Quarta-feira, 09.04.08 - Ano II - Edição Número 249

BOMFIM HOMENAGEIA EDVALDO NOGUEIRA
A dadivosa bondade de parte do empresariado, o silêncio sorrateiro do Ministério Público e a conivência da mídia permitem ao prefeito-candidato Edvaldo Nogueira abusar do escárnio à legislação eleitoral.
A temporada é de propaganda, afinal a eleição vem aí.
Os estrategistas da administração comunistas aproveitam a nervosa calmaria reinante para burlar de modo descarado as normas reguladoras do início oficial da comunicação de campanha. Empresas privadas com vantajosas ligações com o setor público municipal pagam por bons espaços publicitários, onde a imagem do alcaide tem sido meticulosamente trabalhada.
Na segunda-feira, apresentei o sorriso feliz do prefeito-candidato de carona nos ônibus que circulam pela Grande Aracaju. O anúncio afixado na traseira de dezenas de veículos pareceu-me a retribuição da Norcon pela construção, por Edvaldo Nogueira, de uma praça no Juscelino Kubitschek, bairro onde a empreiteira edifica dois dos seus novos condomínios habitacionais.
Ontem, verifiquei a diluição da publicidade do prefeito-candidato através da carona num anúncio de fundo de ônibus pago por outra grande construtora.
Espelhando-se na concorrente Norcon, a Laredo Construções também homenageia Edvaldo Nogueira pela “passagem dos dois anos de administração” – mote escolhido pelos estrategistas da administração comunista para servir de biombo ao ilícito.
Não bastasse a demasiada exposição fora de época nos murais dos ônibus, a propaganda eleitoral antecipada também chegou aos veículos impressos. O Cinform desta semana, por exemplo, publica anúncio da Viação Bomfim elogiando Edvaldo Nogueira (Veja reprodução abaixo).
Adendo importante: a Bomfim expõe claramente suas intenções ao apoiar desde já o pré-candidato comunista. “Estamos certos de que o percurso que temos pela frente será uma continuação fiel desses dois excelentes anos de gestão”. Negócios são negócios!
A Viação Bomfim é concessionária de serviço público e em tese estaria proibida pela legislação de prestar homenagens ao gestor público ao qual está subordinada. Mas isso é bobagem!
A generosidade prévia de futuros (prováveis) doadores de campanha sem qualquer interferência das autoridades do Judiciário, a taciturna “demência” dos Ministérios Públicos (federal e estadual) e a cumplicidade voraz da imprensa paraestatal são singularidades próprias de Sergipe nestes tempos de estranhas mudanças.
É esperar para ver aonde tudo isso vai dar...

Anúncio da Viação Bomfim, empresa concessionária de serviço público, elogia o "patrão" comunista: tempos de estranhas mudanças, quem diria?

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EM BAIXA
Por Magno Martins (http://www.blogdomagno.com.br/)
Arrastado nas eleições passadas pela popularidade do presidente Lula, o governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), imaginava que surfaria nas ondas do governador mais popular e prestigiado do Nordeste. Passados 1 ano e três meses, Déda não disse ainda a que veio. E o que é pior: virou turista. Foi o único do Nordeste a faltar, ontem, à reunião dos governadores com Lula. E sequer mandou o vice. Seu paradeiro? Foi ao encontro de Bill Gates nos Estados Unidos. É mole?

Marcelo Déda realiza o sonho de cumprimentar Bill Gates, um dos revolucionários da Era da Informação: admiriação pelo gringo megamilionário é bastante antiga.

