GILVAN MANOEL FALA EM “DISPUTA DE EGOS”
O diretor e colunista político do Jornal do Dia, jornalista Gilvan Manoel, é uma espécie de porta-voz oficial da turma governista. Sem dúvida, trata-se de um profissional com “pegada” satírica cuja grande deficiência é jamais, nunca, em qualquer situação, fazer críticas negativas ao agrupamento detentor do poder estadual, isso desde a fragorosa derrota de João Alves Filho na tentativa mal-ajambrada de reeleger-se em 2006. Uma pitomba doce para quem já o leu “massacrando” interesses governamentais ou figuras de ponta, sobretudo do PT – e agora, do PMDB.
Gilvan Manoel tenta atiçar a discórdia na oposição. Ao tratar de questões relevantes para o PSC e aliados – especialmente no tocante a manter o grupo coeso e focado no futuro eleitoral –, o jornalista age na mesma toada de outros comunicadores sociais chapas-brancas. Ontem, o danado “analisou” o papel dos líderes do PSC Eduardo Amorim e André Moura. A “boa” intenção do texto, além de contribuir para elevar a combustão contra João Alves Filho, seria incutir o desamor entre os citados oposicionistas, únicos capazes de unificar a tropa e organizar a atuação.
O texto abaixo (vide foto) deve ser lido num contexto potencialmente destrutivo: não se trata de uma análise política isenta, mas sim uma “ação” política governista nutrida com verbas da Secretaria Estadual de Comunicação. Não seria o caso de suborno ao jornalista, de forma direta e descarada – como, aliás, ocorre com ratos e apresentadores do rádio. Para manter o Jornal do Dia operando, somente a mão amiga do Governo de Sergipe, ou já teria fechado as portas.
O veneno foi lançado para confundir os líderes da oposição. Contudo, certamente não terá efeito. Eduardo Amorim e André Moura de bobos não têm nada. Jamais engoliriam essa “corda”.

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Por David Leite ©2015 | 02/03 às 13h05 | Reprodução permitida, se citada a fonte | Com informações da imprensa e fontes de pesquisa | Imagem: Comsensoweb | Clique na foto para ampliar. 

 SOBRE A ROUBALHEIRA NACIONAL
O jornalista César Gama é especialista em jornalismo investigativo. Denúncias contra grupos de extermínio são seu foco. Neste artigo que reproduzo logo abaixo, César Gama analisa, à luz da psicanálise, a gênese da cleptocracia, que viria a explicar a compulsividade narcisista pelo poder e, por consequência, o patrimonialismo que resvala em corrupção desenfreada, mal que atingiria em alto grau não apenas o Brasil, mas o planeta inteira, independente do país ou do regime político adotado.

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A GÊNESE DA CLEPTOCRACIA: PSICANÁLISE
DA ROUBALHEIRA INSTITUCIONALIZADA II
No artigo anterior desta série havíamos concluído que a corrupção no Brasil vai muito mais além do que a simplória e pueril demarcação de um curto e restrito período político relativo à ascensão do PT ao poder.
Ressaltamos inclusive que a roubalheira desenfreada no país é crônica e muito mais ampla – na verdade sistêmica –, inerente não apenas à atividade pública no Brasil, mas nos quatro cantos do planeta, qualquer que seja o sistema político, econômico ou ideológico vigente.
Na semana que passou começaram a ser divulgados depoimentos que corroboram tais conclusões, prestados por delatores e empreiteiros denunciados na operação Lava-Jato, que investiga a corrupção na Petrobras.
As revelações dos réus divulgadas na semana passada deixaram claro que a corrupção na estatal não foi iniciada durante as gestões do PT no governo federal.
Segundo os delatores, a atividade ilegal na empresa remontaria ao governo peessedebista de Fernando Henrique Cardoso, quando começou, nos moldes atuais, o pagamento das propinas a políticos, diretores e funcionários da estatal, a partir de negociatas com as empreiteiras ora envolvidas no Petrolão.
Atrevo a acrescentar que antes mesmo da era FHC a bandalheira já deveria estar em curso na petrolífera, de modo contínuo e regular, com o mesmo caráter crônico e sistêmico, não com os atuais dirigentes das empreiteiras ou da estatal na condição de protagonistas – como agora, em que por terem sido pegos em flagrante, eles decidiram testemunhar os fatos – mas envolvendo certamente outros personagens de mesma estirpe, em períodos anteriores.
Feitas tais considerações, para melhor compreendermos o funcionamento daquilo que denominamos cleptocracia, ou seja, o governo dos ladrões, como adiantamos em nosso último artigo, é preciso primeiro entender a gênese dessa condição social doentia a partir de seu nascedouro: na natureza humana.
Daí que a análise passa necessariamente por investigarmos o que move o cidadão em direção ao desejo de poder político.
Quando reduzimos essa investigação à motivação subjacente que leva o sujeito humano à busca pela realização desse desejo de poder, percebemos estar tal estímulo associado à necessidade compulsiva de uma satisfação de natureza exclusivamente egoica, um sentimento extremo de caráter individualista, sublimado em fraudulenta manifestação pública altruística, exteriorizada por meio de um suposto genuíno interesse coletivo.
Em outras palavras, o desejo de poder político está associado na essência primária a interesses individualistas, que buscam sobretudo a satisfação do ego acima de quaisquer outros anseios.
É o desejo de controlar, manipular, de dominar o outro; a satisfação de uma vaidade incontrolável na busca por evidenciar-se, na ânsia por se destacar, que só sossega na medida em que o sujeito se sobressai dentre os demais, alcançando condição literal ou simbologicamente mais elevada do que a de seus pares; a necessidade de atingir patamares econômicos e sociais superiores aos de seus semelhantes; o desejo de demonstrar que é mais preparado, mais inteligente e mais esperto que a média, com a melhor capacidade para liderar a turba acéfala; o desejo de ordem sexual, de ter poder político ou econômico para sobressair-se dentre aqueles do seu próprio gênero, buscando com isso atrair a atenção do sexo oposto e melhorando suas condições de competitividade na guerra dos sexos; o perverso anseio de se dar bem a qualquer custo, de enganar seus semelhantes e de enriquecer sem fazer força, no velho estilo Gérson*, aquele em que a esperteza deve nos fazer levar vantagem em tudo, ainda que tendo a desonestidade como parâmetro.
Sem contar com poucas outras motivações de certa forma mais altruísticas, mas não menos egoicas, na medida em que se busca o interesse coletivo sempre na esperança última de fortalecer positivamente a sua própria imagem.
É aquela velha prática supostamente solidária de distribuir esmolas na expectativa de garantir junto a Deus uma vida eterna longe do inferno.
Descortinadas as motivações sub-reptícias relacionadas ao desejo de poder, conclui-se facilmente que a razão da roubalheira desenfreada, não apenas no Brasil mas no mundo inteiro, está perfeitamente explicável pela própria indefectível e irremediável condição humana: uma natureza centrada sobretudo no egoísmo pura e simples, ainda que aparentemente algumas ações rumem em sentido contrário a essa constatação, quando não se levam em conta algumas motivações subliminares.
Estando a maioria dessas motivações humanas pelo desejo de poder baseadas em sentimentos individualistas, sejam de ordem consciente ou inconsciente, mas essencialmente egoicos, não é difícil prever que, seja lá qual for o sistema de poder montado pela espécie humana nas sociedades, invariavelmente ele estará descambando para uma descarada cleptocracia.
Um governo que mistura interesses públicos e privados, unindo naturalmente a elite econômica dominante aos membros da casta dirigente política de plantão, independentemente de partido político, em torno de objetivos comuns e absolutamente privados, onde o lucro estará acima de tudo.
Ou seja, com PT ou sem PT, a tendência é que a roubalheira na atividade pública vira e volta esteja sempre em alta. Como afirmamos, no artigo anterior, tal fato ocorre desde que o mundo é mundo, ocasião em que citamos os exemplos da Roma clássica e da França medieval.
Que o digam os Estados Unidos contemporâneo. País supostamente tido como exemplo de nação onde reina a decência política, mas campeão da corrupção ilimitada no planeta, que une grandes corporações capazes de tudo pelo lucro, a governos irresponsáveis, belicosos e genocidas, numa gigantesca organização criminosa impune. Comparado aos EUA, a corrupção brasileira é uma gota d’água num oceano de lama representado pela bandalheira norte-americana.

