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Sexta-feira, 05/08/2011 | 10h00
O turismo sergipano na gestão  Marcelo Déda virou piada de mau gosto
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Ao observar o relatório deste semestre da Superintendência de Planejamento Aeroportuário e de Operações da Rede Infraero (http://www.infraero.com.br/images/stories/Estatistica/2011/junho.pdf), encontramos os números relativos à movimentação de passageiros nos aeroportos brasileiros e, obviamento, dos aeroportos da região Nordeste. Para a tristeza dos sergipanos, mesmo com o período do São João já incluso, o Aeroporto Santa Maria (Aracaju) perde em trânsito de passageiros para quase todos os dos outros estados e está a apenas 10 mil passageiros na disputa com Teresina, capital do Piauí –quem conhece Teresina, sabe ao que me refiro, sem demérito algum aos piauienses, por favor!
Mesmo após a novela “Cordel Encantado” (Rede Globo) ser filmada por aqui e ainda com iniciativas inéditas e surpreendentes como o “Barco do Forró” nas águas do rio Sergipe, mesmo assim o estado não decola, pois o setor do Turismo foi simplesmente abandonado pelo governador Marcelo Déda, que não enxerga nele qualquer capacidade geradora de emprego e renda, num contrassenso ao que ocorre no resto do mundo civilizado.
Não é preciso dizer que a gestão das Mudanças para Pior precisa tomar providências urgentes, sob pena de perdermos até para a pouco atrativa Teresina. Loucura...
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Alguns dados importantes sobre o que já foi o turismo em Sergipe (do relatório da gestão João Alves Filho):
Maior Fluxo Percentual de Passageiros Dentre Todos os Aeroportos Brasileiros
Sergipe Redescoberto – Para se ter uma idéia do que aconteceu no quadriênio 2003/2006, até 2003 a média em Sergipe era de apenas 500 mil turistas/ano. Dados da Infraero, colocaram o Aeroporto de Aracaju batendo recorde nacional de passageiros, quando comparado aos demais no País: no primeiro semestre de 2005, subiu 53% em relação ao mesmo período de 2004; em 2006, cresceu 24% em relação a 2005.
Falta competência...

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Segunda-feira, 25/07/2011 | 14h43
Energisa que se cuide –pode rolar um curto-circuito
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Estive com o deputado federal André Moura (@AndreMouraPSC) na sexta-feira. Conversa boa, afiada, com vários jornalistas de diversos veículos... O camarada expôs uma situação cruel vivida pelos prefeitos de Sergipe –e, não duvido, de muitas outras localidades Brasil afora!
Aceitaram, no caso sergipano, que a Energisa, empresa distribuidora de energia elétrica e manutenção de linhas e redes, faça a cobrança de faturas em débito automático da carga consumida pelos municípios, mas a contrapartida demora –troca de lâmpadas, etc. Quando a prefeitura reclama, recebe um chega-pra-lá ou, simplesmente, um chá de cadeira...
Pior caso porém, é que André Moura acusa a Energisa de aproveitar-se do monopólio para pressionar prefeitos com um reajuste de fatura extemporâneo. De acordo com o deputado, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou aumento apenas quando findarem os contratos atuais, que no caso da maioria das prefeituras sergipanas, ocorrerá em dezembro.
O federal diz ter a gravação onde um funcionário da Energisa expõe, digamos, a “política de relacionamento” da empresa a um secretário de finanças de uma prefeitura do Vale do Japaratuba: “Caso vocês não aceitem reajustar agora, nós somente pactuaremos um novo contrato, em janeiro de 2013, após o pagamento da diferença entre as faturas atuais e o reajuste proposto. É isso, ou deixaremos de fornecer o serviço até que uma decisão seja tomada.”
André Moura deve se reunir ainda nesta semana com dirigentes da Aneel, ocasião em que apresentará a gravação e pedirá providências. Como se vê, o jogo sujo das corporações somente vem a público quando alguém com coragem resolve se contrapor às regras impostas por quem se julga acima das leis. Vamos ver aonde tudo isso vai dar!

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Quinta-feira, 21/07/2011 | 10h14
Duas bombas do bem; Antônio Carlos Valadares, cadê tu?
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Caras e caros leitores, a mobilização nacional pela Copa do Mundo exigirá bilhões de reais em obras de infraestrutura. Nada contra, afinal o esporte faz bem à saúde física e mental... Mas Copa de Mundo é circo, educação garante o pão. Por que não fazer o mesmo esforço para melhorar a qualidade da educação pública no Brasil?