Terça-feira, 08.04.08 - Ano II - Edição Número 248

GOVERNO CHUMBREGA
Deve ter machucado demais o amazônico ego do governador Marcelo Déda a ausência de sua foto entre os seis governadores brasileiros apresentados na edição da revista Veja desta semana como “os melhores sinais de que há um jeito de administrar a máquina pública com profissionalismo e menos politicagem”. Aliás, também deve ter sido terrivelmente dolorosa a falta de administradores do Partido dos Trabalhadores entre os laureados. Os fatores levados em conta por Veja para “eleger” os melhores gestores públicos do país foram os seguintes:
A perseguição implacável do equilíbrio das contas, com utilização de ferramentas de redução de custos e aumento de receita. • A adoção de práticas voltadas para a qualidade do serviço, como o estabelecimento de sistemas de avaliação de desempenho, com metas e cobrança de resultados. • A profissionalização de postos-chave, como Fazenda, Saúde, Educação e Segurança. • A racionalização da atuação do estado, com valorização de parcerias com a iniciativa privada para atrair investimentos. • O estabelecimento de agendas de prioridades, com planejamento estratégico.
O governador sergipano é citado pela maior revista brasileira apenas num único trecho, quando informa que Marcelo Déda está próximo do equilíbrio das contas estaduais, “mas ainda não têm avanços de monta a registrar em outros itens”. Ou seja, a economia de quase R$ 1 bilhão feita pelo governo do PT no ano passado pode ter ajudado na imagem de austeridade. Porém, não representou qualquer melhoria na qualidade de vida dos sergipanos. Ademais, as outras áreas “sem avanços de monta” são justamente as primordiais para o funcionamento satisfatório da máquina num estado extremamente pobre como Sergipe: saúde, segurança e educação. Outra ausência de Marcelo Déda bastante sentida ocorreu ontem durante a reunião do presidente Lula da Silva com os governadores do Nordeste para analisar as cheias na região e apresentar medidas a para amenizar os efeitos das fortes chuvas. Nesta sexta-feira, o presidente assinou uma medida provisória de R$ 540 milhões para ações de defesa civil nas áreas atingida pelas enchentes. Como Sergipe não precisa do governo federal para auxiliar as dezenas de famílias pobres atingidas pelas chuvas, o governador Marcelo Déda resolveu bater pernas em Miami (Flórida/EUA), onde participa de um encontro da Microsoft de Bill Gates. De um lado, a ausência entre os melhores governadores do país; do outro, a omissão diante de problemas graves do estado, como a dengue, a violência descontrolada e o excesso de chuvas. Assim caminha o governo das prometidas mudanças... .
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ANGU PARA CARLOS CAUÊ Um vale-tudo agita os meios midiáticos desde a circulação no final de semana de e-mail com supostas acusações ao secretário de Comunicação da Prefeitura de Aracaju, jornalista Carlos Cauê. Escrita em linguagem de semi-alfabetizado, a missiva tem ingredientes explosivos. Vai de lances pessoais, envolvendo a vida íntima do secretário, a um hipotético superfaturamento de anúncios publicados pela PMA na Folha da Praia, do jornalista e poeta Amaral Cavalcante. O molho nada adocicado usado para temperar a cartinha seria o disparate nos valores pagos pela administração comunista da Capital à bissexta publicação praiana. Pondo fé no e-mail, amargaria sobremaneira a delação de ter sido o caudaloso montante, auferido com a propaganda alimentada com dinheiro do Erário municipal, rateado entre o gestor público e a empresa prestadora de serviço numa festa de arromba. Como a história tem cheiro de defunto de dez dias, este ABRA-O-OLHO resolveu conversar com o companheiro Carlos Cauê. São duas as considerações do honorável secretário para sepultar de uma vez por todas o indesejável presunto:

1 – Peço aos colegas que busquem saber se a pessoa que me acusa de fato existe. Também peço que solicitem as provas. Na verdade, sei de onde partiram tais agressões e mentiras. 2 – Não aceito a calúnia como argumento e não serei refém dessas mentiras. As contas da Secom estão abertas para que o Ministério Público investigue se há qualquer ilegalidade.

Diante dos nomes apresentados por Carlos Cauê ao ABRA-O-OLHO como sendo os reais autores do e-mail acusatório, por tratar-se de gente do submundo do jornalismo sergipano, talvez o prato-feito servido através da Internet seja apenas o cardápio rasteiro de quem não conseguiu aquinhoar anúncios para financiar a nova edição de um jornal alternativo. Tomara que assim seja...

