realizada pela Educação quanto às denúncias do Sintese de superfaturamento na compra de alimentos e o pagamento de mercadorias não recebidas. Da merenda escolar! No relatório da tal sindicância, informa-se “não ter havido prejuízo para os cofres públicos” e que os três funcionários responsáveis pelos “possíveis erros” foram afastados. Estamos falando da bagatela de R$ 1,8 milhão em compras com preços muito acima dos praticados pelo mercado. Mas, percebam a sutileza: houve somente alguns “possíveis erros”. Culpados? Ora, por favor! A sindicância concluiu não ter havido dolo ou má fé que caracterize corrupção, apenas “negligência ou erros de gerenciamento”. Ou seja, um petista é inocente mesmo quando é evidentemente culpado. Conclusão lógica: errar é humano! É tão humano que o petismo incorporou ao governo das fajutas mudanças até a socialização das malfeitorias. Se os adversários pintaram e bordaram quando estavam no poder, eles também podem fazer o mesmo agora. Danados esses petistas. Como se constata, no governo das espertas mudanças, tudo, absolutamente tudo é possível*...
  • (*) Detalhe sórdido: com o régia e fartamente pago silêncio da cafajestada da imprensa, o que inclui boa parte dos patrões e empregados.

Segunda-feira, 10.03.2008 - Ano II - Edição Número 236

GENEROSAMENTE RECÍPROCOS
Na edição passada (05.03/235) foram publicados alguns questionamentos na busca de entender a estranha concentração numa única empresa de toda a produção de RTV realizada pelo governo do PT. Foi dito que talvez fosse obra do acaso o fato de a WG Produções – exatamente a empresa que trabalha para Marcelo Déda desde a primeira campanha dele à Prefeitura de Aracaju – ser a preferida do governador das falsas mudanças.
Por cinco dias, foram esperadas as respostas da Secretaria Estadual de Comunicação a duas perguntas muito específicas:
  • Por que, mesmo a contragosto, a secretária Eloísa Galdino se vê obrigada a exigir das agências “vencedoras” da fajuta licitação que usem somente a WG Produções para formatar toda a mídia da Secom? Se o objetivo era concentrar, por que não promoveu licitação exclusiva para contratar uma produtora?
  • Qual foi o real valor pago pelo PT a WG Produções pelos serviços de RTV da campanha de Marcelo Déda ao governo? Como e quando a conta foi paga? Onde estão os recibos?
Como a transparente Secom manteve-se absoluta e sorrateiramente silenciosa, este ABRA-O-OLHO resolveu dar uma olhadela na prestação de contas do então candidato ao governo Marcelo Déda, feita ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). A desconfiança quanto à generosidade recíproca entre a WG Produções e os petistas revelou-se bem maior que a esperada.
Apesar de não constar da lista de doadores do PT na campanha de 2006, quando Marcelo Déda foi eleito ainda no primeiro turno, a WG Produções praticamente deu de graça toda a produção de mídia (rádio, televisão ou vídeo). Conforme declarou o próprio Marcelo Déda ao TRE, foram pagos míseros R$ 180 mil por quase três meses de trabalho. Sem dúvida uma bagatela, vista apenas nos negócios feitos de pai para filho.
Para comprovar o quanto a WG Produções foi sumamente generosa com Marcelo Déda basta observar que ele gastou uma pequena fortuna com carros de som (R$ 389.710,00), material impresso (R$ 451.350,00) e pesquisas eleitorais (R$ 454.000,00), que somada corresponde a quase 50% do total declarado pelo PT ao TRE como gastos na campanha (R$ 2.291.693,23).
No mercado, uma campanha eleitoral do porte da realizada por Marcelo Déda e pelo PT em 2006 não sai por menos de R$ 1 milhão. E olhe lá...
Talvez esteja nessa sobejada e escandalosa generosidade da WG Produções durante a campanha eleitoral a verdadeira explicação para a empresa ser hoje (e sempre) a preferida de Marcelo Déda para formatar com exclusividade toda a milionária mídia do governo das espertas mudanças. Afinal, uma mão lava a outra!
E para comprovar o status “rainha da Inglaterra” do prefeito-candidato Edvaldo Nogueira, a prefeitura de Aracaju também “aderiu” ao exclusivismo de só produzir comerciais na WG Produções. Sem contar que a produtora está construindo “por conta própria” um novo prédio para abrigar o comitê de comunicação e a produção de RTV da campanha de reeleição de Foguinho. A posteriori, quem sabe, em caso de vitória do PCdoB o imóvel venha a servir como produtora para atender exclusivamente a conta da prefeitura.
Mas não acredite em uma única palavra do que foi dito aqui! Veja com seus próprios olhos a prestação de contas do candidato Marcelo Déda ao governo e tire suas conclusões.
Fica mais fácil entender como o governo do PT, e agora a administração do PCdoB, manipulam o dinheiro público com objetivos político-partidários. E com um detalhe: sem que absolutamente nenhuma autoridade do Ministério Público se dê ao trabalho de questionar tão pecaminosa indecência. É muita sorte!
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PARA RIR UM POUCO
Andam espalhando pela NET uma piadinha para lá de engraçada, traçando um paralelo entre as profecias de Nostradamus e o governo Lula da Silva. Vale a pena pela sacada! Veja:
Em suas Centúrias, Nostradamus escreveu com tanta exatidão que nos faz acreditar que conhecia o Lula.
Fragmentos de um texto de Nostradamus:
... e próximo do terceiro milênio, uma besta (seria o Lula?) barbuda (céus, é ele!) descerá triunfante sobre um condado do hemisfério sul (Brasil?), espalhando desgraça e a miséria (acho que se trata da reforma da previdência ou a corrupção institucionalizada ou ainda o mensalão). ...será reconhecido por não possuir seus membros superiores totalmente completos (epa, cadê o dedinho?) e trará com ele uma horda (faz sentido: Palocci, Zé Dirceu, Dulcci, Genoíno e cia ltda.) que dominará e exterminará as aves bicudas (já estou ficando assustado: PSDB = tucanos, ave bicuda!) e implantará a barbárie por muitas datas (REELEIÇÃO? Não!) sobre um povo tolo e leviano (p.q.p., é nóiiiiiiis!)...

