Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009 – 18h15

Leia Nesta Edição:

>> Os Jornalistas Cabeças Brancas e os Trogloditas

---------------

Os Jornalistas Cabeças Brancas e os Trogloditas

Dona Caçula morreu há uma década aos 92 anos bastante lúcida. Minha amantíssima vovó cultivou desde moça uma frase lapidar, a qual repetia com frequência: respeito é bom e conserva os dentes! Aprendi também com ela que para ser respeitado é preciso antes saber respeitar.

Despertou minha atenção um texto do assessor do governador Marcelo Déda, o subsecretário de Governo Luiz Eduardo Costa, na edição de ontem do Diário Extra-Oficial do governo estadual, o Jornal do Dia. Admoestava o dileto escriba sobre a necessidade do respeito aos jornalistas e às suas opiniões, emitidas democraticamente.

Escreveu ele: “(...) ultimamente o clima político antecipadamente pré-eleitoral, anda a envenenar até mesmo o relacionamento entre colegas, que em primeiro lugar deveria ser respeitoso (...) todos podem manifestar suas preferências político-partidárias, suas convicções ideológicas, sem que por isso se transformem em alvo da fúria destemperada de trogloditas, que ao invés do computador deveriam estar empunhando um tacape.”

Com o devido respeito às ralas madeixas brancas de Luiz Eduardo Costa, pessoa de fino trato, penso eu que ignorar a encenação praticada na imprensa de Sergipe sob a tarja da imparcialidade implica tentar subverter uma dura realidade: a atividade capciosa, de clara motivação eleitoral, em curso no chamado “jornalismo opinativo”.

O governador Marcelo Déda sempre desejou domesticar a imprensa para servir de correia de transmissão do seu projeto de poder. Como nem todos os jornalistas mostraram-se dispostos a corroborar, ele recorreu às penas de aluguel –aquelas pagas com dinheiro público para elogiá-lo, reverberar as versões oficiais e atacar quem o atrapalha.

Qualquer jornalista pode manifestar suas preferências políticas e convicções ideológicas no espaço opinativo da mídia sem ser alvo da fúria destemperada de algum troglodita. Basta que não tente travestir comentários governamentais com as falsas vestes da “verdade absoluta”, que não camufle suas ligações com o aparato do poder nem trate o respeitável público como se néscio fosse.

É preciso ficar claro que nenhum jornalista –nem mesmo o de cabeleira branca– está acima do bem e do mal. O respeito exigido por Luiz Eduardo Costa pressupõe primordialmente a ética da reciprocidade e o respeito do escriba com o decoro profissional. Jornalista dissimulado que procede subjacentemente apenas por interesse partidário-eleitoral ou que aluga a “opinião” a serviço de terceiro, a exemplo do policial em cujas horas vagas vira bandido, é o tipo mais venal de vilão. Deve ter as “vísceras” expostas para o leitor saber quem de fato ele(a) é.

O trabalho sujo produzido por relevante parcela do “jornalismo opinativo” nada tem de respeitável, porquanto agride e avilta a própria profissão. O apelo do beatificado Luiz Eduardo Costa, especialmente pela alusão à civilidade e ao respeito mútuo, chega numa boa hora. O que estraga tão bela ladainha são os inúmeros exemplos, muitos deles assinados pelo próprio Luiz Eduardo Costa, do uso malévolo da opinião para achacar, difamar, caluniar, injuriar, perseguir, ludibriar, escandalizar, corroborar, mentir, alcovitar, dissimular, fofocar...

Quem sabe um dia seremos todos mais civilizadamente contidos, inclusive no trato com os demais da espécie!

Domingo, 27 de Setembro de 2009 – 19h55

Leia Nesta Edição:

>> Seria o Destempero a Marca do Governo?

----------

Seria o Destempero a Marca do Governo?

A logomarca do governo Marcelo Déda é um coração vermelho. O símbolo sugere uma administração voltada para o humano, que seria enxergado pela ótica do amor e da solidariedade. Não é isso que se vê!

Não vou cair na tentação, como certamente o faria a banda pobre da imprensa de Sergipe caso fosse outro o governante, de responsabilizar Marcelo Déda por todas as mazelas e confusões do governo. Contudo, um fator é indiscutível: quem dá o tom à orquestra é o maestro.

O episódio com o estudante universitário e o comandante do Policiamento da Capital, coronel Iunes, bastante semelhante ao incidente de agressão que fez cair exatamente há um ano o então comandante da Policia Militar, coronel Péricles, não obstante envolver entes públicos (Péricles usou viaturas oficiais e policiais em seu auxílio; Iunes portava armamento de propriedade da SSP), pode ser um “fato isolado de natureza pessoal”.

Por outro lado, talvez não seja bem assim...

O Governo da Mudança Para Pior tem se notabilizado pela perseguição e achaque a quem se contrapuser ao projeto de poder de Marcelo Déda. Representantes sindicais dos servidores foram acusados pelo governador de conspiração. A máquina governamental foi usada para desmoralizar e pressionar sindicalistas. Médicos e advogados foram impedidos de visitar clientes em hospitais e presídios estaduais.

