Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009 – 10h45

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>>O “Chefe da Quadrilha”

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O “Chefe da Quadrilha”

Não faz tanto tempo assim, lá pelos idos de 2007, o “chefe da quadrilha”, o deputado federal cassado José Dirceu, esteve em Sergipe. À época apenas um ainda candidato a prefeito, Ânderson Faria (Umbaúba), foi recepcioná-lo. Tempos difíceis e solitários aqueles.

O filho adotivo de Fidel Castro está novamente em Sergipe, agora para dar apoio e sustentação a duas campanhas –a de José Eduardo Dutra à presidência do PT nacional e a de Sílvio Santos à executiva estadual. Hoje ninguém inventou viagem para evitar encontrar-se com o bandido do mensalão, o comprador de votos no Congresso Nacional.

Quando o bandidão era presidente do PT, nomeou Delúbio Soares, especialista em “recursos não contabilizados”, para cuidar da tesouraria. As andanças do barbudo por Sergipe, portando grandes malas, sugerem a possibilidade de a campanha de Marcelo Déda ter sido agraciada com dinheiro sujo. O bicho pegou, o bandidão e o tesoureiro caíram, e Marcelo Déda se afastou dessa turma.

Desde então, o governador da mudança para pior passou a evitar o “chefe da quadrilha”. Desfiliou-se da corrente comandada por ele, a “Articulação Unidade na Luta”, e juntou-se à “Construindo Um Novo Brasil” de Tarso Genro. Nos bastidores, Marcelo Déda vivia a detratar José Dirceu, que define Marcelo Déda como “falso, não solidário, o ingrato que esqueceu quanto ($?) foi ajudado”...

O reencontro de hoje será untado com óleo de peroba. Marcelo Déda fará honras e cerimônias ao “chefe da quadrilha” por alguns motivos bem razoáveis. Por baixo do pano, José Dirceu foi nomeado por Lula da Silva coordenador da campanha de Dilma Rousseff. José Dirceu goza de prestígio no STF, onde oito dos 11 ministros foram indicados pelo compadre-presidente. José Dirceu manda no PT, que elege presidente nacional da sigla apenas quem ele apoia.

Já o bandidão tenta viabilizar a campanha da mãe do PAC à Presidência. Lula da Silva gostou tanto do desempenho dele no esforço cívico para livrar da guilhotina o pescoço de José Sarney que o incumbiu de ajudar Dilma Rousseff a se desviar das recentes enrascadas. O “chefe da quadrilha” ficou tão orgulhoso com a nomeação que pôs de lado as diferenças com os velhos companheiros, incluindo Marcelo Déda e José Eduardo Dutra, outro que também lhe deu um pé no traseiro.

Marcelo Déda bem que tentou se dissociar do bandido do mensalão. Mudou de corrente partidária, passou a queimar o antigo companheiro pelas rodas políticas Brasil afora, fingiu viagem para não recebê-lo, limou resquícios do passado... Mas foi vencido pela necessidade. Sem José Dirceu, os planos de Marcelo Déda de manter-se no poder podem sofrer grandes revezes. E mais, um sujeito com o cabedal de ilicitudes como José Dirceu, temido e invejado por ser capaz de absolutamente tudo, não pode ser desprezado numa eleição tão importante quanto a se que aproxima.

Uma imagem, mil palavras.

Domingo, 20 de Setembro de 2009 – 12h45

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>>Jogo Sujo

>>Ele Sabia

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Jogo Sujo

A trupe bajuladora provou sua serventia ao tratar com afetuosa cumplicidade as palavras esdrúxulas do vice-prefeito de Aracaju, Sílvio Santos. Numa infeliz comparação, o candidato à presidência do PT de Sergipe uniu mototaxistas a traficantes de crack. Desculpas públicas pela desonra? Nada disso. Petistas nunca erram!

No mesmo espaço (“Liberdade Sem Censura”, Liberdade FM) onde mal comparou alhos com bugalhos, Silvio Santos teve a oportunidade de penitenciar-se. A “humildade” não lhe permitiu. O dito de Sílvio Santos ficou pelo dito mesmo, agora referendado: “A oposição quer fazer uso político de algo que eu não disse, para criar uma polêmica sensacionalista”.

A trupe adulatória concordou com o vice-prefeito e o assunto foi sepultado. Rita Oliveira, Luiz Eduardo Costa, Cássia Santana, Eugênio Nascimento, Ivan Valença, Diógenes Brayner... Todos acharam o assunto insosso demais para qualquer mínimo comentário*.

Faz pouco tempo, por mais de uma semana as surradas tetas de Marcelo Déda foram balançadas para cima e para baixo por uma gente indignada com a citação das mamas governamentais pelo ex-governador João Alves filho (vide escritos anteriores, logo abaixo). Depois veio a tsunâmica onda de solidariedade ao choroso prefeito de Poço Verde. Já imaginaram se tivesse sido o Negão a comparar trabalhadores com traficantes? Estava ferrado...

Talvez a promíscua proximidade com o poder perturbe certas funções cognitivas em parte de mídia de Sergipe. Talvez as benesses distribuídas por Marcelo Déda a essa gente proba lhes impinjam a sensação da “impertubabilidade” quanto ao futuro vitorioso líquido e certo. Pode-se dizer ainda que esses profissionais da comunicação sejam apenas descarados. Muitas são as possibilidades. Mas para qualquer diagnóstico, é preciso alertar: o povo não é otário e o jogo sujo já está evidente!