Quarta-feira, 05.03.2008 - Ano II - Edição Número 235

NADA COMO TER BONS AMIGOS
Depois da fantasiosa licitação para escolher as empresas de publicidade e propaganda que realmente interessavam, a ponta de um garboso iceberg desfralda-se no mar de mazelas do governo da mudança. Trata-se da concentração numa única empresa de toda a produção de vídeo da Secretaria Estadual de Comunicação. Uma verba para lá de milionária! Deve ser apenas obra do acaso, mas a produtora de RTV preferida do governo da mudança trabalha para Marcelo Déda desde a primeira campanha dele (2000) a prefeitura de Aracaju. De lá para cá, petistas e comunistas tornaram-se clientes cativos da empresa. Com a ascensão do prefeito-candidato Edvaldo Nogueira ao cargo (2006), a WG Produções perdeu por um breve período a exclusividade. A verba para a produção passou a ser dividida, mesmo que timidamente, com outras produtoras. Depois de um tempo, ainda não se sabe por que, tudo voltou ao “normal”. Antes de Marcelo Déda, a prefeitura de Aracaju e o governo estadual usavam seis diferentes produtoras, de proprietários distintos, para gravar, editar e finalizar material de RTV. Com a chegada dele ao poder, toda a produção passou a ser concentrada apenas na menina dos olhos! A relação da WG Produções com os clientes é generosamente recíproca. Nos primeiros meses de 2007, por exemplo, um núcleo da agência Quê Comunicação, que prestava consultoria informal ao governo da mudança, funcionou dentro da produtora. “Vencedora” da licitação de faz-de-conta realizada no ano passado, a agência se instalou em Sergipe à Rua Engenheiro Jorge de Oliveira Neto, 650, Coroa do Meio. Como uma mão lava a outra, o imóvel pertence à família do sócio-proprietário da WG Produções. Só com a reforma da casa, para adaptá-la ao gosto dos parceiros, gastou-se cerca de R$ 350 mil. Neste exato momento, visando exterminar de vez a concorrência e consolidar a concentração da produção de vídeo oficial sob seu total controle, a WG Produções constrói secretamente um outro prédio nas proximidades da atual sede da empresa e negocia no exterior a compra de equipamentos de última geração. A idéia é ter dois pólos de produção altamente modernos competindo entre si. Um atenderia ao governo da mudança; o outro seria usado para produzir a campanha de Foguinho à reeleição. A posteriori, no caso da vitória dele, estaria também garantido o atendimento aparte à prefeitura de Aracaju.

