GUSTINHO RIBEIRO, O LÍDER DOS DORMINHOCOS
E DA CACHORRADA QUE LADRA, MAS NÃO MORDE
Enquanto escrevo estas bem traçadas linhas --hoje, graças ao computador, nem Nosso Senhor escreve doutra forma--, o letárgico líder do governo na Assembleia tira uma boa soneca. Não, minha gente, o deputado Gustinho Ribeiro não sofre de hipersonia (ou sonolência excessiva), distúrbio cuja pessoa acometida tem dificuldade para se manter acordada durante o dia. O cabra é somente membro proeminente da Confraria dos Preguiçosos Contumazes (CPC).
Aliás, certo está o relapso lagartense, quando prefere roncar até o meio dia (e depois do almoço, ainda fazer a siesta --ninguém é de ferro!). Não é moleza comparecer ao local de trabalho se ao final do mês o gordo provento cai no bolso, mesmo sem se fazer presente. Convenhamos, já seria tedioso para Gustinho Ribeiro apenas representar o governo dos famosos bichos-preguiça. A piada maior é ele representar justamente o governo dos mamíferos vagarosos, uma gestão ociosa, sendo ele próprio um indolente de marca maior! Mas dormir em demasia concede “virtudes”.
Gustinho Ribeiro tem sido alvo de piadas. A mais hilária conta sobre um pesadelo com requintes de crueldade, que supostamente teria ele tido. Dizem as más línguas que o deputado governista até caiu da cama e teve de ser medicado, após atirar a própria cabeça ao chão. Motivo: enquanto ressonava, Gustinho Ribeiro se imaginou no plenário da Assembleia e pediu um aparte ao líder da oposição, que descia o sarrafo na gestão preguiçosa. Venâncio Fonseca teria negado o tal aparte, alegando o Regimento Interno. “Vossa excelência não pode se pronunciar deitado e usando pijamas. E por favor, escove os dentes...”
A CPC é onde Gustinho Ribeiro se sente em casa. Tem homenagens de todos os tipos oferecidas pelos confrades --Medalha de Honra ao Mérito Dorminhoco”, “Medalha de Ouro em Sonolência Diurna e Noturna”, “Troféu Olímpico de Ronco e Flatulência em Sofás e Poltronas” e o cobiçado “Medalhão do Preguiçoso Real”, a mais alta honraria da comunidade roncadora... Bicho-preguiça juramentado, com anos de dormências homéricas, o líder da pestana não admite que lhe critiquem o espírito prostrado. Se alguém se atreve a fazê-lo, lá vem Gustinho Ribeiro com coisas do tipo “Vá latir longe daqui...” Opa, que cachorrada é essa? Latir?
Pensando bem, creio até que o líder dorminhoco tenha acordado para um fato que pode ter-me passado despercebido, mesmo sendo eu um sujeito hiperativo (com diagnóstico e tudo!). De uns tempos para cá, o governo sergipano mudou de mãos, e toda mudança sugere, digamos assim, uma representação no mundo animal... E eis aqui um bom motivo para a desaforada discórdia entre o PT de Marcelo Déda (a turma dos bichos-preguiça) e a gestão “transitória” do vice-governador Jackson Barreto: vivemos atualmente um desgoverno cachorro! Cachorro com a saúde, cachorro com a segurança, cachorro com os servidores públicos, cuja inflação corrói o parco salário...
Parabéns, então, ao líder dos preguiçosos e da cachorrada! Gustinho Ribeiro descobriu que animal mais se parece com o governo que tão bem representa. Não obstante, o meu querido amigo governador em exercício Jackson Barreto ser na verdade um camaleão, que muda de cor conforme a conveniência! Mas isto é assunto para outro dia, outra hora, outra conversa... Cansei! Vou tirar uma roncadinha, gente!
