Sexta-feira, 27/05/2001 | 11h15
Quanta doideira: quem entenderá?
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Confesso, tem-me sido estafante tentar compreender – e juro, tenho tentado – os rompantes de desamor explícito tungados publicamente entre os governistas com a própria turma! O “fogo amigo” ser-nos-ia – uso a mesóclise em apreço a culta secretária Eloisa Galdino, a quem cito mais adiante nesta querela – indiferente, não fosse atirado pela turma do andar de cima, os chefes do negócio. E não pela ralé vermelha, como antes!
Em seu Twitter, o secretário de Comunicação da Prefeitura de Aracaju, jornalista Marcos Cardoso (@MC_Jornalista), na ânsia de divulgar os feitos da gloriosa e operosa administração comunista, diz: “A PMA investe 19,7% da receita corrente líquida na Saúde. Quando Marcelo Déda (@MarceloDeda) e Edvaldo Nogueira (@EdvaldoNogueira) chegaram, eram apenas 3%.” Vale recodar, antes deles, quem comandava o “negócio” era João Augusto Gama, aliado do governo e secretário demitido do Turismo sob a alegação de “contenção de despesa”.
Atribuída ao próprio Edvaldo Nogueira, outra frase postada também no Twitter de Marcos Cardoso evidencia, no mínimo, mais pedradas nos aliados: “Hoje, o secretário municipal da Saúde (o vice-prefeito Sílvio santos, do PT) movimenta mais do que todo o orçamento da PMA em 2001.” Estranho, pois bate de frente com Jackson Barreto, atual vice-governador, aliado eterno de Marcelo Déda e cabo eleitoral de luxo de Edvaldo Nogueira. Antes de ajudar a eleger a citada turma, a partir de 2000, JB fez prefeito João Augusto Gama (1997/2000), de quem era fiador e parceiro político...
Na mesma linha, a ex-secretária estadual de Comunicação, Eloisa Galdino (2007/08), imiscuída que já foi com a propaganda das gestões de Marcelo Déda desde a Prefeitura de Aracaju, admitiu que a capital sergipana não está preparada para as chuvas e apresentou seu diagnóstico:
“A cidade toda sofre, é verdade, mas principalmente as comunidades dos bairros que possuem ainda menos estrutura para suportar. A Treze de Julho tem estrutura vertical, mas pense a situação dos bairros da zona norte e do Santa Maria, por exemplo. Isso significa que a cidade cresceu sem as obras estruturantes que precisava. E continua acontecendo, é só olhar a zona de expansão.”
A atual douta secretária estadual de Cultura foi obrigada, ainda não se sabe em que nível, a desculpar-se através do Twitter, plataforma usada para expor sua incômoda eloquência. Disse ela:
“Fiz uma análise de todos esses anos e do descaso desses que agora querem salvar Aracaju. Agora, vem esse povo – 'esse povo' sou eu! – deturpar o uso que fiz do Twitter. Ora, é fato que precisamos de obras estruturantes, mas elas já foram captadas pelo grupo que administra Aracaju desde 2002, e não há 20 anos...” Resumo: na emenda do soneto, também ela meteu o malho em Jackson Barreto e Almeida Lima, aliados do PT, inclusive em nível nacional. Vá entender...
Por outro lado, na briga midiática entre as facções no poder, a disputa pública do atual mandatário de Aracaju e o padrinho fez muita gente imaginar o rompimento entre Edvaldo Nogueira e Marcelo Déda. No mês de aniversário dos 159 anos de Aracaju, a propaganda da prefeitura, a comemorar a data, tinha enfoque, no mínimo, pouco amigável com o governador. Dizia que “jamais se fez por Aracaju, como nos últimos cinco anos”.
Pretensiosa na essência, tinha ainda o demérito de equiparar Marcelo Déda ao apadrinhado, com prejuízo claro à imagem do governador. Veio o PT com suas inserções de RTV para contestar, dizendo-se o verdadeiro autor das tais “transformações e realizações”, que teriam tornado Aracaju a “capital da qualidade de vida” – aliás, hoje, então, não mais seria?
Enfim... talvez esteja certo um ex-petista de alto coturno, o caro Nilson Lima, que cunhou uma frase lapidar: "Nunca se DESFEZ tanto em Aracaju como nos últimos cinco anos." Eu diria mais, até ajudado pela secretária Eloisa Galdino: nunca se DESFEZ tanto em Aracaju como nos últimos dez anos...

