OPINIÃO – A SUCESSÃO EM ARACAJU EM 2020 E A NOSSA FRÁGIL OPOSIÇÃO
David Leite*
A estreia dos contendores em busca da cadeira de Edvaldo Nogueira tem componentes de fantasia e “medo”! Oposição de verdade não há para contrapor o atual prefeito de Aracaju – ao menos por ora, ainda reflexo do pleito passado. Dos nomes postos até o momento, o único profissional da política é o deputado estadual e jornalista Gilmar Carvalho, e isso não significa muita coisa, conforme se depreende dos resultados de 2018.
Nesta terça-feira, 13, Rodrigo Valadares sentiu o gosto amargo de uma campanha política e entrou em modo sofrência. O deputado estadual tem sido duro nas críticas ao alcaide aracajuano e à gestão. Edvaldo Nogueira respondeu, comparando-o ao pai, que seria, segundo ele, o oposto do filho em ternos de fineza no trato: “Não era uma pessoa capaz desses gestos de agressões, de fake news”.
Em campanha eleitoral não se deve esperar de um adversário afagos, e neste caso vale a máxima de que chumbo trocado não dói. A postura crítica de Rodrigo Valadares por vezes vai além da civilidade e atinge a pessoa do prefeito. Certamente ressabiado, Edvaldo Nogueira passou do ponto ao, por “coincidência”, atacar o contendor justamente no dia em que o pai dele morreu.
Pelas redes sociais da internet, o deputado derramou-se em lágrimas. Disse fazer oposição ao prefeito desde janeiro sem obter qualquer resposta e, “sem que nem pra que ele escolhe exatamente hoje (…) um dia muito difícil para mim, para tecer uma crítica violenta contra mim, utilizando a memória de meu pai”. E veja que Edvaldo Nogueira só elogiou o falecido deputado…
Ora bolas, a sofrência de Rodrigo Valadares na tentativa mimada de fazer-se de vítima da fúria de Edvaldo Nogueira não cabe no figurino de super-herói com o qual se traveste! O choro é livre, mas alguém precisa dizer ao deputado – e ele não é tolinho ao ponto de ignorar – que, para pontuar bem nas pesquisas, contendores têm de chamar a atenção para si e ele obteve no gesto impensado do prefeito a chance de “ser alguém” a quem o poderoso adversário resolveu contestar.
Esse é o retrato da oposição hoje: um mundo de fantasia – e de “medo”, também!
Tem-se, por exemplo, o “quinteto fantástico”, formado pelo senador-delegado ao centro e um eterno candidato a prefeito de Aracaju na extrema esquerda, ladeado por uma delegada escanteada a Brasília; na outra ponta, um empresário que sonha com a vida na política dia e noite e uma vereadora cujo agudo da voz é capaz de quebrar até garrafa de Coca-Cola.
Na configuração acima, Rodrigo Valadares ficou de fora. A turma dele seria outra. O deputado surge em um retrato ao lado dos colegas do G4, o “quarteto fantástico”, composto por três outros deputados estaduais. O grupo diz que “mete medo nos poderosos desse Estado”, algo que por ora só faz rir!
Como em política não há vácuo, tudo isso ajuda Gilmar Carvalho a sonhar com a possibilidade de ser ele o grande e único adversário capaz de derrotar Edvaldo Nogueira. Outro provável postulante que anda concedendo entrevistas de rádio, sem contudo declarar-se formalmente, é o ex-presidente da OAB/SE, Henri Clay Andrade, cujo cabedal político soma 53 mil votos em Aracaju dos quase 110 mil obtidos em 2018 como candidato ao Senado.
Em seu favor, Gilmar Carvalho conta com um poderoso aparato de comunicação, as emissoras Atalaia de rádio e TV. No entanto, até para evitar problemas com a Justiça Eleitoral, ele já foi chamado a escolher entre a carreira política ou a de apresentador jornalístico. No momento, empurra a decisão com a barriga, enquanto faz assistencialismo para pobre “se ver na TV”.
Contra si pesa o fato de não ainda possuir um partido para chamar de seu!
Por tudo isso, reafirmo: tirar a Prefeitura de Aracaju de Edvaldo Nogueira será dureza, e se ele incorporar o estilo Jair Bolsonaro de não medir o que diz, vai ser páreo inda mais pesado.
[*] É consultor em Comunicação Social.