Por David Leite | 07/11 às 17h50 

O COMUNISTA DE BOUTIQUE SAI DA TOCA
Ocorreu de eu acordar de manhã cedo com uma voz rouca ao meu pé de ouvido. O ex-prefeito Opará, o comunista de boutique Edvaldo Nogueira, descia o sarrafo no Negão, em entrevista ao programa de André Barros e Rosalvo Nogueira (Jovem Pan FM). Edvaldo Nogueira não é bobo. Foi direto ao ponto. Disse haver “faltado trabalho de manutenção na cidade”, para evitar a carga das inundações de domingo e madrugada de segunda-feira. Estava coberto de razão. O serviço de limpeza pública perdeu em qualidade, é fato!
Piada pronta, contudo, foi ouvir o comunista de boutique afirmar que a PMA tinha condições de arcar com a iluminação pública sem precisar tarifar a população, já muito aviltada. “O Democratas costuma criticar a carga tributária do País, mas onde administra gera mais impostos”. Bingo! Pegou o Negão na contramão, e o danado vai dizer o quê? Edvaldo Nogueira fez diversas críticas à gestão de João Alves Filho e salientou que os aracajuanos não precisam ter paciência com o atual alcaide, por se tratar de uma figura experiente, com anos de estrada... Ai, ai...
Convenhamos, parte das queixas do ex-prefeito tem razão de ser. João Alves Filho parece meio bolado! É como se ele estivesse em permanentemente transe ou sob efeito de algum ansiolítico. Quem assistiu ao prefeito de Aracaju conversando em pleno meio dia com Suzane Vidal (TV Sergipe), observou a dispersão e a falta de concatenação das ideias. Chegou a ser engraçado o próprio Negão admitir que foi barrado por populares em bairros que visitou. Ao não responder às perguntas e ainda dizer que está tudo resolvido, o Negão gerou mais dúvidas sobre as ações da PMA!
Ou seja, como diria meu amigo Marcos Cardoso, na patuleia já começa a bater uma certa saudade de Foguinho. Ao menos, com o comunista de boutique no comando, os vermelhos que hoje permanecem de serviço na PMA --e são muitos, pode crer!-- tinham maior agilidade. Tomara que o recado do ex-prefeito tenha despertado o Negão...
Por David Leite | 05/11 às 19h00  

PESQUISA PADRÃO E A FORÇOSA PERGUNTA:
POR QUE JACKSON BARRETO NÃO DECOLA?
Um dos mais acreditados centros de pesquisas eleitorais de Sergipe, o Instituto Padrão realizou aferição entre os dias 20 e 22 de outubro, em 34 municípios, com margem de erro de 3,5%. Os resultados (veja ilustração à página; clique na imagem para ampliar) revelam, ao meu ver, um dado com efeito relevante sobre o moral dos governistas e, acima de tudo, entre os petistas, destronados do poder pelo governador de Sergipe em exercício Jackson Barreto: a candidatura do vice-governador não decola, mesmo diante dos gastos milionários em propaganda e do uso abusivo da máquina a fim de cooptar, para ficar numa palavra amena, lideranças políticas.
Qual seria, então, a razão primeva para essa falta de reciprocidade do eleitor? Não se deve esquecer que, mesmo sendo um político “das antigas” --e talvez exatamente por este motivo--, Jackson Barreto desperta no público certo sentimento de repulsa. Falastrão contumaz, loroteiro de primeira hora e detrator dos adversários, gente com quem invariavelmente já esteve em algum pleito, o candidato do governo tem ainda contra si um passado desastroso, com severas acusações de “improbidade administrativa”, ainda do período da cassação do mandato de prefeito de Aracaju (1988), processo conduzido pelo então governador (e hoje senador) Antônio Carlos Valadares, com o auxílio luxuoso do voto do então deputado estadual (e hoje governador licenciado) Marcelo Déda.
O eleitor sabe que pode confiar em Jackson Barreto para funções onde não esteja envolvida a ordenação de despesas, tanto é que elegeu Jackson Barreto deputado federal e logo em seguida vice-governador. Outra coisa é entregar a um político um dia considerado “o segundo maior ficha suja do Brasil” (de acordo com o programa “CQC”, da Rede Bandeirantes) as chaves dos cofres públicos. O povo não é bobo, apesar de muita gente achar-se detentor da condução da sabedoria popular, tratada nem sempre com o devido respeito. Talvez residam nestas dolorosas constatações a incapacidade de Jackson Barreto decolar nas pesquisas eleitorais, motivo para deixar seus assessores em polvorosas e com os nervos à flor da pele.