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Quarta-feira, 25/05/2001
Entrevista na Jovem Pan FM
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Ouça entrevista com o poeta Araripe Coutinho, hoje pela manhã na Jovem Pan FM, com Rosalvo Nogueira e Paulo Souza. Também fui ouvido, e dei minhas impressões sobre as polêmicas fotos do artista e acerca da reação extemporânea do Governo de Sergipe, que através de assessores, abusou da mentira e da calúnia para evitar, não se sabe ainda porquê, admitir que as fotos do nu no Palácio-Museu Olímpio Campos foram feitas, sim, ainda na primeira gestão de Marcelo Déda (2007/10). Ouça-mo-la...

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. Terça-feira, 24/05/2011 | 14h30
Eloisa Galdino admite incompetência
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O inconsciente por vezes nos trai. Talvez tenha sido por conta desta antiga máxima que a secretária estadual de Cultura, Eloisa Galdino, tenha hoje, após a enxurrada nas ruas de Aracaju, feito considerações por demais verdadeiras acerca das administrações que tem servido.
Através do Twitter (veja quadro abaixo), a ex-secretária estadual de Comunicação (2007/08), imiscuída que já foi com a propaganda das gestões de Marcelo Déda desde a Prefeitura de Aracaju, admitiu que a capital sergipana não está preparada para as chuvas e apresentou seu diagnóstico:
“A cidade toda sofre, é verdade, mas principalmente as comunidades dos bairros que possuem ainda menos estrutura para suportar. A Treze de Julho tem estrutura vertical, mas pense a situação dos bairros da zona norte e do Santa Maria, por exemplo. Isso significa que a cidade cresceu sem as obras estruturantes que precisava. E continua acontecendo, é só olhar a zona de expansão.”
Tamanha transparência traduz o sentimento geral da comunidade. Contudo, ninguém esperava que uma petista do primeiro escalão do governo Marcelo Déda pudesse admiti-lo de público sem pejo. De fato, Aracaju sofre justamente pelo que o Partido dos Trabalhadores NÃO fez.
Para completar, além do PT nada ter feito – sobretudo como diz a própria Eloisa Galdino, na Zona de Expansão da cidade –, o prefeito indicado por Marcelo Déda, Edvaldo Nogueira, segue na mesma linha. Ou seja, por quase uma década fomos todos enganados por esta turma!
A inusitada coragem de Eloisa Galdino ao criticar Marcelo Déda e Edvaldo Nogueira prova que, quando se quer, absolutamente nada pode impedir que se admita a mais cristalina das verdades, por dolosa que seja! Espero que a secretária não seja rifada por ter sido tão eloquente...
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Domingo, 22/05/2011 | 12h00
Quando uma piada precisa ser explicada...
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Permita-me o leitor trazer à voga este tema, já bastante batido. Mas quando uma piada precisa ser explicada, estamos num “estado” sem humor ou cercado de idiotas, cuja “consciência coletiva” parece ter sido obnubilada pelo efeito alucinógeno provocado pelos cargos comissionados.
Tudo começou em 13/05, quando várias pessoas receberam um email sob o título “Ensaio sensual de Araripe Coutinho! Onde?”, distribuído por Sales Neto, adjunto da Secretaria Estadual de Comunicação. Claro, as fotos chamaram a atenção pelo inusitado: o nu “artístico” do despachado poeta, nas dependências do hoje Palácio-Museu Olímpio Campos.
A brincadeira entre amigos, cujas fotos serviram para boas gargalhadas, tiveram de mim um outro enfoque, por ocasião do aniversário de um ano do Palácio-Museu. Fiz delas uma novela. Uma foto-piada com requintes de sátira e tragédia... Como realizado com outros temas! Meu proveito, contudo – não obstante a distribuição das fotos via email –, levou os governistas à fúria.
Na sexta-feira 20/05, Araripe Coutinho era uma celebridade. Entrevistas em rádio e televisão tentavam explicar aos aturdidos sergipanos como alguém pode posar nu num prédio público. O próprio poeta revelou, inicialmente, que a locação havia sido usada ainda na segunda gestão de Albano Franco (1998/2002), “para produzir fotos que ilustrariam um livro futuro”.
Em meio à polêmica, o chefe da Casa Civil do Governo de Sergipe, Jorge Alberto, anunciou a abertura de sindicância interna e o encaminhamento das fotografias e textos retirados das redes sociais à Procuradoria Geral do Estado para “apurar responsabilidades e estabelecer procedimentos a serem adotados”. A temperatura subiu ainda mais...
Araripe Coutinho, não se sabe a verdadeira razão, mudou, então, a data de realização das fotos: “Gente, me enganei; foi no governo de João Alves Filho, em 2005.” Uma simples piada, sem qualquer conotação política, ganhou ares de “ataque injusto ao governo do PT promovido pela energúmena oposição, sempre ávida por criar estúpidos factóides”.
A questão é: Sales Neto, pela posição que hoje ocupa, apesar de ter sido compincha do governo JAF, distribuiria fotos para prejudicar a quem serve? Apenas a redonda “ogonoranssa” dos governistas não enxerga que “tudo era apenas uma brincadeira e foi crescendo, crescendo...”.
Até o inocente Sales Neto tratou de fazer-se de Malaquias, vindo ele próprio a atacar “a oposição” pela maledicência – veja abaixo opiniões dele, e de outros fagueiros governistas, sobre mais esta “ação nefasta” de quem dia e noite sonha  com o prejuízo moral da gestão Marcelo Déda.
Enfim, a piada do nu de Araripe Coutinho virou uma grande “ação politiqueira” contra o Governo de Sergipe, que comemorava a reforma do palácio e a instalação do Palácio-Museu. Mas, como as fotos “foram feitas no governo de João Alves Filho”, passaram todos da indignação ao alívio. Afinal, imaginem se tivessem elas sido tiradas nesta gestão? Seria A Tragédia... (eheheheh)!
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Rápido PS – Apesar de a Casa Civil informar “que uma análise preliminar mostra que as fotos do jornalista Araripe Coutinho teriam sido tiradas antes da criação do Palácio-Museu Olímpio Campos”, o que é verdade, uma outra análise pode ser dolorosa aos governistas.
Talvez pressionado (ou mesmo, quem sabe, apostando numa recompensa mais adiante), Araripe Coutinho mudou a data das fotos. Evidências, no entanto, mostram que o poeta está, digamos, equivocado! – detalhe: ele foi, há cerca de três meses, exonerado de cargo comissionado na Casa Civil do governo estadual; a divulgação das polêmicas fotos no próprio Facebook teriam sido uma pequena vingança? Mudar a data das fotos seria algum tipo de “contradição planejada”, para evitar “problemas” futuros.
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  • Abaixo, veja quadro que prova o “equívoco” de datas do poeta.
  • Veja ainda a foto-piada feita por mim, sucesso #TopTrendsBrasil no Twitter: http://twitpic.com/4zsenv
  • Veja também as opiniões dos governistas acerca desta polêmica!
Como se vê acima, a mentira tem madeixas longas...