Segunda-feira, 07.04.08 - Ano II - Edição Número 247

PROPAGANDA AMBULANTE
Ou a querela de como o Ministério Público Estadual parece ter se mudado para Marte
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Enquanto a dengue mina a desnutrida popularidade de Edvaldo Nogueira, um poderoso padrinho da sua campanha eleitoral permanece investindo na divulgação da imagem dele na tentativa de fazer o prefeito-candidato reconhecido pelo público.
Depois de ser agraciada pela administração comunista da Capital com a Praça Antônio Teixeira, no bairro Juscelino Kubitschek, onde são edificados dois dos seus novos condomínios, a Construtora Norcon retribui o dadivoso presente com cartazes de elogio a Foguinho.
Afixados no fundo de dezenas de ônibus que circulam pela Grande Aracaju, os cartazes são a mais pura propaganda eleitoral antecipada: “Obras tão importantes merecem nossa homenagem. Parabéns prefeito Edvaldo Nogueira pelos dois anos de administração”.
Fossem outros os tempos, certamente o hoje leniente Ministério Público Estadual – ou quem sabe até o prestimoso e vigilante procurador regional eleitoral do Ministério Público Federal em Sergipe, Eduardo Pelella – já teria tomado providência para eliminar a descarada afronta à legislação que regula o calendário das eleições.
Porém, neste exato momento, o MPE está dedicado à decoração do novo prédio-sede, recém-inaugurado numa das mais vistosas avenidas da cidade marciana de Terra Nova.
Já Eduardo Pelella deve ter atribuições à altura do seu privilegiado intelecto, para preencher-lhe o tempo.
Com os signatários das Constituições federal e estadual a labutar tarefas outras, “do mais elevado interesse público”, a chata missão de fazer cumprir a Lei Eleitoral terá que esperar uma folguinha...
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De carona num ônibus, o sorriso feliz do prefeito-candidato; no detalhe, el0gios a Foguinho com patrocínio de uma empreira beneficiada pela administração comunista: propaganda eleitoral antecipada conta com a "cegueira" da Justiça.

Sexta-feira, 04.04.08 - Ano II - Edição Número 246

A TRINCA FALHOU
Não será por agora que os sergipanos poderão ouvir de Marcelo Déda alguma explicação pela evidente falta de planejamento e competência para lidar com a já declarada epidemia de dengue – são mais de 1.650 contaminados. Por “coincidência”, novamente, o governador encontra-se em viagem. Desta feita a Miami, Flórida (EUA). É sempre assim quando o calo aperta... Da mesma forma, soa bastante contraditória a declaração do deputado-secretário de Saúde, Rogério Carvalho, de que “cada um dos três poderes – neste caso, ele se refere aos governos federal, estadual e à administração aracajuense – tem a sua ação e nenhum pode se envolver no trabalho do outro”. Na eleição de 2006, Marcelo Déda, Rogério Carvalho e alguns outros hoje governistas pregavam que o governo anterior precisava ser enxotado, pois o melhor para a população seria ter todos os governos sob controle do mesmo grupo. O deles, claro! Parece que a propalada “união de forças” falhou logo no primeiro teste! E que teste...
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OS ÁULICOS INÚTEIS*
(*) Ou Cuspindo no Prato que se Lambuzou... Não deixa de ser estranho o posicionamento de capangas do petismo infiltrados na imprensa diante do caos na saúde. Alguns simplesmente viraram a folha de tal modo que estão praticamente irreconhecíveis. O comentário nos meios midiáticos é de que tal comportamento, antes de ser um protesto contra a inação do governo, adviria da falta de (boas) relações públicas, de traquejo de membros do alto comissariado do governador Marcelo Déda com jornalistas e radialistas. Em especial, da secretária de Comunicação Eloísa Galdino. No Dia da Mentira, por exemplo, Cristian Góes, o samaritano ex-secretário de Comunicação da PMA (gestão Marcelo Déda), ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Sergipe, ex-assessor da deputada-secretária professora Ana Lúcia Menezes (Combate à Pobreza) e idólatra declarado dos ditadores Hugo Chávez e Fidel castro, publicou em sua coluna (Infonet) a seguinte notinha:
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TERROR NO HOSPITAL JOÃO ALVES O que está se fazendo com servidores do Hospital João Alves é desumano. Terrorismo, ameaça, perseguição, assédio moral, tudo porque os funcionários começam, publicamente, a não suportam mais a bagunça, o autoritarismo e as precárias condições de trabalho.
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Apesar do texto truncado, talvez escrito às pressas, vê-se claramente o esforço do rapaz por deixar translúcida sua desafinação com o governo das prometidas (e até hoje não cumpridas) mudanças, que ele ajudou a eleger usando e abusando de meias verdades e até de falsas verdades. À oposição, o papel de denunciar tramóias visando tentar desmoralizar o partido adversário cabe muito bem. Para quem é petista, contudo, manter o silêncio é prerrogativa indissociável, já sacramentada pelo governador Marcelo Déda a fim de evitar o vazamento das muitas mazelas governamentais por gente da “cozinha” palaciana. Passar adiante informações altamente comprometedoras, mesmo que absolutamente verdadeiras como as alardeadas por Cristian Góes, constitui, por essa ótica, grave crime de lesa-ideologia. Trata-se de traição pura e simples ao “projeto de mudança”, que em tempos de exceção poderia ser punida até com execução sumária, preferencialmente por fuzilamento ou enforcamento, como fizeram russos e cubanos com seus irmãos nas “revoluções” que Cristian Góes defende como sendo a utopia humanista do socialismo. Ainda bem que não chegamos, pelo menos por enquanto, neste nível...