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DE OLHO EM 2022, ROGÉRIO CARVALHO TENTA RIFAR ELIANE AQUINO

Por David Leite*
Passou batido para muita gente a falsa polêmica criada por Rogério Carvalho em torno de uma possível candidatura do PT à sucessão de Edvaldo Nogueira. Esse esticar de cordas dele – e de outros setores do partido – pode parecer um despautério em um cenário de quase conforto para o grupo da situação, todavia, ele tem um propósito estratégico definido: tirar Eliano Aquino da disputa ao governo estadual em 2022, apesar de aparentemente não haver de parte dela tal desejo.
A conta é simples: o senador sabe que o prefeito de Aracaju enfrentará muitas dificuldades para se reeleger caso o grupo esteja dividido, como ocorreu burramente com a oposição em 2018. Sabe também do potencial eleitoral da vice-governadora, mesmo não sendo ela afeita ao confronto direto, algo solucionável com uma campanha bem engendrada. E mais, sabe que, com Eliane Aquino fora do páreo, caso seja eleita prefeita ou saia desgastada por uma derrota, o caminho ficará desimpedido!
Ora bolas, e Eliane Aquino aceitaria ser candidata? Eis a questão! A relação com Belivaldo Chagas não é ruim e o PT detém centenas de cargos comissionados, parte expressiva deles com a chancela da vice-governadora. Se decidir por emplacar sua candidatura contra Edvaldo Nogueira, o preferido do governador, ela terá de partir para a empreitada por conta própria. Com um detalhe sórdido: se fizer aliança com o PSB da família Valadares, passará à condição de inimiga pessoal.
Num cenário assim, se Eliane Aquino for derrotada por Edvaldo Nogueira, Belivaldo Chagas certamente permanecerá no governo e colocará mundos e fundos a serviço da candidatura do prefeito, que sonha com a cadeira dia e noite , a fim de derrotar Rogério Carvalho ou quem vier do PT.
Já uma vitória de Eliane Aquino faria Belivaldo Chagas até pensar em sair do cargo para candidatar-se ao Senado, deixando no lugar o presidente da Assembleia Legislativa, Luciano Bispo, e indicando Laércio Oliveira candidato a governador, com Fábio Mitideri – ou mesmo André Moura, não se enganem! – para a senatoria. O vice-versa também estará valendo. Seria uma chapa de arranjo fácil, com chance de emplacar uma vitória. E talvez até funcione, diante de uma oposição por ora sem lastro, eira ou beira.
Por seu turno, a ex-primeira-dama não se mostra disposta a ficar a reboque das excentricidades do senador, com quem mantém relação apenas protocolar. Talvez Eliane Aquino não queira deixar o conforto atual e partir para uma aventura com uma mão na frente e a outra atrás, quando sabe que 2022 é logo ali. Ouvidos próximos já a escutaram dizer que seu coração pende para uma vaga no Senado, com Belivaldo Chagas ficando no governo e sonhando com o TCE. Mas talvez Rogério Carvalho, ligeiro como é, enxergue na assertiva apenas uma típica cortina de fumaça.
Há outros cenários possíveis, no entanto, os apresentados iniciam um bom começo de discussão.
(*) Consultor em Comunicação Social.


MAIS RAZÃO, MENOS EMOÇÃO
Em “A eleição disruptiva: Por que Bolsonaro venceu”, livro que recomendo a leitura, temos um retrato do potencial agressivo das redes sociais da internet e como tudo isso está refletido no “nós contra todos que não concordam conosco” nesse ambiente de disputa que ainda perdura e pelo visto seguirá perene até que não sobre mais ninguém com quem discutir.
A imagem pode conter: texto
É um aspecto antropológico do elogio e da aceitação do status quo autocrata, que não tolera a diversidade de opiniões e menos ainda a convivência pacífica e recíproca dos contrários. Um fenômeno mundial que no braziU, frise-se, não começou com o bolsonarismo, mas um pouco antes, sob os auspícios de Lula da Silva, conforme diz o lúcido editorial do Estadão deste domingo 21 [foto].
De toda sorte, fica o apelo e a esperança por mais racionalidade e menos emoção, fatores que diferenciam a humanidade do restante das criaturas viventes nesta Terra.
Uma boa semana a todos!


