Domingo, 28.06.2009 – 00h30

Déda, o Dorminhoco

Ou, O Despertar de Machadão

A semana se encerra com uma querela inusitada, cujo ponto alto é a tréplica do deputado federal José Carlos Machado, do alto clero do Democratas, à reação do governador Marcelo Déda ante uma entrevista publicada domingo passado no Jornal da Cidade.

Déda sempre reagiu mansamente aos ataques de Machado. Desta vez não deixou barato, até pelo fato de as “considerações” terem sido as de um aguerrido oposicionista. Algo impensável meses atrás, quando o deputado ainda acalentava (inocentemente) ser indicado pelo governador para o emprego vitalício de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, vaga ocupada recentemente por um petista de carteirinha, o advogado Clovis Barbosa.

Tudo começou quando Machado (Jornal da Cidade, 21.06) relembrou a amizade pessoal de Déda com o presidente Lula da Silva e de sua força em Brasília. E que apesar do compadrio, Déda não vem conseguindo muitas verbas. “De um total de R$ 245 milhões de emendas ao OGU (Orçamento Geral da União) 2009 destinados a Sergipe, conseguiu apenas parte de uma emenda de R$ 15 milhões destinada aos perímetros irrigados que produzem arroz em Cedro, Propriá, Neópolis e adjacências. Sinceramente, não sei o que está acontecendo. Acho que o governador deveria aproveitar essa amizade e pedir por Sergipe. Há um outro problema: as verbas liberadas para outros projetos não foram utilizadas, a exemplo da ponte Estância-Indiaroba, que já poderia estar sendo realizada, mas nada aconteceu. O governo Déda, em se tratando de obras, é muito devagar. A sorte de Déda foi ter pego uma série de projetos de João Alves Filho, senão Sergipe estaria completamente paralisado. É um governo muito lento nas obras. Não sei se é ágil em algum outro segmento.”

Machado foi mais além, trazendo ao debate um comparativo mordaz. Disse que, ao contrário do ex-governador Albano Franco, que conseguiu liberar 100% das verbas referentes às chamadas emendas de bancadas, Déda não tem conseguido fazer com que o dinheiro desembarque em Sergipe.

A comparação com Albano Franco, um cidadão sem opinião ou posição política definida, e cujo governo atrasou Sergipe em uma década, deve ter doído profundamente no coração narcisista de Déda. As palavras de Machado, mesmo plenamente verdadeiras e baseadas nos números colhidos por ele na condição de coordenador da bancada federal para questões do OGU, inflamaram o governador.

A reação foi de lamento, bem ao estilo choroso de quem não aceita críticas: “Como ele (Machado) também integra um partido de oposição, precisa bater no governo às vezes para fazer uma média com os seus aliados. O eleitor é o juiz. É a beleza da democracia. Machado está no seu papel de oposição. Minha preocupação é que, chegando perto da eleição, Machado se torne mais o deputado do DEM do que o coordenador geral da bancada sergipana.”

A Tréplica - Em entrevista a Carlos Batalha (“Batalha na TV”, TV Cidade, 25.06), Machado mostrou um lado até então resguardado a sete chaves: o de quem não leva desaforo governamental para casa. “Déda tenta descaracterizar o crítico ao dizer que faço política quando analiso o desempenho do governo com base em dados oficiais. Política quem sabe fazer é o governador. Estamos na era de pouca ação e muito marketing. Obras com data de inauguração marcada para fevereiro de 2009 estão longe de ser concluídas. Não queremos ser mal interpretados. Queremos que o governador acorde e faça mais pelo estado.”

Ao considerar o governador das mudanças para pior um dorminhoco que precisa “acordar” para “fazer mais pelo estado”, o deputado Machado desperta de um longo sono, exasperador para os eleitores contrários ao PT.

Agora é tocar o andor de quem sabe, quando quer, fazer oposição...

