#NaImprensa #Opinião
DE NOVO A QUERELA: O WHATSAPP PODE NOS ESPIONAR, SIM!
Por David Leite*
“Ao contrário do Telegram, o WhatsApp não é de código aberto, então não há como os pesquisadores de segurança verificarem se há backdoors em seu código. O WhatsApp não apenas não publica seu código, mas também faz o oposto: ele ofusca deliberadamente os binários de seus aplicativos para que ninguém seja capaz de estudá-los”, diz Pavel Durov.
Em resumo, o que Pavel Durov insinua eu já venho dizendo há anos, mesmo contrariando amigos especializados em tecnologia ou curiosos, como eu, no tema “segurança digital”: o WhatsApp pode vigiar todos os usuários por meio da câmera e do microfone do celular, além de ter capacidade para extrair dados diversos do aparelho, sem que o proprietário se dê conta.
Um dado curioso eleva ainda mais as suspeitas de conspiração: pelas leis dos EUA, o Facebook, dono do WhatsApp, está obrigado a criar backdoors “se houver a necessidade”. Ora bolas, necessidade conforme a visão dos EUA do que seja “segurança nacional”. Ademais, apesar de backdoors poderem ser usados por agências de segurança para caçar criminosos – terroristas, por exemplo –, também poderiam, em tese, ser usados por governos para espionar cidadãos.
“Não é de admirar que os ditadores parecem adorar o WhatsApp: a sua falta de segurança permite espionar o povo, então o WhatsApp continua funcionando livremente em locais como Rússia ou Irã, onde o Telegram é proibido pelas autoridades”, cutuca Pavel Durov. Ele ainda faz uma acusação grave, de que a criptografia do WhatsApp seria apenas “truque de marketing” e que “as chaves para decodificar as mensagens estão disponíveis para vários governos, incluindo o russo.”
essas e outras, principalmente depois de a própria segurança do Telegram ser posta a prova no caso do suposto hacker que teria surrupiado as conversas de Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e outros – a fonte e seus métodos de prospecção do material divulgado estão sendo mantidos sob sigilo pelo The Interpect Brasil, o que não permite dizer como foi obtido –, o fato é que nada em termos de internet é realmente 100% seguro. O ideal é se precaver, sempre!
(*) É marquetólogo.
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Acesse agora e lei na fonte: http://bit.do/nendmilk190619.





Inverta E Apareça! No BraziU, Em Se Plantando, Tudo Dá…
[Por David Leite*]

Sonhei o País ao inverso, tudo ao contrário do publicado no noticiário planetário: Sérgio Moro, flagrado em conluio com a defesa de Lula da Silva para libertar o bandido petista, perde o posto de mito e The Intercept Brazil divulga o escândalo que compromete a imparcialidade da Justiça!
O PT, mobilizando as ruas, faz alarde e duras críticas ao vazamento, tudo para denunciar o “crime do hacker” e desqualificar o conteúdo divulgado, além de transformar o jornalista que divulgou o material em inimigo da esquerda mundial e do povo brasileiro – “Que não pise as sandálias com as cores do arco-íris na Venezuela”. Até oração para proteger Sérgio Moro a manada petista distribui na internet.
Já os bolsonaristas, indignados com o teor “altamente bombástico dos diálogos”, e ignorando o vazamento – “Normal, a Lava Jato era uma usina furada, mesmo; eles agora provam do próprio veneno” –, querem pregar o ex-juiz na cruz, já que passou a ser considerado persona non grata, e iniciam una campanha no braziU e na Hungria para condecorar Glenn Greenwald com a Ordem do Mérito Nacional, “pelos relevantes serviços prestados ao combate à corrupção da Justiça e do aparelhamento do Poder Judiciário para fins políticos”.
Nos meios de comunicação, blogs e redes sociais da internet, os sinais também estavam trocados. Quem antes elogiava, passou a criticar – e vice-versa! Centenas de comentaristas, analistas e punguistas querem dar pitaco. Uns, de cara cheia da “marvada”, ajoelham-se diante de fotos de Sérgio Moro e beijam o chão em homenagem ao herói, enquanto outros maldizem os Justiceiros da Justiça, que locupletada com o cinismo e a falta de vergonha, queimam o braziU lá fora.