O aliado de Marcelo Déda, Edvaldo Nogueira, mandou arrancar faixas de rua em homenagem ao ex-secretário Nilson Lima (Fazenda) no lançamento da pré-candidatura deste ao governo. Não satisfeito, na mesma noite o prefeito foi com o chefe ao restaurante onde o ex-secretário se confraternizava com correligionários e armou o maior barraco. O homem do facão, o líder do governo na Assembléia, Francisco Gualberto, acusou os membros dos partidos de oposição de “entreguistas manhosos, praticantes do crime de lesa-pátria”.

Exemplos dos meios empregados pelos governistas para perseguir, intimidar e desmoralizar são infindáveis. Esses fatos –neles também incluído, apenas como exemplo pontual, o arrogante destempero dos coronéis Péricles e Iunes– não poderiam ser considerados o reflexo da falta de autoridade do governador Marcelo Déda?

Eis a questão: quando o maestro permite à orquestra afinar-se ao bel prazer, cada músico impõe seu próprio tom (e demandas). A confusão se forma e certamente boa música não será executada.

Há ainda a estapafúrdia hipótese de o próprio governador estimular a desordem, numa espécie de “ordem ao avesso”. Assim, as cabeças quentes governamentais estariam apenas em sintonia com o exibicionismo emocional, característica comprovadamente arraigada à personalidade narcisista de Marcelo Déda. Caso tal derivação seja real, todos os episódios aqui narrados, mesmo não havendo neles a inferência direta do governador, ocorreriam porquanto corroboram o modus operandi do líder, exemplo maior para todos os demais.

É difícil crer que uma deidade estelar da estirpe do nosso iluminado e preparado governador seja assim, persona tão frugal e abjeta. Ao sê-lo de fato, o coraçãozinho vermelho-humanizado, símbolo do Governo da Mudança Para Pior, estaria ainda mais desfocado no seu conceito...

Antes que eu esqueça: declínio em pesquisa é fator preponderante na composição do comportamento de quem se sente ameaçado.

Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009 – 18h15

Leia Nesta Edição:

>>“Lula, o Filho do Brasil” Vai Virar Panfleto Eletrônico

>> Jornal do Dia, o Panfleto Político-Eleitoreiro

----------

“Lula, o Filho do Brasil” Vai Virar Panfleto Eletrônico

Quem faz o alerta é o ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia em seu blog (www.cesarmaia.com.br):

A ala aloprada do PT já mandou um recado aos ambulantes: Não percam tempo em copiar o filme “Lula, o Filho do Brasil”. Vai haver uma derrama de cópias profissionais por todo o Brasil, em 2010. As primeiras tiragens somarão 10 milhões de cópias e terão como foco principal os beneficiários do bolsa-família e os jovens de diversos programas. Na segunda, serão outras 10 milhões de cópias. E a terceira, também de 10 milhões, dependerá das pesquisas e das regiões que precisam ser alcançadas. Os recursos, valerianamente* falando, já não são problema. A questão é a logística do armazenamento e distribuição. E os riscos que um policial a paisana, dê flagrante. Tudo tem que ser muito rápido: da mão à boca.

(*) Referência ao “Carequinha”, o publicitário coordenador da distribuição de dinheiro do mensalão, Marcos Valério.

----------

Jornal do Dia, o Panfleto Político-Eleitoreiro

Se ontem comparei o Jornal do Dia (e também as demais publicações bajuladoras do governo Marcelo Déda) com papel higiênico, talvez tenha eu sido ingênuo. O diário se presta a missão bem mais deletéria.

O Jornal do Dia tem em seu plantel vários jornalistas que também são servidores públicos (efetivos e comissionados): Rita Oliveira, por exemplo, é servidora da Educação e assessora o presidente do PT, o secretário de Meio Ambiente Márcio Macedo; Luiz Eduardo Costa, proprietário da FM Xingó, é subsecretário de Governo e assessor especial do governador Marcelo Déda.

Essa turma não se limita a bajular os próceres do Governo da Mudança Para Pior. Os adversários de Marcelo Déda são constantemente massacrados. Na cara de pau, eles falam de honestidade, ética, decoro... A missão precípua desse plantel é produzir propaganda governamental disfarçada de material jornalístico, para enganar trouxas.

Quem paga para ler o Jornal do Dia, seja comprando a R$ 1,00 o exemplar na banca ou através de assinatura (3 meses: R$ 100,00; 6 meses: R$ 200,00; 12 meses: R$ 350,00), precisa saber que está sendo lesado. No interior, especialmente em escolas e repartições públicas, o jocoso diário é distribuído gratuitamente*!

A dificuldade de circulação dos jornais sergipanos é histórica. Com tiragem diária em torno de 1.500 exemplares (entre banca e assinantes) e encalhe de 10% a 20%, o mais mirrado é certamente o Jornal do Dia. Quem afinal estaria bancando a transformação do informativo em panfleto? Conforme o burburinho, seriam cerca de dez mil exemplares extras diariamente...