SÓ FALTAVA ESSA: E-CIGARROS TAMBÉM NOS ESPIONAM
A conectividade é uma benção... e uma desgraça, ao mesmo tempo! Enquanto proporciona acesso ilimitado a um mundo de informação e serviços, também detona a privacidade de quem se dispõe a usar determinados gadgets ou gizmos*, como os smartphones e e-cigarros.
Não bastasse um serviço subsidiário do Facebook, o WhatsApp, fornecer ao império de Mark Zuckerberg em tempo real trilhões de dados sobre hábitos e desejos dos seus usuários, a Juul, uma startup norte-americana fundada em 2015 especializada na produção e comercialização de e-cigarros, criou um modelo bisbilhoteiro.
O aparelho conecta-se via Bluetooth com um aplicativo no celular do usuário, e supostamente serviria para o fumante controlar seu vício. Acontece que o software espião possibilita o acesso dos dados coletados por “terceiros”. Ou seja, empresas interessadas nas baforadas alheias, como seguradoras e administradoras de planos de saúde – além dos chefes dos fumadores, é claro! – podem ter acesso ao número de tragadas, sua periodicidade, a forma de pagamento na compra de refis, a localização do usuário e até o seu e-mail.
mais em “Cigarro eletrônico pode ceder dados dos fumantes para chefes e seguradoras”, acessando https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2019/07/09/cigarro-eletronico-pode-ceder-dados-dos-fumantes-para-chefes-e-seguradoras.htm.

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(*) Gíria tecnológica para designar dispositivos eletrônicos portáteis, criados para facilitar funções específicas e úteis no cotidiano, que possuem inovações tecnológicas, são produzidos de modo inteligente ou com desenho mais avançado.



QUEM RI POR ÚLTIMO?
Pois é, o apressado corregedor do Conselho Nacional do Ministério Público, Orlando Rochadel, diz não haver infração disciplinar por parte do coordenador da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, nem dos demais procuradores da força-tarefa. Mas nem todo mundo concorda com ele, claro
Quatro integrantes do Conselho Nacional do Ministério Público estão determinados a recorrer da decisão. A dúvida agora é quando o recurso será apresentado ao plenário do colegiado. O mais provável, conforme informa a Folha de SP [30/06], é que seja na volta do recesso do Judiciário, em agosto.


#NaImprensa #Opinião
DE NOVO A QUERELA: O WHATSAPP PODE NOS ESPIONAR, SIM!
Por David Leite*
“Ao contrário do Telegram, o WhatsApp não é de código aberto, então não há como os pesquisadores de segurança verificarem se há backdoors em seu código. O WhatsApp não apenas não publica seu código, mas também faz o oposto: ele ofusca deliberadamente os binários de seus aplicativos para que ninguém seja capaz de estudá-los”, diz Pavel Durov.
Em resumo, o que Pavel Durov insinua eu já venho dizendo há anos, mesmo contrariando amigos especializados em tecnologia ou curiosos, como eu, no tema “segurança digital”: o WhatsApp pode vigiar todos os usuários por meio da câmera e do microfone do celular, além de ter capacidade para extrair dados diversos do aparelho, sem que o proprietário se dê conta.
Um dado curioso eleva ainda mais as suspeitas de conspiração: pelas leis dos EUA, o Facebook, dono do WhatsApp, está obrigado a criar backdoors “se houver a necessidade”. Ora bolas, necessidade conforme a visão dos EUA do que seja “segurança nacional”. Ademais, apesar de backdoors poderem ser usados por agências de segurança para caçar criminosos – terroristas, por exemplo –, também poderiam, em tese, ser usados por governos para espionar cidadãos.
“Não é de admirar que os ditadores parecem adorar o WhatsApp: a sua falta de segurança permite espionar o povo, então o WhatsApp continua funcionando livremente em locais como Rússia ou Irã, onde o Telegram é proibido pelas autoridades”, cutuca Pavel Durov. Ele ainda faz uma acusação grave, de que a criptografia do WhatsApp seria apenas “truque de marketing” e que “as chaves para decodificar as mensagens estão disponíveis para vários governos, incluindo o russo.”
essas e outras, principalmente depois de a própria segurança do Telegram ser posta a prova no caso do suposto hacker que teria surrupiado as conversas de Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e outros – a fonte e seus métodos de prospecção do material divulgado estão sendo mantidos sob sigilo pelo The Interpect Brasil, o que não permite dizer como foi obtido –, o fato é que nada em termos de internet é realmente 100% seguro. O ideal é se precaver, sempre!
(*) É marquetólogo.
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Acesse agora e lei na fonte: http://bit.do/nendmilk190619.