Por César Gama
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Leia o artigo anterior (A GÊNESE DA CLEPTOCRACIA PSICANÁLISE DA ROUBALHEIRA INSTITUCIONALIZADA I): http://sergipeonline.com.br/2015/02/08/estreia-cesar-gama-e-o-mais-novo-colunista-do-sergipe-online/


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(*) Nota de #VerdadesQueIncomodam: O termo vem da cultura midiática brasileira, e se refere a Lei da Vantagem ou “Lei de Gérson”, quando uma pessoa ou empresa tenta obter vantagens de forma indiscriminada, sem se importar com questões éticas ou morais. A “Lei de Gérson” acabou sendo usada para exprimir traços bastante característicos do caráter da população, associados à disseminação da corrupção e ao desrespeito a regras de convívio para a obtenção de vantagens.

ACERCA DO ARTIGO DE CÉSAR GAMA
O jornalista César Gama é um intelectual formidável, com grande conhecimento sobre assuntos diversos e, sempre que possível, polemista juramentado. É bom tê-lo nestas #VerdadesQueIncomodam. De fato, este espaço, de certa forma, surgiu por sua inspiração e provocação.
O artigo dele traz algumas verdades interessantes para instigar o senso crítico, especialmente quando afirma que a busca pela realização do desejo de poder, “uma satisfação de natureza exclusivamente egoica” do ser humano, travestida de “manifestação pública altruística, exteriorizada por meio de um suposto genuíno interesse coletivo”, permite o que Nicolau Maquiavel – aqui vem meu julgamento – definia como os fins a justificar os meios.
Em suma, “o perverso anseio de se dar bem a qualquer custo, de enganar seus semelhantes e de enriquecer sem fazer força”, não foi uma invenção petista. Falhou César Gama ao não se permitir uma dosimetria – não que a perversão possa ser medida pelo numerário subtraído dos cofres públicos, não, por favor! Ocorre que o Brasil vive agora sob o governo dos ladrões, como nunca antes na história deste país. Rouba-se muito, descarada e desordenadamente. Isso faltou dizer.
O que moveria o petismo em direção ao escândalo? Pelo que diz César Gama, tal assertiva seria “justificável” pela busca de realizar, a qualquer custo e meio, esse desejo de poder, ora “sublimado em fraudulenta manifestação pública altruística”, para o bem coletivo. Os membros do partido roubariam, portanto, não para si mesmos – coisa da vilania burguesa e da corja direitista –, mas para manter esse suposto genuíno interesse coletivo, o de garantir a sobrevivência nas instâncias do poder daqueles que, por pureza d'alma, pensam apenas no povo e só roubam para proteger o povo das garras daqueles que querem explorá-lo, sem nada dar em troca – nem uma Bolsa-família.
É verdade que, “com PT ou sem PT, a tendência é que a roubalheira na atividade pública vira e volta esteja sempre em alta”. Ocorre que, com o PT, a roubalheira virou uma “política” de governo. Se o era noutros tempos – e creio que o fosse, sim! –, não alcançava o patamar endêmico e sistêmico de hoje, nem comprometia instâncias outras do Poder, como o Legislativo (compadrado e cooptado) e o Judiciário (idem). Ou seja, havia mais pudor e mais gente com verdadeiro “espírito público”. Não digo isso por inocência, mas baseado no princípio da exceção.
O ranking da Transparência Internacional, que mede o nível de corrupção no planeta, aponta a Dinamarca, novamente, como o país com a menor percepção de corrupção no setor público. No ranking que vai de 0 (mais corrupto) a 100 (menos corrupto), a Dinamarca obteve nota 92, a maior entre os 175 países e territórios avaliados. Por sua vez, a Nova Zelândia é o segundo país com a menor percepção sobre corrupção no setor público do mundo, seguido pela Finlândia (terceiro), Suécia (quarto) e Noruega (quinto).
A história desses povos, rica em saques aos vizinhos e além-mar, é também a história da civilidade, através da qual, pela evolução social, hoje se abomina a tendência ao “jeitinho”, à “Lei de Gérson”, e a qualquer modo interação/acordo entre corruptor e corrompido, entre eleitor e eleito. Pimba: a corrupção política no Brasil, ao fim e ao cabo, seria reflexo da própria hipocrisia nacional, porque temos um povo cuja “natureza humana”, para usar um termo caro a César Gama, é primitiva.
Por fim, para evitar que esse texto atinja um número maior de caracteres que o do colega, fecho com um alertar ao leitor acerca da síndrome que persegue César Gama, a de devotar aos Estados Unidos (e aos judeus) todos os males do mundo – hoje, para minha surpresa, os judeus foram poupados, aliás! Grandes corporações capazes de tudo pelo lucro, governos irresponsáveis, belicosos e genocidas, e gigantescas organizações criminosas impunes estão em toda parte.
Se neste exato instante residem seus áulicos e poderosos mandatários nos EUA, é porque lá se sentem mais seguros e protegidos – como estiveram seguros e protegidos por séculos na velha Inglaterra, na Alemanha pré-Weimar, etc. Ratos, como se sabe, fogem ao primeiro balançar do navio...
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Por David Leite ©2015 | 19/02 às 10h45 | Reprodução permitida, se citada a fonte | Com informações da imprensa e fontes de pesquisa | Clique na imagem para ampliar.
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PARA EVITAR QUE TANTOS DIGAM
MAIS BESTEIRAS SOBRE O RÁDIO!