Para piorar o cenário, a população já foi informada que, caso Marcelo Déda não renuncie ao cargo, para concorrer à sua sucessão, Jackson Barreto terá de desincompatibilizar-se do cargo que hoje ocupa, se quiser concorrer --assim diz a legislação em vigor! Sem as benesses da máquina, o vice-governador perde muito da força política e financeira. Em contraposição, o prefeito João Alves Filho, sempre despontando na primeira colocação nas pesquisas, não parece disposto a abdicar do certo pelo duvidoso. O Negão já percebeu que a missão a ele confiada pelo eleitor, de resolver os problemas de Aracaju, exige dele que permaneça onde está, mantendo assim a aliança com Eduardo Amorim, que segue sendo a novidade no cenário, e incômodo para os adversários.
Por David Leite | 30/10 às 08h05 | (C)2013

DESTEMIDA E MUITO OPORTUNA A
ENTREVISTA DE EDUARDO AMORIM
Políticos são todos iguais ou alguns seriam mais iguais que os outros? François-Marie Arouet, mais conhecido pelo pseudônimo Voltaire --antes de tudo, um polemista!--, se debatia em lutas titânicas contra as opiniões falsas, condenando toda atitude fundada na crença e na superstição ou ainda nos pensamentos puramente abstratos. Mas não devemos esquecer de suas convicções sobre o poder da verdade, da sabedoria e da felicidade. Fundado na premissa de que “o homem deve construir sua própria felicidade e ajudar seu próximo a ser feliz: a mais bela virtude é a benevolência; a grande lei da espécie é o trabalho”, é que leio a entrevista de Eduardo Amorim ao Cinform, edição desta semana (clique na imagem para ampliar).
Ao mesmo semanário, na edição anterior, Jackson Barreto, governador de Sergipe em exercício e candidato à sucessão do governador licenciado Marcelo Déda, acusou o grupo ao qual o senador comanda de agir como “predador”, e que “a sociedade brasileira e sergipana não aceita mais esse tipo de ação predatória”. Parece piada Jackson Barreto dizer-se preocupado com os cofres públicos --sim, a assertiva contra o adversário tem este tom generoso! Aliás, sobre predação do Erário, o danado do falastrão é autoridade notória, com carradas de processos por “improbidade administrativa” descansando nos escaninhos do Supremo Tribunal Federal. O Brasil é uma mãe com políticos “predadores”.
Meu herói filosófico francês discorria sobre a natureza da alma humana sem aquelas travas do “bem” e do “mal” bíblicos. Qual é o destino do homem, afinal? O homem bom existe? Ao dirigir-se em resposta a Jackson Barreto, Eduardo Amorim fez ao Cinform uma afirmação bastante voltaireana: O passado de cada um dirá quem é “O” predador --“(Mais) Uma atitude para querer enganar o povo”, comenta o senador sobre as palavras de JB, que julga serem “inapropriadas” para um governador e candidato. Como discordar de Eduardo Amorim ao afirmar uma verdade incontestável sobre quem é JB? “Quando se diz que ele (Jackson Barreto) está zen, é porque é do interesse dele estar. Mas as atitudes e as práticas dele são as mesmas do passado, que foi devastador...”
A entrevista merece ser lida porque revela as intenções de um político que se diz diferente. Políticos são todos iguais ou alguns seriam mais iguais que os outros? Leiam e reflitam.
Por David Leite | 28/10 às 12h15

PS: Havendo dificuldade para ler mesmo quando o texto for ampliado, sugiro baixar o arquivo e lê-lo no seu processador de imagens.

EDUCAR PARA NÃO PRECISAR PUNIR --É SIMPLES!
O Brasil é um país cruel com os mais pobres. Se a pessoa é negra, tanto pior. Os números são claros neste tocante: segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) sobre racismo no Brasil divulgado dia 17 deste mês, a possibilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior do que um branco; como resultado, a expectativa de vida de um homem brasileiro negro é menos que a metade de um branco. Na raiz do problema, a questão da educação. O país busca pelas políticas afirmativas --as famigeradas cotas raciais!-- resolver a situação. Não vai dar certo...