Os objetivos dessa ação, engendrada pelo “publicitário” Marcelo Déda, são evidentes: difundir a propaganda eleitoreira governamental e atacar os adversários do governador justamente num nicho muito especial (estudantes e servidores). Sabemos como os jornalistas que “produzem” o material jornalístico-publicitário são pagos. A dúvida é quanto à remuneração do Jornal do Dia para executar a tarefa. Seria apenas pela linda voz de Marcelo Déda?

(*) Soaria de bom alvitre a promoção de uma campanha pública a atingir todos os recantos de Aracaju. Seria mais ou menos assim: “Não compre o Jornal do Dia. Além de ser o Diário Extra-Oficial do governo Marcelo Déda, ele está sendo distribuído de graça no interior. Por que só você tem de pagar para ler essa porcaria?”. Seria justo, muito justo...

Terça-feira, 22 de Setembro de 2009 – 10h45

Leia Nesta Edição:

>>Uma Nobre Serventia à Imprensa Dedista

----------

Uma Nobre Serventia à Imprensa Dedista*

A visita do filho adotivo de Fidel Castro, o “chefe da quadrilha”, o mais novo “amigo” de Marcelo Déda, o deputado cassado por corrupção, o bandidão do mensalão José Dirceu, me fez lembrar da utilidade sanitária encontrada pelos cubanos para os jornais publicados com exclusividade pela ditadura comunista.

A escassez e o preço do papel higiênico (um pacote com quatro rolos custa quase 20% do salário médio) obrigam o povo de Cuba a encontrar alternativas. As publicações governamentais o substituem nos banheiros da paradisíaca ilha. Em Sergipe, graças aos Céus, não há falta crônica de papel higiênico. Se houvesse, estaríamos ferrados...

A corja bajuladora incrustada na imprensa local emporcalha tanto as publicações com a propaganda oficial disfarçada de jornalismo, sem falar da aspereza do papel e da tinta a manchar os dedos, que usá-las em substituição ao tradicional papel higiênico pode, inclusive, ser danoso à saúde física e espiritual –só em casos extremos, admite-se!

Os escritos domingueiros de Luiz Eduardo Costa (Jornal do Dia) e de Ivan Valença (Jornal da Cidade) seriam argumentos poderosos para mandar o papelório, cortado em fitas de alto a baixo, para junto das latrinas. Mas dizem por aí, até os alunos de escolas públicas da periferia de Aracaju e do interior sergipano, onde papel higiênico é artigo de luxo, se recusam, com toda razão, a dele fazer uso.

O nosso povo sempre foi muito solidário. Aproveitando a presença em Sergipe do filho adotivo de Fidel Castro, bem que Gilmar Carvalho poderia promover uma campanha em solidariedade aos cubanos, para enviar àquela “jubilosa” nação toneladas de exemplares das publicações jornalísticas sergipanas, sobretudo as robustas tiragens dominicais.

Fico a imaginar um irmão cubano sentado no vaso sanitário a ler, claro que sem entender nada, os comentários chorosos da “analista política” Rita Oliveira, os escritos valhacoutos de Diógenes Brayner, a ladainha esquerdóide de Cássia Santana, as letras embebidas com caju doce de Eugênio Nascimento... E logo depois usar as mesmas escatológicas páginas para algo bem mais proveitoso e civilizador.

Tudo bem que o resultado da limpeza talvez não seja igual ao proporcionado pelo jornal cubano Granma, cuja edição semanal é deveras ansiada pelos nativos por conta do papel fino e macio e da tinta firme. Mas pelo menos ninguém em Cuba iria reclamar que ficou sem limpar o traseiro por falta de papel.

(*) Texto publicado em homenagem ao preclaro jornalista César Gama, terrível incentivador da escatologia colérica desenfreada.

Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009 – 10h45

Leia Nesta Edição:

>>O “Chefe da Quadrilha”

----------

O “Chefe da Quadrilha”

Não faz tanto tempo assim, lá pelos idos de 2007, o “chefe da quadrilha”, o deputado federal cassado José Dirceu, esteve em Sergipe. À época apenas um ainda candidato a prefeito, Ânderson Faria (Umbaúba), foi recepcioná-lo. Tempos difíceis e solitários aqueles.

O filho adotivo de Fidel Castro está novamente em Sergipe, agora para dar apoio e sustentação a duas campanhas –a de José Eduardo Dutra à presidência do PT nacional e a de Sílvio Santos à executiva estadual. Hoje ninguém inventou viagem para evitar encontrar-se com o bandido do mensalão, o comprador de votos no Congresso Nacional.

Quando o bandidão era presidente do PT, nomeou Delúbio Soares, especialista em “recursos não contabilizados”, para cuidar da tesouraria. As andanças do barbudo por Sergipe, portando grandes malas, sugerem a possibilidade de a campanha de Marcelo Déda ter sido agraciada com dinheiro sujo. O bicho pegou, o bandidão e o tesoureiro caíram, e Marcelo Déda se afastou dessa turma.

Desde então, o governador da mudança para pior passou a evitar o “chefe da quadrilha”. Desfiliou-se da corrente comandada por ele, a “Articulação Unidade na Luta”, e juntou-se à “Construindo Um Novo Brasil” de Tarso Genro. Nos bastidores, Marcelo Déda vivia a detratar José Dirceu, que define Marcelo Déda como “falso, não solidário, o ingrato que esqueceu quanto ($?) foi ajudado”...