(*) Para efeito de justiça, rendo homenagens ao jornalista Raimundo Brito, diretor do Correio de Sergipe e domingueiro analista do Caderno Vida do referido diário. Raimundo Brito tem pautado sua análise pelo respeito aos fatos. Escreveu ele na edição de hoje:

“Aguardei a repercussão na mídia, mas os “ratos de rádio”, aqueles que sempre saem em defesa do governo e fazem críticas severas à oposição, desapareceram como somem os verdadeiros ratos quando chega um gato na casa. Caso essa declaração tivesse sido dada por um opositor do governo Marcelo Déda, o mundo estaria acabado. Tenho certeza que além dos “ratos de rádio” também parlamentares teriam usado a mídia para escandalizar. Tenho certeza que até notas de repúdio assinadas por várias associações teriam sido feitas e almoços seriam realizados em solidariedade aos atingidos. Cabe aos motociclistas, pois a classe também foi atingida, entrar na Justiça para que o ‘promissor’ político Sílvio Santos, que não atende mais o telefone nem atende a mais ninguém, possa responder pelos seus atos.”

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Ele Sabia

Ele sabia e quis espertamente aproveitar-se da situação para sair bem na foto. Não deu certo, porquanto calculou mal a reação dos colegas. Refiro-me ao digníssimo ministro do STF Carlos Brito no episódio do arquivamento do processo de cassação de Marcelo Déda pelo também ministro do STF Eros Grau.

Carlos Britto disse-se surpreendido, pois soube da notícia pela grande imprensa. Na quarta-feira 16/09, o “Painel” da Folha de São Paulo informou que a decisão de Eros Grau tinha como pano de fundo a insatisfação de ministros da Suprema Corte com a condução do TSE por Carlos Brito.

Na quinta-feira, a mesma coluna informou que ministros do STF é que se dizem surpresos com a “surpresa” do companheiro sergipano: “Colegas de Supremo não entenderam a ‘surpresa’ manifestada pelo presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, diante da decisão de Eros Grau suspendendo os processos de cassação apresentados diretamente ao tribunal eleitoral. Afirmam que Grau avisou Britto de antemão”.

Essa pegou mal...

Terça-feira, 15 de Setembro de 2009 – 00h05

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>>Nota de Resignação

>>Alguns Importantes Esclarecimentos

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Nota de Resignação

Respeitável público,

Sinceramente comovido com os inúmeros protestos recebidos, questionando meu escrito “A Velha Dorminhoca da Palestra de João Alves Filho e a Vagabundagem Insossa do Palhaço Cláudio Nunes” (vide edição anterior), sobretudo o singelo desagravo do deputado Professor Wanderlê proferido ontem na Assembléia e a nota de repúdio a mim encaminhada pela Aprovase, venho a público desculpar-me por qualquer embaraço causado pela minha análise do procedimento ético do jornalista Cláudio Nunes (Portal Infonet).

Disse o deputado aos colegas de legislativo: “Uma matéria como a de David Leite não pega bem. Cláudio Nunes não é palhaço. É sim um jornalista competente, que faz críticas tanto contra quanto a favor do Governo”. O nobre parlamentar não perdeu a oportunidade de trazer João Alves Filho ao debate: “Se ele está tão bem nas pesquisas, não precisa agredir o governador, o prefeito e agora o jornalista Cláudio Nunes”.

Já a indignada nota da Aprovase (Associação dos Profissionais da Vagabundagem de Sergipe) questionou o “uso indevido” do termo vagabundagem: “Trata-se de nomenclatura de uso restrito dos membros remidos desta associação, sendo vedada sua utilização para quaisquer outros fins, lícitos ou não, pelo que solicitamos a devida reparação na forma da Lei”.

Para minha sorte, a representação dos palhaços, pelo menos até agora, não se manifestou –apenas alguns governistas tirados a engraçadinhos fizeram comentários chulos enviados ao meu e-mail. De antemão, diante das palavras do preclaro deputado e da nota de repúdio da Aprovase, ajuízo minhas profundas desculpas, porquanto não poderia jamais comparar o jornalista Cláudio Nunes aos palhaços nem muito menos aos profissionais da vagabundagem de Sergipe...

Ouça o deputado Professor Wanderlê atacando este escrevinhador e defendendo a beldade ética de Cláudio Nunes.
Em seguida, ouça a réplica do vice-líder da oposição, deputado Augusto Bezerra (clique > abaixo / Tempo total: 8' +/-).

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Alguns Importantes Esclarecimentos

O discurso do Professor Wanderlê em defesa de Cláudio Nunes apenas reafirma o relacionamento incestuoso do governo Marcelo Déda com setores da imprensa de Sergipe. Há um evidente rito de reciprocidade. Vejamos: Cláudio Nunes ataca João Alves Filho, principal adversário do governador-candidato Marcelo Déda, líder político do deputado Professor Wanderlê, que defende Cláudio Nunes, que ataca João Alves Filho em benefício de Marcelo Déda.

Quem acompanha meus escritos e conhece minha personalidade sabe muito bem que jamais aceitaria ser teleguiado, ao contrário de Cláudio Nunes e de dezenas de outros jornalistas pagos com dinheiro público para meter o sarrafo no incômodo adversário de Marcelo Déda, e resguardar silêncio cúmplice sobre a profusão de irregularidades do governo da mudança para pior. Absolutamente ninguém, a não ser eu mesmo, deve ser responsabilizado por qualquer opinião aqui emitida.

Por outro turno, a linguagem usada por mim não é menos virulenta que as ações empreendidas por Marcelo Déda e aliados. O deputado Jackson Barreto, por exemplo, dispensa apresentação. O homem do facão, deputado Francisco Gualberto, é outro cujo diálogo, digamos assim, é bastante afiado. Semana passada, a deputada Gorete Reis foi à tribuna pedir mais consideração do colega, que acusou os membros dos partidos de oposição de “entreguistas manhosos, praticantes do crime de lesa-pátria”.

Rogério Carvalho impediu o presidente do Conselho Regional de Medicina de fazer uma vistoria legal nas operações técnicas e nas condições sanitárias do Hospital João Alves –rebatizado Huse mas não abuse, porque não aguenta. Médicos foram e são impedidos de entrar em hospitais estaduais para atender seus pacientes.

Benedito Figueiredo agrediu a malandragem ao fazer de bobo os defensores públicos, subjugados também pela proibição de atender os detentos pobres dentro dos presídios sergipanos. Os presos somente puderam voltar a conversar com seus advogados depois da intervenção da Justiça.