Sexta-feira, 26.06.2009 – 17h50
O Neguinho-Branquelo
Michael jackson em Londres (2006)
A inesperada morte de Michael Jackson sela uma carreira controvertida, tanto pelo carisma do artista quanto pelo homem por trás do astro.
Para muitos é um momento de prestar homenagens. Prefiro refletir sobre a construção e desconstrução da imagem de um dos maiores ídolos da história humana.
Minhas primeiras audições da inesquecível voz de MJ ocorreram ainda na infância. O rádio, paixão desde os meus seis, sete anos, tocava-o a todo instante.
O magnetismo da MJ atraiu a atenção do mundo a partir dos anos 1980. Em 30 anos de carreira, é o artista solo que mais discos vendeu -–cerca de 200 milhões, segundo dados oficiais das gravadoras; ele achava que havia vendido muito mais. Também, a partir dele ocorre a inserção do vídeo musical como peça promocional de discos, usando a força da TV.
A fama, fruto da genialidade para a música e o entretenimento, transformou a vida do garoto pobre, negro e de pai autoritário. De um lado, legou ao mundo um dos mais ricos acervos de R&B, Soul Music e Pop Music. Na contramão, trincou-lhe o juízo.
O rei do pop era alguém solitário. Mantinha-se assim por puro narcisismo, característica indelével dos muito celebrados, cultuados, deificados... No caso dele, narcisismo levado ao paroxismo, fruto da complexa relação mantida com a cor da epiderme e com o fenótipo.
Muitos se aproveitaram do cantor, a começar pelos médicos. Hipocondríaco patológico, pode ter sido vítima da usura e da irresponsabilidade dos que trataram dele ao longo da carreira: desfiguraram-lhe o rosto, deram-lhe remédios para lhe tirar as intensas dores, arruinaram-lhe o cabeção...
Não, MJ não é santo. Desce ao túmulo com a biografia aranhada por pesadas acusações de pedofilia. Relegar o lado delinquente do artista equivaleria a deificá-lo até na morte. Mesmo que agora o espírito cristão sugira um compassivo silêncio, para preservar a “alma”.
Rendo homenagens a Michael Jackson, e expresso minhas profundas condolências aos que o amam mundo afora. Sua forte fidelidade à qualidade da música, sua voz e seus requebrados resumem um dos melhores momentos do fim do milênio passado. Que descanse em paz!
Imagem estilizada com a provável aparência de Michael Jackson aos 50 anos sem as centenas de plásticas, com a cor da pele original e sem qualquer adereços

Sexta-feira, 26.06.2009 – 11h00
Algumas Considerações dos Leitores Sobre a Polêmica do Diploma
As minhas opiniões sobre a abolição da obrigatoriedade do diploma de jornalista geraram reações interessantes. Parte escritas, parte por telefone, tais manifestações, ainda apaixonadas de parte a parte, garantem que a querela não findou. Do ilustre publicitário baiano Fred Maron recebi um texto, o qual comento logo em seguida.
Diploma, pra que te quero
Por Fred Maron
David, sou totalmente a favor de uma formação acadêmica para qualquer profissão. Por outro lado, não a vejo como obrigatória em grande parte de profissões. Conheci grandes profissionais que contribuíram com seus talentos nas atividades que exerciam. Como não contar com o trabalho de um grande músico? O nosso inesquecível Luiz Gonzaga e outros tantos não tiveram qualquer formação acadêmica em nenhuma escola de música.
Este grande sanfoneiro nordestino, que usava roupas como as de Lampião, aprendeu e tomou gosto pela música em feiras livres e eventos religiosos. Tocou em bares pelo país afora, conquistando não só o povo brasileiro, mas também tendo o reconhecimento em outras partes do mundo.
Seu filho, o Gonzaguinha, chegou a frequentar uma universidade, teve o seu pai como grande mestre, onde além de ter herdado o talento de colocar no papel tanta coisa boa, teve a capacidade e emoção para transformar tudo aquilo em uma obra belíssima, que assim como seu pai, também a deixou para eternidade.
Alguns artistas plásticos têm suas obras disputadas pelo planeta sem que precisassem cursar escolas de belas-artes. Claro que não gostaria de ser operado por um médico sem formação, mas podemos ter grandes escritores, publicitários, e uma infinidade de outras profissões sendo exercidas por profissionais competentes, sem “canudo”.
O conhecimento pode ser conquistado pelo estudo, dedicação, necessidade e talento. Os diplomas, que infelizmente e em grande parte vêm sendo distribuídos por inúmeras “faculdades” em todo país, não garantem nem qualificam os milhares de estudantes a exercerem de forma competente e ética suas futuras “profissões”.
Vamos exigir, sim, responsabilidade, não só dos jornalistas com os seus textos, mas de todo e qualquer profissional em suas funções. Vamos defender, sim, a liberdade de imprensa e tudo que contribua de verdade com a informação. Cabe ao cidadão aprovar ou não o que realmente soma.
Temos a liberdade de mudar de canal, de estação ou não ler determinado veículo e mídia, seja ela qual for. Quando resolvermos o grande problema da educação básica em nosso país, poderemos escolher melhor quem sabe e quem não sabe fazer, e o quê.
Vale até para alguns dos nossos políticos representantes. Está sobrando diploma e faltando educação.
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Voltei. Esse lance, Maron, de faculdade que “distribui” diplomas é gravíssimo --e verdade seja dita, não se configura exceção. Some-se aí aquelas onde a qualidade do ensino é sofrível.
Caberia ao governo um passo decisivo para melhorar o nível educacional brasileiro: investir maciçamente na educação básica. O Brasil perde muito por causa das limitações educacionais (e de conhecimentos gerais) do seu povo. Jornalistas incluídos, lamentavelmente.
Outras opiniões sobre o assunto serão bem vindas. O debate acaba enriquecido quando há diversidade de opinião.
Volto mais tarde!