O reencontro de hoje será untado com óleo de peroba. Marcelo Déda fará honras e cerimônias ao “chefe da quadrilha” por alguns motivos bem razoáveis. Por baixo do pano, José Dirceu foi nomeado por Lula da Silva coordenador da campanha de Dilma Rousseff. José Dirceu goza de prestígio no STF, onde oito dos 11 ministros foram indicados pelo compadre-presidente. José Dirceu manda no PT, que elege presidente nacional da sigla apenas quem ele apoia.

Já o bandidão tenta viabilizar a campanha da mãe do PAC à Presidência. Lula da Silva gostou tanto do desempenho dele no esforço cívico para livrar da guilhotina o pescoço de José Sarney que o incumbiu de ajudar Dilma Rousseff a se desviar das recentes enrascadas. O “chefe da quadrilha” ficou tão orgulhoso com a nomeação que pôs de lado as diferenças com os velhos companheiros, incluindo Marcelo Déda e José Eduardo Dutra, outro que também lhe deu um pé no traseiro.

Marcelo Déda bem que tentou se dissociar do bandido do mensalão. Mudou de corrente partidária, passou a queimar o antigo companheiro pelas rodas políticas Brasil afora, fingiu viagem para não recebê-lo, limou resquícios do passado... Mas foi vencido pela necessidade. Sem José Dirceu, os planos de Marcelo Déda de manter-se no poder podem sofrer grandes revezes. E mais, um sujeito com o cabedal de ilicitudes como José Dirceu, temido e invejado por ser capaz de absolutamente tudo, não pode ser desprezado numa eleição tão importante quanto a se que aproxima.

Uma imagem, mil palavras.

Domingo, 20 de Setembro de 2009 – 12h45

Leia Nesta Edição:

>>Jogo Sujo

>>Ele Sabia

----------

Jogo Sujo

A trupe bajuladora provou sua serventia ao tratar com afetuosa cumplicidade as palavras esdrúxulas do vice-prefeito de Aracaju, Sílvio Santos. Numa infeliz comparação, o candidato à presidência do PT de Sergipe uniu mototaxistas a traficantes de crack. Desculpas públicas pela desonra? Nada disso. Petistas nunca erram!

No mesmo espaço (“Liberdade Sem Censura”, Liberdade FM) onde mal comparou alhos com bugalhos, Silvio Santos teve a oportunidade de penitenciar-se. A “humildade” não lhe permitiu. O dito de Sílvio Santos ficou pelo dito mesmo, agora referendado: “A oposição quer fazer uso político de algo que eu não disse, para criar uma polêmica sensacionalista”.

A trupe adulatória concordou com o vice-prefeito e o assunto foi sepultado. Rita Oliveira, Luiz Eduardo Costa, Cássia Santana, Eugênio Nascimento, Ivan Valença, Diógenes Brayner... Todos acharam o assunto insosso demais para qualquer mínimo comentário*.

Faz pouco tempo, por mais de uma semana as surradas tetas de Marcelo Déda foram balançadas para cima e para baixo por uma gente indignada com a citação das mamas governamentais pelo ex-governador João Alves filho (vide escritos anteriores, logo abaixo). Depois veio a tsunâmica onda de solidariedade ao choroso prefeito de Poço Verde. Já imaginaram se tivesse sido o Negão a comparar trabalhadores com traficantes? Estava ferrado...

Talvez a promíscua proximidade com o poder perturbe certas funções cognitivas em parte de mídia de Sergipe. Talvez as benesses distribuídas por Marcelo Déda a essa gente proba lhes impinjam a sensação da “impertubabilidade” quanto ao futuro vitorioso líquido e certo. Pode-se dizer ainda que esses profissionais da comunicação sejam apenas descarados. Muitas são as possibilidades. Mas para qualquer diagnóstico, é preciso alertar: o povo não é otário e o jogo sujo já está evidente!

(*) Para efeito de justiça, rendo homenagens ao jornalista Raimundo Brito, diretor do Correio de Sergipe e domingueiro analista do Caderno Vida do referido diário. Raimundo Brito tem pautado sua análise pelo respeito aos fatos. Escreveu ele na edição de hoje:

“Aguardei a repercussão na mídia, mas os “ratos de rádio”, aqueles que sempre saem em defesa do governo e fazem críticas severas à oposição, desapareceram como somem os verdadeiros ratos quando chega um gato na casa. Caso essa declaração tivesse sido dada por um opositor do governo Marcelo Déda, o mundo estaria acabado. Tenho certeza que além dos “ratos de rádio” também parlamentares teriam usado a mídia para escandalizar. Tenho certeza que até notas de repúdio assinadas por várias associações teriam sido feitas e almoços seriam realizados em solidariedade aos atingidos. Cabe aos motociclistas, pois a classe também foi atingida, entrar na Justiça para que o ‘promissor’ político Sílvio Santos, que não atende mais o telefone nem atende a mais ninguém, possa responder pelos seus atos.”