Longe do meu pesadelo, é assim o mundo da pós-verdade! O que vale é torcer com emoção, sem medo de errar. O coração dita as regras e só ele deve ser levado em conta. Os fatos, as implicações legais e políticas, o risco à democracia e à institucionalidade, nada disso importa. É coisa de gente elitista. O povo quer sangue, sem suor e lágrimas. O que importa mesmo é detonar o inimigo e mostrar que se defende o “lado certo” – o lado certo conforme eu acho certo que seja certo e que se confirma no que leio, ouço e vejo, claro! E viva a irracionalidade.
Inda bem que tudo era apenas um sonho…
(*) É Marquetólogo.


QUEM REMEDIAVA, VÊ-SE AGORA PRECISANDO DE REMÉDIO... E DOS FORTES
Estudante secundarista na antiga ETFSE, aos 16 anos ingressei no PCB, onde fiz bons amigos e tive grandes mestres. Era um tempo de abertura política e o Homem Cavalo – João Batista de Oliveira e Figueiredo – inda era presidente da República. Vez por outra, em tom de ironia, eu ouvia meus amados camaradas comunistas dizerem: “A burguesia tem seus encantos”. Detalhe: me curei dessa doença política; comunismo nunca mais!
Em retrospecto, contudo, aqueles homens e mulheres soam algo como profetas. Tão logo ascendeu ao poder, a esquerda lambuzou-se no mel da corrupção, com o auxílio luxuoso da elite nacional, e a Justiça trancafiou parte da cúpula política e do empresariado em meio a Operação Lava Jato, espécie de “Redentora do Brasil”, aquela que salvaria o País das garras dos maus políticos. Os encantos da burguesia foram além dos limites da legalidade, provado ficou!
Tudo parecia bem, os adversários estavam devidamente encarcerados, até surgirem os vazamentos de conversas nada republicanas mantidas pelo intrépido ex-juiz federal Sérgio Moro com membros do MPF (Ministério Público Federal) ligados à Lava Jato. Tudo indica, havia um conluio entre eles, meio pelo qual buscavam um fim glorioso e bem arrumadinho para a faxina política. Porém, algum descarado resolveu atrapalhar! “Capturou” o celular do Caçador de corruptos, e pimba! Estava tudo lá…
Prato cheio para os burgueses da esquerda, saudosistas dos “bons tempos”, partirem para a detratação do hoje ministro da Justiça do presidente Jair Bolsonaro. Já tem gente na imprensa pedindo que ele renuncie ao cargo. Não sem razão, obviamente!
Os inocentes do Leblon se perguntam “Que país é esse?”, enquanto a turba do forró universitário responde “É a porra do braziU”. Nada como um dia atrás do outro. A hashtag #VazaJato bateu o top trends no Twitter. Até agora, a turma de Brasília está na moita, mas só na aparência.
Aqui com os meus botões, me questiono: “Afinal, quem vai lavar a sujeira da Lava Jato”? O que mais virá por aí?
Quando Dilma Rousseff, no pleno exercício da Presidência da República, teve conversas com Lula da Silva expostas ao público, falou-se em erro e houve até pedido formal de desculpas após queixas do STF. Não era erro, sabemos hoje. Era pilantragem pura! Agora, o MPF e Sérgio Moro se dizem vítimas de criminosos por terem tido conversas íntimas [e muito impróprias às funções de juiz e promotores] expostas à luz!
“Olho por olho, dente por dente”, nestes tempos de Velho Testamento? Talvez, talvez! Quem com vazamento fere, com vazamento pode ser ferido…
O fato é que, vejam a ironia da vida nesta Terra redonda e carnavalesca, quem antes remediava o mundo, vê-se agora precisando de remédio... e dos fortes!