Segunda-feira, 22 de junho de 2009 – 10h40

(Leia primeiro o texto anterior)

Ainda Sobre a Não Necessidade do Diploma

A revista Imprensa (portal Revista Imprensa, 19.06.09) colheu algumas opiniões entre medalhões do jornalismo nacional quanto à decisão do STF ao extinguir a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Vamos às ditas. Volto logo em seguida.

Por Eduardo Neco

A necessidade do diploma era um interesse corporativista’, diz Juca Kfouri

O jornalista esportivo Juca Kfouri declarou ao Portal IMPRENSA que não é a favor da exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão e que a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) foi acertada.

O principal argumento de Kfouri é o fato dos ‘grandes nomes do jornalismo não terem o diploma’. ‘Essa é a minha opinião: curta e grossa’, completou. No entanto, ele salienta que é a favor da formação em jornalismo para agregar qualidade ao que é produzido.

Para ele, a lei que determinava formação específica para atuar como jornalista ‘foi herdada da ditadura militar’. Sublinhou também que ‘a necessidade do diploma era um interesse corporativista que não fazia mais sentido’."

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Por Ana Luiza Moulatlet

Para Eugênio Bucci, mais importante que o diploma é ‘a manutenção e o cultivo da liberdade de imprensa’

"Eugênio Bucci, jornalista e professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), comentou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que na última quarta-feira (17) decidiu pela revogação da exigência do diploma para o exercício do jornalismo.

A primeira coisa que eu digo é que a decisão dos STF é uma coisa julgada, não é nem próprio avaliar se é correta ou não, não cabe a mim julgá-la’, afirmou Bucci. Em entrevista ao Portal IMPRENSA, ele disse que já havia manifestado, antes da decisão do Supremo, sua impressão de que o diploma já cumpriu um papel que classificaria como ‘civilizatório’ no Brasil.

Embora a exigência seja uma excentricidade brasileira, já que outros países não a tem, ela ajudou a elevar os padrões da profissão no país. No entanto, nos tempos atuais, a manutenção do diploma deixou de ser prioritária para o atendimento das necessidades do cidadão relativas à informação’.

Questionado sobre o que seria prioritário, Bucci citou como exemplo a observância, a manutenção e o cultivo da liberdade de imprensa. ‘Seria prioritário no Brasil a independência das redações e a preservação de um ponto de vista livre do poder; a capacidade de informar os cidadãos e fiscalizar o poder econômico’, declarou.

Sobre o posicionamento dos veículos de comunicação, o jornalista acredita - apesar de afirmar que não pode falar em nome das empresas - que a tendência é ‘as redações contratarem os melhores. Não acredito que seja o caso de contratarem os mais baratos. A qualidade da informação tornou-se uma exigência do público, e aqueles que têm uma formação sólida terão vantagem nessa disputa’, concluiu.

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Por Thaís Naldoni

O exercício do Jornalismo virou uma terra sem lei’, diz Ricardo Kotscho

A necessidade de que seja aprofundada a discussão sobre algumas regras que dêem algum norte ao trabalho dos jornalistas é a principal observação feita por Ricardo Kotscho sobre o fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício do Jornalismo, decidido na última quarta-feira (17), pelo Superior Tribunal Federal (STF).

Segundo ele, a tomada de uma decisão definitiva já é um fator positivo, em razão do tempo em que tal discussão se arrasta. ‘Acho ótimo que, finalmente, a Justiça tenha tomado uma decisão, ao que parece definitiva’, disse. ‘Já não aguentava mais ficar discutindo esta questão do diploma nos congressos, seminários, debates de que participo faz décadas’.