O rádio sergipano é a bola da vez. Tema recorrente nas redes sociais, sobretudo por incomodar personagens da política, do direito e, vá lá, também gente com falta do que fazer da vida.
Há até quem critique o rádio sem nunca ter ouvido um programa matinal. Na verdade, sem espanto, a audiência total de todos os programas veiculados nas manhãs aracajuanas, se somados, não perfaz nem 12% dos rádios ligados (Ibope/2014).
O povo – esse “aglomerado indigesto de fragmentos” – sabiamente opta pela música. Ruim, é verdade, mas prefere arrocha e pagode do que ouvir falação (com quase nenhuma informação no entrecorte), na base do berro, muito berro. O microfone funciona para reverberar a soberba, a galhofa e a “panaceia”. Sim, o radiojornalismo sergipano é quase milagroso, conseguindo resolver até unha encravada e terçol.
O que pouca gente sabe é que o rádio já nasceu assim. Se hoje as emissoras sergipanas enfrentam uma grave crise de confiança é porque, em parte, também caiu o nível de vergonha na cara dos comunicadores e o jornalismo foi transformado em “mercadoria” – aliás, afora uns poucos jornalistas e veículos, a credibilidade da imprensa local está em queda livre!
Nos seus primórdios, o rádio sergipano surgiu (1939) para integrar uma ampla rede nacional de comunicação cuja missão primária era manter a ordem pública e unir a nação em torno do ideário político do ditador Getúlio Vargas. A atribuição básica era difundir o conteúdo “educador” do Estado Novo e veicular a propaganda ideológica, ligada à estratégia de defesa nacional.
Primeiro político brasileiro a enxergar a influência social do rádio, Getúlio Vargas o usou para persuadir a massa a se engajar na “doutrina” nacionalista que apregoava. O presidente distribuiu entre amigos e simpatizantes da sua causa concessões para o funcionamento de emissoras particulares e oficializou o rádio educativo estatal. O rádio em Sergipe nasce dessa leva.
Ou seja, a visão patrimonialista brasileira – o uso dos recursos públicos em proveito de causas pessoais, portanto, privadas – está na raiz do nosso rádio.
A primeira emissora sergipana, a Rádio Aperipê, foi implantada dentro do Palácio do Governo pelo interventor federal Eronildes de Carvalho. Era, obviamente, um instrumento do poder público a serviço dos políticos. Lá se vão quase 76 anos de história e, mesmo a emissora nascida para se opor ao regime, a Rádio Liberdade, fundada em 1953 pelo industrial Albino Silva, tinha por “missão” também difundir conteúdo político e ideológico.
A nova feição do rádio brasileiro, hoje extremamente profissional, repleto de mudanças tecnológicas que ampliaram o alcance e a qualidade das transmissões, ainda resguarda o viés político e ideológico inicial. Em Sergipe, contudo, ocorreu a involução do meio. A pauta política foi substituída pela pauta politiqueira e pilantra, cujo foco é enriquecer empresários e comunicadores.
Quem faz o jogo do poder recebe gordos dividendos financeiros. Atores que até ontem trafegavam de marinete, moravam de aluguel e merendavam bolachão com Tubaína, agora despontam entre os “novos” ricos de Sergipe. Andam aboletados em carrões de luxo, repastam nos cardápios exclusivos e convivem nos metros quadrados mais finos de Aracaju (e em cidades como Paris).
A opinião no rádio tem preço, sim! E se há espertos dispostos a comprá-la, há bufões a postos para vendê-la e faturar alto.
Vejam que nada há de novo nessa relação entre o rádio “patrocinado” pelo patrimonialismo e os vigaristas que fingem fazer jornalismo.
O incômodo causado por esses “novos” ricos do rádio no tecido burguês de Sergipe ocorre porque a velha burguesia não tolera quem acende socialmente arrotando e trazendo consigo hábitos e valores culturais “inadequados”. A Justiça está em alerta. O Ministério Público e a Polícia Federal, também.
O rádio fez, faz e fará política sempre, em todos os períodos, sob todos os governantes. Nada mais “normal”, portanto. A pilantragem politiqueira é que atrapalha. O grande público a deplora, e com toda razão.
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Por David Leite ©2015 | 17/02 às 16h20 | Reprodução permitida, se citada a fonte | Com informações da imprensa e fontes de pesquisa | Clique na imagem para ampliar.