Alguns rápidos questionamentos:

  • Por que Marcelo Déda e Edvaldo Nogueira fazem questão de concentrar a produção de RTV numa única empresa – exatamente a que os atende desde sempre, inclusive nas campanhas eleitorais – se há no mercado sete outras produtoras com recursos técnicos e humanos similares?
  • Por que, mesmo a contragosto, a secretária Eloísa Galdino se vê obrigada a exigir das agências “vencedoras” da fajuta licitação que usem somente a WG Produções para formatar toda a mídia da Secom? Se o objetivo era concentrar, por que não promoveu licitação exclusiva para contratar uma produtora?
  • Existe contrato de prestação de serviço entre a Secom e a WG Produções? Se há, qual é o valor médio mensal repassado à empresa? Quanto foi repassado em 2007?
  • Qual foi o real valor pago pelo PT a WG Produções pelos serviços de RTV da campanha de Marcelo Déda ao governo? Como e quando a conta foi paga? Onde estão os recibos?
  • A WG Produções realiza algum outro tipo de serviço para o PT ou para o governo da mudança? Se existe, qual é e quanto custa? Há contrato formalizando o atendimento?
  • Que motivos contribuíram para o secretário de Comunicação da PMA, jornalista Carlos Cauê, desistir de usar outras produtoras locais e contratar a WG Produções com exclusividade para realizar 45 filmes sobre a administração comunista da Capital?
  • Poderia Carlos Cauê adiantar onde o PCdoB pretende instalar o comitê de comunicação e a produção de mídia da campanha de reeleição do prefeito-candidato Edvaldo Nogueira? Quanto pretende investir na empreitada? Quem vai financiar?

É esperar para ver se alguém da transparente Secom do governo da mudança e da prestimosa Secom da PMA se dignará a aplacar tantas e tamanhas dúvidas!