 



Servidor no governo de JAF, Sales Neto jamais trairia quem lhe deu guarida no PT –creio eu!




Babacas para Sílvio Santos são os que não estão no Bau da Felicidade governista








O vasto cabedal cultura da secretária Eloísa Galdino não lhe permite admitir a sátira (alheia)






Comissário da Segrase, o professor Olivra-Me só admite o riso no recato do lar







Proprietário de um andar inteiro no SergipeTec, Jorge Santana é só sorrisos

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Quarta-feira, 18/05/2011 | 09h25.
Oito ou oitocentos.
Era para ser uma história com final feliz! Mas veio o “Fantástico” (Rede Globo) e... e todos os pardais simplesmente sumiram de Aracaju. De acordo com o programa, a indústria das multas fatura – ou faturava, a bem dizer – R$ 2 bilhões por ano no País.
A empresa kopp, um dos destaques da reportagem do "Fantástico", levava 80% dos valores das multas dos pardais de Aracaju. Outra empresa, a paulista Splice, também integrava o esquema – esta, até contribuiu para a campanha do prefeito Edvaldo Nogueira.
Depois de revelado o “modus operandi” dos industriais das multas, a administração comunista de Aracaju “decidiu” cancelar os contratos. Foi louvada em longas prosas pela imprensa de aluguel – aquela cujo lupanar de quinta sobeja com cerveja gelada suas “quengas”.
A questão é que, passado o susto provocado pela bombástica reportagem, Aracaju logrou a viver ao Deus dará – é cada um por si! O trânsito, se já era um cabaré, virou a baixa zona! Sem pardais e sem guardas para controlar a esbórnia, o que era ruim, piorou demasiadamente.
Qual seria a razão de Edvaldo Nogueira não mais se interessar pelo bom andamento do tráfego de veículos na cidade? Porventura o trânsito teria deixado de ser um bom negócio para a Prefeitura de Aracaju e, por esta razão, já não comporta a “devida” atenção?
Pois é, quando não é oito é oitocentos...