----------

Ele Sabia

Ele sabia e quis espertamente aproveitar-se da situação para sair bem na foto. Não deu certo, porquanto calculou mal a reação dos colegas. Refiro-me ao digníssimo ministro do STF Carlos Brito no episódio do arquivamento do processo de cassação de Marcelo Déda pelo também ministro do STF Eros Grau.

Carlos Britto disse-se surpreendido, pois soube da notícia pela grande imprensa. Na quarta-feira 16/09, o “Painel” da Folha de São Paulo informou que a decisão de Eros Grau tinha como pano de fundo a insatisfação de ministros da Suprema Corte com a condução do TSE por Carlos Brito.

Na quinta-feira, a mesma coluna informou que ministros do STF é que se dizem surpresos com a “surpresa” do companheiro sergipano: “Colegas de Supremo não entenderam a ‘surpresa’ manifestada pelo presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, diante da decisão de Eros Grau suspendendo os processos de cassação apresentados diretamente ao tribunal eleitoral. Afirmam que Grau avisou Britto de antemão”.

Essa pegou mal...

Terça-feira, 15 de Setembro de 2009 – 00h05

Leia Nesta Edição:

>>Nota de Resignação

>>Alguns Importantes Esclarecimentos

----------

Nota de Resignação

Respeitável público,

Sinceramente comovido com os inúmeros protestos recebidos, questionando meu escrito “A Velha Dorminhoca da Palestra de João Alves Filho e a Vagabundagem Insossa do Palhaço Cláudio Nunes” (vide edição anterior), sobretudo o singelo desagravo do deputado Professor Wanderlê proferido ontem na Assembléia e a nota de repúdio a mim encaminhada pela Aprovase, venho a público desculpar-me por qualquer embaraço causado pela minha análise do procedimento ético do jornalista Cláudio Nunes (Portal Infonet).

Disse o deputado aos colegas de legislativo: “Uma matéria como a de David Leite não pega bem. Cláudio Nunes não é palhaço. É sim um jornalista competente, que faz críticas tanto contra quanto a favor do Governo”. O nobre parlamentar não perdeu a oportunidade de trazer João Alves Filho ao debate: “Se ele está tão bem nas pesquisas, não precisa agredir o governador, o prefeito e agora o jornalista Cláudio Nunes”.

Já a indignada nota da Aprovase (Associação dos Profissionais da Vagabundagem de Sergipe) questionou o “uso indevido” do termo vagabundagem: “Trata-se de nomenclatura de uso restrito dos membros remidos desta associação, sendo vedada sua utilização para quaisquer outros fins, lícitos ou não, pelo que solicitamos a devida reparação na forma da Lei”.

Para minha sorte, a representação dos palhaços, pelo menos até agora, não se manifestou –apenas alguns governistas tirados a engraçadinhos fizeram comentários chulos enviados ao meu e-mail. De antemão, diante das palavras do preclaro deputado e da nota de repúdio da Aprovase, ajuízo minhas profundas desculpas, porquanto não poderia jamais comparar o jornalista Cláudio Nunes aos palhaços nem muito menos aos profissionais da vagabundagem de Sergipe...

Ouça o deputado Professor Wanderlê atacando este escrevinhador e defendendo a beldade ética de Cláudio Nunes.
Em seguida, ouça a réplica do vice-líder da oposição, deputado Augusto Bezerra (clique > abaixo / Tempo total: 8' +/-).

----------

Alguns Importantes Esclarecimentos

O discurso do Professor Wanderlê em defesa de Cláudio Nunes apenas reafirma o relacionamento incestuoso do governo Marcelo Déda com setores da imprensa de Sergipe. Há um evidente rito de reciprocidade. Vejamos: Cláudio Nunes ataca João Alves Filho, principal adversário do governador-candidato Marcelo Déda, líder político do deputado Professor Wanderlê, que defende Cláudio Nunes, que ataca João Alves Filho em benefício de Marcelo Déda.

Quem acompanha meus escritos e conhece minha personalidade sabe muito bem que jamais aceitaria ser teleguiado, ao contrário de Cláudio Nunes e de dezenas de outros jornalistas pagos com dinheiro público para meter o sarrafo no incômodo adversário de Marcelo Déda, e resguardar silêncio cúmplice sobre a profusão de irregularidades do governo da mudança para pior. Absolutamente ninguém, a não ser eu mesmo, deve ser responsabilizado por qualquer opinião aqui emitida.

Por outro turno, a linguagem usada por mim não é menos virulenta que as ações empreendidas por Marcelo Déda e aliados. O deputado Jackson Barreto, por exemplo, dispensa apresentação. O homem do facão, deputado Francisco Gualberto, é outro cujo diálogo, digamos assim, é bastante afiado. Semana passada, a deputada Gorete Reis foi à tribuna pedir mais consideração do colega, que acusou os membros dos partidos de oposição de “entreguistas manhosos, praticantes do crime de lesa-pátria”.