Inverta E Apareça! No BraziU, Em Se Plantando, Tudo Dá…
[Por David Leite*]

Sonhei o País ao inverso, tudo ao contrário do publicado no noticiário planetário: Sérgio Moro, flagrado em conluio com a defesa de Lula da Silva para libertar o bandido petista, perde o posto de mito e The Intercept Brazil divulga o escândalo que compromete a imparcialidade da Justiça!
O PT, mobilizando as ruas, faz alarde e duras críticas ao vazamento, tudo para denunciar o “crime do hacker” e desqualificar o conteúdo divulgado, além de transformar o jornalista que divulgou o material em inimigo da esquerda mundial e do povo brasileiro – “Que não pise as sandálias com as cores do arco-íris na Venezuela”. Até oração para proteger Sérgio Moro a manada petista distribui na internet.
Já os bolsonaristas, indignados com o teor “altamente bombástico dos diálogos”, e ignorando o vazamento – “Normal, a Lava Jato era uma usina furada, mesmo; eles agora provam do próprio veneno” –, querem pregar o ex-juiz na cruz, já que passou a ser considerado persona non grata, e iniciam una campanha no braziU e na Hungria para condecorar Glenn Greenwald com a Ordem do Mérito Nacional, “pelos relevantes serviços prestados ao combate à corrupção da Justiça e do aparelhamento do Poder Judiciário para fins políticos”.
Nos meios de comunicação, blogs e redes sociais da internet, os sinais também estavam trocados. Quem antes elogiava, passou a criticar – e vice-versa! Centenas de comentaristas, analistas e punguistas querem dar pitaco. Uns, de cara cheia da “marvada”, ajoelham-se diante de fotos de Sérgio Moro e beijam o chão em homenagem ao herói, enquanto outros maldizem os Justiceiros da Justiça, que locupletada com o cinismo e a falta de vergonha, queimam o braziU lá fora.
Longe do meu pesadelo, é assim o mundo da pós-verdade! O que vale é torcer com emoção, sem medo de errar. O coração dita as regras e só ele deve ser levado em conta. Os fatos, as implicações legais e políticas, o risco à democracia e à institucionalidade, nada disso importa. É coisa de gente elitista. O povo quer sangue, sem suor e lágrimas. O que importa mesmo é detonar o inimigo e mostrar que se defende o “lado certo” – o lado certo conforme eu acho certo que seja certo e que se confirma no que leio, ouço e vejo, claro! E viva a irracionalidade.
Inda bem que tudo era apenas um sonho…
(*) É Marquetólogo.