Gaiatos ainda “desconhecidos” gravaram uma reunião entre a cúpula da Secretaria de Educação e a comissão dos representantes sindicais. Quando a gravação veio a público, cinicamente foi dito que não houve dolo, visto que as discussões não eram secretas. O fito de pressionar a categoria, real motivo para a gravação, foi simplesmente esquecido.

Policiais militares cujas mulheres protestaram com panelas em frente ao Palácio do Governo foram “convidados” para uma conversa com os superiores. Alguns mais ousados receberam cadeia como punição. Já os líderes do movimento sindical dos PMs foram ameaçados com prisão em quarteis da Bahia. Marcelo Déda só desistiu da ideia depois de compreender as sérias implicações políticas e sociais do que estava por fazer.

Não devemos esquecer os graves ataques contra outros sindicalistas, notadamente os professores, acusados pelo governador de conspirarem contra o projeto de mudança. Greves foram contestadas na Justiça e a máquina governamental foi usada para desmoralizar e pressionar sindicalistas. O objetivo era colocar a população contra a categoria.

Outro exemplo a denotar a virulência de Marcelo Déda e seus asseclas contra adversários ocorreu faz pouco tempo. O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, mandou arrancar faixas de rua em homenagem ao ex-secretário Nilson Lima (Fazenda) no lançamento da pré-candidatura deste ao governo. Não satisfeito, na mesma noite foi com o chefe ao restaurante onde o ex-secretário se confraternizava com correligionários e armou o maior barraco.

Exemplos dos meios e dos termos sórdidos empregados pelos governistas para intimidar e desmoralizar adversários são infindáveis. Encheriam uma fossa inteira. Mas por que cansar a audiência com tantos escatológicos dejetos?

Em meio ao imenso barulho provocado pelos meus escritos, a picuinha acaba prevalecendo sobre o essencial: a análise fria de como o governo da mudança para pior usa uma cambada de jornalistas pagos com o dinheiro do contribuinte para achacar qualquer um que possa minimamente atrapalhar o projeto de poder de Marcelo Déda. Contra esse fato não há argumentos, nobre deputado Professor Wanderlê.

Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009 – 19h15

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>>Chiquinho Ferreira Não Tira o Negão da Cabeça

>>A Velha Dorminhoca da Palestra do Negão e a Vagabundagem Insossa do Palhaço Cláudio Nunes

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Chiquinho Ferreira Não Tira o Negão da Cabeça

Chiquinho Ferreira é um profissional diversificado. Já defendeu Albano Franco (assessor da Saúde), João Alves Filho (adjunto da Comunicação) e agora, secretário-adjunto de Carlos Cauê (Comunicação), tem a ingrata missão de “explicar” o governo da mudança para pior, sob o comando de Marcelo Déda.

Chiquinho Ferreira talvez esteja enferrujado ou quem sabe já não possua a mesma disposição de outrora para resguardar a imagem do chefe maior. Ontem ele gaguejou diante do deputado Venâncio Fonseca. O líder da oposição não perdeu a oportunidade de ironizar.

Num debate radiofônico, Chiquinho Ferreira comentava uma informação dada pelo deputado e usou na justificativa o slogan do primeiro governo do Negão: “Contra fatos não há argumentos”. Venâncio Fonseca deu o tiro de misericórdia: “Veja Chiquinho, mesmo agora defendendo Déda, você não consegue esquecer o governo de João Alves”...

Aliás, Chiquinho Ferreira deveria fazer uma faxina completa nos esgotos da Secretaria de Comunicação e livrar-se dos “ratos” de rádio. Os ouvintes já não suportam os mesmos murídeos a mamar do leite quente governamental desde a gestão do jornalista André Barros, criador do “departamento de ratos” estatal. Prestaria um grande serviço.

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A Velha Dorminhoca da Palestra do Negão e a

Vagabundagem Insossa do Palhaço Cláudio Nunes

A senhora da foto abaixo é bastante conhecida nos escritórios privados e repartições públicas do Centro Comercial. Frequenta tais ambientes em busca de uns trocados para manter-se de pé. Bate “ponto” diariamente na Assembleia.

Ontem não foi diferente. Ao tentar entrar na galeria pública ao lado do plenário legislativo ela foi barrada. Após rápida discussão, a segurança permitiu a entrada.

Cansada de guerra por despossuir tetas onde possa mamar confortavelmente, a pobre mulher sentou-se para descansar e meio minuto depois já estava no terceiro sono. Pelas lentes do prestativo fotógrafo César Oliveira, e graças à vagabundagem de Cláudio Nunes, comandante do Diário Oficial Eletrônico do governo estadual (Portal Infonet), a imagem da pedinte foi usada (sem autorização dela, frise-se) para reforçar a campanha de “marketing” governamental apelidada nos meis políticos de “Operação Neguinho”. Leia a “análise” produzida por Cláudio Nunes:

Palestra tão conhecida que deu sono...

Nas galerias várias lideranças políticas do interior e ex-secretários e assessores dele. Alguns populares foram chamados para a palestra, mas pelo jeito não estavam nem aí, ou já conheciam o discurso. Na foto César de Oliveira, uma mulher cochilando durante a palestra ontem.

A “Operação Neguinho” foi engendrada pelo “publicitário” Marcelo Déda com o objetivo de desmoralizar e constranger seu principal adversário político. Engloba ações patrocinadas com dinheiro público na mídia e táticas de guerrilha nos bastidores (veja os textos “O Zabumbeiro e os 40 Mamadores” e “A TV Alese Sumiu” logo abaixo).

A “análise” da palestra do Negão feita hoje pelo lisonjeador Cláudio Nunes é até o momento o exemplo mais galhofeiro a comprovar quanto o desespero de uns gera destempero moral e idiotia em outros...

Para quem como Marcelo Déda se acha uma liderança espertamente inteligente e detentora de elevado coeficiente intelectual, o governador deveria cercar-se de assessores melhor qualificados. Investidas estúpidas e sem suporte na realidade factual, a exemplo da do pateta Cláudio Nunes, solapam a “Operação Neguinho”, que assim correria um sério risco de naufragar na praia.