Quinta-feira, 03.04.08 - Ano II - Edição Número 245

NEM OS COLEGUINHAS ESCAPARAM DA DENGUE
A discussão na mídia sobre o papel do governo das prometidas mudanças na prevenção e combate à dengue está deixando o governador Marcelo Déda de cabelos em pé. À beira de uma eleição tão importante, fica evidente a falta de antecipação, de preparo, de competência para lidar com tão delicada situação.
A mídia até tentou minimizar os primeiros efeitos dantescos da inércia petista. Mas não pôde deixar de publicar as mortes em decorrência da doença. Seria uma traição miúda e descarada ao povo.
A boa relação com o governo terá de esperar...
Por sinal, a população também está nervosa. E com razão!
Os hospitais públicos estão superlotados. Os privados, com a capacidade praticamente esgotada. Filas imensas dos com e dos sem plano de saúde fora o SUS aguardam por atendimento. Remédios estão em falta.
Nos dicionários, isso tem definição clara: epidemia.
Ontem, o senador Almeida Lima publicou comentário de um dos leitores do blog dele. Foi o melhor resumo do caos vivido neste instante:
DESGOVERNOS
02.04.08
Prefeito Edvaldo Nogueira, governador Marcelo Déda, é esse o legado que vocês vão deixar para Sergipe?
  • Dengue em Sergipe Cresce 617%
  • Governo e PMA se Somam no Combate à Dengue
  • Prefeitura Aperta Fiscalização aos Terrenos Baldios
  • MP Faz Nova Audiência Pública Sobre Dengue em Aracaju
  • Dengue: Secretário Rogério Carvalho Vai Falar Nesta Terça
  • Dengue: MPE Quer Formular Programa Emergencial de Contenção
  • Confirmada Epidemia de Dengue em 7 Cidades Sergipanas
  • Dengue Hemorrágica: Menina de 3 Anos é a 5ª Vítima Fatal da Doença; Sergipe Enfrenta Surto

Cadê a prevenção governantes? Ederaldo Ferreira Bomfim Filho Aracajuano, totalmente descontente.

O comentário expõe manchetes colhidas na mídia. Nenhuma palavra foi inventada. E ainda tem gente do governo dizendo por aí que a culpa é de quem saiu há um ano, três meses e dois dias... A definição disso? Cara de pa!