OPOSIÇÃO SEM VERGONHA
Tem gente que por dinheiro e poder faz qualquer coisa! Não, a frase não trata sobre os petistas no comando do País. O assunto é sobre Sergipe, mesmo; de fato, sobre a oposição sergipana. Tenho acompanhado o movimento do deputado federal André Moura visando a reorganizar o grupamento derrotado em outubro, numa das eleições mais bizarras da história de Sergipe.
Um homem de bem, médico de formação humanista, bacharel em Direito especializado em Direito Público, destacado pela atuação como senador modernista e cujas maiores bandeiras são a transparência e eficiência do serviço público, foi transformado pela eficiente comunicação do adversário num elemento sem qualquer compromisso com a coisa pública, etc e tal...
Lamentavelmente, o discurso oposicionista conquistou apenas uma terça parte do eleitorado – do total de votos apurados (1.239.891), nada menos que 448.795 eleitores se abstiveram, anularam os votos ou votaram em branco. Contabilizados os números dos principais concorrentes, Jackson Barreto obteve 537.793, uma vitória esmagadora, contra 415.641 de Eduardo Amorim. O recado estava dado: a oposição deveria permanecer oposição. A regra do jogo faz ganhadores e perdedores.
Parece uma equação simples: ganha-se ou perde-se! No entanto, na cabeça de alguns parlamentares de Sergipe, perder nem sempre significa... perder. O velho “jeitinho” do brasileiro provoca comichão e, tão logo o candidato do PSC recebeu o veredicto eleitoral, já havia deputados beijando a mão do governador Jackson Barreto, em busca de uma teta para abrigar os próprios lábios e os apaniguados sedentos de poder.
Diante da movimentação escrota, descarada e antipolítica, houve certo silêncio inicial – que durou, pasmem, até a semana passada! Silêncio quebrado apenas pelo recado duro de André Moura na imprensa, insurgido contra aqueles tirados a espertos que querem na Assembleia Legislativa posar de oposição, mas que atrás das cortinas fecharam robustos acordos para consolidar a força da já hegemônica bancada governista.
Em sua falação, André Moura foi cristalino como as águas do Caribe: “Espero que os deputados possam agir com coerência. Cada um tem independência suficiente. Ninguém é dono do mandato do outro, mas cada um tem de prestar contas do mandato a quem os elegeu”, acrescentando que prefere uma bancada reduzida, mas que seja oposição de verdade; e prometeu: “Vamos derrubar o muro do jogo duplo”. #Uia
É isso, então, minha gente: contra a falta de vergonha na cara, a falta de caráter, e a “inocência política” – assim mesmo, entre aspas –, só mesmo uma voz forte e decidida como a de André Moura, para ajeitar as abóboras na boleia dessa caminhonete chamada oposição sergipana, que corre o risco de desaparecer, caso não haja um líder capaz de aglutinar uma turma que já se imaginava governo, até encontrar o furacão Jackson Barreto.
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Por David Leite ©2015 | 11/02 às 15h15 | Reprodução permitida, se citada a fonte | Com informações da imprensa e fontes de pesquisa | Clique na imagem para ampliar. ‪#‎Curta‬ ‪#‎Comente‬ ‪#‎Compartilhe‬

O POVO DE ARACAJU JÁ ANDA SAUDOSO
DO COMUNISTA DE BOUTIQUE, QUEM DIRIA...
Após dois anos de mandato, esperava-se mais do prefeito de Aracaju João Alves Filho, e a população já se mostra saudosa do antecessor, que fez uma administração considerada por muitos como mais arrojada que a atual. Ontem, por exemplo, em entrevista ao jornalista André Barros (A8SE/TV Atalaia), o presidente do PSC/SE deputado André Moura deu nota 6 à gestão do democrata. “É verdade que ele fez muito, mas ainda falta cumprir algumas importantes promessas de campanha”, disse o parlamentar.
Pesquisa encomendada pelo Governo de Sergipe ao Instituto Padrão, para avaliar o potencial dos prováveis candidatos à sucessão em Aracaju, acendeu a luz vermelha na PMA. Ela aponta empate técnico entre o ex-prefeito comunista Edvaldo Nogueira, com ligeira vantagem para o tocador de zabumba – 19,7% contra 19,2% do Negão. Logo abaixo vem Valadares Filho, com 17,5%; Robson Viana, candidato dos sonhos do governador Jackson Barreto, com 4,5%; e a petista professora Ana Lúcia Menezes, com 2,5%.
Espécie de “balão de ensaio” governista, a candidatura do atual secretário de Planejamento e Administração, além de presidente estadual do PMDB/SE, ex-prefeito João Augusto Gama, também tem sido citada como concorrente pela mídia chapa-branca. Ele, no entanto, disse que não será candidato – isso significa que muito provavelmente o será, anotem!
O prefeito João Alves Filho ainda tem um ano e seis meses para provar que merece a renovação do mandato. Tem uma equipe de assessores muito fraca, com raras exceções, mas talvez consiga sair do marasmo pela vocação empreendedora que sempre o motivou. É nessa esperança – a de que reconquiste o coração do eleitor  que se fiam os correligionários e simpatizantes da gestão do democrata. Mas ao que parece, mesmo para ele, não será uma tarefa fácil.
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Por David Leite ©2015 | 10/02 às 08h00 | Reprodução permitida, se citada a fonte | Com informações da imprensa e fontes de pesquisa | Clique na imagem para ampliar. ‪#‎Curta‬ ‪#‎Comente‬ ‪#‎Compartilhe‬