Sou um otimista inveterado. Acredito na educação como elemento de transformação social e moral, especialmente a pública (estudei em escolas públicas e apenas a minha especialização fiz em uma universidade norte-americana, com bolsa custeada). Mas inclusão social só funciona se for completada pela capacitação que prepare para a vida profissional e garanta emprego bem remunerado. Sem oportunidade de ascender socialmente, o moral do jovem pobre (e negro) se esvai. A baixa autoestima acaba compensada pela revolta contra a sociedade, um dos mais relevantes motivos para o assustador aumento da violência, especialmente entre os adolescentes. A discussão da revisão, a menor, da maioridade penal ressurge forte (93% da população a favor) justamente por causa disso.
O baixo nível da educação no Brasil não ocorre pela falta de dinheiro, mas de boa gestão e oportunidades. Num comparativo com outras nações, o patamar atual de investimento (5,8% do PIB) é proporcionalmente próximo do observado nos EUA e na Alemanha, e supera os do Japão, China e até da Coreia do Sul. O país carece é de ousadia e de planejamento visando a atender demandas estratégicas --se faltam médicos, formemos milhares deles; o mesmo para engenheiros! Revolucionar a educação corresponde a remunerar os professores por desempenho e deixar de designar diretores e supervisores escolares por interesses políticos; equipar as escolas com laboratório, biblioteca, gabinete médico e odontológico, serviços de aconselhamento psicológico e constante investimento em artes: música, teatro, pintura, dança, folclore, artesanato etc.
Além dessas medidas, a escola precisa ser um farol para as comunidades onde estão inseridas. Abri-las para receber grupos de pais para a prática de atividades esportivas e recreativas, cursos de alfabetização e profissionalizantes (corte e costura, crochê, renda etc). Cada unidade deve ser instada a promover concursos (poesia, olimpíadas, artes etc), não apenas para o alunato, mas para envolver amigos e parentes dos alunos. O propósito da educação é preparar o indivíduo para as responsabilidades da cidadania. Escola e comunidades juntas equivalem por altíssimos investimentos em políticas de efeitos duvidosos e que, ao fim e ao cabo, provaram-se inúteis para evitar que tantos brasileiros ainda estejam na pobreza.
Muito do que aqui foi dito é de simples aplicação e retorno relativamente rápido. A Coreia do Sul apostou nisso e hoje é um sucesso de meritocracia social e desenvolvimento econômico --o país concorre com os mais ricos do mundo e tem sido competente na guerra comercial e de talentos intelectuais. O Brasil pode dar melhores exemplos para o mundo do que apenas o futebol, as mulheres bonitas e as paisagens de tirar o fôlego dos turistas. Precisamos crescer como nação. É preciso acabar com a matança dos nossos jovens. Educar é o princípio básico que vai evitar punir no futuro. Uma lição tão antiga, mas ainda não muito bem assimilada por nossos líderes políticos e, lamentavelmente, pela própria sociedade, que segue enganada por políticas públicas embromadoras...
Por David Leite | 20/10 às 19h55 (Horário de Brasília) 

DESTA “VIAGEM NA ARGILA” SURGE UM
JOZAILTO LIMA FEITO DO PURO BARRO
Devo advertir, a tarefa de ler poesia para criticá-la mais adiante jamais me passou à cabeça. Desvendar os mistérios do coração e da alma de um poeta requer afastar-se da realidade e adentrar em sua essência. A inteireza da forma lírica a lhe induzir o fazer poético nem sempre salta aos olhos! A incompreensão da poesia advém daí. Os poetas são antigos, como antiga é a vida, o sublime e o profano. Um homem realista, sincero consigo próprio e os demais, direto e eficaz nas palavras, teria a competência dos bons críticos para interpretar os versos de um poeta e traduzir em palavras o significado de sua prosa? Veremos...