Quarta-feira, 02.04.2008 - Ano II - Edição Número 244

QUEM É POBRE ESTÁ PERDIDO*
(*) A palavra pensada não foi bem essa, mas o sentido é o mesmo. E a rima também.
O papel da imprensa livre é defender a cidadania. Neste tocante, o colega Giovani Allieve presta um relevante serviço não apenas à comunidade, mas ao próprio governo estadual, quando reaviva as promessas de mudança - até agora não cumpridas - feitas por Marcelo Déda para alcançar o poder.
Em sua coluna (ontem, no Correio de Sergipe), o jornalista diz que o governador tem bons motivos para fazer uma nova visita às dependências do Hospital João Alves Filho. "Na vez anterior, ele ficou ‘encantado' com a apregoada ‘nova era da unidade de saúde, sem macas nos corredores, sem filas de pacientes, higiene completa e funcionamento perfeito e pleno'".
Caríssimo Allieve, em verdade, bastaria Marcelo Déda apenas ouvir os programas matinais do rádio ou assistir aos noticiários das TVs para ficar inteirado - e talvez até perplexo - da real situação do agora rebatizado Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). A visita só faria cair-lhe o queixo, se não lhe deslocasse a mandíbula.
Quando o líder do governo na Assembléia, Francisco Gualberto, ousou dizer que as denúncias sobre o Huse feitas pelo Sindicato dos Enfermeiros eram "falsas, coisa de quem quer brincar com a saúde pública", cometeu um desatino moral.
Como não é possível classifica-lo de desinformado, a descabida defesa à apodrecida Saúde estadual sob o comando do deputado-secretário Rogério Carvalho, um gesto de notória má-fé, faz dele cúmplice das mazelas que têm provocado óbitos em massa.
O "tribunal da história" vai cobrar de Francisco Gualberto tamanha desfaçatez. Pois, se a verdade é nua e crua, nobre deputado, nada há no mundo capaz de mantê-la sufocada, de calar-lhe a voz. Nem o poder midiático da poderosa máquina governamental.
A presidente do Sindicato dos Enfermeiros, Flávia Brasileiro, respondeu ao voluntarioso Francisco Gualberto dizendo ter ela muita responsabilidade em tudo que fala. Também confirmou o que havia denunciado: "Superlotação; desrespeito ao conhecimento científico de controle de infecção hospitalar; mulheres idosas, jovens e adolescentes expondo seus corpos sem privacidade ao lado de homens - enfermeiras já teriam até flagrado pacientes praticando o onanismo, enquanto observavam mulheres tomando banho; portadores de hipertensão e cardíacos, que requerem ambientes sem estresse, visualizando pacientes vítimas de tiros, facadas, acidentes de trânsito...".
Estes, nobre deputado, são alguns dos muitos males que consomem diariamente a paciência e a vida dos usuários do Hospital João Alves Filho. Só não enxerga quem não quer! Ou quem não pode?
Mas, para sorte de Francisco Gualberto, nem o próprio ou qualquer dos seus parentes próximos vai precisar sentir na pele o que o povo pobre padece no Huse (mas não Abuse!) graças à incompetência do governo que ele defende com unhas e dentes. Sorte também de Marcelo Déda, Rogério Carvalho e de toda a pomposa nomenclatura governamental.
Afinal, não sendo idiotas e com os altos salários (além de outras interessantes vantagens) que recebem do Estado, eles vão querer distância dos hospitais públicos de Sergipe, hoje transformados em verdadeiros chiqueiros. Quanto ao resto dos mortais...
  • PS: Não cola tentar culpar a dengue pelo caos de agora e de sempre. A epidemia apenas agravou o que já era imprestável.