MANIFESTAÇÕES GOVERNISTAS E AS INTENÇÕES VELADAS
Jair Bolsonaro apostou alto nas manifestações de domingo, inicialmente incitadas por ele próprio no Twitter com o objetivo de forçar a barra, ou seja, pressionar o Congresso a aprovar sem diálogo a agenda de reformas proposta pelo governo, e de lambujem solapar a já desgastada imagem pública do Supremo Tribunal Federal (STF). Eles são considerados “elementos impedidores”.
Diante da possibilidade de ser enquadrado em crime de responsabilidade, passo inicial para um processo de impeachment, Sua Excelência recuou, mas manteve-se ativo no contraponto e no encaminhamento de bastidores. Antes e depois dos eventos, que atingiram 156 cidades nos 26 estados e no Distrito Federal, ele fez quase uma dezena de postagens no Twitter.
As manifestações não foram desprezíveis, porém, em razão de mobilizar um número de eleitores aquém do almejado pelo presidente, não foram suficientes para realizar o sonho de consumo dele e de uma corriola cada vez mais arisca, de ter poderes acima de tudo e de todos! O Parlamento e a Justiça continuarão – como de resto, também a imprensa – a influir no jogo democrático.
Mas não se enganem: as ações do presidente em busca do poder hegemônico seguirão ativas.

Hegemonia – Desde sempre predominou no Brasil o “presidencialismo plebiscitário”, herança do caudilhismo latino-americano. Não à toa, Getúlio Vargas criou a “Voz do Brasil” e Lula da Silva vivia em cadeias – ops! – de rádio e televisão. Por sua vez, Jair Bolsonaro, graças às plataformas sociais da internet, elevou a conexão entre eleitor e presidente ao estado da arte.
Com esse suposto poder, ele tenta desconsiderar as instituições partidárias e faz do apoio popular objeto de pressão de partidos e líderes partidários. Tal estratégia geralmente traz resultados no curto prazo, tanto que deputados e senadores estão com as barbas de molho. Ao longo do tempo, no entanto, a tendência de desgaste intensifica-se, especialmente quando alguma vulnerabilidade política, na economia ou um caso de corrupção atinge o presidente.
Jair Bolsonaro arrisca demais e muito cedo na estratégia de confronto com os adversários e isso tende a criar animosidade. Como não é plenamente santo e purificado, e o apoio popular tem se esvaído, problemas também na relação truncada com o Legislativo podem descambar na perda da capacidade de estabelecer os termos de negociação, com o poder de barganha e os custos de governabilidade tornando-se muito elevados.
Segundo a colega Mônica Bergamo [Folha de S. Paulo, 28/05], o impedimento constitucional do presidente está fora da agenda de Rodrigo Maia [ao menos por ora, digo eu]. O vice Hamilton Mourão não inspira confiança e o presidente da Câmara dos Deputados também é contra as propostas de semipresidencialismo, que limitariam o poder presidencial, informa a repórter.
Jair Bolsonaro não é bobo, menos ainda um sem-noção amalucado como os petistas querem pintá-lo. As idas e vindas, o bate e afaga, o discurso oportunista – tudo tem motivação previamente pensada, repito, e mira no desgaste da classe política e das instituições da República. Mas será que ele aguenta esse cabo de guerra?
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Publicado originalmente em http://bit.ly/faxaju2805.


DISCURSO PETISTA SE RENOVA COM O MAIS DO MESMO
O intelectual e senador pelo Partido Democrata americano Daniel Patrick Moynihan disse certa feita que “qualquer um tem direito à própria opinião, mas não aos próprios fatos”. Isso me faz lembrar do tal #LulaLivre, que vem a parecer com aquilo que o genuinamente culto em termos de volume de conhecimento, mas desprovido de sabedoria e de inteligência emocional, Olavo de Carvalho, denominou de “paralaxe cognitiva”.
Quem, como eu, aprecia o estudo leigo da astrofísica, sabe que paralaxe é a diferença na posição aparente de um objeto visto por observadores em locais distintos. Na visão do filósofo e guru da família Bolsonaro, essa discrepância cognitiva refletiria “o afastamento entre o eixo da construção teórica e o eixo da experiência real enunciado pelo indivíduo”.