TESE DO IMPEACHMENT É PLAUSÍVEL...
A bandalheira do PT não tem limites, avançando sobre instituições da República, com o fito de aboletar-se perpetuamente no poder. O partido abusa de estratagemas sórdidos, motivo mais do que suficiente para, dentro das normativas previstas na Constituição Cidadã, aplicar-lhe um corretivo forte, como o impedimento para Dilma Rousseff permanecer na presidência.
Por muito menos, o presidente Fernando Collor de Melo foi defenestrado do mando pátrio, com o auxílio luxuoso do PT e dos movimentos sociais de esquerda – antes de serem corrompidos, claro. Ao derrotar fragorosamente o candidato Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das primeiras eleições presidenciais diretas após o fim da ditadura (1999), o ex-governador alagoano entrou para a lista cara-pintada dos moralistas de então.
Trocando em miúdos: “impeachmar” um espertinho de meia tigela como Collor de Melo, o nordestino tirado a gente, pode. Fazer dele um exemplo de político punido por corrupção, idem. Já mandar para a cadeia o chefe do Mensalão e cultor juramentado do Petrolão ou impedir a continuidade do assalto praticado pelo PT de Dilma Rousseff, ah!, isso não pode. É golpe, é antidemocrático, é não aceitar o veredicto eleitoral. Bata-me um abacate com mel, raspas de limão e pitadas de gengibre...
A cambada que apoiou e saiu às ruas brandindo bandeiras verdes e amarelas no “Fora Collor”, pedindo a saída do boboca bacana, hoje nem sonha em caminhar em passeata, cobrando do PT ao menos um pouco de vergonha na cara, que dirá pedir o impeachment da governAnta mais bronca jamais vista – ela não sabe de nada, e isso é mesmo uma verdade sem contestação! Como disse o caro professor Fernando Henrique Cardoso, o respeito ao voto não redunda em permitir a bandalheira.
Aliás, o mesmo Fernando Henrique Cardoso que foi vítima do “Fora FHC”, quando veio à tona a denúncia de compra de votos – jamais provada, aliás – para a consolidação da reeleição! Ou será que essa turma já esqueceu disso, também? Lançar nas ruas o “Fora FHC” é legal, contra a petralhada, não! É golpe...
Comprovadas as devidas culpabilidades e decorridos os prazos legais para o processo judicial e seus contraditórios, havendo condenações, o impeachment é plenamente possível e necessário. Como o apoiei contra o danado do Fernando Collor de Melo, o apoio irrestritamente agora contra Dilma Rousseff, afinal, a lei é para todos, indistintamente... ainda! Sigamos...
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Por David Leite ©2014 | 09/02 às 11h05 | Reprodução permitida, se citada a fonte | Com informações da imprensa e fontes de pesquisa | Clique na imagem para ampliar. ‪#‎Curta‬ ‪#‎Comente‬ ‪#‎Compartilhe‬

OPOSIÇÃO, CADÊ TU?
A eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) é sempre o acontecimento político que marca o início do ano, sobretudo após a posse de um novo governo – não que a gestão de Jackson Barreto seja uma novidade para os sergipanos, mas pelo caráter de agora começar um período novo, como disse o próprio governador, “pós Marcelo Déda, pós PT”.
Não se estranha que o modelo republicano adotado no Brasil privilegia, desde sua fundação, o Poder Executivo em detrimento dos demais poderes, sobretudo o Poder Legislativo, tratado como subalterno. Vimos no plano nacional o Mensalão ser desvendado pela coragem de uns pouco homens públicos como o fio de um novelo gigante fabricado pelo PT, engrossado neste momento pelo Petrolão, com métodos ilegais de fomento e manutenção de uma bancada governista cativa a soldos generosos.
Em Brasília, três candidatos concorrem pela presidência da Câmara Federal, havendo um quase eleito (Eduardo Cunha, PMDB-RJ), que promete não fazer oposição ao Governo Federal, mas que diz, também, não será submisso à gestão Dilma Rousseff. Ele esclarece: “Estamos tentando construir uma candidatura partidária, uma candidatura da Casa, que busca o equilíbrio entre os Poderes”. Outro candidato, o governista Arlindo Chinaglia (PT-SP), luta com as armas terríveis que tem, ao que parece, sem chance de vitória. Enquanto um terceiro (Júlio Delgado, PSB-MG) marca presença, mostrando que existe um núcleo divergente do tal “consenso”.
Já em Sergipe, não por acaso, apenas o Poder Executivo apresentou candidato à Alese, o ex-prefeito de Itabaiana Luciano Bispo (PMDB), cujo grande mérito é ter com Jackson Barreto uma relação antiga e simbiótica, a ponto de, ainda como governador em exercício, JB ter nomeado para a Codise o irmão dele, Roberto Bispo, um cabra cheio de problemas com a Justiça, fato que desagradou sumamente a Marcelo Déda – dizem que até acelerou seu declínio, com o agravamento do estado de saúde.
Diz o bem informado jornalista Diógenes Bryner que “a chapa (governista) foi formada com o objetivo de desconstruir qualquer outra candidatura. Dela também participam dois deputados do PSD – Jéferson Andrade e Luiz Mitidieri –, o que isola o persistente Gustinho Ribeiro (do mesmo partido deles), que ainda mantém a candidatura e hoje terá encontro com o governador Jackson Barreto para uma decisão final. Se a própria legenda (PSD) não apoia o candidato, fica muito difícil.”
Trocando em miúdos: como até governistas muito ligados ao governador e apoiados pelos colegas deputados, caso de Gustinho Ribeiro e Garibalde Mendonça, enfrentam dificuldades para se firmar, a oposição, por seu turno, optou por não peitar o governador, talvez ainda aturdida com a fragorosa derrota de outubro, que deixou muita gente sem norte, como se ganhar ou perder não fizesse parte do jogo. O “luto” psicanalítico pode ajudar...
Convenhamos, quase nenhum político quer brigar com um governador em início de mandato, especialmente com um trator como Jackson Barreto, disposto a impor novas regras de gestão e um estilo político próprio de administrar. Como trabalha feito um jegue, por certo o novo mandatário não dará trégua a uma oposição cada vez mais minguada e vacilante. Talvez venhamos a ter uma oposição muito fraca, talvez a mais fraca dos últimos 30 anos, posto que poucos oposicionistas – diria até, raros oposicionistas! – aguentam ficar mais quatro anos longe das tetas do poder.
Em resumo: a oposição perde muito com a saída de Venâncio Fonseca da liderança e com sua indicação à Mesa Diretora  3ª secretaria. Perde mais ainda por não lançar candidato próprio e disputar com os governistas, uma ação política que teria o condão de mostrar as fragilidades do candidato danado que o governador JB escolheu para comandar o Legislativo estadual.
A oposição calou, ninguém teve coragem de dizer que Luciano Bispo, mesmo sendo gente boa e um cabra de fino trato, está melado dos pés à cabeça de malfeitos praticados durante suas gestões em Itabaiana. Improbidades que lhe serão cobradas pela Justiça mais adiante e poderão até custar seu próprio mandato – e isso é algo que não se pode desprezar numa “guerra”...
Por fim, lançar candidato próprio seria mais uma oportunidade para desgastar um governo que começa mal e tende a piorar, com o tempo. Ao mesmo tempo, parafraseando Eduardo Cunha, ajudaria a construir uma candidatura partidária (PSC e agregados), uma candidatura da Casa, que buscasse o equilíbrio entre os Poderes. Isso é óbvio, como as estrelas que despontam no céu no ocaso.
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Por David Leite ©2014 | 28/01 às 10h50 | Reprodução permitida, se citada a fonte | Com informações da imprensa e fontes de pesquisa | Clique na imagem para ampliar. #Curta #Comente #Compartilhe 