Terça-feira, 01.04.2008 - Ano II - Edição Número 243

QUEM FALA A VERDADE?
A coluna Periscópio do Jornal da Cidade de domingo trouxe sob o título “Falso Lucro” três notinhas onde expunha um resumo do Balanço Anual do Banco do Estado de Sergipe, publicado no sábado: “...agora, oficialmente, (fica demonstrada) a irregularidade dos números finais da gestão encerrada em 2006”. Segundo o jornal, o lucro do Banese, “informado com grande pompa e publicidade em 2006, era de R$ 55,7 milhões... o número real, quando devidamente apurado, não poderia ser maior do que R$ 24,1 milhões... diferença de R$ 31,6 milhões correspondeu a créditos tributários registrados e compensados indevidamente”. Como se sabe, as contas de instituições financeiras que operam no Brasil são auditadas pelo Banco Central. Para evitar gestões temerárias e falências fraudulentas, o BC tem sido rigoroso e exigente. No entanto, se os números são verdadeiros, os auditores do Banco Central falharam. O Banese conseguiu lhes passar a perna não apenas durante a gestão de João Alves Filho – aliás, tratada a pão-de-ló pelo governo Lula da Silva, como se sabe – mas também no próprio governo do PT, pois somente neste final de semana os “pés de barro” do banco sergipano foram finalmente revelados. Injuriado com as “denúncias caluniosas”, o ex-presidente do Banese, Jair Araújo, disse a Fábio Henrique (FM Liberdade) que o lucro fictício citado pela direção do banco é o mesmo que foi aprovado pelo conselho administrativo da atual gestão. “Os membros do conselho não são inocentes, são maldosos”.
O ex-presidente explicou que o Banese ganhou uma ação no STF e que tem direito a R$ 31,5 milhões em créditos tributários. "Se assim não fosse, o banco seria obrigado a recolher o dinheiro a Receita, coisa que não fez até agora”. Jair Araújo não poupou críticas ao seu substituto: “É um irresponsável, não tem estrutura mental para administrar um banco como o Banese, é um neo-petista que até ontem criticava ao extremo os membros do PT, é um mentecapto”. Afora o desabafo e os desaforos, a informação mais preciosa trazida por Jair Araújo na entrevista ao radialista-vereador foi que o Banese não vale nem um terço do que valia em 2006. A denúncia é grave! Que peste teria feito a diretoria petista do Banese para ele perder tanto do seu valor de mercado em apenas um ano e poucos meses de gestão? Por outro lado, um dos fundadores do Banco do Estado de Sergipe e talvez seu mais ardoroso defensor, o ex-presidente da instituição José Figueiredo (gestão Albano Franco), teria deixado o Conselho do Banese, segundo a colunista Yara Belchior (Infonet), “de maneira forte, discordando de muitos pontos e posições da atual diretoria” – o balanço não traz a assinatura dele. Noves-fora tanto disse-me-disse, se o Banese era um tigre de papel até dezembro de 2006, o Banco Central certamente foi incompetente para averiguar e prevenir tão delicada situação, e na conseqüente punição dos (ir)responsáveis. Da mesma forma, se hoje o banco está menor, os fatores que contribuíram para sua derrocada precisam vir a público célere e transparentemente, pois se trata de instituição pública de capital aberto. Ou seja, além do governo sergipano, há outros milhares de acionistas com ações que viraram pó do dia para a noite. Que tal um debate na Assembléia entre Jair Araújo e João Andrade para esclarecer as muitas dúvidas? Seria fascinante ouvir as considerações de ambos...
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A PRAÇA-JOANETE
O colega, leitor e compadre-amigo fraterno Antônio Carlos de Oliveira, o Xocolate da Ilha FM, é uma dessas personas raras, que nos exortam a meditar (e rir muito) com suas tiradas geniais. Por conta do comentário sobre a Praça Antônio Teixeira (Edição 241), o boa-vida – por telefone – se disse surpreso com a minha “modéstia”. Comentou Xocolate: “Você sugere que (o prefeito) Edvaldo Nogueira deu uma praça de presente a Norcon. E (o ex-prefeito) João Augusto Gama, que deu um bairro inteiro (Jardins) à empreiteira, que você acha?”.
Convenhamos, Negão, nessa você caprichou...