Terça-feira, 04.03.2008 - Ano II - Edição Número 234

CRITICAR É PRECISO
Quanto às queixas de alguns leitores, relativas ao comentário de ontem sobre o viaduto Déda. A obra está pronta e serve à cidade. Isso basta! Porém, vale lembrar, quando o PT era oposição, as realizações dos governistas de então eram duramente criticadas. Algumas, como a ponte João Alves, foram transformadas em monstros inúteis. É justo, portanto, que os governistas de agora sintam o gostinho do próprio veneno. Da crítica sumária pela crítica. E só! Se para trafegar pelo viaduto Déda, motoristas de carreta precisam ser habilitados nos laboratórios da Nasa, a chacota serve apenas para irritar os autores e construtores da obra. E só! E ainda: para chegar ao destino usando uma das alças do viaduto bem cedo de manhã, é preciso um enorme exercício de paciência. Basta tentar pegar a Hermes Fontes, vindo do sentido Avenida Augusto Franco. O conta-gotas provocado pelo acesso estreito faz muita gente desistir de usar o viaduto e seguir em frente. Como se vê, problemas existem. Quanto às críticas, trata-se do nobre e salutar exercício da democracia; da alternância de poder: quem hoje é governo, amanhã pode voltar ao limbo da oposição; e do livre direito de opinar sobre absolutamente tudo! Tudo... É a vida!
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OS PSICOTRÓPICOS DO PT
A depender do comportamento do Ministério Público e da Justiça, a operação conjunta da Polícia Federal e Agência Nacional de Vigilância Sanitária no Hospital João Alves, visando combater o tráfico e consumo indevido de psicotrópicos, pode enodar a já deslustrada imagem pública do governo da mudança. Existe a suspeita do envolvimento de servidores do hospital no caso que culminou com a prisão de um médico de fora de Sergipe, acusado de usar pacientes fictícios para obter ilegalmente remédios controlados. Até este ponto, em tese, não haveria comprometimento da direção do João Alves. Porém, na formatação da defesa prévia, a Secretaria de Saúde deixou vazar que não tinha controle sobre o estoque de medicamentos por conta de anotações desencontradas no livro do almoxarifado do agora rebatizado Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), motivo que teria facilitado o acesso fácil da quadrilha aos psicotrópicos. Esta seria a única grande responsabilidade do hospital. É aqui que o bicho pega... Em novembro de 2006, após atender todas as exigências da Agetis (antiga Prodase), entrou em operação o sistema informatizado de gestão hospitalar, assistencial e financeira do João Alves. Criado pela MV Sistemas, o software permite o controle de toda a cadeia gerencial, inclusive do estoque da farmácia. O programa da MV Sistema atende mais de 400 hospitais públicos e privados do Brasil inteiro, dentre os quais se incluem nosocômios com nível de acreditação 3 – ou seja, top no setor. A pergunta é: como, depois de quase um ano e meio da implantação de uma das mais atuais e eficientes ferramentas de gestão informatizada em uso no planeta Terra, o Hospital João Alves ainda utilizava o velho e rabugento livro de anotações para manter em dia o controle do estoque dos fármacos? A resposta é simples! Quando assumiu a Secretaria de Saúde, sob a alegação de garantir que ninguém ligado ao ex-governo ou mesmo suspeito de ter alguma ligação pudesse “sabotar” as mudanças propostas pelo PT, o deputado-secretário Rogério Carvalho substituiu centenas de servidores por cabos eleitorais dele. Gente que seis meses antes segurava bandeiras de propaganda da sua candidatura à Assembléia nas esquinas das cidades sergipanas. Resultado: incapazes de manipular minimamente um software tão complexo, os novos “servidores” seguiram realizando o controle de estoque pelo moderno método – do século retrasado, claro! – da caneta e do papel. Caso o sistema fosse alimentado corretamente com as entradas e saídas, a farmácia do João Alves teria total controle sobre o quantitativo de remédios nela existentes. Pois o sistema é a prova de falhas. E no tocante aos psicotrópicos, o próprio software gera um relatório específico e aparte dos demais medicamentos, para as eventuais fiscalizações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Diante dos fatos, a direção da Secretaria de Saúde e do João Alves tem sim senhor(a) culpa no cartório, pois calou ante o aparelhamento irresponsável do hospital, para uso exclusivamente político de Rogério Carvalho. A incompetência dos apaniguados do deputado-secretário facilitou a ação dos bandidos, assim como contribuiu para as mortes de mais de 60 crianças na maternidade Hildete Falcão e de dois adultos na UTI do próprio João Alves por conta da imundície em meados do ano passado. O governador Marcelo Déda também tem sua parcela de comprometimento por aceitar passivamente a contratação de pessoal com pouca ou nenhuma qualificação técnica e por não cobrar dos assessores o treinamento adequado e rigoroso para quem vai assumir funções vitais à máquina. Só podia dar no que deu! O melhor exemplo da politicagem desmedida e sem critério do médico Rogério Carvalho está na chefia do departamento de higienização do Hospital João Alves, aquela de quem deve ser cobrada a limpeza da casa de saúde. Responde pelo setor um nutricionista sem qualquer experiência anterior numa área tão sensível e que tem na ficha funcional a perda de duas férias por conta do excessivo número de faltas ao trabalho. Da mesma forma, para dirigir a farmácia do Huse, mesmo havendo 14 farmacêuticos no quadro do hospital, Rogério Carvalho optou por importar inteligência. Contratou um profissional de outro estado cujo único predicado “superior” aos farmacêuticos de Sergipe é ter brilhando na testa a estrela vermelha do PT e privar da amizade dele. Mas quem pode, pode! Quem não pode...