Sempre me questionei se o velho dilema da essência e da existência poderia ser explicado pela narrativa poética. Para encontrar a resposta, percebi que seria necessário mais do que a simples leitura da poesia. O coração do homem tem catedrais imensas, ainda pouco exploradas na inteireza. Em “De Profundis”, guiado por dolorosa paixão, outras vezes pela raiva e compaixão, Oscar Wilde sugere como aflora o sujeito poético na alma humana. Diz o dramaturgo: “Por detrás da alegria e do riso, pode haver uma natureza vulgar, dura e insensível. Mas por detrás do sofrimento, há sempre sofrimento. Ao contrário do prazer, a dor não usa máscara.”
Então, o “sentimento” deveria ser o Norte... Todavia, analisar a coletânea de poemas de Jozailto Lima reunidas em “Viagem na Argila” não constituiu tarefa simples. Nada é fácil quando a alma é grande! O penar existe no poeta, mas está dissimulado... O autor ironicamente diz que “poesia não precisa de alma”. Estaria apenas fingindo? Vem certamente de alguma de suas muitas “almas” a angústia, a sofreguidão do homem sertanejo, de cuja terra seca Jozailto Lima peneira pedregulhos e os transforma em... “peixe no deserto:
só sei que quando menos espero, ei-la-me aqui e ali
– peixe inteiro, com todas suas espinhas borbulhando
na minha garganta – pulsante, querente, pedinte
em fardos e flagelos. de repente, faz-se meu pote instantâneo
de luz e explosão. de rodilha em mãos,
tecida daqueles meus panos mais imprestáveis,
quero-me sempre pronto a alçá-la do nada
à página, do breu à luz, bastando o mais simples bote.

[arte poética (a rodilha e o pote), Jozailto Lima]
Analisar textos poéticos exige submersão e submissão à poesia e ao poeta. As experiências vividas estão por toda parte na obra de Jozailto Lima. Ao não negá-las, colocou sua alma nos lábios da própria vida. A negação da alma, que seja por um único instante da existência, cega o coração e sem a visão do coração, de nada serve possuir o atento “olho de sabre”:
lama e alma
são irmãs
na mesma
carne calma.

Na idêntica lâmina
linguística, suja ou alva,
e no alinhamento de eles, de as e emes.

Alma e lama:
tudo clama
a mesma tábula
onde o raso se afunda
e o fundo se arrasa.

[alma e lama, Jozailto Lima]
Poderia citar muitos outros bons exemplos para expressar quão maravilhoso é ler (e apreciar) a poesia de Jozailto Lima. Nela tudo está bem encaixadinho, como se o poeta – modernista, sem afetação – fosse só um construtor de letras. Engana-se, porém, quem não percebe a sombra dele mesmo no fôlego daquele compasso com descompasso, da alegria e euforia que descamba em tristeza para, imediatamente, cair na gargalhada, interpelando o “outro”, que em essência é sua própria alma gêmea. Ele... e ponto!
Nesta “Viagem na Argila”, Jozailto Lima alude de que barro saímos muitos de nós nordestinos, de como viramos “utensílios” para a fornalha da vida. Jocoso, brinca quando nos transformamos em serventia ao desejo alheio e nos faz imaginar como ao barro voltaremos, se a verdade estiver certa quanto a existência de algo mais que... o NADA. Assim, mais do que poeta fingidor da dor, Jozailto Lima é o filósofo arguto e generoso nascido desse barro – e é neste exato ponto que sua poesia cresce e se eterniza.
Por David Leite | 13/10 às 20h10

O “MAIS MÉDICOS” É SÓ OUTRO ENGODO POLITIQUEIRO
O Brasil é o país do fingimento. O governo finge a governança e o povo finge acreditar que há governo! Os políticos fingem dizer a verdade e o povo... bem... Vejamos essa patifaria política e eleitoreira chamada “Mais Médicos”, outra fantasiosa criação do governo do PT.
Não há dúvida quanto à extrema necessidade de serviços de saúde eficientes, sobretudo no interior. De fato, o número insuficiente de médicos e a falta de medicamentos comprometem a qualidade do atendimento oferecido à população. Segundo o Ministério da Saúde, há 1,8 médicos para cada grupo de mil brasileiros. Na Argentina, são 3,2 médicos por mil habitantes; no Uruguai, 3,7. Pelo menos 700 municípios brasileiros não têm um único médico residindo na cidade, e 1.900 têm menos de um médico para cada três mil habitantes (na atenção básica). Para chegarmos à média do Reino Unido, que possui 2,7 profissionais para cada grupo de mil habitantes, o Brasil precisaria ter mais 168.424 médicos.