Na era da pós-verdade, o racional perdeu força e a emoção passou a dominar a cena política, auxiliada luxuosamente pelo “viés confirmatório”, um tipo de orientação cognitiva – um erro de raciocínio indutivo, de fato! – que se traduz na tendência de buscar informações e reagir apenas a pensamentos confirmatórios das crenças ou hipóteses nas quais a pessoa acredita.
Resumindo, a narrativa petista tenta transformar um político preso num preso político, ignorando os fatos e a realidade jurídica plenamente referendada pelas instâncias superiores, mesmo que eu também ache que a condenação de Lula da Silva no caso do triplex do Guarujá (SP) tenha sido feita com base no achismo, não em provas e evidências concretas. O antológico “Lula tá preso, babaca” segue sendo a verdade histórica, e ponto!
Enfim, esta é só outra das minhas divagações filosófico-etílicas, depois de uns goles de um tinto francês de boa cepa, para alertar que o discurso petista se “renova” com mais do mesmo. Vem aí a segunda edição do Festival Lula Livre, com atrações de peso do mundo musical – já devidamente alcunhado de “Lulapalooza”. Amarrado a essa agenda, o PT tem uma âncora que o impede de avançar. E olha que chances ele teve de reavaliar sua política e passar a fazer oposição inteligente e com responsabilidade.
O “Lulapalooza” é apenas mais um desses recorrentes eventos de e para socialistas de i-Phone, realizados com os únicos objetivos de reunir a turba a fim de manter a manada unida, fazer belas imagens para o Jornal Nacional e para a propaganda de internet – e, obviamente, turbinar a degustação de cerveja e pinga barata [agora sem o poder], afinal ninguém é de ferro, gente! É o fabulário geral do delírio cotidiano, como diria o impagável e genial Charles Bukowski.
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Publicado originalmente em http://bit.ly/jlpdmilk250519. 




DE DOIDO PARA DOIDO, COM CARINHO!
O deputado Pastor Sargento Isidório, o mais votado na Bahia em 2018 [323 mil sufrágios], acha possível “curar” homossexuais com a pregação da Bíblia e quer criar o Dia Nacional do Hétero – não, não é piada! Ex-gay assumido, Manoel Isidório de Santana Júnior, militou em siglas mais à esquerda e, após a conversão – hoje é pastor da Assembleia de Deus –, adotou uma pauta conservadora e conseguiu ser eleito pelo Avante, cuja bancada integra, vamos dizer assim, a base governista.
A “cura gay” é produto frequentemente oferecido pela igreja evangélica a seus fiéis — e não só pelo deputado Pastor Sargento Isidório. Contudo, tais “tratamentos”, apesar de também serem praticados por alguns psicólogos, não são aceitos pelo Conselho Federal de Psicologia. “Não há reversão porque não é doença. É uma condição que se desenvolve e cujos fatores de desencadeamento são desconhecidos. Em vez de buscar a cura, se deveria trabalhar a aceitação”, afirmou a psicóloga e sexóloga Maria Luíza Cruvinel à revista Época (21/03).
A cura do deputado Pastor Sargento Isidório deve, assim, ser tratada como verdadeiro “milagre”, uma ação do sobrenatural, do divino!
Talvez crente de que realmente opere milagres, o parlamentar fez nesta terça-feira (21) um apelo aos colegas. Contrário ao decreto que libera o uso de armas a civis, ele se ofereceu para estabelecer um diálogo com Jair Bolsonaro em nome da Câmara dos Deputados. “Essa Casa precisa tirar um parlamentar ou uma comissão para conversar com o presidente da República. E pelo perfil dele, me sinto preparado para ir até ele se for necessário, porque venho da Bahia e sou conhecido como doido. E para conversar com um doido, só outro doido”.
O vídeo [abaixo], que publiquei hoje cedo nas minhas redes sociais, foi compartilhado pela deputada Sâmia Bomfim (PSol/SP). “A Câmara [Federal] quase sempre é um ambiente desgastante, mas de vez em quando a gente dá umas risadas”, tuitou ela. Deixando para lá o lado cômico, o deputado Pastor Sargento Isidório mostra-se apenas um… ingênuo! De doido o presidente Jair Bolsonaro não tem nada. A agenda dele é muito clara: desgastar a classe política e instituições como o Congresso, a imprensa e a Justiça, a fim de criar uma revolta popular e dela sair como líder absoluto.