Os gastos projetados para a construção e reforma dos estádios do Mundial de Futebol de 2014 já subiram em mais de 300%, segundo arquitetos ouvidos pelo portal www.copa2014.org.br. O salto dos valores, que já chegam a R$ 10 bilhões, explica-se de um lado pelo início da fase de detalhamento dos projetos e também pela inclusão de coberturas em todas as arenas, conforme recomendação da Fifa. Já imaginaram se apenas um terço desse vigor cívico-esportivo fosse canalizado para melhorar nosso ensino público? O futuro vai exigir...
Ações realizadas agora, em busca de melhorar a qualidade no ensino público, resultarão na condição de concorrer de igual para igual com os demais BRIC –(Brasil), Rússia, Índia e China. O país não pode esperar mais. É agora ou nunca!
O senador Cristóvam Buarque (@Cris_Buarque), ex-ministro da Educação, apresentou dois projetos com força para agilizar o processo de melhoria da educação pública nacional. O primeiro deles prevê a federalização do ensino básico, ou seja, ele passaria a ser de responsabilidade da União. Professores, coordenadores e o corpo administrativo teriam planos de carreira e salários iguais aos de funcionários do Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
O outro projeto, conforme classificou o educador Jorge Portugal, membro do Conselho Nacional de Políticas Públicas, é uma verdadeira “bomba do bem”. Ele prevê que daqui a sete anos, todos os detentores de cargo público, do vereador ao presidente da República, serão obrigados a matricular os filhos na rede pública de ensino. Imagine só o esforço que deputados (estaduais e federais), senadores e governadores não fariam para melhorar as escolas, sabendo que seus filhos e netos iriam estudar nelas daqui a sete anos?
Neste sentido, quem muito pode ajudar é o senador Antônio Carlos Valadares (@ValadaresPSB), relator da segunda “bomba do bem” de Cristóvam Buarque, que a mantém engavetada faz tempo –não se sabe porquê! Atenção Brasil, é chegado o momento de pressionar o caríssimo parlamentar a sair da moita e liberar o projeto do ex-reitor da Universidade de Brasília (antoniocarlosvaladares@senador.gov.br).
Aos sergipanos que votaram no digníssimo, a responsabilidade é ainda maior. É dever de cada um, se de fato ama o Brasil e se importa com seu futuro, cobrar dele uma explicação e exigir que libere, imediatamente, o projeto para votação na comissão devida e posterior apreciação pelo Plenário. Somente assim, o País terá condições de se desenvolver como nação próspera.

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Terça-feira, 19/07/2011 | 08h43
“Razões para a guerra” (Why we fight)
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“Todas as guerras nas quais se envolveram os Estados Unidos no século XX foram precedidas de fatos que a história descobriu, posteriormente, serem mentiras...”
Trecho de um dos diálogos do filme
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Faz uma semana, vi mais um dos documentários considerados “underground”. Do tipo que põe o expectador, naturalmente, frente a novas formas de enxergar o momento histórico vivido hoje pela humanidade, podendo instruir a uma nova mentalidade crítica ou a novas atitudes sócio-ambientais, entre outras perspectivas oferecidas.
Razões para a guerra” (Why we fight), sem o tom histriônico, não tenta modificar a fisiologia humana, não busca reinventar a história da humanidade nem tenta propor radicalizações comportamentais. O documentário apenas informa fatos já bastante conhecidos –com mais clareza, é verdade! Virtude que lhe rendeu premiações.
De certa maneira, “Razões para guerra” revisa um tema já visto no excelente “The corporation”, mas o disseca com maior amplitude. O assunto não é novo: como a ação corporativa introduz um aspecto radical no movimento militarista da segunda metade do século XX e perverte a forma de agir dos Estados Unidos, pelo estabelecimento de conexões corrompidas de peças chaves do governo americano com empresas do complexo industrial-militar, cujos fabulosos lucros são mantidos por via do ambiente de guerra, que nunca foi abrandado desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Num rápido resumo: é desolador observar o mundo moderno, com tantas conquistas tecnológicas, jamais abrir mão da postura belicosa. Talvez seja uma visão simplista, mas todas as virtudes da tecnologia são “sobras” do desenvolvimento armamentista, não apenas as armas (em si), mas a parafernália usada para aprimorar as estratégias de guerra: os novos meios de comunicação e de informática, os progressos em engenharia, etc. Vozes tradicionais poderão argumentar serem tais “vantagens” superiores às mazelas bélicas. Não seria esta uma visão tolerante, típica de quem não quer se sentir responsável pelo sofrimento de outrem?