Às questões: por que os governos – sobretudo o Governo Federal – não conseguiram efetivar a interiorização dos médicos? Profissionais de outras nações resolverão o problema? Seriam os médicos brasileiros pessoas preguiçosas, desumanas e desinteressadas pela saúde do povo? A resposta é bastante simples: falta estrutura! Mesmo que se pague um salário justo e o médico esteja de plantão num hospital ou posto de saúde, nada poderá fazer se faltam equipamentos e até medicamentos, como um simples soro...
Os marqueteiros a serviço do PT consideram o “Mais Médicos” a redenção à combalida imagem pública da governanta candidata à reeleição, especialmente após as manifestações populares. Contudo, certo está o senador Eduardo Amorim, médico anestesiologista de profissão, quando diz que “a infraestrutura precária do sistema pode prejudicar e até tornar inútil o trabalho dos médicos estrangeiros”. Trocando em miúdos: sem investimentos em equipamentos, remédios e pessoal de apoio, restará ao doutores importados apenas imitar os colegas brasileiros – olhar para os pacientes e encaminhá-los ao local com atendimento razoável mais próximo.
Não é à toa que as emergências médicas de todas as capitais estão sempre abarrotadas. Aliás, hospital com maca no corredor virou cena comum. A ausência de leitos hospitalares é crônica no Brasil. Dados do IBGE indicam que em 2002 havia 2,7 leitos para cada mil brasileiros; em 2005 caiu para 2,4 e no ano passado a taxa ficou em 2,3. A Organização Mundial de Saúde recomenda que esse número fique entre 3 e 5 leitos por mil habitantes. Naturalmente, houve aumentou substancial da população, sobretudo no Norte. Mas essa queda decorre também da efetiva redução do número de leitos disponíveis no setor público e no privado: só entre 2007 e 2012, foram 4.770 leitos a menos. Apenas nos últimos cinco anos foram fechados 284 hospitais privados que faziam atendimento pelo SUS. Sem a correção da tabela de honorários, eles quebraram!
Detalhe: a maioria desses hospitais hoje fechados (ou com atendimento dedicado exclusivamente aos serviços particulares), estava localizada exatamente em cidades do interior. Resultado: o cidadão mais pobre enfrenta extrema dificuldade para realizar uma cirurgia eletiva ou mesmo uma consulta especializada, ação que obrigatoriamente antecede procedimentos mais complexos.
No tocante à legalidade, a Federação Nacional dos Médicos (Fenam), contrária ao “Mais Médicos”, apontou que a violação dos direitos humanos não está apenas no trabalho dos médicos cubanos, importados da ilha-presídio no Caribe. “O fato de os médicos inscritos no programa ficarem dispensados do exame Revalida (que reconhece diplomas estrangeiros para o livre trabalho no Brasil) caracteriza um atentado à Declaração Universal dos Direitos do Homem. O fato de uma parcela da população ser atendida por profissionais que passaram pelo Revalida e outra não, é um atentado à dignidade humana”. Precisa dizer mais? O absurdo é evidente!
Por enquanto, o programa “Mais Médicos” é apenas isso: uma operação de fachada, uma nova arma de propaganda da gestão do PT! Ninguém deseja o pior, mas armengue nunca é solução...
Por David Leite | 09/10 às 15h30

VENÂNCIO FONSECA É UM DANADO
A cambada bem nutrida da Comunicação estadual tem se injuriado com o deputado Venâncio Fonseca – e não é de hoje! O líder da oposição foi o primeiro a desmascarar aquela patifaria marqueteira da “mudança”, com direito a ator global nas inserções veiculadas no rádio e na TV. Dizia ele: “Não sou ator de novela, mas vou provar que Sergipe realmente mudou! Pra pior...” Agora, o danado tem alardeado que vivemos sob o “desgoverno” do PT. É um pé no saco da propaganda oficial, tão descaradamente mentirosa!