Não se enganem! Há um projeto de poder em curso que passa pelo desprezo e cerceamento da diversidade de ideias, opiniões e comportamentos em todos os setores, especialmente no âmbito das universidades públicas; pela ausência de respeito à ciência e à História, que vira e mexe tenta-se revisar, e ao papel da mulher no processo decisório e de criação; pelo culto às armas, como forma de incitar a violência, pelo linchamento moral dos divergentes, além do sincretismo ideológico.
Não há, portanto, qualquer doidice no que ocorre no Brasil atualmente. E não adianta repetir Cazuza questionando “Que país é esse”. É preciso abrir os olhos, pois o que existe, de modo velado e sub-reptício, é muita esperteza capitalista integrada à agenda dos EUA e aos mandachuvas do mundo – aqueles que controlam as finanças no planeta e representam o 1% mais rico da humanidade. Nada, portanto, ocorre ao acaso, mas os iludidos, como o deputado baiano doido, seguem fantasiando.


MACUNAÍMA, POLICARPO QUARESMA, LULA DA SILVA E JAIR BOLSONARO: QUE BRASIL É ESSE?
No dia da morte do diretor de teatro Antunes Filho, aos 89 anos em 03 de maio, recebi em minha casa um amigo de longas datas, professor aposentado da Faculdade de Direito da UFBA e que adora Aracaju – a esposa é sergipana e eles estavam por essas bandas para visitar a família dela.
Entre uma taça e outra de um tinto português, acompanhado de iguarias que preparei para a ocasião, conversamos um pouco sobre a obra inovadora do mestre Antunes Filho, que deu espaço nos palcos às obras nacionais. Em 1984, por exemplo, ele lançou em São Paulo a montagem revolucionária de “Macunaíma”, de Mário de Andrade, que o velho docente assistiu no Teatro Castro Alves. “Quando as cortinas se abriram, vimos não a encenação de um livro já bem conhecido, mas uma revolução, uma visão autoral de uma obra literária há muito consagrada”, ele lembrou.
A conversa resvalou ainda sobre livros – que retomo mais adiante – e sobre filmes. Nas semanas anteriores, eu havia revisto algumas películas muito interessantes, que traçam um pouco da história do Brasil. “Getúlio”, de João Jardim, foi uma delas. Outro filme foi “Macunaíma”, de Joaquim Pedro de Andrade; e por fim, de Paulo Thiago, “Policarpo Quaresma, o Herói do Brasil”. As obras de referência eu já as havia lida ainda cedo, sob os auspícios de memoráveis mestres como Maria José Oliveira, Walter Soares, Josefina Brás e João Costa.
Seria inevitável fazer comparativos entre os personagens em questão e o quadro político recente e atual.
Getúlio Vargas não encontra paralelos na atualidade, concordamos eu e o amigo professor. Trata-se de figura única, bastante litúrgica e emblemática, que (ab)usou (d)a própria morte para fins políticos. Aliás, há um trecho inesquecível em “Getúlio”. Cercado de auxiliares, em meio a uma crise política sem precedentes, decorrente das acusações de que teria ordenado o atentado contra o jornalista Carlos Lacerda, o presidente diz que era o único que não podia mexer na Constituição – sugestão de alguns, para que aplicasse um novo golpe: “Eu já rasguei duas”, comenta.
Já Macunaíma, era a cara de Lula da Silva, não havia dúvidas. Um “herói” preguiçoso, que nunca estudou ou se esforçou para aprender. Um descarado sem nenhum caráter, que nasceu e cresceu no sertão nordestino como se preto fosse e ao deixar aquela vida seca e sem oportunidade, em companhia dos irmãos, já adulto, vira branco e se embrenha em grandes aventuras pela cidade grande. Alçado ao patamar de líder, passa a desfrutar das benesses da elite, ao lado de guerrilheiros e prostitutas do poder, vilões milionários e gente de todo tipo.