No entanto, o jornalista lembra da importância de que sejam, rapidamente, estudadas algumas regras, que serviriam para nortear o trabalho dos profissionais da área. ‘Com o fim da lei de Imprensa, que todos queriam, e da regulamentação da profissão, sem colocar nada no lugar, o exercício do jornalismo agora virou uma terra sem lei. Acho que esta discussão deveria prosseguir para que alguma regra do jogo seja estabelecida, em defesa das empresas e dos profissionais sérios e, principalmente, dos cidadãos, do conjunto da sociedade’, finalizou.

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Por Cinthia Almeida

Em palestra, Caio Túlio Costa diz ser a favor da queda do diploma desde os anos 80

Caio Túlio Costa declarou ser a favor do fim da exigência do diploma para exercer a profissão de jornalismo. ‘A decisão do Supremo Tribunal Federal veio coroar um trabalho que começou na década de 80’. Naquele período, Caio Túlio trabalhava na Folha de S. Paulo e já fazia manifestação para a queda do diploma. A afirmação foi feita em palestra nesta quinta-feira (18/06) promovida pela Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom).

Jornalista formado pela ECA-USP, Caio Túlio acredita que, a partir de agora, a formação possa melhorar e ser mais completa. ‘Para ser jornalista, basta ter moral e vocação. O curso universitário precisa apenas ensinar técnicas’.

Ele chamou a atenção para a dificuldade que a nova geração de jornalistas têm para interpretar textos. ‘As novas mídias, como celular, e-mail e Twitter, entre outros, tornarão a informação cada vez mais livre. Isso causará uma transformação na linguagem. O mundo está cada vez mais visual’, aposta.

Caio Túlio reforçou a importância de lidar com todas as formas de disseminação da informação para atender as necessidades de empresas cada vez mais globalizadas e se manter no mercado, que está cada vez mais exigente por qualidade final.

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Voltei. Ontem, recebi num jantar em minha casa um casal de amigos, um deles jornalista apegado ao diploma e intransigente defensor da causa. Tentei mostrar-lhe o quanto estava enganado. A não necessidade do diploma, por exemplo, talvez até melhore o nível das faculdades. Sobre isso, comento adiante.

A crise do jornalismo é mundial. No Brasil, como no resto do mundo, afeta diretamente os jornais impressos, onde o desemprego é crescente especialmente por conta da queda das vendas em bancas.

Para sobreviver o jornalismo terá de se reinventar. A mera engrenagem fabril de produção de notícias ficou para trás. No sistema de produção informativa digital, a interação do público e a cooperação entre as novas mídias requerem abordagem dinâmica, cada vez mais pautada no amplo conhecimento.

As dificuldades financeiras dos jornais começaram antes da abolição da obrigatoriedade do diploma e já vinham provocando efeitos devastadores nas empresas. Como disse ontem ao amigo jornalista que me visitava, a apaixonada polêmica sobre a decisão do STF pode ser a oportunidade para avançar. Se não fosse o STF, os jornalistas provavelmente continuariam indiferentes às transformações no mundo e especificamente no mercado de trabalho.

Sobre as faculdades. Na verdade, tirando uns poucos abnegados à seriedade (isenção) na condução do ensino aos estuantes de jornalismo, o que vemos são professores engajados numa profissão de fé única: a cantilena socialista...

As salas de aula estão cada vez mais voltadas a fabricar esquerdóides abobalhados, cuja qualidade do texto e do conhecimento resume-se à defesa “das causas sociais” e ao ataque à “direita”.

É a pandemia do idiota máximo, cuja visão foi embotada pela cumplicidade e adesão política de alguns péssimos professores ao ideologismo do Velho Barbudo --sim, Kalr Max! Sem contar serem também discípulos --quando não, do alto clero-- do petismo de carteirinha.

Portanto mais catequizadores que mestres da profissão; aliás, a maioria nunca esteve numa redação...

Não pretendo por agora arguir a qualidade dos cursos ou mesmo dos professores de jornalismo. A discussão acorre quanto à decisão do STF, porquanto irrevogável. Cabe agora recolher os cacos e tocar a vida adiante. Afinal, o jornalismo vai continuar a existir!