EDUCAÇÃO: VERGONHA NACIONAL; E OUTRO
BRASILEIRO AGUARDA NO CORREDOR DA MORTE
De volta ao batente, após alguns dias de sombra e água fresca, a notícia mais lamentável (para o futuro do país) diz respeito ao terrível desempenho dos alunos brasileiros no Enem 2014.
O ensino nas escolas públicas brasileiras anda ruim demais, já havia diagnosticado a Prova Brasil, cujos resultados, avaliando crianças do 5º e 9º ano do fundamental e do 3º ano do ensino médio, em português e matemática, foram divulgados em novembro.
Um resumo da tragédia: a cada dez alunos, nove terminam o ensino médio sem aprendizagem adequada em matemática – 65% não sabem reconhecer um quadrado, um triângulo ou um círculo; e cerca de 60% não conseguem localizar informações essenciais num conto ou reportagem.
A Prova Brasil é usada para compor o principal indicador da qualidade da educação nas redes pública e privada no país, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Em 2013, 23 estados ficaram abaixo da meta projetada – menos Amazonas, Pernambuco, Rio de Janeiro e Goiás.
Agora, além da queda na nota da redação do Enem, meio milhão de candidatos zerou a prova. Especialistas apontam justamente o provável número de “analfabetos funcionais” como causa fundamental para resultados tão desesperadores. Ou seja, são alunos aprovados em anos anteriores e no final do ensino médio, mas que não sabem ler um enunciado, explicar uma ideia ou escrever um texto com encadeamento e lógica.
Todos os indicadores convergem para o mesmo diagnóstico: estamos na rabeira! O Pisa (prova internacional de competências), por exemplo, fornece resultados similares há anos, num ranking em que os alunos brasileiros ocupam o desonroso 58º lugar entre 65 países.
Está comprovado que somente a educação de qualidade consegue diminuir as desigualdades econômicas e sociais, um dos maiores gargalos a impedir o aumento da produtividade, e por consequência, do desenvolvimento sustentável no Brasil. O Enem traz o alerta importante: não podemos mais adiar a reforma no sistema educacional, ou a competitividade do país estará seriamente ameaçada.

Morte... aos traficantes de drogas – Na Indonésia estão algumas das mais badaladas e belas praias do planeta, chamarizes para surfistas e aventureiros do mundo inteiro.
As ilhas de Bali e Java são destinos obrigatórios no sudeste da Ásia. Maior arquipélago do mundo, fincado na encruzilhada de dois oceanos – o Pacífico e o Índico – e dois continentes (Ásia e Austrália), a Indonésia é um mosaico de culturas, reunidas sob forte pressão religiosa.
De uns tempos para cá, intelectuais e políticos seculares lutam para manter a harmonia religiosa do país – o hinduísmo e o budismo são também presentes –, e as vozes moderadas estão revoltadas com a direção tomada, sobretudo no governo de Susilo Bambang Yudhoyono, substituído em fins do ano passado por Jako Widodo, um populista amplamente favorável à pena de morte.
Com mais de 250 milhões de habitantes, a Indonésia é o país com maior maioria muçulmana (87%) do mundo e sofre um processo de radicalização islâmica e intolerância contra tudo o que não for muçulmano. O turismo é levado a sério, no entanto a caça às drogas elevou-se sobremaneira.
Jako Widodo é o primeiro presidente do país sem vínculos com a ditadura do general Hadji Mohamed Suharto, outro populista sanguinário. Elegeu-se com a plataforma de ampliar o cerco aos traficantes. Punir com a morte entra no bojo dessa “política” de governo – um recado aos cartéis ocidentais para evitarem o país, que se transforma a cada dia em foco do jihadismo.
O surfista brasileiro Rodrigo Muxfeldt deve ter o mesmo destino de Marco Archer Cardoso Moreira, o conterrâneo fuzilado no sábado. Na Indonésia, tolerância mesmo apenas com assassinos. Só em 2014 foram soltos mais de 300 terroristas, e mais de 1000 tiveram penas comutadas nos últimos dez anos.
Dilma Rousseff andou pregando o diálogo com terroristas. Talvez agora a nossa governanta se convença que é tarefa amplamente impossível manter relações amigáveis, quando envolve essa gente configurada nos ditames e ideias da Idade Média.
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Por David Leite ©2014 | 19/01 às 12h25 | Reprodução permitida, se citada a fonte | Com informações da imprensa e fontes de pesquisa. #Curta #Comente #Compartilhe