A verdade é que a maioria da população mundial não tem acesso às virtudes dos avanços tecnológicos atuais. Por outro lado, milhões de mortes são provocadas direta ou indiretamente pelo contínuo estado de guerra –com apenas metade dos US$ 90 bilhões gastos anualmente pelos EUA na Guerra do Iraque seria possível levar saúde básica e água potável a toda população mundial, poupando incontáveis vidas nos países pobres.
Razões para a guerra” norteia-se num fato meio esquecido da história: a advertência feita pelo presidente Dwight Eisenhower ao povo americano, quando ele se retirava do governo, sobre a necessidade de controlar a crescente importância econômica da indústria armamentista. O filme analisa como o 11 de setembro, catástrofe de intenso sofrimento em pessoas comuns, gerou incalculáveis lucros para uma parcela importante do poder daquele país.
O documentário, feito, por incrível que pareça, por americanos, mostra ainda como a propaganda do valor e importância da guerra (produzida pelo governo dos EUA, com apoio da mídia tradicional) tem sido eficiente para montar mentalidades, intuir falsas motivações e justificar gastos exorbitantes. Se queremos defender e promulgar a paz, sem dúvida, precisamos conhecer, e bem, as razões que levam nações a fazer a guerra...

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Segunda-feira, 18/07/2011 | 08h05

  Um trago de prosa com Cleomar Brandi  
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O tempo ruge... Era ontem à noite, num Gosto Gostoso lotado de estudantes, de jovens e “velhos” jornalistas. Uma garrafa de conhaque... Entocado na cadeira de rodas, o cantil plástico onde fazia xixi. Nos lábios, o sorriso afável, a conversa doce, o respeito às ideias com as quais até discordava. No coração, o desejo sincero de, com paciência, explicar que “nem sempre a vida é assim...”
Foi-se Cleomar Brandi –segundo o adágio, “desta para melhor!”. Melhor seria se aqui ainda estivesse, como quem fosse eterno, rindo de si e de nós! A alma singular deste baiano-sergipanizado, muito mais sergipano que muitos da terrinha... Seus textos de grande vivente da vida, do “sábio que nada sabia”, ainda vão iluminar quem dele souber beber da humildade afetiva.
Foi-se Cleomar Brandi, que disse estarem os cronistas morrendo. Lastimou: “Essa é uma notícia fúnebre que eu quero dar. Anunciar, inclusive, para todo mundo ficar sabendo. Os cronistas estão morrendo porque as pessoas não estão lendo. Você tem articulistas, gente que opina, mas a sensibilidade de perceber o movimento da vida, no dia-a-dia, e transformar aquilo de maneira séria, brincalhona, jocosa, mordaz ou amarga, raramente se vê.”
Um pedaço grande da parca crônica de Sergipe, sem dúvida a melhor parte do que ainda restava, despede-se deste mundo... Até mais adiante, Cleomar Brandi –pois, faço minhas as palavras do imortal poeta Amaral Cavalcante: “Meu véio, guarde uma cadeira pra mim ao pé do balcão!”

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Sexta-feira, 15/07/2011 | 17h50
Num país como a China, tão adorada pela esquerda, caberia até pena de morte
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Segundo Albano Franco, o governador Marcelo Déda teria cometido um grave crime de “lesa Pátria” contra os sergipanos, sobretudo os mais pobres –em especial, contra as crianças que hoje sofrem com a falta de atendimento pediátrico especializado*. O ex-deputado federal diz ter sugerido a indicação de emenda parlamentar, no valor de R$ 18 milhões, para a construção de uma unidade hospitalar pediátrica em Aracaju, proposta que teria sido sumariamente rejeitada pelo governo. “Recebi do coordenador da bancada, senador Antônio Carlos Valadares, a informação de que o projeto era considerado inviável pela administração estadual”.
Será que a imprensa de Sergipe terá coragem de questionar o governador Marcelo Déda –ou mesmo o senador Antônio Carlos Valadares– quanto a essa aberração denunciada pelo ex-governador Albano Franco? Porquanto, caso seja verdade, a dívida do governador Marcelo Déda com o povo pobre de Sergipe aumentará substancialmente.