Domingo, 21 de Junho de 2006 - 19h00

Muita Calma Nessa Hora

A revogação pelo STF da exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista deixou muita gente chateada no querido Sergipe. A reação adveio de diferentes setores: jornalistas-professores, jornalistas-sindicalistas e jornalistas-cabeças-ocas.

Confesso, não entendo o descalabro dos protestos. Afinal estamos falando dos homens e mulheres supostamente mais bem informados do pedaço.

Uma das queixas seria por ter gasto dinheiro e anos de estudo “para nada”. Santa inocência! Jornalismo exige conhecimento. Se a faculdade de jornalismo é boa o suficiente para passar algum conhecimento, terá cumprido sua missão. A não ser para quem fez faculdade de jornalismo em busca apenas do diploma, e não do conhecimento.

A reserva de mercado afeta só quem não se preparou para competir. Fernando Sávio, César Gama e Hugo Costa jamais precisaram de diploma. Chegar perto deles exige ralar muito numa redação, ler compulsiva e diuturnamente, investigar, e escrever, escrever, escrever...

A exigência do diploma começa com “Os Três Patetas”. Não os extraordinários Moe Howard, Larry Fine e Curly Howard, gênios do pastelão americano, mas a camarilha do movimento militar de 1964, que aplicou um golpe no golpe e apossou-se do governo em agosto de 1969: general Aurélio de Lira Tavares, almirante Augusto Rademaker e o brigadeiro Márcio de Sousa e Melo.

“Os Três Patetas”, conforme definia a trupe o deputado Ulysses Guimarães, imaginaram um ardil para impedir a presença de alguns estorvos nas redações. Gente cuja atividade investigativa, a capacidade crítica e a ousadia fez surgir o AI-5. A “solução final” pariu a exigência do diploma. Até então, advogados, economistas e professores atuavam também como jornalistas.

No mundo

Nos Estados Unidos a maioria esmagadora dos profissionais contratados cursaram faculdade de jornalismo. Não há exigência do diploma em lei. Porém, o país conta com 400 faculdades e universidades de jornalismo; 120 oferecem pós-graduação na área e 35 oferecem doutorado. Na Alemanha também não há exigência do diploma em lei. A situação se repete no Reino Unido, França, Suíça, Suécia...

O Brasil acostumou-se às regulamentações. Foi-se a malfada Lei de Imprensa. A censura caiu na Constituição de 1988. Por aqui, a formação jornalística se baseie na americana, mas não prescindimos dos “marcos regulatórios”, que lá não existem. Um passo à frente na democratização midiática: o fim da exigência do diploma nas redações brasileiras.

Resolvi retomar o tema por entender que o exercício digno da profissão de jornalista, com ou sem diploma, faz o bom jornalista. Ter vergonha na cara já seria um bom começo.

Portanto, sugiro a todos os jornalistas chateados muita calma nessa hora!

Quinta-feira, 18.06.09 - 21h30
Caro(a) Leitor(a):
Minhas confabulações com a intenção de provocar algum debate sobre temas os quais gosto de discutir e por em pauta para pessoas como você encontrou na Internet a liberdade de expressão sem depender de espaço na mídia, sempre muito focada nos fins políticos.
Meu ABRA-O-OLHO foi a primeira news letter de Sergipe. Fico feliz ao ver tanta gente agora também se inserindo no grupo dos que opinam. Quanto maior é a oferta de ideias maior será a diversidade de opiniões e quem ganha é sempre o leitor.
Passei quase um ano longe dos leitores. A campanha eleitoral me marcou sobremaneira e desde então muitas das minhas convicções foram aperfeiçoadas. O silêncio permitiu-me observar...
Muitos me cobraram um retorno ao ABRA-O-OLHO. A eles devo agradecimentos pelas palavras de sincero estímulo. Mas o momento é outro e a news letter é agora apenas uma boa e rica experiência, e material para um trabalho mais elaborado que agora desenvolvo.
Para não ficar com os dedos enrijecidos resolvi voltar a escrever. Mas o farei apenas no meu blog. Manterei o mesmo nome (ABRA-O-OLHO) como forma de referência. Pessoas das letras como eu são nutridas por palavras –as suas próprias e as que abusivamente lê em livros, jornais, revistas e claro na magistral internet.
Gostaria de convidá-lo(a) a participar desta nova etapa. Quando possível, dê-me o prazer da visita. Venha para um café literário com algum dedo de prosa. Venha sempre...
Muito grato pela atenção.
David Leite
http://abraoolho-dmilk.blogspot.com