QUEM REMEDIAVA, VÊ-SE AGORA PRECISANDO DE REMÉDIO... E DOS FORTES
Estudante secundarista na antiga ETFSE, aos 16 anos ingressei no PCB, onde fiz bons amigos e tive grandes mestres. Era um tempo de abertura política e o Homem Cavalo – João Batista de Oliveira e Figueiredo – inda era presidente da República. Vez por outra, em tom de ironia, eu ouvia meus amados camaradas comunistas dizerem: “A burguesia tem seus encantos”. Detalhe: me curei dessa doença política; comunismo nunca mais!
Em retrospecto, contudo, aqueles homens e mulheres soam algo como profetas. Tão logo ascendeu ao poder, a esquerda lambuzou-se no mel da corrupção, com o auxílio luxuoso da elite nacional, e a Justiça trancafiou parte da cúpula política e do empresariado em meio a Operação Lava Jato, espécie de “Redentora do Brasil”, aquela que salvaria o País das garras dos maus políticos. Os encantos da burguesia foram além dos limites da legalidade, provado ficou!
Tudo parecia bem, os adversários estavam devidamente encarcerados, até surgirem os vazamentos de conversas nada republicanas mantidas pelo intrépido ex-juiz federal Sérgio Moro com membros do MPF (Ministério Público Federal) ligados à Lava Jato. Tudo indica, havia um conluio entre eles, meio pelo qual buscavam um fim glorioso e bem arrumadinho para a faxina política. Porém, algum descarado resolveu atrapalhar! “Capturou” o celular do Caçador de corruptos, e pimba! Estava tudo lá…
Prato cheio para os burgueses da esquerda, saudosistas dos “bons tempos”, partirem para a detratação do hoje ministro da Justiça do presidente Jair Bolsonaro. Já tem gente na imprensa pedindo que ele renuncie ao cargo. Não sem razão, obviamente!
Os inocentes do Leblon se perguntam “Que país é esse?”, enquanto a turba do forró universitário responde “É a porra do braziU”. Nada como um dia atrás do outro. A hashtag #VazaJato bateu o top trends no Twitter. Até agora, a turma de Brasília está na moita, mas só na aparência.
Aqui com os meus botões, me questiono: “Afinal, quem vai lavar a sujeira da Lava Jato”? O que mais virá por aí?
Quando Dilma Rousseff, no pleno exercício da Presidência da República, teve conversas com Lula da Silva expostas ao público, falou-se em erro e houve até pedido formal de desculpas após queixas do STF. Não era erro, sabemos hoje. Era pilantragem pura! Agora, o MPF e Sérgio Moro se dizem vítimas de criminosos por terem tido conversas íntimas [e muito impróprias às funções de juiz e promotores] expostas à luz!
“Olho por olho, dente por dente”, nestes tempos de Velho Testamento? Talvez, talvez! Quem com vazamento fere, com vazamento pode ser ferido…
O fato é que, vejam a ironia da vida nesta Terra redonda e carnavalesca, quem antes remediava o mundo, vê-se agora precisando de remédio... e dos fortes!


MANIFESTAÇÕES GOVERNISTAS E AS INTENÇÕES VELADAS
Jair Bolsonaro apostou alto nas manifestações de domingo, inicialmente incitadas por ele próprio no Twitter com o objetivo de forçar a barra, ou seja, pressionar o Congresso a aprovar sem diálogo a agenda de reformas proposta pelo governo, e de lambujem solapar a já desgastada imagem pública do Supremo Tribunal Federal (STF). Eles são considerados “elementos impedidores”.
Diante da possibilidade de ser enquadrado em crime de responsabilidade, passo inicial para um processo de impeachment, Sua Excelência recuou, mas manteve-se ativo no contraponto e no encaminhamento de bastidores. Antes e depois dos eventos, que atingiram 156 cidades nos 26 estados e no Distrito Federal, ele fez quase uma dezena de postagens no Twitter.
As manifestações não foram desprezíveis, porém, em razão de mobilizar um número de eleitores aquém do almejado pelo presidente, não foram suficientes para realizar o sonho de consumo dele e de uma corriola cada vez mais arisca, de ter poderes acima de tudo e de todos! O Parlamento e a Justiça continuarão – como de resto, também a imprensa – a influir no jogo democrático.
Mas não se enganem: as ações do presidente em busca do poder hegemônico seguirão ativas.