Ao Jornal da Cidade de ontem, Venâncio Fonseca ironizou uma das maiores cafajestagens criadas pelo Doutor (ele gosta de ser chamado) deputado Rogério Carvalho, as tais clínicas da família! Disse o arauto: “Vou deixar de reconhecer que o governo investiu e construiu 50 e poucas Clínicas de Saúde? Construiu, mas funcionam?” Eis a questão: uma resposta com uma pergunta... e das boas... Tem prefeito aliado do governo cujo município fechou a unidade inaugurada ano passado. O que pensar dos gestores ligados à oposição?
Venâncio Fonseca também manda um recado à turma afoita do bloco político democrata: “João Alves Filho diz que o projeto dele é fazer uma boa administração como prefeito... Não posso falar pelos outros... para mim, acho que é o momento desta geração mostrar que tem capacidade de administrar Sergipe. Ele (o Negão) já teve (a sua), outros tiveram...” Trocando em miúdos: caso João Alves Filho venha mesmo a disputar o pleito, pode acabar sozinho mais uma vez! E aliás, por que tamanha ganância? O tempo exige renovação, é verdade.
No vídeo abaixo, o líder da oposição na Assembleia Legislativa mostra porque tem sido tão temido pelos governistas. É mais um daqueles bons recados com o estilo inconfundivelmente hilário de Venâncio Fonseca. Vamos vê-lo? (Aperte > para play).
Por David Leite | 07/10 às 13h50

EDIVAN AMORIM DESAFIA MENDONÇA PRADO
A DEBATER SOBRE “CAIXA 2” DE SUA CAMPANHA
O pequeno Mendonça Prado é um sujeito ousado! O parlamentar de verve irônica e quase sempre sarcástica notabiliza-se mais por defeitos lastimáveis – inveja entranhada e incondicional detratação pública de desafetos – do que por ações legislativas dignas da alta remuneração recebida mensalmente da Câmara Federal. Acostumado a injuriar, difamar e caluniar, o baixinho falastrão foi desafiado hoje pelo desalmado caçador de loroteiros Edivan Amorim a se despir da imunidade parlamentar e debater sobre... o “caixa dois” de sua campanha!
Em entrevista pela manhã à Ilha FM, balançando ao microfone o que parecia ser um aglomerado de papeis, Edivan Amorim cutucou Mendonça Prado (sem lhe citar diretamente): “Temos na bancada federal de Sergipe um falso moralista, um Demóstenes Torres. Gostaria que ele abrisse mão da imunidade parlamentar para a gente discutir os gastos do caixa dois de sua campanha”. Repito: o empresário não citou diretamente o nome do deputado. No entanto, momentos antes, confidenciou que desconfiava de “homem que se esconde atrás da saia da mulher.” Bingo! Dona Ana Maria Alves de Mendonça, esposa de Mendonça Prado, tem atacado sistematicamente os irmãos Amorim através de sua página pessoal no Facebook. Aliás, para ela o empresário indicou que “procure Deus”, a fim de obter ajuda e paz espiritual.
Diz certo adágio dos morros cariocas: “Malandro demais vira bicho...” Terá o aloprado Mendonça Prado coragem de aceitar o desafio de Edivan Amorim? Devemos recordar que, durante o julgamento do Mensalão pelo STF, a ministra Cármen Lúcia condenou a tentativa dos advogados do acusado Delúbio Soares de minimizar a ocorrência de caixa dois numa campanha. A magistrada admitiu estar diante de um fato “inusitado e inédito” na sua vida profissional: “Acho estranho e muito, muito grave, que alguém diga com toda tranquilidade que ‘Ora, houve caixa dois’. Caixa dois é crime. Caixa dois é uma agressão à sociedade brasileira...” Assim sendo, se caixa dois é crime e uma violência contra o povo, o angu desandou...