19h15 - 18 de Junho de 2009
Sobre o diploma de jornalista e suas pendengas!
A discussão tomou ares de guerra entre "legalistas" e "libertários". Quem me conheçe desde cedo sabe quanto fui a vida inteira avesso à exigência do diploma. Mas encontrei no colunista de Veja, Reinaldo Azevedo, a quem --confesso-- admiro muito, argumentos sólidos, os quais aqui reproduzo, sobre como tal querela não se justifica nem se sustenta. Uma boa leitura. Volto amanhã. Uma excelente noite...
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Algumas pessoas estão revoltadas com o meu apoio incondicional ao fim do diploma específico para o exercício do jornalismo. E que fique claro: acho que não é necessário exigir diploma nenhum. E aí vamos corrigir algumas tolices para avançar: “Você fala em causa própria!” Eu? Que bobagem! Tenho diploma. Estava em situação legal na velha ordem. Os que foram meus contemporâneos na faculdade são testemunhas de que sempre fui contrário à obrigatoriedade. Mesmo quando esquerdista e meio porra-louca, corporativista nunca foi. O trotskismo, no meu tempo, por mais estúpido que fosse, não se parecia com a LER-QI. Não sabíamos consertar aparelho de ar-condicionado… Há gente reagindo como se falasse em nome de um guilda! Qual é?

Aí diz um: “Mas estudei por nada? O que faço com o meu diploma agora?” Bem, se foi “por nada”, está demonstrada a inutilidade do curso, e o STF não poderia ter mantido uma excrescência constitucional apenas para não evidenciar a obsolescência das faculdades. Ademais, canudo ensina alguém a escrever? A apurar? O sujeito o coloca ao lado do teclado, estabelecendo com ele, sei lá, uma relação mística ou fetichista? Mais: o fim da exigência do diploma tornou menos competentes os competentes diplomados? Quem, afinal de contas, perdeu o quê?

As comparações com profissões que põem em risco a segurança de terceiros ou a segurança pública são absolutamente descabidas. Eu é que não me consulto com quem não tenha se formado em medicina! Não que a formação impeça o profissional de errar, mas o diploma é uma garantia de que ele ao menos teve acesso a um conhecimento que não pode ser adquirido como conseqüência de aptidões naturais e algum treinamento. O mesmo vale para engenheiros, enfermeiros, dentistas…

“Ah, mas o jornalismo lida, sim, com matéria delicada, que diz respeito à honra das pessoas…” Pois é. São valores éticos e morais que vigem na sociedade. E cada veículo acaba criando as suas próprias regras internas. As faculdades não têm a menor interferência nesse debate. E, meus caros, há uma coisa que nenhum curso consegue fazer: ensinar a escrever. Isso não acontece.

Vejam só: dei aula de redação durante muito tempo. E era bom isso. Sim, você consegue passar adiante algumas dicas para os estudantes: - numa dissertação, exponha com clareza seu ponto de vista logo no primeiro parágrafo; - nos parágrafos seguintes, argumente em favor da sua tese e aproveite para se referir a teses contrárias, demonstrando por que estão erradas ou apenas parcialmente certas; - cuidado para não dedicar espaço excessivo à contestação do que você rejeita em vez de defender seu ponto de vista; - cuidado com a argumentação em camadas, com parágrafos justapostos, sem que um se conecte com o outro; - No parágrafo final, o da conclusão, retome a tese inicial de modo a evidenciar para o leitor que você demonstrou o que queria e não se perdeu na trajetória.

Tudo isso a gente ensina. Os bons alunos aprendem e apreendem as regas e conseguem ter um bom desempenho em vestibulares e provas de seleção. Mas o sujeito talentoso, o que vai viver da escrita, bem, queridos, este domina as regras e consegue o seu diferencial estourando com elas, entenderam? O nome disso é talento. Como dizia Picasso, para pintar como Picasso, é preciso saber pintar como Rafael. E atenção! Não existe “professor de transgressão”. Isso é coisa da moderna educação, quase sempre beirando a delinqüência. Um bom mestre é o que ensina regras — como um bom pai é que tenta conservar a ordem. Cabe ao estudante — e, no meu paralelo, aos filhos — testar os limites do que se aprende, fazendo uso criativo da norma.