Rogério Carvalho impediu o presidente do Conselho Regional de Medicina de fazer uma vistoria legal nas operações técnicas e nas condições sanitárias do Hospital João Alves –rebatizado Huse mas não abuse, porque não aguenta. Médicos foram e são impedidos de entrar em hospitais estaduais para atender seus pacientes.

Benedito Figueiredo agrediu a malandragem ao fazer de bobo os defensores públicos, subjugados também pela proibição de atender os detentos pobres dentro dos presídios sergipanos. Os presos somente puderam voltar a conversar com seus advogados depois da intervenção da Justiça.

Gaiatos ainda “desconhecidos” gravaram uma reunião entre a cúpula da Secretaria de Educação e a comissão dos representantes sindicais. Quando a gravação veio a público, cinicamente foi dito que não houve dolo, visto que as discussões não eram secretas. O fito de pressionar a categoria, real motivo para a gravação, foi simplesmente esquecido.

Policiais militares cujas mulheres protestaram com panelas em frente ao Palácio do Governo foram “convidados” para uma conversa com os superiores. Alguns mais ousados receberam cadeia como punição. Já os líderes do movimento sindical dos PMs foram ameaçados com prisão em quarteis da Bahia. Marcelo Déda só desistiu da ideia depois de compreender as sérias implicações políticas e sociais do que estava por fazer.

Não devemos esquecer os graves ataques contra outros sindicalistas, notadamente os professores, acusados pelo governador de conspirarem contra o projeto de mudança. Greves foram contestadas na Justiça e a máquina governamental foi usada para desmoralizar e pressionar sindicalistas. O objetivo era colocar a população contra a categoria.

Outro exemplo a denotar a virulência de Marcelo Déda e seus asseclas contra adversários ocorreu faz pouco tempo. O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, mandou arrancar faixas de rua em homenagem ao ex-secretário Nilson Lima (Fazenda) no lançamento da pré-candidatura deste ao governo. Não satisfeito, na mesma noite foi com o chefe ao restaurante onde o ex-secretário se confraternizava com correligionários e armou o maior barraco.

Exemplos dos meios e dos termos sórdidos empregados pelos governistas para intimidar e desmoralizar adversários são infindáveis. Encheriam uma fossa inteira. Mas por que cansar a audiência com tantos escatológicos dejetos?

Em meio ao imenso barulho provocado pelos meus escritos, a picuinha acaba prevalecendo sobre o essencial: a análise fria de como o governo da mudança para pior usa uma cambada de jornalistas pagos com o dinheiro do contribuinte para achacar qualquer um que possa minimamente atrapalhar o projeto de poder de Marcelo Déda. Contra esse fato não há argumentos, nobre deputado Professor Wanderlê.

Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009 – 19h15

Leia Nesta Edição:

>>Chiquinho Ferreira Não Tira o Negão da Cabeça

>>A Velha Dorminhoca da Palestra do Negão e a Vagabundagem Insossa do Palhaço Cláudio Nunes

----------

Chiquinho Ferreira Não Tira o Negão da Cabeça

Chiquinho Ferreira é um profissional diversificado. Já defendeu Albano Franco (assessor da Saúde), João Alves Filho (adjunto da Comunicação) e agora, secretário-adjunto de Carlos Cauê (Comunicação), tem a ingrata missão de “explicar” o governo da mudança para pior, sob o comando de Marcelo Déda.

Chiquinho Ferreira talvez esteja enferrujado ou quem sabe já não possua a mesma disposição de outrora para resguardar a imagem do chefe maior. Ontem ele gaguejou diante do deputado Venâncio Fonseca. O líder da oposição não perdeu a oportunidade de ironizar.

Num debate radiofônico, Chiquinho Ferreira comentava uma informação dada pelo deputado e usou na justificativa o slogan do primeiro governo do Negão: “Contra fatos não há argumentos”. Venâncio Fonseca deu o tiro de misericórdia: “Veja Chiquinho, mesmo agora defendendo Déda, você não consegue esquecer o governo de João Alves”...

Aliás, Chiquinho Ferreira deveria fazer uma faxina completa nos esgotos da Secretaria de Comunicação e livrar-se dos “ratos” de rádio. Os ouvintes já não suportam os mesmos murídeos a mamar do leite quente governamental desde a gestão do jornalista André Barros, criador do “departamento de ratos” estatal. Prestaria um grande serviço.

----------

A Velha Dorminhoca da Palestra do Negão e a

Vagabundagem Insossa do Palhaço Cláudio Nunes

A senhora da foto abaixo é bastante conhecida nos escritórios privados e repartições públicas do Centro Comercial. Frequenta tais ambientes em busca de uns trocados para manter-se de pé. Bate “ponto” diariamente na Assembleia.

Ontem não foi diferente. Ao tentar entrar na galeria pública ao lado do plenário legislativo ela foi barrada. Após rápida discussão, a segurança permitiu a entrada.