Quarta-feira, 11/05/2011 | 20h25

Um estranho caso de polícia

No início do mês, a operação “Arremate” da Polícia Federal prendeu uma turma grande de empresários e leiloeiros em Sergipe, envolvida com fraudes milionárias em leilões públicos. A camarilha é acusada de “formação de quadrilha, constrangimento ilegal e corrupção”.
A malandragem era estranhamente simples, mas lograva prejuízos porque, no mais das vezes, empresas envolvidas com litígios judiciais não conseguiam pagar débitos, visto que bens arrecadados em garantia eram “leiloados” por valores irrisórios. Dos 16 presos em 04/05, talvez nem todos tenham relação direta com a quadrilha. No entanto, de acordo com o Ministério Público Federal, havia “algum tipo de envolvimento na utilização dos serviços”.
Entre os custodiados, encontra-se o filho de um respeitado jornalista, o advogado Carlos Gustavo Fiel, colega desde a faculdade de Valério César Déda, primo do desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de Sergipe Artur Oscar Carvalho Déda, irmão do governador Marcelo Déda. Num golpe de muita sorte – até o momento, sem justificação conhecida, a não ser as bençãos celestiais! –, Valério César Déda não foi importunado pela Polícia Federal.
Sócio de Carlos Gustavo Fiel na Sergipe Leilões, o advogado Valério César Déda foi poupado dos constrangimentos aos quais seu parceiro de leilões judiciais e extrajudiciais tem sido submetido. Na manhã de ontem, por exemplo, Carlos Gustavo Fiel, acompanhado dos colegas de estripulias Geraldo Soares Dias e Ângelo Ernestro Ehl Barbosa, foi conduzido do presídio onde está ao Instituto Médico Legal para realizar exames de corpo de delito. O tempo todo, esteve de cabeça baixa.
Não se sabe ao certo o que motivou o MPF a solicitar apenas a prisão de Carlos Gustavo Fiel (e manter livre, leve e solto Valério César Déda). Certamente, alguns desajustados podem aventar algo além da mera e boa sorte. Mas num país sério como o Brasil, jamais o poder de um sobrenome ou a ligação com algum partido político poderia interferir numa ação policial, creio eu!
A Sergipe Leilões decolou como meteoro no concorrido mercado de leilões, abocanhando órgãos cobiçados da administração estadual, dentre os quais o Banco do Estado de Sergipe e a Secretaria Estadual de Educação – detalhe frugal: sempre contratada sem licitação pública! Também havia recentemente fechado um contrato com os Correios. Coisa boba...
No mundo dos leilões judiciais, o prestígio dos dois jovens leiloeiros era bastante conhecido e decantado com muita prosa. Após a chegada da Sergipe Leilões, empresas tradicionais perderam importantes contas públicas, justamente na gestão do (primo) governador Marcelo Déda.
Sobra, então, uma terrível dúvida: somente o filho do jornalista conduzia – sem conhecimento do sócio, obviamente – as safadezas que o levaram ao xilindró; ou, além de praticar os crimes dos quais é acusado, também enganou o inocente colega e amigo, que mantinha-se alheio às atividades realizadas pela própria empresa, apesar de remunerado com generoso pró-labore?
Nem sempre é possível obter respostas plausíveis para questões que assombram pela, digamos, imponderabilidade. Mas, nunca será afrontoso questionar. Assim sendo...
Valério César Déda, em foto do site da Sergipe Leilões:
convenhamos, um cabra de muita sorte!