Segunda-feira, 03.03.2008 - Ano II - Edição Número 233

LULA, CABO ELEITORAL DE JOÃO

Na viagem de quinta-feira ao Nordeste, segundo Cláudio Humberto (Correio de Sergipe, 01.03), o presidente Lula da Silva celebrou no Air Force 51 as quatro vitórias consecutivas do Corinthians. A notícia talvez explique a contagiante “empolgação” do Grande Molusco na inauguração do viaduto Déda. Como se sabe, nas alturas cada dose equivale a três em terra firme.
Naquela noite inesquecível, quando chovia horrores em Aracaju, Lula da Silva fez dos sergipanos, mais uma vez, testemunhas passivas de como age em estado alterado de consciência. A mais alta autoridade do País permitiu-se soltar a língua.
Depois de saber do desempenho de João Alves Filho nas pesquisas de opinião para a prefeitura aracajuana, o Grande Molusco não se conteve: “Ele (JAF) trava os dentes e morde a língua quando Marcelo Déda faz algo certo, torcendo para dar errado e você (Déda) quebrar e cara para dizer que só ele sabe governar”.
Pobre prefeito-candidato Edvaldo Nogueira. Na noite mais feliz da sua vida, quando após ano e meio de labuta inaugurava uma obra 80% conduzida por ele, foi relegado a capacho dos petistas. Era Marcelo Déda quem levava os louros pelo viaduto Déda...
O presidente, mesmo incontido pela “marvada”, teve um bom motivo para atacar o ex-governador. Perder a prefeitura de Aracaju neste instante político sepultaria os planos dele de transformar Sergipe em feudo do PT.
Contudo, dar “palanque” à cobra-criada, falando um tom acima do permitido pelo bom senso, é um tiro no próprio pé. Cada mera citação do Negão pelos governistas, seja apenas para criticá-lo, converte-se em espaço gratuito para ele na mídia!
Quem diria: Lula da Silva, cabo eleitoral de João Alves Filho...
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CARRETA EMPACA NO VIADUTO DÉDA

O viaduto Déda, assim batizado em homenagem ao avô do governador Marcelo Déda, seria na opinião da oposição mais uma das inúmeras manifestações de querência à similitude demonstrada pelo governo da mudança para equivaler-se em realizações ao ex-governo.
Uma ponta de verdade existe. As duras críticas à ponte Aracaju/Barra por causa do nome do pai do ex-governador, levando o povo a recordar eternamente do nome do próprio, tiveram sua “compensação”: a maior obra concebida pela administração Marcelo Déda na prefeitura é exatamente o viaduto Déda.
Agora, apesar de plenamente concluído, o Viaduto Déda não pára de gerar atrito entre oposição e governo. O pessoal “do contra” dizia horrores da obra. Que ônibus, caminhão e carreta ficariam entalados ao tentar passar. Os governistas desdenhavam da chacota.
Mas não é que o imponderável aconteceu!
Tão logo foi aberto ao tráfego, nas primeiras horas da sexta-feira, o viaduto Déda teve sua primeira prova de fogo. Desacostumados com os novos sentidos viários, os motoristas criaram grande confusão. Resultado: uma carreta não completou a volta num dos retornos e acabou destruindo parte da guia e da grama recém-plantada no canteiro.
As fotos da carreta atolada no gramado, para regozijo dos opositores de Marcelo Déda e Edvaldo Nogueira, foram publicadas nas edições de sábado do Jornal da Cidade e Correio de Sergipe e podem ser vistas aqui.
É torcer para ter sido apenas um mero incidente!