Enquanto Cláudio Nunes baba (ou mama?) os bagos do chefe sem deixar escorrer uma gota de saliva, tentando provocar com a melação estridentes risos na plateia, o que se ouve são os murmúrios típicos de um pré-apupo! Nem em circo de quinta categoria seria possível encontrar palhaço tão vagabundamente desqualificado...

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Novo Domínio

Estamos de domínio novo. Agora ficou mais fácil indicar o ABRA-O-OLHO aos amigos e colegas: www.abraoolho.com.br.

Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009 – 19h45

>> O Zabumbeiro e os 40 “Mamadores”

>> O Deputado Babador

>> A TV Alese Sumiu

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O Zabumbeiro e os 40 “Mamadores”

A história é antiga. Um cara chamado Ali Babá tinha 40 inseparáveis companheiros. Edvaldo Nogueira nem de longe se aparenta com o moço malévolo das “Mil e Uma Noites”. Entre ele e o famoso larápio há apenas uma interessante semelhança: o número de parceiros reunidos numa recente empreitada...

O “secretário” Edvaldo Nogueira sabe agradar o chefe dele como poucos. Já mandou até tirar faixas de rua de um evento em homenagem a um desafeto do patrão. Semana passada, ele aprontou de novo. Desta feita contra quem anda a incomodar Marcelo Déda.

O almoço organizado na sexta-feira 04/09 pelo Zabumbeiro com os 40 “mamadores”, plenamente usado, abusado, requentado e re-requentado durante uma semana inteira pelo Adulatório Estatal aboletado na imprensa, era apenas uma das muitas ações do “marketing” governamental --a “Operação Neguinho”-- contra sua principal ameaça política.

Já sabemos, as tetas da máquina administrativa da Prefeitura de Aracaju foram mamadas sem escrúpulos para divulgar o rega-bofe pré-eleitoral e também para repercutir a tal “nota de solidariedade” ao choroso prefeito de Poço Verde, Tonho de Dorinha. Não seria surpresa se o banquete no qual se decidiu o bombardeio ao adversário também tivesse sido financiado pelas mesmas mamas.

Se assim o foi, outra característica a unir Ali Babá e o prefeito zabumbeiro afloraria das sombras: usar o dinheiro alheio para bancar homéricas farras!

Brindemos à mudança...

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O Deputado Babador

Estava eu sem entender o silêncio público do deputado Jackson Barreto quanto à abusada recomendação do ex-mandatário para os prefeitos “mamarem” os benefícios do governo até o ano vindouro, quando as composições eleitorais começam a valer.

O elétrico deputado possui uma língua nervosa. Não perde qualquer mínima oportunidade de fazer de um limão uma limonada na bajulação rouca a Marcelo Déda. Calado assim? Por quê?

A explicação talvez esteja na quilométrica ficha corrida do probo Jackson Barreto, através da qual, pode-se concluir, seja ele um especialista em “mamadas”.

Como o deputado, a julgar pela carrada de processos no STF, supostamente mama com tal volúpia e profissionalismo que não deixa escorrer nem uma única gotinha do leite quente, tratar sobre tema tão rijo poderia provocar-lhe uterina excitação.

Ao bem do coração (e da decência), melhor calar...

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A TV Alese Sumiu

A mãe do acaso pariu nos braços do presidente da Assembleia, Ulisses Andrade, um rebento rechonchudo. Uma inesperada pane nos equipamentos da TV Alese tirou a emissora legislativa do ar horas antes da palestra de João Alves Filho, agendada para hoje de manhã.

Apenas 15 deputados, cerca de 50 amigos fieis ao ex-governador e os funcionários do legislativo estadual assistiram a apresentação sobre “Aquecimento Global e a Crise Mundial da Água”. Quem quis ver a palestra pela TV encontrou só chiados.

Ao “saber” de tão estranha circunstância, Ulisses Andrade cobrou os reparos para restabelecer o sinal ainda hoje. Ao convidado, garantiu a reprise da palestra “o mais breve possível”.

Aliado de primeira hora do governador das mudanças para pior, Ulisses Andrade nem precisou aderir à campanha de “marketing” engendrada por Marcelo Déda para abafar a imagem do adversário maior custe o que custar. Em seu socorro, o irmão mais moço do acaso veio à luz!

Santa coincidência. Amém...

Dúvida deste incauto escrevinhador, sem qualquer traço de piada: em qual horário mesmo (e quando) o nobre deputado Ulisses Andrade planeja exibir a reprise inédita da palestra do Negão? Pergunto pois adoro zapear madrugada afora!

Domingo, 06 de Setembro de 2009 – 18h55

Racismo ou Apenas Vício Exacerbado?

Murmúrios de “esconjuro” de meia em meia hora, reforçados com o sinal da cruz a cortar a face nos quatro ângulos. Batidas na madeira várias vezes ao dia. Rezas de joelhos sob milho pisado. Macumba, feitiços... O adulatório oficial aboletado na imprensa de Sergipe, bancado com dinheiro público para manter sempre lustrada a imagem de Marcelo Déda, está apreensivo.

Não ocorre ao acaso a enxurrada de ataques contra João Alves Filho, especialmente através do Jornal do Dia, Diário Oficial do governo Marcelo Déda. A razão para tanto alvoroço vem do resultado da última pesquisa de opinião pública, realizada e publicada pelo Cinform (31/08), a confirmar a tendência de polarização entre o governador das mudanças para pior e o ex-mandatário.

Afinal, essa turma do barulho já percebeu: a eleição de 2010 não será “aquele passeio”, conforme se imaginava.

A avassaladora máquina de guerrilha montada pela Secretaria de Comunicação para minar os anseios políticos de João Alves Filho até tentou abafar. Mas os programas “jornalísticos” do rádio matutino não puderam ser plenamente contidos. Acabou nos ouvidos do povo o fato de Marcelo Déda ter usado o termo “neguinho” para menosprezar o adversário.