Ensinei muito aluno a escrever e a passar em provas. Mas não consegui ensinar talento para ninguém. Porque não se ensina. Quando muito, ele pode ser disciplinado. Também as regras para uma boa narrativa podem ser expostas na sala de aula: - se você pretende que, ao fim de sua história, A personagem “X” seja caracterizada como psicopata, por exemplo, sugira isso com sutileza ao longo da história; - tente estabelecer uma relação transitiva entre personagem e ambiente: poder ser tanto por similaridade como por contraste. Vale dizer: ou ela vive em harmonia com seu meio ou é outsider; - tendo imaginado um desfecho para sua história, vá lançando indícios ao longo do texto. E faça uma escolha: ou eles concorrem para o fim que você imaginou, ou eles o contrariam, surpreendendo o leitor; - ao construir uma personagem, deixe claro para você mesmo se a quer como um caso típico de um grupo social ou como uma exceção…

E vai por aí. Essas dicas, no entanto, não tornam ninguém um escritor. Há técnicas para se fazer uma dissertação correta. Há técnicas para uma narração correta. Há técnicas para uma reportagem regulamentar. Mas dominar o bê-á-bá da dissertação não faz de ninguém um articulista. Dominar o bê-á-bá da narração não faz de ninguém um romancista ou contista. Dominar o bê-á-bá do texto jornalístico não faz de ninguém um jornalista. Porque nada disso faz com que se cruze a linha da distinção se não houver TALENTO. Sim, esta profissão também requer talento. E acreditem: hoje mais do que antes, com a proliferação de sites e blogs. Sim, existem aos milhares. Mas quantos são legíveis?. Melhor ainda: quantos realmente têm leitores?

Um diplomado de talento deixou de tê-lo porque caiu a exigência? Ora… A demanda pelo curso vai cair? É evidente que sim. E pode crescer, com o tempo, se os cursos de jornalismo conseguirem se reinventar. Faz sentido haver, como há hoje, “professores” de jornalismo que ocupam o lugar privilegiado de que dispõem para fazer, por exemplo, proselitismo em favor do MST? Está ensinando jornalismo ou procurando fazer cabeças para “infiltrá-las” na imprensa burguesa? Ou ainda: faz sentido desprezar um especialista em economia que consiga se fazer entender com clareza? O jornalismo tem muito a ganhar quando for ocupado, também, por gente que sabe a diferença entre percentagem e ponto percentual…

Vamos parar com essa bobagem corporativista. Não é por acaso que os grandes defensores do diploma estejam concentrados hoje da Fenaj e na ABI. Há, nas duas entidades, uma gigantesca inflação de “jornalistas de carteirinha” que nunca pisaram numa redação. O que isso significa? Pertencem ao cartório do jornalismo, mas jornalistas, de fato, não são. Embora digam defender a “catchiguria”.

E outras profissões que também não põem em risco a segurança etc? Ora, a exigência do diploma, é questão só de cobrar esclarecimento do tribunal, caiu junto. Qual é o sentido da relatoria de Gilmar Mendes, endossada por outros sete ministros? As qualificações profissionais de que trata o artigo 5º, inciso 13 da Constituição, só podem ser exigidas das profissões que podem trazer dano ou perigo à coletividade ou prejuízo a terceiros.

Fez-se uma escolha que privilegia a liberdade e o talento. Entendo que as guildas chiem um pouco, que as corporações de ofício reajam. Afinal, esse cartorialismo estúpido, inconstitucional e em desacordo com tratados internacionais — como a Convenção Americana de Direitos Humanos (1969), conhecida como Pacto de San Jose da Costa Rica, ao qual o Brasil aderiu em 1992 — é que lhes assegura um pouco de poder e influência. O artigo 13º da tal convenção “garante a liberdade de pensamento e de expressão como direito fundamental do homem.” Falei em guildas? É, a metáfora nem chega a ser perfeita. Elas realmente reuniam os profissionais de uma determinada área. As nossas, além de tudo, são guildas-fantasmas.

À luta, talentosos!

Agora é uma entrevista de Lula da Silva
Trata-se apenas de áudio, mas o descaramento do presidente fica mais uma vez evidente. Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. Aqui, quinhentas e poucas palavras valem por um bilhão de imagens...
Ouça, é realmente desconcertante ouvir Lula da Silva dizer que antes de fazer a transposição seria necessário, imagine só, salvar o São Francisco.