(Clique na foto para ampliar / Fotos de Fernando Silva/CS)

Sexta-feira, 29.02.2008 - Ano II - Edição Número 232

A EUGENIA DE ROGÉRIO CARVALHO
O inesquecível milagre do hospital perfeito, que literalmente limpou os sobrecarregados corredores do João Alves, volta à discussão depois de o deputado-secretário estadual de Saúde Rogério Carvalho se vangloriar no rádio (Rede Ilha, 27.02) de ter acabado com o "Corredor da Morte". O fiel escudeiro do governador Marcelo Déda não teve coragem de dizer. No entanto, para substituir o macabro "Corredor da Morte", ele implantou um sistema muito interessante, apelidado pelos servidores do agora rebatizado Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) de "Altas da Morte". O sistema é simples e tem a mesma eficiência da política de eugenia implantada pelos nazistas durante a II Guerra Mundial, para exterminar o maior número possível de "imprestáveis". No caso do Hospital João Alves, a política do médico Rogério Carvalho é negar atendimento aos pobres que não passam pela "triagem" ou mandar para casa pacientes não totalmente curados.
Resultado: aos olhos dos desavisados, o governo do PT cumpre com maestria a promessa de mudar a saúde pública. Porém, construída sobre pés de barro, tal mudança não resiste a um mínimo sopro da verdade. O povo que o diga - e tem dito no rádio e na TV! Pior ainda é assistir ao silêncio-cúmplice do Conselho Regional de Medicina, do Ministério Público e até dos médicos do João Alves diante dos óbitos decorrentes da eugenia rogeriana. Em qualquer outra parte do universo onde as leis funcionassem, Rogério Carvalho e seus asseclas vestidos pomposamente de branco penariam na cadeia por quebrarem o solene juramento de salvar vidas.
Mas para certas tipos desobrigados, assim como foi para tantos outros oportunistas espalhados pela história humana, o que vale é manter a pose. Custe o que custar, morra quem morrer... . . SERÁ QUE AGORA VAI?
Deve ser louvada a coragem do promotor de Justiça Rony Almeida ao ajuizar uma ação civil pública determinando o início das atividades do Hospital Pediátrico José Machado de Souza (anexo ao Hospital João Alves), inaugurado em dezembro de 2006. O prazo para a abertura da unidade é de 60 dias.
O promotor, segundo fontes do MPE, teria ameaçado deixar a Curadoria de Saúde caso a ação não fosse imediatamente encaminhada ao Judiciário. O governo do PT descaracteriza totalmente a estrutura física da unidade hospitalar para funcionar como pronto-socorro. Rony Almeida entende que a reforma em curso, ao custo de mais de R$ 1 milhão, seria um "desvio de finalidade". Na ação, ele comenta que "dessa forma, o hospital deixa de atender crianças e adolescentes necessitados dos serviços médicos".
Já não era sem tempo! O Ministério Público tem agido com estranha passividade nos casos envolvendo o governo do PT, especialmente na área da Saúde. Num passado recente, o MP parecia mais ágil, atento, dinâmico. Hoje, como se tomado pela apatia, deixa sob o manto do esquecimento casos graves, até hoje não totalmente explicados.
Estão vivas na memória do povo, por exemplo, as mortes de mais de 60 crianças num período de três meses por conta da imundície da hoje extinta Maternidade Hildete Falcão enquanto uma maternidade de ponta era mantida fechada por puro capricho, bem como as baixas na UTI do João Alves pelo mesmíssimo motivo. Contratações irregulares, compras de mais de R$ 200 milhões sem licitação, descontrole do material de almoxarifado, pacientes dependentes de remédios controlados e altamente caros entregues à própria sorte, cirurgias interrompidas no meio dos procedimentos por falta de material... Tudo isso parece não ter despertado o interesse da briosa Curadoria de Saúde, comandada pela promotora Miriam Teresa Cardoso Machado.
A saudade daqueles tempos, quando outros governantes tinham no MP um vigilante arguto para evitar as mazelas que agora contaminam de ponta à cabeça o governo da mudança, finalmente é recompensada pela determinação do promotor Rony Almeida ao garantir que o Ministério Público vai insistir - isso mesmo, INSISTIR! - na abertura do hospital infantil e para isso aguarda somente a decisão do poder judiciário.
Resta, então, esperar pelos senhores das leis...