Hegemonia – Desde sempre predominou no Brasil o “presidencialismo plebiscitário”, herança do caudilhismo latino-americano. Não à toa, Getúlio Vargas criou a “Voz do Brasil” e Lula da Silva vivia em cadeias – ops! – de rádio e televisão. Por sua vez, Jair Bolsonaro, graças às plataformas sociais da internet, elevou a conexão entre eleitor e presidente ao estado da arte.
Com esse suposto poder, ele tenta desconsiderar as instituições partidárias e faz do apoio popular objeto de pressão de partidos e líderes partidários. Tal estratégia geralmente traz resultados no curto prazo, tanto que deputados e senadores estão com as barbas de molho. Ao longo do tempo, no entanto, a tendência de desgaste intensifica-se, especialmente quando alguma vulnerabilidade política, na economia ou um caso de corrupção atinge o presidente.
Jair Bolsonaro arrisca demais e muito cedo na estratégia de confronto com os adversários e isso tende a criar animosidade. Como não é plenamente santo e purificado, e o apoio popular tem se esvaído, problemas também na relação truncada com o Legislativo podem descambar na perda da capacidade de estabelecer os termos de negociação, com o poder de barganha e os custos de governabilidade tornando-se muito elevados.
Segundo a colega Mônica Bergamo [Folha de S. Paulo, 28/05], o impedimento constitucional do presidente está fora da agenda de Rodrigo Maia [ao menos por ora, digo eu]. O vice Hamilton Mourão não inspira confiança e o presidente da Câmara dos Deputados também é contra as propostas de semipresidencialismo, que limitariam o poder presidencial, informa a repórter.
Jair Bolsonaro não é bobo, menos ainda um sem-noção amalucado como os petistas querem pintá-lo. As idas e vindas, o bate e afaga, o discurso oportunista – tudo tem motivação previamente pensada, repito, e mira no desgaste da classe política e das instituições da República. Mas será que ele aguenta esse cabo de guerra?
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Publicado originalmente em http://bit.ly/faxaju2805.


DISCURSO PETISTA SE RENOVA COM O MAIS DO MESMO
O intelectual e senador pelo Partido Democrata americano Daniel Patrick Moynihan disse certa feita que “qualquer um tem direito à própria opinião, mas não aos próprios fatos”. Isso me faz lembrar do tal #LulaLivre, que vem a parecer com aquilo que o genuinamente culto em termos de volume de conhecimento, mas desprovido de sabedoria e de inteligência emocional, Olavo de Carvalho, denominou de “paralaxe cognitiva”.
Quem, como eu, aprecia o estudo leigo da astrofísica, sabe que paralaxe é a diferença na posição aparente de um objeto visto por observadores em locais distintos. Na visão do filósofo e guru da família Bolsonaro, essa discrepância cognitiva refletiria “o afastamento entre o eixo da construção teórica e o eixo da experiência real enunciado pelo indivíduo”.
Na era da pós-verdade, o racional perdeu força e a emoção passou a dominar a cena política, auxiliada luxuosamente pelo “viés confirmatório”, um tipo de orientação cognitiva – um erro de raciocínio indutivo, de fato! – que se traduz na tendência de buscar informações e reagir apenas a pensamentos confirmatórios das crenças ou hipóteses nas quais a pessoa acredita.
Resumindo, a narrativa petista tenta transformar um político preso num preso político, ignorando os fatos e a realidade jurídica plenamente referendada pelas instâncias superiores, mesmo que eu também ache que a condenação de Lula da Silva no caso do triplex do Guarujá (SP) tenha sido feita com base no achismo, não em provas e evidências concretas. O antológico “Lula tá preso, babaca” segue sendo a verdade histórica, e ponto!
Enfim, esta é só outra das minhas divagações filosófico-etílicas, depois de uns goles de um tinto francês de boa cepa, para alertar que o discurso petista se “renova” com mais do mesmo. Vem aí a segunda edição do Festival Lula Livre, com atrações de peso do mundo musical – já devidamente alcunhado de “Lulapalooza”. Amarrado a essa agenda, o PT tem uma âncora que o impede de avançar. E olha que chances ele teve de reavaliar sua política e passar a fazer oposição inteligente e com responsabilidade.
O “Lulapalooza” é apenas mais um desses recorrentes eventos de e para socialistas de i-Phone, realizados com os únicos objetivos de reunir a turba a fim de manter a manada unida, fazer belas imagens para o Jornal Nacional e para a propaganda de internet – e, obviamente, turbinar a degustação de cerveja e pinga barata [agora sem o poder], afinal ninguém é de ferro, gente! É o fabulário geral do delírio cotidiano, como diria o impagável e genial Charles Bukowski.
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Publicado originalmente em http://bit.ly/jlpdmilk250519