“INOCENTES” INÚTEIS, OS JUDEUS E O MALDITO
CAPITALISMO: TUDO JUNTO E BEM MISTURADO!
O mundo vive uma crise moral, um momento delicado, quando radicais islâmicos querem impor à humanidade, por meio da força bruta, um “estilo” de vida segundo leis religiosas. Mas sabem de quem é a culpa por esses coitadinhos agirem assim? Dos ubíquos judeus – sempre eles – e do maldito capitalismo. Os “inocentes” inúteis da esquerda até gritam que o “Charlie Hebdo” abusava...
O engraçado de tudo isso – se é que podemos rir, ainda mais diante da morte! – é que aquela redação esquerdista era reconhecida mundialmente por ser extremamente antirracista, antifascista e anticolonialista. Se havia conteúdo crítico ao islamismo, havia também contra o cristianismo e o judaísmo. Trocando em miúdos: o “Charlie Hebdo” sempre foi, antes de mais nada, um jornal provocativo, satírico, “subversivo”, anticlerical e por vezes até antirreligioso. E daí? É crime estimular o ódio (aqui e na França). Não era o que fazia o fanzine, afeito apenas à ironia.
Agora há pouco, vi pela TV parte da entrevista coletiva da turma que sobreviveu ao massacre de quarta-feira em Paris e que já prepara a edição do “Charlie Hebdo”, prevista para circular a partir de amanhã, com o auxílio luxuoso do “Libération”, do Google e do governo Francês. Serão três milhões de exemplares em 16 línguas, ante os 60 mil da última edição. O tiro saiu pela culatra, vê-se. Na capa, um Maomé choroso, dizendo que tudo está perdoado e segurando um cartaz com a frase “Je suis Charlie”. Quem riu por último, afinal? Os radicais, onde quer que estejam, terão de engolir mais essa. #Uia
Misturando as bolas, surgem no contexto do debate os judeus; sempre eles, aliás... Os fascistas europeus e americanos – brasileiros e sergipanos, também –, o grupo radical egípcio Irmandade Muçulmana, os terroristas degoladores do Estado Islâmico e os plestinos do Hamas concordam que os judeus devam ser exterminados. A questão palestina pesa, mas é apenas uma nesga a provocar o ódio a um povo com maior número de laureados pelo prêmio Nobel desde sua criação.
Várias colônias de judeus foram estabelecidas em terras confiscadas de proprietários nativos não-judeus na faixa de Gaza e arredores, ao custo de muitas vidas, inclusive de mulheres, crianças e adolescentes. Alguém ouviu um “ai” da imprensa ocidental? É visível a disparidade no valor da vida humana aos olhos do mundo ocidental: palestinos morrem feito baratas e, isolados na pobreza, são descartáveis; já os judeus quase sempre são sacralizados, que o diga a comoção em Paris pela morte de quatro deles num atentado correlato ao do “Charlie Hebdo”.
A mídia ocidental trata como “resposta” as ofensivas de Israel contra os palestinos, como se a resistência palestina não fosse, ela própria, um grito contra a opressão israelense. Se o Hamas mata judeus, não interessa quem os matou, ou sob quais circunstâncias. Toda a população palestina sofrerá – mais do que já sofre, normalmente, sob ocupação. A questão é que Israel, único enclave democrático no Oriente Médio, é visto como reduto do mal, enquanto o Hamas promove na Faixa de Gaza um regime onde prevalecem as “leis de deus”, conforme ditadas ao profeta Maomé.
Estamos diante de uma armadilha, e é preciso lutar para não sermos arrastados ao extremismo – os crimes contra a vida, perpetrados por insanos, não devem ser relativizados, advenham eles de militares norte-americanos mundo afora ou de judeus no Oriente Médio, de radicais islâmicos contra uma escola do Paquistão, em Paris ou no Iraque. Eis a questão: para justificar o arraigado antissemitismo e antiamericanismo na Europa e na América Latina, sobremodo, aceita-se até que o mundo retroceda à Lei Islâmica (Sharia). Não há como aceitar tamanha involução, óbvio.
Misturando as bolas um pouco mais, surge o maldito capitalismo e a guerra fria contra o regime assassino mais degradante da história humana, responsável por mais de 100 milhões de mortes, o comunismo! Atualmente, a maioria dos movimentos radicais islâmicos, no mundo todo, tem ligação com a ultraconservadora e reacionária seita wahhabismo, que controla a vida política da Arábia Saudita, do Catar e de outros aliados do Ocidente no Golfo Pérsico. Mesmo violento, direitista, extremista, reacionário, sexista e intolerante, o wahhabismo, direta e indiretamente, ainda hoje, mesmo após o 11 de setembro, recebe apoio de norte-americanos e europeus, numa contraposição ao regime russo. Durma com um barulho desses...
No passado, mais precisamente entre 1979 e 1989, os wahhabis vindos de todos os cantos do mundo islâmico foram treinados, financiados, armados e empregados no Afeganistão pelo Ocidente e seus aliados, para lutar a “Guerra Santa” contra os ateus comunistas. Não foi uma luta fácil, mas o resultado da guerra é conhecido: a União Soviética e o comunismo entraram em colapso econômico e psicológico. Entre os guerrilheiros estrangeiros envolvidos na “jihad” aos infiéis esquerdistas estava o jovem saudita Osama Bin Laden, criador e mentor da notória Al-Qaeda.
Os governos ocidentais que estimularam os wahhabis contra a URSS agora se veem, temerosos, diante do monstro criado. Mas como esses grupos se mantêm? Aparentemente, o apoio financeiro dos que atuam a partir e no Egito, Tunísia, Líbia, Síria, Iêmem, Barein, Iraque, Irã, Afeganistão e Paquistão vem de doadores ricos na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes, e as suas raízes ideológicas estão no extremismo islâmico radical saudita, que permanece crescente.
Não será fácil cortar uma fonte econômica tão poderosa, alimentada pelos petrodólares e pelo ódio tribal, agravado ainda pela perda de influência política dos xeques árabes, de maioria sunita, contra xiitas e outras etnias alocadas no Norte da África, no Oriente Médio e Ásia Ocidental. A imposição da Lei Islâmica seria, então, uma mera “cortina de fumaça” a atuar em favor de interesses políticos?
Até um século atrás, a maior parte das sociedades muçulmanas, inclusive as da Síria, Iraque, Irã, Egito, Indonésia e Palestina eram absolutamente seculares e moderadas. Estavam muito mais preocupadas com a vida, o entretenimento, e até mesmo com a moda, do que com dogmas religiosos. Devemos lembrar ainda que o islã não é apenas uma religião; é também uma enorme cultura, uma das maiores do planeta, que enriqueceu a humanidade com conquistas científicas e arquitetônicas e com contribuições no campo da medicina, na música e nas artes. O que mudou?
Mudou a imposição do Ocidente, após a Segunda Guerra Mundial: a existência e a popularidade de governantes muçulmanos progressistas e marxistas administrando países ricos em recursos naturais eram claramente inaceitáveis, sobretudo se pretendiam usar aquela riqueza para melhorar a vida de seus povos. O que sobraria para corporações capitalistas? No livro autobiográfico “Confissões de um Assassino Econômico”*, o americano John Perkins explica como organizações internacionais (FMI, Banco Mundial, etc) canalizaram, através de empréstimos, verbas de países pobres para grandes corporações e famílias abastadas, que controlam as maiores fortunas mundiais.
A luta contra o imperialismo Ocidental, portanto, sobretudo o norte-americano, artífice de guerras que devastaram boa parte da infraestrutura de nações antes prósperas, como o Iraque, e que persiste na dilapidação de riquezas, especialmente do petróleo e do gás natural, estaria na raiz do engajamento dos milhares jovens pobres e iletrados contra os infiéis bem nutridos da Europa e Estados Unidos, sem falar que é um grande negócio para os radicais islâmicos absorver e gerir um patrimônio fantástico, seja ele em termos de grandes vastidões de terras e o petróleo, obviamente.
Por outro lado, moços e moças nascidos no Ocidente, descentes de imigrantes, encontram em sua maioria um clima de crescente xenofobia na Europa. A “inadequação” ao modo de vida ocidental e a falta de educação, de acesso a trabalhos dignos e de respeito à cultura religiosa fomentam a ira e ódio, e também estimulam que mais de dois mil jovens europeus, envolvidos pelo discurso motivacional pregado por líderes religiosos wahhabis não mais nas mesquitas, de onde parte deles foi expulsa, mas na internet, funciona como chamariz para uma vida aventureira nos desertos.
Em resumo, “inocentes” inúteis, judeus inescrupulosos controlando grande corporações financeiras, o maldito capitalismo devotado a dilapidar de muitos para enriquecer uns poucos, a falta de perspectivas de futuro e de melhores condições de vida para uma juventude oca e fragilizada, tudo junto e bem misturado, fomentam ataques como o perpetrado ao “Charlie Hebdo”, apenas o bode expiatório de uma “causa” muito maior. O mundo ideal seria aquele onde todos pudéssemos viver em paz, cercados de justiça social e qualidade de vida. A ganância e a intolerância – de todo tipo – são as verdadeiras chagas, responsáveis pelo atraso e regressão da humanidade. Pensemos nisso...