Na sexta-feira 28/08, o governador tentou se defender da grave acusação de racismo feita por Democratas: “A expressão ‘Negão’ é usada pelo próprio ex-governador como um nome promocional de campanha. Tenho raízes negras (...) Certas práticas que assentam em outros, não assentam comigo”. A declaração buscava encerrar o “caso”. Ouça a negativa do governador (clique > abaixo).

Dado a inebriar-se com doses cavalares de vaidade antes de subir aos palanques, Marcelo Déda simplesmente “esqueceu”, numa espécie de amnésia seletiva­, do discurso pronunciado em Glória (14/05), na inauguração do recapeamento asfáltico da rodovia entre Itabaiana e Canindé, apelidada por ele de “Rota do Sertão”. Ouça o momento no qual o governador faz referência a João Alves Filho e seus três mandatos de governador com o termo “neguinho” (clique > abaixo).

“Neguinho” pode ter várias conotações, quase todas sempre muito carinhosas. É geralmente usado no trato entre amigos e familiares, não importa se brancos, amarelos ou negros. Porém, como empregado por Marcelo Déda em seu discurso, cujo personagem-alvo era o Negão, torna-se depreciativo, porquanto busca diminuir o adversário.

Não enxergo na “definição” feita pelo governador traços de racismo. É apenas uma overdose de cinismo, reação típica a afligir viciados em vaidade pura, como Marcelo Déda. Com a “droga” a lhe percorrer as veias, o governador quase sempre está num “estado alterado de consciência”. O real adentra o surreal! Se “crime” houve, foi o da mentira descarada, agora desmascarada.

Ao faltar com a verdade, quando deveria somente lamentar-se por uma bobagem dita em palanque, Marcelo Déda apenas reafirma sua crença de que Sergipe seja repleto de idiotas, todos crédulos contumazes dos seus encantamentos poéticos. O que ele diz está dito...

Apesar de ter tido acesso à gravação acima publicada, a imprensa de Sergipe simplesmente ignorou o fato por razão peremptória: garantir o sustento mínimo, porquanto, sem as verbas do governo estadual (e da Prefeitura de Aracaju) muitas empresas de comunicação deixariam de existir –que o diga o Jornal do Dia.

O secretário Carlos Cauê já deixou claro. Quem não encampar o seu projeto de “comunicação política” será encaminhado sem lamúrias ao cadafalso. Alguém arrisca?

Por outro lado, a camarilha aboletada na imprensa, especialmente os jornalistas disfarçados de “analistas políticos”, nada podia comentar. Estavam todos ocupados com a execução da “Operação Neguinho”, cujo objetivo é acuar o adversário e provocar reações adversas no eleitorado, cada vez mais balançado. Alea jacta east...

Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009 – 23h15

As Tetas de Marcelo Déda

Ou... Um Decreto do Caralho

A semana foi longa e deliciosa. As tetas de Marcelo Déda balançaram para cima e para baixo nos becos obscuros do jornalismo de encomenda, patrocinado pelo governo das mudanças para pior.

Indignados pela citação das mamas governamentais como se mundanas fossem, lisonjeadores oficiais aboletados na imprensa massacraram o ex-governador João Alves filho por tê-las exibido com debochada transparência e ainda ter tido a petulância de recomendar aos prefeitos delas sugarem o leite quente até o ano vindouro, quando as composições eleitorais começam para valer.

O Negão até tentou explicar o fito despretensioso do seu “mamar” (“Fingir-se aliado e obter máximos benefícios para o município”). De nada adiantou. A indignação oficial transformou uma simples chupada de peito em filme pornô.

Vermelha de raiva, Rita Oliveira, “analista política” do Jornal do Dia, classificou como “pernicioso” o “conselho” do ex-governador aos prefeitos (25/08/09). Mais adiante, chorosa, pediu votos para o chefe: “Ao aconselhar os prefeitos a mamarem nas tetas do governo (Marcelo Déda), João Alves Filho dá mais uma demonstração de que não está reciclado, como declarou na campanha de 2002 (...) Caberá ao povo em 2010 decidir se cairá em mais uma esparrela”.

Outro magoado por ver as virgens tetas do querido chefe tão despudoradamente violentadas foi o “analista político” domingueiro do Jornal do Dia, Luiz Eduardo Costa. Do alto de sua eclesiástica isenção, o subsecretário de Governo disse (30/08/09): “Um homem público que (...) desce ao rés do chão de uma política vulgar (...) cujo objetivo da luta pelo poder é exclusivamente mamar nos cofres públicos”. Confesso, fiquei pasmo com tão sincera castidade entranhada num único petista!

Ainda no domingo, Cássia Santana (Jornal do Dia) também expôs sua angústia (“... ao longo dos anos, Sergipe tem se revelado reagente às mazelas político-partidárias, ao totalitarismo e aos arrogos dos impropérios”) e hoje foi a vez do bíblico Jozailto Lima (Cinform) citar as Escrituras Sagradas para pedir mais decência com as tetas do nobre governador.

O danado é que depois de tanta lamúria pelo abusado desmistificar das tetas puritanas de Marcelo Déda, inchadas das bicadas dos inúmeros que dela já se serviram nos tortuosos caminhos da descarada campanha eleitoral antecipada iniciada ainda em 2007, ajunta-se agora ao rolo –com o devido perdão das senhoras leitoras– o caralho do governador.

O filme pornô insosso, produzido pelo adulatório oficial do governo do PT somente com cenas do umbigo para cima, vai finalmente esquentar. Qual será o primeiro “analista político” a resenhá-lo?

* * *

A gestão Marcelo Déda é pródiga em festa. A galhofa reina solta e até pito em secretários se esfregando no estacionamento do Palácio do Governo o governador já deu. Espera-se, porém, que o comedimento e a sisudez dos atos oficiais sigam a liturgia republicana, cujo mote é a decência e o respeito devidos à Sociedade. Mas até isso o governo do PT resolveu mudar. Para pior!