Cansada de guerra por despossuir tetas onde possa mamar confortavelmente, a pobre mulher sentou-se para descansar e meio minuto depois já estava no terceiro sono. Pelas lentes do prestativo fotógrafo César Oliveira, e graças à vagabundagem de Cláudio Nunes, comandante do Diário Oficial Eletrônico do governo estadual (Portal Infonet), a imagem da pedinte foi usada (sem autorização dela, frise-se) para reforçar a campanha de “marketing” governamental apelidada nos meis políticos de “Operação Neguinho”. Leia a “análise” produzida por Cláudio Nunes:

Palestra tão conhecida que deu sono...

Nas galerias várias lideranças políticas do interior e ex-secretários e assessores dele. Alguns populares foram chamados para a palestra, mas pelo jeito não estavam nem aí, ou já conheciam o discurso. Na foto César de Oliveira, uma mulher cochilando durante a palestra ontem.

A “Operação Neguinho” foi engendrada pelo “publicitário” Marcelo Déda com o objetivo de desmoralizar e constranger seu principal adversário político. Engloba ações patrocinadas com dinheiro público na mídia e táticas de guerrilha nos bastidores (veja os textos “O Zabumbeiro e os 40 Mamadores” e “A TV Alese Sumiu” logo abaixo).

A “análise” da palestra do Negão feita hoje pelo lisonjeador Cláudio Nunes é até o momento o exemplo mais galhofeiro a comprovar quanto o desespero de uns gera destempero moral e idiotia em outros...

Para quem como Marcelo Déda se acha uma liderança espertamente inteligente e detentora de elevado coeficiente intelectual, o governador deveria cercar-se de assessores melhor qualificados. Investidas estúpidas e sem suporte na realidade factual, a exemplo da do pateta Cláudio Nunes, solapam a “Operação Neguinho”, que assim correria um sério risco de naufragar na praia.

Enquanto Cláudio Nunes baba (ou mama?) os bagos do chefe sem deixar escorrer uma gota de saliva, tentando provocar com a melação estridentes risos na plateia, o que se ouve são os murmúrios típicos de um pré-apupo! Nem em circo de quinta categoria seria possível encontrar palhaço tão vagabundamente desqualificado...

----------

Novo Domínio

Estamos de domínio novo. Agora ficou mais fácil indicar o ABRA-O-OLHO aos amigos e colegas: www.abraoolho.com.br.

Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009 – 19h45

>> O Zabumbeiro e os 40 “Mamadores”

>> O Deputado Babador

>> A TV Alese Sumiu

----------

O Zabumbeiro e os 40 “Mamadores”

A história é antiga. Um cara chamado Ali Babá tinha 40 inseparáveis companheiros. Edvaldo Nogueira nem de longe se aparenta com o moço malévolo das “Mil e Uma Noites”. Entre ele e o famoso larápio há apenas uma interessante semelhança: o número de parceiros reunidos numa recente empreitada...

O “secretário” Edvaldo Nogueira sabe agradar o chefe dele como poucos. Já mandou até tirar faixas de rua de um evento em homenagem a um desafeto do patrão. Semana passada, ele aprontou de novo. Desta feita contra quem anda a incomodar Marcelo Déda.

O almoço organizado na sexta-feira 04/09 pelo Zabumbeiro com os 40 “mamadores”, plenamente usado, abusado, requentado e re-requentado durante uma semana inteira pelo Adulatório Estatal aboletado na imprensa, era apenas uma das muitas ações do “marketing” governamental --a “Operação Neguinho”-- contra sua principal ameaça política.

Já sabemos, as tetas da máquina administrativa da Prefeitura de Aracaju foram mamadas sem escrúpulos para divulgar o rega-bofe pré-eleitoral e também para repercutir a tal “nota de solidariedade” ao choroso prefeito de Poço Verde, Tonho de Dorinha. Não seria surpresa se o banquete no qual se decidiu o bombardeio ao adversário também tivesse sido financiado pelas mesmas mamas.

Se assim o foi, outra característica a unir Ali Babá e o prefeito zabumbeiro afloraria das sombras: usar o dinheiro alheio para bancar homéricas farras!

Brindemos à mudança...

----------

O Deputado Babador

Estava eu sem entender o silêncio público do deputado Jackson Barreto quanto à abusada recomendação do ex-mandatário para os prefeitos “mamarem” os benefícios do governo até o ano vindouro, quando as composições eleitorais começam a valer.

O elétrico deputado possui uma língua nervosa. Não perde qualquer mínima oportunidade de fazer de um limão uma limonada na bajulação rouca a Marcelo Déda. Calado assim? Por quê?

A explicação talvez esteja na quilométrica ficha corrida do probo Jackson Barreto, através da qual, pode-se concluir, seja ele um especialista em “mamadas”.

Como o deputado, a julgar pela carrada de processos no STF, supostamente mama com tal volúpia e profissionalismo que não deixa escorrer nem uma única gotinha do leite quente, tratar sobre tema tão rijo poderia provocar-lhe uterina excitação.

Ao bem do coração (e da decência), melhor calar...

----------

A TV Alese Sumiu

A mãe do acaso pariu nos braços do presidente da Assembleia, Ulisses Andrade, um rebento rechonchudo. Uma inesperada pane nos equipamentos da TV Alese tirou a emissora legislativa do ar horas antes da palestra de João Alves Filho, agendada para hoje de manhã.