Terça-feira, 10/05/2011 | 16h12

Um imbróglio sem fundamento

Na briga midiática entre as facções no poder, salta aos olhos a disputa pública de “egos” entre o atual mandatário de Aracaju, o prefeito comunista Edvaldo Nogueira, e aquele a quem deveria, por obrigação – ou pelo menos, por gratidão! –, chamar de “padrinho”, por tê-lo levado aonde está, o governador Marcelo Déda. Se prevalece o desamor, algo está errado...
No mês de aniversário dos 159 anos de Aracaju, a propaganda da prefeitura a comemorar a data tinha enfoque, no mínimo, pouco amigável com o “padrinho”. Dizia que “jamais se fez por Aracaju, como nos últimos cinco anos”. Pretensiosa na essência, tinha ainda o demérito de equiparar Marcelo Déda ao atual prefeito, com prejuízo claro à imagem do governador.
Nos bastidores, Edvaldo Nogueira teria sido instado a abandonar aquele “discurso de confronto” por ninguém menos que Carlos Cauê, ex-secretário de Comunicação da PMA, hoje exercendo função igual no governo. Mantidos os “ouvidos de mercador”, o material foi veiculado na mídia, sendo a posteriori complementado pelas inserções do PCdoB, na mesma linha programática.
Agora, como se em resposta ao prefeito comunista de boutique, o PT usa suas inserções de RTV para contestar acerca do verdadeiro autor das tais “transformações e realizações”, que teriam tornado Aracaju na “capital da qualidade de vida” – aliás, como bem atentou o jornalista Habacuque Villacorte em escrito recente, “hoje, então, não mais seria?”.

O começo de tudo – Tão logo se disse que Marcelo Déda estava reeleito governador, a festa da vitória – inclusive, organizada ainda na madrugada do domingo eleitoral – serviu para que petistas, alguns de alto coturno, fizessem queixa pública pela triste derrota do partido na capital. Para não haver dúvida sobre a quem se atribuía o feito, Edvaldo Nogueira foi impedido de discursar por uma enxurrada de vaias. Teria havido na comemoração dos 159 anos de Aracaju o troco?
A briga de “egos” entre o PT e o PCdoB pode até não desaguar em algo mais sério, como a perda do comando da PMA pelo grupo supostamente liderado pelo governador Marcelo Déda. Mas denota, sem dúvida, que o poder político do governador anda alquebrado, desnutrido, acanhado.
Seria o início do fim de um reinado basificado somente no discurso? Sim, porque convenhamos, juntando as “obras” realizadas por esta turma na última década, somente uma – feia, por sinal – vem à luz: o viaduto! Ou seja, a briga de “egos” é, na verdade, uma briga por nada. Nada importante...