Decreto 26.349 de 14/08/09, publicado no Diário Oficial do Poder Executivo em 17/08/09 (Edição 25.817), “Decreta Luto Oficial pelo falecimento do Ex-Governador Sebastião Celso de Caralho”.

Não, você não leu errado. É Caralho mesmo. E mais: o nome do ex-governador aparece grafado simplesmente quatro vezes de maneira desonrosa no decreto, sinalizando tratar-se de uma brincadeira que virou coisa séria. Veja a reprodução do diário público na foto abaixo.

O que naturalmente era uma simples brincadeira de algum funcionário gaiato acabou publicada como Ato Oficial do Governo de Sergipe, depois de passar por pelos menos seis pessoas: o redator da nota, o chefe de gabinete da Secretaria de Governo, o secretário de Governo Jorge Araújo, o chefe de gabinete do governador Marcelo Déda, o próprio governador e finalmente o revisor do Diário Oficial.

Ninguém leu o documento, certamente. Para desgosto da família e dos amigos do ex-governador, e para humilhação da sociedade sergipana, representada por uma turma do barulho.

Dirão os lisonjeadores, e também os valhacoutos aboletados na imprensa, com o cinismo que lhes é peculiar: “Trata-se apenas de um lamentável erro, explorado com denodo pelos oposicionistas”. Não! Trata-se da comprovação cabal que nada, absolutamente nada é levado a sério no governo das mudanças para pior. A começar pelos Atos Oficiais assinados pelo governador, que sequer lê o que lhe chega às mãos.

Quem sabe, talvez nas próximas horas até possamos encontrar Dona Rita Oliveira chocada e constrangida diante do “Caralho” do seu requisitado chefe. Ficaria a “analista política” vermelha de vergonha por eventualmente precisar comentar o decreto do indevido pênis governamental, dando ênfase idêntica a dedicada às tetas?

Para alguém nomeada “assessora especial” (Diário Oficial do Estado de 9/03/2007, CCE07, R$ 2,5 mil/mês + o salário de servidora da Secretaria de Educação) que se põe sem pudor a dar pitos éticos no adversário do patrão e logo adiante pede votos para o dito cujo, encarar essa vai ser uma parada dura. Bem dura!

Sábado, 29 de Agosto de 2009 – 22h55

O Tempo, Senhor da Razão

Quando tudo apenas começava, ainda nos cem dias de governo, diante das primeiras cobranças da promessa de fazer de Sergipe o Céu na Terra, Marcelo Déda e sua trupe mantiveram uma única cantilena: se nada fora feito até então, a culpa era de quem havia saído.

A desculpa inicial: a da casa desarrumada. Seria preciso muito esforço e capacidade de administrar crises para por Sergipe em ordem. Os ataques contra João Alves Filho, acusado de ser o único responsável por todas as mazelas e erros do novo governo, marcaram o ano de 2007.

Durante 2008, a cantiga “O Culpado é o Ex” ganhou uma nova versão. Os servidores passaram a ser acusados de conspirar contra o “projeto de mudança”. Alguns poucos segmentos da imprensa também foram agregados ao rol dos lacaios. Se o governador acordava ainda meio tonto da refrega da noite anterior, a culpa era... Se o penteado da secretária Eloísa Galdino desamaciava, a culpa era... Se o deputado Francisco Gualberto não encontrava seu facão devidamente afiado, a culpa era...

O terceiro ano do “projeto de mudança” certamente deveria trazer alguma mudança para valer. Trouxe! Confrontado com o fato de não ter uma única ação de monta executada ou obras importantes entregues, Marcelo Déda trocou uns três secretários no início do 2009 e foi conhecer o sertão, onde deu início à maratona de inaugurações, com comícios trecho a trecho, da “Rota do Sertão”.

Enquanto o governador estava nos palanques sertanejos a falar mal dos adversários, o couro comia nele em Aracaju. Todo o plantel de “ratos de rádio”, pagos pela Secretaria Estadual de Comunicação para defender Marcelo Déda, foi insuficiente para conter a onda de reclamações feitas diretamente pelo povo.

O governador das mudanças para pior reagiu como sempre. Fez surgir um novo culpado pela sua lerdeza, anunciado com pompa pelo homem do facão: “Politicamente, nosso governo está pagando um preço caro com a paralisação de algumas obras e demora na conclusão de outras, mas é uma opção nossa. Entre o prejuízo político de ter uma obra atrasada e se submeter a chantagens para botar dinheiro público no bolso de empresários, o governador Marcelo Déda opta por preservar o dinheiro do povo”.

Resumo da ópera: se o governo do PT chegou a mais de dois anos e meio de mandato de modo chumbrega, para recordar a palavra usada pelo compadre-presidente Lula da Silva ao definir o próprio governador, a culpa não é de Marcelo Déda e sua trupe.

No que se conclui: o neófito governador é um homem santo, perseguido e martirizado pelo fantasma do ex-governo de João Alves Filho. Marcelo Déda seria a vítima desvalida de uma poderosa conspiração, cujo objetivo é prejudicar seu governo, com métodos típicos de uma “tortura moral”.

Culpar terceiros pelos próprios erros é a saída comum dos oportunistas. As promessas de fazer de Sergipe o Céu na Terra foram esquecidas por quem as recitou como versos irrevogáveis nos palanques de 2006. Mas como admitiu o próprio “Número Um”, ele não é divino para fazer milagres...

Na oposição, Marcelo Déda sabia apontar defeitos alheios como nenhum outro. De posse do Diário Oficial, o governador virou só lamúrias e sofreguidão, que busca dividir alhures como se não lhe fossem sujeições exclusivas.

Sobra o consolo de ser o Tempo senhor da razão!

Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009 – 16h15

O Que Tem a Ver o Respectivo Com as Calças?

A mais requentada discussão política dos últimos dias é quanto a quem chegou primeiro ao mundo, se o ovo ou a galinha. Importaria ao distinto público conhecer o “verdadeiro” autor da ação em tramitação no TSE, com a acusação de abuso da máquina pública e outros ilícitos, perpetrada contra o governador Marcelo Déda?