Já o capitão Jair Bolsonaro parece talhado na forja do major Policarpo Quaresma, um idealista sonhador, que lembra aquelas figuras intervencionistas, que se julgam visionárias, que dizem amar o Brasil e desejar vê-lo tão grandioso quanto, acreditam, ele pode ser. Porém, tratado como louco, é na realidade apenas um sem-noção. Alguém, coitado, que não consegue compreender a realidade. O major queria fazer do tupi-guarani o idioma nacional, o capitão quer acabar com o “marxismo cultural”. Ele também tem o apoio dos filhos e o seu “Ricardo Coração dos Outros”, trovador e compositor de modinhas, poderia ser retratado na figura de Olavo de Carvalho.
Rimos muito, eu e o velho professor baiano. O Brasil é um país bestializado, com uma literatura onde não existem grandes homens ou mulheres, mas apenas personagens pigmeus, que estão alheios ao processo social e político de suas respectivas eras, ou no máximo se aproveitam dele para se corromper em benefício próprio e dos que lhe cercam. A conversa estendeu-se até uma segunda garrafa de vinho e, por fim, fui “vítima feliz” de dois presentes: “História Antiga – Grécia e Roma”, da professora Flávia Eyler; e “A Política”, de Aristóteles – que eu já havia lido tempos atrás, mas que, por recomendação do nobre amigo, vou reler ainda por esses dias.
O Brasil vive tempos difíceis! Um país que passa por Lula da Silva e Dilma Roussef, e chega num momento de extrema fragilidade sob os auspícios de Jair Bolsonaro, talvez nem futuro tenha. De modo que devemos viver o presente como se não houvesse amanhã, segundo as palavras de Renato Russo, afinal, conforme vaticinou Torquato Neto, vivemos os últimos dias de outrora.



“JUIZ NÃO É CONTROLADOR DA MORALIDADE SOCIAL”, DIZ MINISTRO DO STJ
Nem tudo está perdido! Ainda há juízes que entendem o papel que lhes cabe no Ordenamento Jurídico estabelecido pela Constituição, nos termos das leis em vigor no País… Refiro-me, de modo específico, à fala de um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do habeas corpus do ex-presidente Michel Temer.
Antes que alguém questione, a mim pouco importa se o acusado é ou não culpado dos crimes a ele imputados, questão a ser resolvida durante o trâmite do processo. Aqui também não cabe avaliar a decisão por unanimidade de quatro ministros da sexta turma do STJ, de colocar em liberdade o ex-presidente, preso desde o dia 9. Conforme disse o ministro Rogério Schietti em seu voto, a soltura de Michel Temer “não representa atestado de inocência”.
Contudo – e razão para este escrito –, dos quatro votos [que acompanhei na íntegra], um chamou-me a atenção pela contundência das palavras, o do ministro Nefi Cordeiro, para quem “Juiz não enfrenta crimes, juiz não é agente de segura pública, não é controlador da moralidade social ou dos destinos políticos da nação. Juiz criminal deve conduzir processos pela lei e Constituição, com imparcialidade, e somente ao final do processo, sobepesando adequadamente as provas, reconhecer a culpa ou declarar a absolvição”.
Pelo visto, conforme afirmei no início, nem tudo está perdido! O exemplo de hoje deve servir para avisar aos “heróis” do Judiciário que eles não terão respaldo para impor um “novo direito”. Que a Justiça reencontre seu caminho na legalidade e nos fatos provados, em concordância com o Estado Democrático de Direito...
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Veja o vídeo:


A IMPRENSA SEGUE ERRANDO

Por David Leite*

A grande mídia nacional segue errando na avaliação acerca de Jair Bolsonaro, engano que a fez ser derrotada com o PT em novembro de 2018 e que ainda a persegue neste início de gestão. A imprensa, formada na maioria por esquerdistas, ignora a realidade política brasileira e mundial.