Quinta-feira, 5/05/2011 | 22h35
O Brasil e suas excentricidades...
O Brasil já cansou de saber que é o único país no mundo a produzir a jabuticaba  (ou jabuticabeira), árvore frutífera nativa da Mata Atlântica – relembro bem, no sítio da minha família, desde muito cedo, ainda um guri danado, esbaldava-me nas doces e maduras jabuticabas, colhidas em pequenos gomos nos galhos frondosos de uma centenária jabuticabeira...
Em “O Dia em que Getúlio Matou Allende”, emocionante novela política totalmente baseada em fatos reais, livro que recomendo, o jornalista Flávio Tavares descreve sobre o excêntrico “golpe militar no golpe militar” aplicado pelo general Henrique Teixeira Lott, então ministro da Guerra de Café Filho, vice-presidente que assumiu o poder com o suicídio de Getúlio Vargas – neste ínterim, Juscelino Kubitschek e João Goulart foram eleitos presidente e vice, em votação muito apertada.
O ano é 1955, mês de novembro. O presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz, assume a Presidência da República em substituição constitucional a Café Filho, morto em 2/11/1955 de um ACV. Tocado pela “mosca azul”, Carlos Luz resolve aderir ao golpe em andamento para impedir a posse dos eleitos, sob alegação – ilegal, pois a nem a Constituição nem a Lei Eleitoral discorriam sobre o assunto – de que estes não haviam alcançado a “maioria absoluta” dos votos.
Para assegurar a posse dos mais votados pelos eleitores, num gesto de fervoroso apego à legalidade e ao ritos constitucionais, o general Henrique Teixeira Lott mobilizou o Exército e aplicou um golpe “preventivo” nos empanados golpistas – os líderes militares da Marinha e Aeronáutica, e setores da imprensa ligados ao inescrupuloso jornalista Carlos Lacerda. O resto é História...
O Brasil segue produzindo excentricidades...
Em Sergipe comanda a prefeitura de Aracaju um antigo militante comunista. Membro do politburo do PcdoB, Edvaldo Nogueira foi reeleito para o cargo em 2008, após tê-lo recebido de bandeja de Marcelo Déda, e hoje enfrenta queixas e mais queixas pela insossa administração que pratica.
O elemento mais notável da gestão de Edvaldo Nogueira, em voga por aí, tem sido o próprio prefeito. Filho de pessoas humildes de Alagoas, ex-estudante de Medicina que resolveu abdicar dos estudos para viver da política profissional, um sujeito que até então nada possuía de requintado, caiu no gosto burguês, aderindo às roupas e perfumes de grife, aos restaurantes e vinhos caros.
Encarnação esnobe do “comunismo de boutique”, Edvaldo Nogueira suscita certo cabuloso destino galgado pelos políticos que, como ele, assumiram postos-chave sem qualquer cabedal eleitoral. Wellington da Mota Paixão, por exemplo, nem vereador conseguiu se eleger. João Augusto Gama, mais sensato, sequer tentou. Edvaldo Nogueira conseguirá, ao deixar o cargo em 2012, eleger-se para alguma função pública, após não conseguir eleger a ex-mulher como deputada, tendo às mãos o aparato do poder?
Eis aqui, quem sabe, mais uma dessas jocosas excentricidades nacionais: ao contrário dos demais ex-prefeitos, o pomposo prefeito Edvaldo Nogueira “se fez”! Hoje, casado com a herdeira de um dos maiores impérios empresariais e reverenciado como “nobre” pelos cartéis do lixo e transporte – sem esquecer os generosos industriais das multas –, talvez possa ele contar com este repastado conjunto de forças para, quem sabe, eleger-se, ao menos, vereador! Afinal, eleição é coisa cara...
Edvaldo Nogueira poderia, assim, passar à História como o menino pobre alagoano que sonhou com um mundo onde “todos fossem igual, vivendo cada um segundo suas necessidades”; mas que deu a volta por cima, elegendo-se prefeito com apoio indispensável do padrinho Marcelo Déda; casou-se com o capitalismo de direita; aliou-se ao mais comezinho dos poderes, o econômico-financeiro; aderiu ao modus vivendi dos ricos (e famosos), vindo a tornar-se expressão máxima de elegância e sofisticação do proletariado burguês, ainda que declarado comunista.
Uma história bem brasileira, convenhamos! Como a jabuticaba...

Edvaldo Nogueira com o chefe do PCdoB nacional João Amazonas,
nos tempos idos em que o prefeito comunista
ainda era grande apreciador de pinga e cerveja Brahma.


Terça-feira, 03/05/2011 | 20h58
Recado do amigo César Gama acerca da triste morte de OBL
Caro amigo David Leite,
é lamentável que você se manifeste dessa maneira em relação à questão Bin Laden. Também não se deixe parir pelos ouvidos da mídia imperial. Bin Laden era sim, um criminoso, mas os maiores criminosos ainda estão vivos e no poder político, determinando genocídios, a exemplo de George Bush, de Dick Cheney, do primeiro ministro israelense, de Putin, da marionete que atualmente acha que governa os Estados Unidos, etc.
Na realidade, os maiores criminosos do planeta apenas se livraram de um dos seus concorrentes, aliás dos mais inofensivos se comparado com tudo o que essa corja representa e tem feito em se falando de crimes contra a humanidade.
Duas pequenas informaçōes: você sabia que o 11 de setembro, com as torres caindo em verdadeiro show de implosão, pode não ter sido obra de Osama Bin Laden, mas apenas pretexto para a quadrilha da elite econômica americana se apossar ainda mais do quinhão do petróleo dos árabes no oriente médio?
Você sabia que vários físicos iranianos têm sido nos últimos meses sistematicamente assassinados pelo Mossad israelense, homens comuns, com suas famílias simples, mortos a mando do governo judeu porque simplesmente trabalham para o projeto nuclear iraniano? Está na hora de você rever seus conceitos de homicídio.
Um abraço,
César Gama