Vídeo Comprova Desrespeito do Presidente Lula com Nordestinos e Especialmente com o Rio São Francisco Parcela considerável dos nordestinos “ama” o presidente Lula da Silva. Pesquisa publicada em 09.06.2009 por O Estado de São Paulo diz: “A avaliação do governo Lula, segundo a Pesquisa CNI/Ibope de junho, continua sendo a mais positiva entre os entrevistados de menor escolaridade e na região Nordeste. Considerando a avaliação da maneira como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva administra o País, a aprovação chega a 92% no Nordeste, acima da média nacional, que é de 80%... No Nordeste, 78% consideram o governo Lula "ótimo" ou "bom", contra 70% no Norte, 63% no Sudeste e 60% no Sul.” Cientistas e analistas políticos (de vários matizes) concordam quanto aos fatores de maior monta para nutrir uma avaliação tamanhamente positiva: o presidente fala a “língua” do povo; e mais preponderante ainda, realiza a maior distribuição oficial de dinheiro público através do Bolsa Família. Caberia supor que o presidente, diante da extraordinária aclamação pública, pudesse ter um mínimo de respeito com os nordestinos e sobretudo com os interesses maiores da região. Mas não é isso que Lula pratica –-aliás, há tempos o presidente não dá a mínima para o Nordeste. O maior exemplo estaria nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a grande aposta do presidente para fortalecer a candidatura à Presidência da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. A maioria está parada ou nem mesmo saiu do papel. Até a malfada transposição do São Francisco, apesar de todo o barulho, recebe menos dinheiro do que deveria –-segundo a revista Veja (10.06.2009), “...apenas 12% dos recursos chegaram ao canteiro... A permanecer o ritmo atual, serão necessários quinze anos para finalizar o trabalho.” Exemplos do descaso de Lula com os nordestinos há aos montes. Contudo, o que interessa no exato instante é a manipulação urdida em torno da transposição ainda no momento da reeleição --e no substrato, os desdobramentos políticos para tentar validar a obra. Ou dito noutras palavras: as ações do presidente Lula para tentar convencer a opinião pública brasileira e especialmente os nordestinos quanto a viabilidade do projeto, enquanto estudos realizados por reconhecidos pesquisadores dos recursos hídricos nacionais o apontam como o tiro de misericórdia para esvaziar de vez o Velho Chico. Aos fatos. Nos palanques em 2006 Lula dispensou a mínima réstia de compromisso com a verdade que lhe restava –-se ainda lhe restava! Em Natal criticou quem supostamente o impedia de fazer a transposição e prometeu que a faria caso fosse reeleito. Usando a mesma jaqueta, algumas horas depois diz em Aracaju o diametralmente oposto: “Como fazer transposição de água que não existe?” O vídeo publicado no YouTube com os discursos de Natal e de Aracaju choca por demontrar mais uma vez e com extrema clareza do que Lula é capaz quando eleição e poder político estão em jogo. Que o diga o inesquecível mensalão. No caso em questão a transposição serviu apenas de biombo. O tema pode parecer extemporâneo. Ledo engano! A prescrição para atos amorais inexiste porquanto ferem os mais básicos preceitos éticos. O que importa é como a maior autoridade política do país se comporta diante da mais perigosa intervenção ambiental da história do Nordeste. O que importa é como um presidente mente descadamente apenas para reeleger-se e para ajudar a eleger uma aliada e um correligionário –-o atual governador sergipano Marcelo Déda (PT), cuja campanha desandava pela dubiedade do próprio em garantir se era a favor ou contra a obra e pelo fato de o presidente ainda não haver se comprometido no estado em não realizá-la. Confrontar a verdade pode ser muito duro...

Veja vídeo original no YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=SQ2QCLAus1M

Comunicado Expedido em 10/07/2008 . Enfim a Grande Disputa
Prezado público leitor. Fez três semanas estou plenamente imbuído por contribuir na elaboração do marketing da campanha dos candidatos democratas a Prefeitura de Aracaju, Mendonça Prado e Pedrinho Valadares. Gostaria de pedir desculpas pela ausência de escritos. Não julgo ético fazer uma campanha eleitoral e ao mesmo tempo usar deste espaço democrático para expor minhas opiniões justamente sobre política e meios de comunicação de massa. Assim, resolvi dar um tempo no Ezine e no blog –-pelo menos enquanto durar o pleito; depois dele, independente do resultado, volto a esta trincheira. Minha intenção é escrever somente artigos diretamente envolvidos com a campanha e usar dos meios da campanha para divulgá-los. A todos agradeço sobremaneira o carinho da audiência e a paciência de acompanhar minhas observações. Até breve!