Sim! Importa, e muito. Pois sem um autor, ou mentor se preferirem, devidamente identificado, com peso político obviamente, a futura canonização de Marcelo Déda, condenado ou não na querela do TSE, ficaria sem a “agravante eleitoreira”, e daí não poderia ser usada com a mesma eficácia nos palanques.

Se a dita ação tivesse a autoria de Maria Candelária, a “puta velha cansada de guerra, mas que um dia foi uma formosura na flor nem sempre pura da idade”, conforme os vívidos versos de Armando Rafael*, não haveria qualquer mínimo reboliço. Seria apenas uma “mulher da vida” a conjurar fábulas. Mas...

Os fatos – Tudo começou com a cantilena de Marcelo Déda ao Cinform desta semana, na qual acusa João Alves Filho de ser “o sujeito oculto de um golpe que não terá o apoio do TSE”. Na mesma reportagem, o ex-governador negou qualquer envolvimento: “A cassação de Marcelo Déda não me interessa. Seja qual for a decisão, não quero assumir o governo. Eu quero ganhar do governador no voto”.

Ainda na segunda-feira, Marcelo Déda fez chegar ao Jornal do Dia “cópias de documentos com a comprovação da participação do ex-governador no processo”. Ontem pela manhã os tais “documentos” foram disponibilizados no e-Sergipe**, o blog da Secretaria Estadual de Comunicação.

De acordo com o texto de apresentação da papelada, “João Alves Filho pede para ingressar como assistente litisconsorcial na representação contra o governador. A assistência litisconsorcial é um meio legítimo de participação onde o assistente atua no processo por ter interesse em que a sentença lhe seja favorável, pois sua situação jurídica será diretamente atingida pelos efeitos da sentença proferida”.

Trocando em miúdos, conforme “explicou” o Diário Oficial do governo das mudanças para pior, o Jornal do Dia: “A petição obtida com exclusividade pelo Jornal do Dia joga por terra o discurso do ex-governador João Alves Filho de que não moveu ‘nenhuma palha sequer’ no processo que tramita no TSE pedindo a cassação do diploma do governador Marcelo Déda”.

O canto suave da “pobre vítima vilipendiada e atacada pela elite dominante, do sempre ético, do incorruptível e do divinamente honesto” estava então reabilitado. Mas...

A reação – Ontem à tarde a assessoria de João Alves Filho encaminhou à imprensa um comunicado de desmentido –pelo menos, um desmentido em parte. Diz a nota*** (resumo):

“O recurso na justiça eleitoral contra a expedição do diploma de Marcelo Deda e Belivaldo Chagas foi protocolado em dezembro de 2006 e tramitou até fevereiro de 2009 sob a responsabilidade do Partido dos Aposentados da Nação – PAN, sem qualquer interferência do Partido Democratas.

Somente em fevereiro de 2009 –ou seja, quase três anos após o início do processo referido– o Democratas se limitou a pedir o seu ingresso na condição de assistente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), atual autor da ação por ter sucedido o PAN. Tal decisão foi motivada pelo fato do PTB ter solicitado a extinção do feito, em 28 de janeiro de 2009, ocasião em que a Executiva Nacional do Democratas concluiu que essa desistência poderia fomentar grande injustiça.

Ocorre que a petição na qual requeri o ingresso no feito sequer foi apreciada, pois face à manifestação do Ministério Público Federal no dia 17 de agosto de 2009, emitindo o parecer de que ‘a desistência manifestada pelo recorrente não implicaria a extinção do feito sem resolução do mérito, tendo em vista a natureza eminentemente pública da matéria’, a denotar a gravidade das denúncias, solicitei já no dia 19 de agosto de 2009, antes mesmo da avaliação da referida petição, a sua desconsideração.”

(João Alves Filho)

Lá se foi para o brejo, de novo, o discurso-feito, a cantilena monótona e insossa do governador Marcelo Déda...

Mas afinal, o que tem a ver o respectivo com as calças? Diante da gravidade das denúncias (vide escritos anteriores, logo abaixo), não importa conhecer o verdadeiro autor por trás da ação nem sua motivação. O que realmente pesa é como o TSE vai se pronunciar, pois os flagrantes ilícitos ainda não foram esquecidos, como pretende o governador ao promover toda essa cortina de fumaça.

Já comentei a respeito antes e repito. O ideal para o processo político e democrático seria a disputa no voto a voto, com o governador enfrentando João Alves Filho em 2010. Todavia, no meio do caminho há um imenso pedregulho que não pode ser simplesmente ignorado.

Marcelo Déda tem uma forma, digamos, peculiar de usar a máquina na autopromoção para lucrar eleitoralmente. O megacomício de 15 dias atrás, conforme denunciei em escritos anteriores (que podem ser acessados logo abaixo), leva a crer que Ele sempre teve pia certeza da impunidade. Diante do nefasto passado de ilicitudes, agora questionado na justiça eleitoral, o governador anda muito nervoso, porquanto, esperto como é, sabe do imenso risco que corre de perder o suado mandato de forma pateticamente inusitada. Isso de um lado...

Já pelo outro, toda essa balbúrdia em torno do autor da contenda jurídica agita os partidários e admiradores sem vínculo político de João Alves Filho, que cada vez mais o enxergam como a melhor alternativa –talvez a única– de derrotar fragorosamente o saturado projeto de mudança no voto a voto. Isso sim deveria ser motivo para Marcelo Déda pensar duas vezes antes de polemizar com o ex-governador...

Mas ainda é cedo para falar em eleição.

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(*) Texto completo em http://cariricult.blogspot.com/2009/03/maria-candelaria.html.

(**) Texto completo em http://esergipe.wordpress.com/2009/08/25/documentos-comprovam-participacao-de-joao-alves-no-processo-contra-deda.

(***) Texto complexo em http://www.jornaldacidade.net/2008/noticia.php?id=40589#T+.

Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009 – 23h35

O Discurso-Feito de Marcelo Déda

Como diria o admirador de Fidel Castro, Chico Buarque de Holanda, “de muito gorda, a porca já não anda”. Os argumentos do governador Marcelo Déda para justificar-se dos ilícitos dos quais é acusado no TSE (leia sobre no escrito anterior, logo abaixo) soam preguiçosos e patéticos.

Aliás, a incrível desfaçatez e a imensa cara-de-pau só são sobrepujadas pelos escritos dos que deveriam praticar o jornalismo com independência e imparcialidade.

Conforme disse anteriormente, caso seja cassado pelo TSE, Marcelo Deda já tem pronto o discurso do perseguido, do injustiçado; do coitadinho, vítima de um golpe rasteiro daqueles que não se conformaram com sua vitória...

Convenhamos, um homem do suposto calibre intelectual do governador das mudanças para pior, cujo poético vernáculo –dizem as más línguas– encanta até “serpentes”, bem que poderia se acercar de objeções mais modernosamente elaboradas.

A lorota da pobre vítima vilipendiada e atacada pela elite dominante, do sempre ético, do incorruptível e do divinamente honesto, é a mesmíssima usada pelo probo Jackson Barreto 20 anos atrás, quando foi desalojado da cadeira de prefeito de Aracaju (contando inclusive com o voto do então deputado estadual Marcelo Déda) sob a acusação de fazer contas à moda do cantor de forró: “Uma pra mim, uma pra tu, uma pra mim, outra pra mim!”.

Não que se possa comparar o governador a Jackson Barreto, cuja ficha corrida, se emendada folha após folha, somaria uns cinco quilômetros...

Vejam só o que disse Marcelo Déda na terça-feira 18/08, numa carta ao jornalista Luis Nassif*, proprietário de um blog mantido com recursos do BNDES:

Nassif:

Não pretendia me pronunciar, deixando aos meus advogados essa tarefa, mas, admirador do seu blog, fui lendo os comentários e julguei importante emitir algumas considerações e passar algumas informações que podem esclarecer melhor os fatos...

A acusação que me fazem decorre de atos de inauguração de obras e serviços da PREFEITURA (atente bem para o detalhe), durante o mês de MARÇO, aniversário da cidade (tradição antiga), quando eu AINDA ESTAVA NO EXERCÍCIO PLENO DO CARGO DE PREFEITO (guardem mais esse detalhe). Tudo aconteceu antes que eu fosse registrado candidato pelo PT e aceito pelos demais partidos da coligação.

Não sou acusado de compra de voto. Não me atribuem nenhum ato, durante o processo eleitoral propriamente dito, que só iniciou em JULHO. Não me acusam sequer de ter pregado um cartaz na parede de uma igreja!

Vejam bem: sou acusado de em MARÇO, quando era prefeito, de ter inaugurado obras e os atos de inaugurações terem influenciado o resultado do pleito em OUTUBRO. (...) Como poderiam festas cívicas do aniversário de Aracaju, ou inaugurações festivas, como tradicionalmente se faz aqui, realizadas em março terem tanta força, a ponto de, em outubro, configurarem abuso contra um candidato que disputou reeleição no cargo? (Marcelo Déda)

Vejam o que escreveu Diógenes Brayner em “Plenário” (Correio de Sergipe) na quinta-feira 20/08:

“(Marcelo) Déda não é acusado de compra de voto. Não é acusado de ter usado serviços públicos ou programas e projetos sociais para captar votos. Não é acusado de usar a máquina para constranger o eleitor. Não o acusam (no processo de cassação em curso no TSE) de ter cometido qualquer outro deslize eleitoral, durante a campanha! Ou seja, não lhe atribuem, enquanto candidato, nenhum ato supostamente desabonador, durante o processo eleitoral propriamente dito, que só se iniciou, como todos sabem, em julho de 2006. (...) O governador Marcelo Déda está sendo acusando pelo fato de, em março, quando era prefeito, ter cumprido com a tarefa de qualquer chefe de executivo municipal, estadual ou federal, ou seja, de ter inaugurado obras. Tudo isso baseado na tese de que os atos de inauguração realizados em março, na capital, teriam influenciado o resultado de um pleito acontecido em outubro, nos 75 municípios do estado.”

E agora o que disse o próprio Marcelo Déda em entrevista de página inteira publicada no Cinform de hoje:

“Não sou acusado de compra de voto. Não sou acusado de ter usado serviços públicos ou programas e projetos sociais para captar votos. Não sou acusado de usar a máquina para constranger o eleitor. Não me acusam sequer de ter pregado um cartaz na parede de uma igreja durante a campanha! Não me atribuem nenhum ato ilegal durante o processo eleitoral propriamente dito, que só se iniciou em julho de 2006. (...) Acusam-se de ter feito aquilo que é obrigação do todo prefeito: inaugura obras. Aqui em Sergipe e no Nordeste é uma tradição inaugurar obras festivamente.”

Incrível a semelhança entre discursos pronunciados em fóruns distintos e em dias alternados. Podemos assim supor, tratar-se da “comunicação política” urdida por Marcelo Déda para o gran finale: ser ovacionado em praça pública na hipótese de sua vitória no TSE, ou desagravado pela camarilha aboletada na imprensa se for cassado.

Notícia é notícia e a verdade, queira a imprensa petista ou não, acaba sempre por aparecer. A população aos poucos começa a sentir as manobras dos valhacoutos e a descreditar seus escritos.

E mais: já é notável o número de eleitores que se cansaram do “projeto de mudança”. Sinceramente, o melhor seria a disputa entre os próceres (Marcelo Déda e João Alves Filho) nas urnas. O voto a voto é sempre muito mais quente... Mas se for cassado, Marcelo Déda certamente posará de vítima. Contra esse tipo de argumento é que se deve manter os olhos e ouvidos bem abertos.

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(*) (texto completo em:

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/08/18/o-tapetao-eleitoral/)