Comento...
A lógica adotada por César Gama é que bandido bom é bandido vivo? Bem, temo que bandido que resiste à prisão possa acabar morto, sim! Ou será que o nobre filósofo, professor-biólogo e jornalista acha que o carteiro uniformizado deveria levar à mansão de OBL, em frente a uma academia militar, a intimação para ele comparecer à delegacia do bairro “a fim de prestar esclarecimentos”?
Os outros “vagabundos” citados por César Gama, os tais “bandidos bem mais perigosos”, poderiam também tomar o mesmo destino. Para mim, tanto faz! Alguém se habilita a fazê-lo? Talvez César Gama disponha de aparato suficientemente capaz de executar missão “tão delicada”. Certamente não agiria sozinho. Há pessoas com o mesmo escopo fidagal também dispostas, creia...
Essa tal de conspiração para derrubar as torres, acusar OBL e ficar com o petróleo cabe bem nas telas de Hollywood. Não vejo mal algum em gastar dezenas de milhões de dólares com a operação de implosão de dois gigantescos edifícos no meio da maior cidade da América, se o que virá depois, em consequência das estripulias norte-americanas no Oriente Médio, seja o maior aumento de petróleo da História, fator elementar no déblaque da economia mundial. Bata-me um abacate com mel e limão, por favor...
Se o Mossad executa cientistas iranianos, deveria também executar políticos iranianos que se arvoram a defender o armamento nuclear para “tirar Israel do mapa”. Teria mais proveito e faria um grande serviço ao planeta. Talvez o serviço secreto israelense, afeito à eficiência, até pudesse incluir na lista de “executáveis” alguns políticos ladrões made in Brazil que desfilam por aí de bons moços, incluindo certos esquerdistas dotados de crônica sem-vergonhice – os da direita já estão quase mortos!
Enfim, a mídia pariu muitos “ratos” hoje e isso deixou alguns corações agitados. César Gama, sempre afeito a nunca deixar passar a vida sem uns bons berros, apenas acrescenta ao debate o que de fato ele (o debate) tem de mais honesto: uma baboseira sem tamanho, agigantada pelas cabeças ocas de um mundo cercado de idiotas por todos os lados... Que morram outros OBL.
Grande abraço, ilustre amigo.
David Leite

Terça-feira, 03/05/2011 | 15h33
Foi-se o traste Osama Bin Laden
O mundo é mesmo estranho... Aliás, esse projeto de bicho “civilizado” chamado ser humano é que carece, pela complexidade, de elementos para ser plenamente entendido, apesar de todos os esforço logrados pela secular antropologia e, mais recentemente, pela filosofia sociológica.
O mundo ocidental – e parte do outro lado do mundo que também se ofende com matanças generalizadas, como as orquestradas por terroristas islâmicos e por terroristas de todos os matizes ideológicos, incluindo os “religiosos” – vibrou com a morte do sanguinário OBL.
Na contramão, a imprensa mais à esquerda e pensadores esquerdistas analisam a validade do uso da força extrema para “vingar” atos de agressão (e até comemorá-lo em praça pública), como se terroristas fossem dados à ponderação sobre o destino das vítimas covardemente atacadas.
A falação ética sobre “a forma” como foi conduzido o assassínio de OBL, com transmissão ao vivo para o Gabinete Presidencial na Casa Branca, é uma dessas discussões sem futuro: o terrorista era perigoso, destemido e, para contrariedade de certos corações, era, sim, um criminoso frio e calculista.
Quem se mete com o crime está sujeito ao rigor das leis, atualmente bastante amparadas na Declaração dos Direitos Humanos, diga-se; mas vez por outra, no face-to-face com o aparato policial, é difícil escapar da artilharia. Morrer em combate, portanto, é “normal” para um bandido.
A crise entre os radicais islâmicos pode até ganhar mais lenha com a morte de OBL, cujo corpo agora descansa sobre centenas de metros de lâmina d'água em algum oceano. Mas, convenhamos, livrar o planeta de almas sebosas como ele justifica qualquer desatino, inclusive o assassínio!
É idiotice afirmar que os norte-americanos ficam, assim, livres para matar qualquer um que com eles se meta (em alguma parte do mundo). Não devemos esquecer que no Brasil, até meses atrás, havia um governo apedeuta que apoiava as FARC, o grupo guerrilheiro composto por milícia civil armada pelo clandestino Partido Comunista Colombiano. Então, cada pé com seu calo...
Hoje, muitos choram a morte de OBL; outros enaltecem a ação dos EUA. Que mundo mais estranho, com cabeças tão divergentes... Não que isso surpreenda, afinal é desta criatura capaz de eliminar contrários que aqui se discorre. Algum dia seremos de fato civilizados? Difícil...