Para começo de conversa, não se deve confundir o presidente com o “bolsonarismo”, que não se resume à figura de Jair Bolsonaro, assim como o “lulismo” não se resume e não deve ser confundido com Lula da Silva. Comprar o discurso do “bando de malucos” é vexatório…
Jair Bolsonaro, como Lula da Silva, busca alcançar as massas com retórica simplista e temas sem importância, uma cortina de fumaça para confundir a imprensa, afeita a “pautas bombásticas”, e manter coesa e ocupada a militância que o apoia e reverbera suas falas nas redes sociais da internet.
O “bolsonarismo”, projeto político de viés autoritário e de vocação autocrática, tem muitas semelhanças com o “lulismo”. Os objetivos são a permanência no poder e o controle do Estado através do desmonte da política tradicional, da eliminação da oposição e no garrote à imprensa, ainda que se conserve o processo referendador eleitoral.
Em paralelo, recorre-se [pela via constitucional] à destruição do sistema de proteção social urdido pelos constituintes de 1988 e à devastação do ambiente acadêmico, considerado adversário – em parte com razão, posto que o ensino público superior tem sido usado para catequese política.
O desprezo pela diversidade de ideias, opiniões e comportamentos; a ausência de respeito à ciência e à História e ao papel da mulher no processo decisório e de criação; o culto às armas, ao linchamento moral, ao xingamento e ao sincretismo formam a ossatura do “bolsonarismo”.
A “carne” advém da agenda de costumes, das propostas de reforma e de subprodutos político-eleitorais como o “lavajatismo” de Sérgio Moro, que cumpriu com eficiência a tarefa de demonizar a política e limpar a área, além de prover o discurso usado na campanha eleitoral.
Não há, portanto, maluquice no que ocorre no Brasil. Existe, sim, muita esperteza integrada à agenda dos EUA e aos mandachuvas do mundo, aqueles que controlam o capital e representam o 1% mais rico da humanidade. Nada ocorre ao acaso, mas os iludidos seguem displicentes.
A imprensa brasileira jamais estudou a agenda neoliberal e sequer compreende o projeto ultraconservador que avança em várias democracias no mundo, com graves riscos ao sistema político-social e à liberdade de expressão. É o preço que se paga pelo engessamento intelectual.
Em resumo: como a maioria dos alunos de Humanas, também os jornalistas foram forjados nas três últimas décadas no ambiente educacional asséptico das ideias esquerdistas e hoje padecem da falta de informação estratégica sobre um adversário que se mostra audaz e destemido. Sigamos…
[*] É marquetólogo político.
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NEM DEMENTE, NEM PSICOPATA!
Querem agora transforma Lula da Silva num demente ou psicopata – duas coisas, aliás, incompatíveis! Quem viu a entrevista do chefe do PT com olhos isentos, percebeu que, por quase duas horas, ele soube usar/aproveitar muito bem o espaço da Folha de SP e do El Pais, mesmo que o discurso seja o de sempre, batido e devidamente derrotado… Lula da Silva mostrou que está muito bem de cabeça ao utilizar os melhores instrumentos da linguagem, em especial o maniqueísmo.
Resultado de imagem para entrevista de lulaFez defesa veemente de si mesmo, da esquerda e do PT. Fez de modo profissional o papel de vítima do sistema político – o que de fato é... porém, fez melhor ainda o papel de líder político nato e liderança pública relevante. Elogiou gente como Ciro Gomes e Guilherme Boulos, reconheceu que o tempo (100 dias) ainda é curto para avaliar o governo – em referência à gestão de Jair Bolsonaro –, lembrou de momentos com Hugo Chávez e Fidel Castro... Enfim, apresentou falas bem concatenadas, promoveu ideias e proferiu o discurso que, sabe ele muito bem, terá impacto na militância e nos seus seguidores…
Devemos ter pelos adversários o devido respeito, até porque, ao contrário do que muitos desejavam – e isso foi intento da esquerda quando era governo: extinguir adversários! –, o PT continua vivo... muito vivo, aliás, e errando! Que assim permaneça…
A entrevista está aqui, na íntegra. Tirem as senhoras e os senhores as suas próprias conclusões: https://youtu.be/AwqVwKKkgqU.