É impensável que, quando mais se fala na precariedade do atendimento especializado destinado à infância, incluindo a inexistência de serviço pediátrico na rede particular, um governo se dê ao luxo de rejeitar verbas para construir mais um hospital em Aracaju. Espera-se que Albano Franco esteja, de fato, equivocado!

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(*) Não devemos esquecer, aberrações na área da saúde, patrocinadas pelo governo do PT, não são inusitadas. Por ordem de Marcelo Déda, conforme denunciou o ex-governador João Alves Filho, o então secretário de Saúde, deputado Rogério Carvalho, derrubou com picareta partes internas do Hospital Infantil deixado pronto em 2006 –faltava apenas comprar o equipamento e o mobiliário, mas a verba para tanto estava à disposição na Secretaria Estadual de Saúde (cerca de R$ 6 milhões).
Por conta desta ação insana, que visava aumentar o número de leitos para atendimento de adultos em detrimento do atendimento infantil (transferido para a precária Maternidade Hildete Falcão Baptista), o Governo de Sergipe recebeu ordem da Justiça, no ano passado, para repor as partes desfiguradas e ajustar o prédio às funções anteriormente definidas. O colegiado de desembargadores do Tribunal de Justiça de Sergipe recomendou ainda ao Ministério Público que abrisse procedimento por improbidade administrativa contra o Doutor Morte.

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Quinta-feira, 14/07/2011 | 14h26
Ainda sobre a política habitacional chinfrim do prefeito comunista
(leia antes o texto abaixo)
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Alguém precisa dizer ao prefeito Edvaldo Nogueira que divulgar com alarde público a distribuição de “auxílio moradia” como política habitacional é um tiro no próprio pé... Como tem sido lento para construir moradias –não obstante ter feito mais casas populares que Marcelo Déda–, Edvaldo Nogueira apela para os paliativos.
É óbvio que os tais gastos com “auxílio moradia” só se justificam onde não há uma política habitacional planejada, que atenda aos mais pobres. Senão, vejamos: os custos do “auxílio moradia” da Prefeitura de Aracaju, segundo assessores de Edvaldo Nogueira, seriam de R$ 600 mil/mês, com benefício direto a 1.850 famílias. Esperteza ou incompetência?
Uma conta simples detona os argumentos do prefeito comunista: uma casa popular com sala, cozinha, banheiro e dois quartos custava ao governo João Alves Filho (2005), no programa de erradicação de casas de taipa, R$ 10 mil (em média), sendo o terreno do beneficiário –a maioria dos casos. Ainda naquele governo, houve o desfavelamento da invasão Mangueiras, na saída de Aracaju. Custo médio por unidade construída: R$ 12,5 mil, já com a infraestrutura (ruas, esgotamento fluvial e sanitário, etc).
Digamos que, de lá para cá, o custo de uma casa popular tenha dobrado, sendo hoje de R$ 25 mil. Caso optasse por construir casas, dentro de um programa planejado e realizado ainda no início da gestão de Marcelo Déda, a turma que comanda a Administração Municipal de Aracaju poderia ter, ao custo de agora, entregue um total de 2.880 casas ao longo da década, apenas com os valores de referência do “auxílio moradia”. Sem esquecer que a PMA dispõe de centenas de terrenos ociosos, sobretudo na Zona Norte.
Por que, então, Marcelo Déda e (logo depois) Edvaldo Nogueira optaram por pagar aluguéis em vilas e cortiços para alojar famílias sem-teto, em detrimento de, de forma planejada, ter solucionado a questão construindo paulatinamente, por uma década exatamente, as casas agora demandadas? São respostas que apenas a suma esperteza politiqueira –afinal, mantem-se a turma no cabresto eleitoral– ou a completa idiotia –coisa que a esquerda já demonstrou ter apenas no campo das ideias– poderia dar...
Trocando em miúdos: o tal “auxílio moradia” é tão somente mais uma danação eleitoreira do PT/PCdoB usando o pobre dinheiro do contribuinte de Aracaju para engambelar (e abusar da boa fé de) quem verdadeiramente precisa do poder público!
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PS – Não devemos esquecer das famílias alojadas em galpões pelo governador Marcelo Déda há quase três anos, sem qualquer definição de política habitacional... Bem, mas que política habitacional, mesmo? 

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Quarta-feira, 13/07/2011 | 18h15
Um programa habitacional chinfrim
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Apesar dos esforços da turma da Prefeitura de Aracaju em querer passar à população que a administração comunista é operosa, que “realiza o maior programa habitacional da história da Capital, tendo beneficiado quase 2000 famílias com casas e apartamentos dignos”, os próprios números divulgados depõem contra o prefeito Edvaldo Nogueira –e por tabela, com seu mestre-criador Marcelo Déda.