Quarta-feira, 27.02.2008 - Ano II - Edição Número 231

MARCELO DÉDA FICA OU SAI?
Assessores do prefeito-candidato Edvaldo Nogueira comentam com satisfação sobre a possibilidade de afastamento de Marcelo Déda do cargo de governador por dois, quem sabe até três meses, para coordenador pessoalmente a campanha de Foguinho à reeleição. Ontem, esta publicação dizia o seguinte sobre como está a administração estadual, ao comentar a situação de penúria da Segurança Pública: “É por essas e outras que o governador Marcelo Déda deveria dar um tempo nas tarefas políticas e se dedicar de verdade à gestão da máquina. Entregue ao bel-prazer de secretários como Kércio Pinto, o governo comandado pelo PT vai de mal a pior. Apenas na propaganda a coisa anda bem... Fora dela, reina o caos, a esperteza desmedida e a embromação descarada!”. Na verdade, quem conhece Marcelo Déda de perto sabe de sua ojeriza à labuta executiva, motivo pelo qual delega a assessores de confiança tarefas para ele consideradas hercúleas, como planejar, discutir, arregimentar e, acima de tudo, cobrar resultados. Tão logo assumiu, o governador da mudança se empenhou em desfazer a imagem da gestão anterior, tratando tudo o que foi feito com discursos ácidos, nos quais não faltavam acusações de toda ordem. Também esteve dedicado a projetar-se nacionalmente, aproveitando a brecha que tem na grande imprensa, quem sabe para angariar a simpatia de pretensos candidatos a presidente - sim, o governador de Sergipe sonha compor uma chapa à sucessão do Grande Molusco como candidato a vice-presidente. Não sobrou tempo para materializar as promessas feitas nos palanques durante a espetacular campanha! Na sexta-feira passada, por ocasião da posse dos novos dirigentes do PT, Marcelo Déda se auto-proclamou coordenador da campanha do comunista-prefeito de Aracaju. Era de se esperar, portanto, que viesse a se dedicar em tempo integral ao pleito. O príncipe petista sofre calafrios horríveis só de imaginar a chegada de um oposicionista à prefeitura, comenta uma fonte bem próxima dele. Especialmente alguém disposto a esmiuçar cada centímetro quadrado das duas administrações que fez. Por que será? Uma devassa de tal monta poderia revelar alguma mazela ainda entocada, talvez podendo comprometer planos futuros? Ninguém sabe... Diante de tais fatos, caso Marcelo Déda se afaste mesmo do cargo pelo tempo que desejar e venha de fato se engajar de corpo e alma na campanha, bom mesmo será para Foguinho. Pois, pelo andar da carruagem, a saída dele em nada alterará a rotina comezinha do governo do PT. Se até agora, 15 meses depois da posse, as propaladas mudanças aparecem apenas nos anúncios dos jornais, rádios e TVs, com a devida proteção dos Céus, pior não haverá de ficar! E mais: derrotar Edvaldo Nogueira sozinho ou tendo como penduricalhos Jackson Barreto, João Augusto Gama, Antônio Carlos Valadares... teria um sabor menor para o vencedor. Uma coisa é destronar um sujeito sem cabedal eleitoral como Foguinho e seus correligionários com parca ou nenhuma expressão política. Outra é tirar o docinho da boca do próprio Marcelo Déda, num terreno onde ele ciscou impávido por duas eleições, derrotando fragorosamente os adversários ainda no primeiro turno e garantindo a hegemonia política que hoje detém em todo o estado. Parte respeitável da oposição aposta na histórica resistência do eleitorado da Capital à concentração de poder para alcançar a vitória. Somente uma única vez nos últimos 23 anos elegeu-se um prefeito alinhado com o governador. Naquele longínquo 1984, Jackson Barreto recebeu de mão beijada a prefeitura de Aracaju, surfando na imensa popularidade de João Alves Filho no primeiro mandato. De lá para cá, a festa governista acabou. Seria Marcelo Déda o primeiro mandatário a quebra tal paradigma, dando um drible a la Garrincha nos adversários e consolidando de vez a centralização de toda a política do estado apenas num único grupo, após quase 30 anos de luta? A dúvida persiste. Dizia o ex-governador mineiro Magalhães Pinto: "Política é como nuvem, a todo instante muda de lugar". E eleição, não esqueça, é sempre uma caixinha de surpresas...