Para mim está muito claro a quem o desafio se endereça. Mendonça Prado – juntamente com o governador em exercício Jackson Barreto; uma pareia boa, portanto! – é o único político notoriamente especializado em atacar os Amorim. Com o auxílio luxuoso da própria consorte, frise-se! O desafiado é o democrata, sem dúvida! Obviamente, Mendonça Prado pode se fingir de morto, e como não teve o nome citado, pode alegar nada ter com isso. Mas como gosto de ver o circo pegar fogo, liguei para Edivan Amorim. Queria lhe apresentar a minha tese. Respondeu-me o cabra: “Você não é menino pequeno, conhece quem é quem em Sergipe. Então, tire as conclusões que achar mais convenientes! O que eu disse já basta. O recado está dado!”
Opa, opa! Recado? Então é isso: Mendonça Prado recebeu hoje um RE-CA-DO cristalino de Edivan Amorim, ao balançar uma penca de papeis, dizendo que queria debater sobre o caixa dois da campanha do deputado. Aí tem coisa! Edivan Amorim não é de dar ponto sem nó. O gesto de balançar os papeis não foi à toa. Teria o empresário algum documento comprometedor, capaz de transformar o vestal da honestidade Mendonça Prado num salafrário e canalha, ao nível do ex-senador do Democratas Demóstenes Torres? Só há uma forma de saber: o baixinho mostrar que é um macho destemido, abrir mão da impunidade... – ops, perdão! – da imunidade parlamentar e enfrentar Edivan Amorim de cara limpa.
Mas como diria o prezado cantor, compositor, humorista e político Francisco Everardo Oliveira Silva, conhecido pelo nome artístico de Tiririca, “Eu sou um abestado”! Aposto uma banda de jaca mole como o pequeno Mendonça Prado vai dar de ombros e seguir, indiferente ao desafio, destilando seu ódio contra os irmãos que tanto lhe rebaixam o ego. Não creio que o deputado boquirroto quereria encarar essa parada dura! Seria, por certo, seu fim como político...
Por David Leite | 03/10 às 17h45 | Charge: clique para ampliar!

SE O GOVERNO ESTADUAL IGNORA ATÉ UMA
PREFEITURA DO PT, JÁ PENSOU NO RESTO?
Carmópolis deveria ser um dos mais desenvolvidos municípios de Sergipe. Deveria... Mas não deu sorte! Rico em petróleo, é miserável quando o assunto é governança pública. Falta gente séria no comando. Sob a prefeita Esmeralda Mara Silva Cruz, uma economista tapada, incompetente até mesmo para produzir uma simples planilha – imagine conduzir um projeto de planejamento! –, Carmópolis vive um momento terrível. O dinheiro que é arrecadado pela gestão petista parece destinado a todo e qualquer fim, menos a servir ao povo.
Para piorar um quadro já bastante deteriorado (política, econômica e socialmente), a Ouro Negro sergipana está entregue à própria sorte no tocante à segurança. Na sessão de ontem na Câmara Municipal, o vereador Décio Neto voltou a cobrar da Secretaria de Segurança Pública mais atenção com a população carmopolitana. Segundo o vereador, todos os dias acontecem arrombamentos e assaltos sem qualquer mínima intervenção da SSP. Conforme narrou, “a população está assustada. O número de policiais e viaturas não é suficiente para cobrir todo o município. Ninguém aguenta mais”.
Contradição – Diante da queixa de Décio Neto, fiquei a matutar: “Peraí, mas a cambada bem nutrida da Comunicação estadual não torrou uma baita grana em propaganda para divulgar que inaugurou um Batalhão da Polícia Militar em Carmópolis?” Como não sou otário, fui dar uma checada! Na verdade, o governador em exercício Jackson Barreto inaugurou apenas a implantação da 3ª Companhia do 2º Batalhão da Polícia Militar no município. Detalhe: trata-se de um batalhão com sede em Propriá! Santa cara de pau...
A prefeita Esmeralda é uma joia falsa! Membro do partido do governador Marcelo Déda e da governanta – que já foi estudanta, mas dizem que é completamente ignoranta –, é muito esperta para ajeitar seu caminho e o de parentes próximos! Já para administrar o município de Carmópolis, a prefeita cabeça de pedra dura segue os passos do seu partido, o PT – o partido das “...antas”...
Por David Leite | 02/10 às 09h00