(*) Leia resenha sobre o livro “Confissões de um Assassino Econômico” em http://abraoolho-dmilk.blogspot.com.br/2011_08_28_archive.html.
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Por David Leite ©2014 | 13/01 às 18h00 | Reprodução permitida, se citada a fonte | Com informações da imprensa e fontes de pesquisa | Clique na imagem para ampliar. #Curta #Comente #Compartilhe

A ESQUERDA CALA SOBRE ATENTADO EM PARIS
PORQUE NO FUNDO CONCORDA COM O ATAQUE
Não ocorre por acaso o silêncio da esquerda brasileira quanto ao ataque covarde que dizimou quarta-feira passada a redação do satírico “Charlie Hebdo”, jornal de humor francês. No fundo, lá bem no fundo da alma, parte dessa turma muito bem colocada nas esferas do Poder Central gostaria de também decapitar ou fuzilar os adversários – neste caso, como os assassinos integram grupos armados anti-EUA, os inimigos dos meus inimigos são meus amigos: advém desse conceito o “apoio” enrustido!
Canalhas, vagabundos e miseráveis são os que atribuem abuso ao “Charlie Hebdo”, por fazer chacota de qualquer coisa. Que charge poderia suscitar tanto desprezo à vida, mesmo se desperta ira e ódio? A que exibe um demente Maomé sendo arrastado numa cadeira de rodas por um judeu? Ou a do beijo na boca entre um clérigo sunita e um dos chargistas do polêmico semanário, a simbolizar que o “amor”, mesmo entre os contrários, é possível? Batam-me um abacate com mel e lascas de limão, por favor.
Se os terroristas acham que assassinando inocentes – mesmo que provocadores – vão intimidar, estão muito enganados... Vamos caçar todos os intolerantes, mas mantendo o que nos faz melhor do que esses lacaios do mal: sob a força da lei, da tolerância e do convívio entre os contrários. O governo brasileiro e sua súcia de opinadores bem pagos com dinheiro público silenciam ante o terror. Já nós, o povo brasileiro, somos solidários com os corajosos jornalistas e humoristas que perderam suas vidas defendendo um dos maiores valores humanos: o direito à expressão de ideias.
A luta agora é por manter esses valores em voga. Nada de esmorecer! Sejamos machos uma vez na vida e mostremos que ninguém imporá valores religiosos ou seu “estilo” de vida sem reação. O Brasil ainda não foi palco de atentados como o de Paris, mas os serviços de inteligência do governo sabem da existência de células terroristas em pontos da fronteira com o Paraguai e Argentina, e também em algumas áreas de São Paulo. Como está o monitoramento desses grupos violentos? Vão deixar que algo aconteça, para então emitir uma nota chocha (e inócua) de pesar?
Fico aqui a imaginar qual teria sido a reação da “intelligentzia” brasileira, fosse o alvo não um jornal de humor escrachado e até mesmo radical, mas uma publicação comunista, como o “L'Humanité”, sendo atacado por cristãos de direita revoltados com as críticas à Igreja. Aliás, alguém ouviu falar sobre a construção de algum templo cristão em países islâmicos como o Irã, após a chegada ao poder nessas nações dos radicais fundamentalistas do Corão? Ou mesmo de algum atentado porque alguém queimou uma bíblia? Eis a diferença entre tolerância e o contrário...
Como os leitores já devem ser percebido, sou adepto da ironia sem pejo e do humor descarado. Morri um pouco com o assassínio de gente tão cheia de talento e... bom humor! De gente que, como eu, vive a rir da vida, de si mesmo, dos outros, em busca de um mundo melhor, onde a diferença de pensamento seja o grande patrimônio a gerar mais e mais riqueza intelectual, um bem pessoal e intransferível, mas plenamente compartilhável. Meus pêsames.
Somos todos “Charlie Hebdo”!

PS – Não é preciso dizer que o assunto em pauta neste escrito não foi alvo do interesse da “imprensa” sergipana, atolada de esquerdistas! Aliás, é um assunto chato demais, convenhamos.
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Por David Leite ©2014 | 10/01 às 15h00 | Reprodução permitida, se citada a fonte | Com informações da imprensa e fontes de pesquisa | Clique na imagem para ampliar. #Curta #Comente #Compartilhe