Terça-feira, 26.02.2008 - Ano II - Edição Número 230

ERRATA
Na edição de ontem (229), informou-se um número equivocado. A constante estabilidade do ex-governador João Alves Filho, observada nas pesquisas feitas pelo Instituto Padrão, está sempre acima dos 40% e não dos 45%, como foi incorretamente informado.
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AS QUALIDADES DE KÉRCIO PINTO
Quando era estudante na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Sergipe, no início da década de 1980, Marcelo Déda teve os primeiros contatos com o hoje delegado da Polícia Federal Kércio Pinto. À época, o atual secretário de Segurança Pública de Sergipe era “olheiro” do regime militar, tendo a responsabilidade de produzir relatórios sobre as atividades “subversivas” do alunado envolvido com a política estudantil. Berço para o fomento de idéias contrárias à ditadura e manjedoura dos militantes esquerdistas. Apesar da formação em Direito, Marcelo e Kércio seguiram rotas profissionais distintas. O destino, contudo, tratou de uni-los, desta feita como chefe e subordinado. O governador da mudança apostou alto na competência do policial. Porém, a insegurança transformou a propalada esperança de dias melhores no desalento de o passado ter sido menos doloroso – a sensação de violência é muito maior agora! Mas não é por falta de dinheiro para combater a criminalidade! No Cinform de ontem, o perito criminalista Anselmo Cardoso apresentou mais uma das recorrentes e incontáveis mazelas do governo do PT. Segundo denunciou, a SSP “jogou no lixo” quase R$ 1 milhão com gratificações indevidamente pagas a funcionários alheios à Coordenadoria Geral de Perícia. Ainda de acordo com Anselmo Cardoso, Kércio Pinto sabe das irregularidades e teria até a lista dos “assessores” beneficiados. Todos indicados pessoalmente por ele. O secretário dedo-duro de estudantes fingiu preocupação e agiu como faz no combate ao crime: não fez nada! As bem-aventuranças de Kércio Pinto para favorecer quem lhe dá suporte político na SSP vão longe. O perito ouvido pelo Cinform revelou também que funcionários do Instituto de Identificação estão à disposição da agremiação sindical Sincongerp, sem inscrição no Cadastro Nacional de Registro Sindical do Ministério do Trabalho. Colegas sufocados pela extenuante escala de serviço pediram ao secretário o retorno dos servidores às atividades fins. Para dar guarida aos seus apaniguados, ao invés de atender à solicitação, ele encaminhou um pedido parecer à Procuradoria-Geral do Estado visando garantir a permanência dos “sindicalistas” onde estão. É por essas e outras que o governador Marcelo Déda deveria dar um tempo nas tarefas políticas e se dedicar de verdade à gestão da máquina estadual. Entregue ao bel-prazer de secretários como Kércio Pinto, o governo comandado pelo PT vai de mal a pior. Apenas na propaganda a coisa anda bem... Fora dela, reina o caos, a esperteza desmedida e a embromação descarada! PS - Em sua obra prima “O Homem Sem Qualidades”, o escritor austríaco Robert Musil tratou sobre a “consciência” moderna. Dizia ele: "Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar. Ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez e só um caminho, e está sempre em desvantagem". Trata-se de uma interessante ambigüidade, que cabe como uma luva para definir este momento estranho vivido pelos sergipanos!