Apenas 15 deputados, cerca de 50 amigos fieis ao ex-governador e os funcionários do legislativo estadual assistiram a apresentação sobre “Aquecimento Global e a Crise Mundial da Água”. Quem quis ver a palestra pela TV encontrou só chiados.

Ao “saber” de tão estranha circunstância, Ulisses Andrade cobrou os reparos para restabelecer o sinal ainda hoje. Ao convidado, garantiu a reprise da palestra “o mais breve possível”.

Aliado de primeira hora do governador das mudanças para pior, Ulisses Andrade nem precisou aderir à campanha de “marketing” engendrada por Marcelo Déda para abafar a imagem do adversário maior custe o que custar. Em seu socorro, o irmão mais moço do acaso veio à luz!

Santa coincidência. Amém...

Dúvida deste incauto escrevinhador, sem qualquer traço de piada: em qual horário mesmo (e quando) o nobre deputado Ulisses Andrade planeja exibir a reprise inédita da palestra do Negão? Pergunto pois adoro zapear madrugada afora!

Domingo, 06 de Setembro de 2009 – 18h55

Racismo ou Apenas Vício Exacerbado?

Murmúrios de “esconjuro” de meia em meia hora, reforçados com o sinal da cruz a cortar a face nos quatro ângulos. Batidas na madeira várias vezes ao dia. Rezas de joelhos sob milho pisado. Macumba, feitiços... O adulatório oficial aboletado na imprensa de Sergipe, bancado com dinheiro público para manter sempre lustrada a imagem de Marcelo Déda, está apreensivo.

Não ocorre ao acaso a enxurrada de ataques contra João Alves Filho, especialmente através do Jornal do Dia, Diário Oficial do governo Marcelo Déda. A razão para tanto alvoroço vem do resultado da última pesquisa de opinião pública, realizada e publicada pelo Cinform (31/08), a confirmar a tendência de polarização entre o governador das mudanças para pior e o ex-mandatário.

Afinal, essa turma do barulho já percebeu: a eleição de 2010 não será “aquele passeio”, conforme se imaginava.

A avassaladora máquina de guerrilha montada pela Secretaria de Comunicação para minar os anseios políticos de João Alves Filho até tentou abafar. Mas os programas “jornalísticos” do rádio matutino não puderam ser plenamente contidos. Acabou nos ouvidos do povo o fato de Marcelo Déda ter usado o termo “neguinho” para menosprezar o adversário.

Na sexta-feira 28/08, o governador tentou se defender da grave acusação de racismo feita por Democratas: “A expressão ‘Negão’ é usada pelo próprio ex-governador como um nome promocional de campanha. Tenho raízes negras (...) Certas práticas que assentam em outros, não assentam comigo”. A declaração buscava encerrar o “caso”. Ouça a negativa do governador (clique > abaixo).

Dado a inebriar-se com doses cavalares de vaidade antes de subir aos palanques, Marcelo Déda simplesmente “esqueceu”, numa espécie de amnésia seletiva­, do discurso pronunciado em Glória (14/05), na inauguração do recapeamento asfáltico da rodovia entre Itabaiana e Canindé, apelidada por ele de “Rota do Sertão”. Ouça o momento no qual o governador faz referência a João Alves Filho e seus três mandatos de governador com o termo “neguinho” (clique > abaixo).

“Neguinho” pode ter várias conotações, quase todas sempre muito carinhosas. É geralmente usado no trato entre amigos e familiares, não importa se brancos, amarelos ou negros. Porém, como empregado por Marcelo Déda em seu discurso, cujo personagem-alvo era o Negão, torna-se depreciativo, porquanto busca diminuir o adversário.

Não enxergo na “definição” feita pelo governador traços de racismo. É apenas uma overdose de cinismo, reação típica a afligir viciados em vaidade pura, como Marcelo Déda. Com a “droga” a lhe percorrer as veias, o governador quase sempre está num “estado alterado de consciência”. O real adentra o surreal! Se “crime” houve, foi o da mentira descarada, agora desmascarada.

Ao faltar com a verdade, quando deveria somente lamentar-se por uma bobagem dita em palanque, Marcelo Déda apenas reafirma sua crença de que Sergipe seja repleto de idiotas, todos crédulos contumazes dos seus encantamentos poéticos. O que ele diz está dito...

Apesar de ter tido acesso à gravação acima publicada, a imprensa de Sergipe simplesmente ignorou o fato por razão peremptória: garantir o sustento mínimo, porquanto, sem as verbas do governo estadual (e da Prefeitura de Aracaju) muitas empresas de comunicação deixariam de existir –que o diga o Jornal do Dia.

O secretário Carlos Cauê já deixou claro. Quem não encampar o seu projeto de “comunicação política” será encaminhado sem lamúrias ao cadafalso. Alguém arrisca?

Por outro lado, a camarilha aboletada na imprensa, especialmente os jornalistas disfarçados de “analistas políticos”, nada podia comentar. Estavam todos ocupados com a execução da “Operação Neguinho”, cujo objetivo é acuar o adversário e provocar reações adversas no eleitorado, cada vez mais balançado. Alea jacta east...