De acordo com a jornalista Grace Melo, assessora na Secretaria de Comunicação da PMA, somente nos últimos três meses, a prefeitura aumentou a concessão de auxílio moradia de 1.100 para 1.850 famílias beneficiadas, com custo de cerca de R$ 600 mil/mês aos cofres municipais. Haveria prova maior da inexistência de uma política habitacional séria, que de fato atenda às demandas da população mais pobre?
É verdade que, como diz a querida Grace Melo, “somente no bairro 17 de Março, 950 famílias receberam DE GRAÇA (sem pagar 1 centavo) uma moradia digna!” e que “Até o final de 2012, serão entregues um total de 2.800 casas (GRATUITAMENTE) a famílias que viviam em áreas de risco”. Mas são números irrisórios, risíveis até...
Para efeito de comparação, somente o conjunto Augusto Franco, com 15 mil unidades, construído há mais de 30 anos pelo saudoso e competente governador Augusto Franco em apenas 30 meses, diga-se, abriga hoje uma população de aproximadamente 60 mil pessoas, a maioria absoluta vivendo em casas e apartamentos construídos à época com verbas do Sistema Financeiro da Habitação, programa federal que contava com a complementação de verbas do governo sergipano, responsável pela compra do local onde o bairro foi instalado e pela infraestrutura.
Verdades incômodas, mas que são apenas isso: verdades!
Aracaju, nas gestões de Marcelo Déda e Edvaldo Nogueira –portanto uma década desta turma zombando da cara do povo pobre–, não ganhou um único conjunto habitacional de grande porte. Condomínios fechados do Programa de Arrendamento Residencial atendem, com justeza, às famílias de trabalhadores. Mas trata-se de um programa do governo federal, com 200, 300 unidades por residencial, sem contrapartida financeira da prefeitura, que apenas promove o cadastramento dos interessados em obter financiamento junto à Caixa Econômica Federal, gestora do programa.
Conclusão mais que absoluta: uma década de gestão do PT e do PCdoB, e Aracaju continua com os mesmo problemas habitacionais, apesar de alguns paliativos remendados pelo PAR, mas que não atenderam à demanda da população mais pobre.
É triste, mas essa é a verdadeira verdade...  

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Segunda-feira, 11/07/2011 | 16h40
Um nome, dois CPF
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Causou grande confusão ao meu parco juízo a informação publicada pelo portal Transparência Sergipe, ligado à Controladoria-Geral do Estado, que publica as despesas realizadas pelo Estado de Sergipe e Municípios sergipanos, bem como dos repasses efetuados pelo Governo Federal. Lá no item “Despesas”, seção “Favorecidos” são publicados os dados “das pessoas físicas ou jurídicas, fornecedoras de produtos ou serviços aos Órgãos e Entidades da Administração Pública Estadual, organizadas por Nome ou Razão Social, CPF e CNPJ.” Quando procuro pelo nome do secretário Elber Andrade Batalha de Goes, tenho uma interessante surpresa...
Lá está o nome dele, grafado em duas linhas –aliás, trata-se do único nesta condição–, identificado com dois diferentes números no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) da Receita Federal. Liguei para a Secretaria de Turismo para obter informações sobre a divergência (ou ocorrência, se preferirem). O secretário foi muito gentil e me disse tratar-se de “um erro da CGE”. Os valores pagos a Elber Andrade Batalha de Goes são idênticos nos dois CPF. Não duvido que seja um erro, de fato. Mas, mais uma vez, é o governo Marcelo Déda errando, talvez por displicência, talvez por incompetência, talvez por motivo menos inocente...
Elber Andrade Batalha de Goes disse que vai, mais uma vez, procurar a CGE para “corrigir a falha”. Esperamos que seja breve, afinal um cidadão em função pública com dois números de cadastro na Receita Federal cria uma sensação muito, muito estranha! Abaixo, cópia das páginas do portal Transparência Sergipe (clique na imagem para ampliar), ligado à Controladoria-Geral do Estado, que parece andar nas nuvens –aliás, nenhum novidade nesta gestão do PT.
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Domingo, 10/07/2011 | 14h40
Das virtudes do decrescimento sereno
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Em meio à campanha eleitoral de 2010, pude desfrutar de um instante impar. A leitura –e posterior sucinto debate– do excepcional estudo “Pequeno tratado do decrescimento sereno”, escrito pelo professor emérito de economia da Universidade de Paris–Sud XI (Orsay) Serge Latouche, presente que me foi dado pelo mestre-filósofo e jornalista Sávio Grossi, mente brilhante com a qual tive o prazer de estabelecer prolíficos colóquios e de quem tornei-me grande admirador.
No livro, sem o tom do economês –eis seu grande mérito: traduz o atual debate econômico/social em linguagem palatável–, o professor francês reflete sobre como a atividade humana abusa da capacidade de regeneração dos ecossistemas do planeta, a ponto de comprometer os objetivos econômicos, sociais e sanitários fixados pela Comunidade Internacional, através da Organização das Nações Unidas (ONU), as chamadas “Metas do Milênio”.
Em geral, vindo de um pensador de esquerda, o estudo poderia ser classificado, a priori, como “anti-capitalista”. No entanto, com bases históricas e filosóficas sólidas, Serge Latouche propõe um debate acima do sistema político-financeiro-econômico, no caso a adição de capital ao capital, indo de encontro ao modo de vida da civilização humana, o consumo desenfreado e as consequências deste crescimento infinito num mundo finito, com recursos renováveis cada vez mais escassos.
O decrescimento proposto pelo cientista francês decerto não é uma inversão mecânica do crescimento, mas a construção de uma sociedade mais sóbria e, sobretudo, mais equilibrada. Com efeito, seria o abandono do crescimento ilimitado, objetivo cujo real interesse não é outro senão a busca do lucro por quem detém o capital, com consequências desastrosas ao meio ambiente –prejuízos que terão de arcar as gerações futuras, em detrimento do bem-estar de quem hoje habita a Terra.
Serge Latouche alerta: “A regressão social e civilizacional é precisamente o que nos espreita se não mudarmos de trajetória (...) uma sociedade cuja meta seja viver melhor, trabalhando e consumindo menos. Uma proposta necessária para que se volte a se abrir espaço à inventividade e à criatividade do imaginário, bloqueado pelo totalitarismo economicista, desenvolvimentista e progressista.” Neste sentido, em um sistema baseado na acumulação ilimitada, quando há desaceleração, ocorrem as crises, como as que vemos na Europa (zona do euro) e EUA, agora...
Para finalizar esta minha retórica domingueira (sobretudo após saber que em outubro a humanidade alcançará a cifra de sete bilhões de viventes), pois seriam necessárias muitas e muitas páginas para prosseguir com um debate tão excitante, acresço –com perdão da palavra– a este escrito o que Serge Latouche chama de “ingredientes necessários à sociedade de consumo (desenfreado)”: a publicidade, que cria o desejo; o crédito fácil e “vantajoso”, que fornece os meios à aquisição de bens e produtos que por vezes não se precisa; e a obsolência acelerada (e programada) dos produtos, que renova a necessidade incessante deles. No tocante à publicidade, não sem razão, tem o segundo maior orçamento global, perdendo apenas para o da indústria de armamentos bélicos.
O debate proposto por Serge Latouche não para aqui, naturalmente. Para prossegui-lo, sugiro que se leia o livro...
Não faltará oportunidade para um embate baseado nas suas revolucionárias ideias, que, aliás, não surgiram com ele, mas pela observação de vários homens e mulheres, ao longo do último século, para quem a acumulação de riqueza tem sido bastante nociva à humanidade.
E me vem à mente a história do monge que foi visitado por um homem muito rico. Ao adentrar no amplo santuário-casa, o estrangeiro notou a completa ausência de móveis (havia apenas uns poucos tapetes espalhados ao léu) e quis saber o porquê. O monge, para surpresa do visitante, lhe fez a mesma inquirição: “E os seus móveis, onde estão?”, ao que ouviu: “Mas eu estou aqui de passagem!” “Pois é, eu também”...
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PS – As contradições da vida... Hoje, revendo alguns vídeos que considero muito interessantes no YouTube, detive-me num que trata sobre a evolução da qualidade de vida (saúde) da humanidade nos últimos 200 anos. O médico inglês de origem dinamarquesa Hans Rosling mostra a história do desenvolvimento do planeta nos últimos dois séculos, transformando estatísticas em animação gráfica interativa. O material, de grande relevância, foi exibido no programa “The Joy of Stats”, da BBC 4, e está legendado em português. Vale a pena conferir...