Quinta-feira, 27.03.2008 - Ano II - Edição Número 242

NOTA DO EDITOR
Peço desculpa aos leitores pelo espaçamento na publicação de textos. Tenho estado envolvido com tarefas que me tomam parte expressiva do tempo. Nesta quarta estive em Brasília, neste momento estou em São Paulo e por vezes é impossível manter o nível de observação necessário a continuar realizando um trabalho baseado apenas em fatos comprovadamente reais. Aliás, motivo pelo qual temos a cada dia crescido nosso índice de leitura. Grato pela compreensão, desejo um bom dia a todos. . PERIGO REAL E IMEDIATO
A política exige estômago de aço e muita, muita fleuma. Os inimigos do PT, então, devem acrescer as estas exigências a capacidade de defesa contra golpes abaixo da linha da cintura. Na semana passada, circulou entre os jornalistas que cobrem o Congresso e parlamentares da base aliada do governo federal um dossiê contento informações sigilosas sobre as despesas do gabinete do ex-presidente FHC. A documentação tinha por objetivo inibir a ação da oposição – especialmente os tucanos – na CPI dos Cartões. A revista Veja desta semana expôs parte do dossiê, elaborado dentro do Palácio do Planalto com informações consideradas sigilosas pelo próprio governo. A intenção era mostrar que o governo do Grande Molusco não inovou ao usar cartões corporativos para quitar despesas com bebidas, aluguel de carros, hotéis de luxo, perfumes importados, beiju de tapioca... Numa conversa com Veja, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso falou que já sabia que o PT bisbilhotava as contas do governo dele e comentou: “É um absurdo. É uma chantagem do Palácio do Planalto. Uma tentativa de intimidar e desmoralizar nunca vista antes num regime democrático”. Na terça, FHC mostrou que é macho. O senador Arthur Virgílio, líder do PSDB, leu uma carta do ex-presidente liberando a abertura dos gastos privados durante o período em que ocupou o cargo. Nela, FHC disse ainda que nunca houve sigilo nos gastos – “mesmo porque não há amparo legal para tal procedimento” – e desafiou o presidente Lula da Silva a fazer o mesmo: “ No meu caso, as suspeitas (de irregularidades) são infundadas e espero que também o seja o caso do atual governo”. O PT não dá sorte nessa seara de dossiês. Durante a campanha de 2006, um grupo de petistas “aloprados” tentou comprar um lote de documentos com acusações falsas ao então candidato ao governo de São Paulo, José Serra. A Polícia Federal prendeu alguns deles com uma mala recheada de reais e denunciou que a trama foi planejada e executada com o conhecimento, participação e o aval da cúpula de campanha do Grande Molusco. A lógica dos petistas é estranha. Divulgar os gatos de FHC naturalmente abriria um flanco para ocorrer o mesmo com os de Lula da Silva. Agora mesmo, tramita uma representação apresentada pelo PSDB e pelos Demos pedindo à Procuradoria-Geral a abertura de todos os gastos, desde 1998 até ontem. O tiro saiu pela culatra. E mais: para quem está no poder, especialmente para um governo marcado por graves denúncias de corrupção, usar da tática sórdida da intimidação pode provocar a ira dos adversários. O perigo é real e imediato...

terça-feira, 25.03.2008 - Ano II - Edição Número 241

A PRAÇA-JOANETE É “NOSSA”
O programa humorístico comandado no SBT de Sílvio Santos pelo filho de Manoel da Nóbrega, Carlos Alberto, nada tem a ver com as estripulias contadas a seguir. Em comum, o cenário de uma vistosa praça e o fato de ambas provocarem frouxos risos em certos expectadores. Na “nossa” praça, no entanto, o riso desmedido atinge apenas uns poucos sortudos.
Dia desses, o prefeito-candidato Edvaldo Nogueira fez pompa e circunstância para “entregar ao povo” do bairro Juscelino Kubitschek a bela Praça Antônio Teixeira. A obra está para o bucólico JK como um joanete para o pé de quem sofre do mal.
Lá, bem longe dos supostos beneficiados pela obra, sobressaindo-se em meio aos tapumes de futuros condomínios de casas e apartamentos para a classe média e um imenso terreno baldio reservado também a futuras residências, ei-la lá, a formosa praça...
Os moradores do JK se perguntam para que uma praça onde hoje não mora ninguém se ruas do bairro estão imprestáveis, o sistema de drenagem fluvial é precário, o mato toma conta dos canais e outras praças na localidade apelam por uma simples mão de tinta?
A provável resposta talvez esteja na face rosada e no sorriso generosamente farto dos gordinhos da Norcon. A Praça Antônio Teixeira “é” deles – uma placa diz que a empreiteira se responsabiliza pela conservação e manutenção da praça. Um gesto realmente muito nobre!
Para saudar ao alcaide e fazer crer que a comunidade lhe é sumamente grata pela praça-joanete, a administração comunista espalhou faixas em pontos estratégicos.
Numa delas está escrito: “A Prefeitura de Aracaju entrega a Praça Antônio Teixeira aos moradores do JK”. Uma outra diz: “Os moradores do JK agradecem ao prefeito Edvaldo Nogueira pela Praça Antônio Teixeira”.
Os marketeiros comandados pelo jornalista-secretário de Comunicação da PMA Carlos Cauê só esqueceram de um detalhe ínfimo! Combinar com quem fez as faixas para mudar o tipo e a cor da letra para não parecer que todas elas foram pagas pela Secom.
Pequenos gestos como construir uma praça num local ermo, onde uma empreiteira edifica seu pé de meia ou pendurar faixas pagas com dinheiro público para saudar a si mesmo, e pior, fingindo ter sido uma manifestação real do povo, devem fazer os marxistas do PCdoB darem grandes, homéricas gargalhadas...
É isso aí, gente! A praça-joanete é “nossa”.
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Um foto, mil palavras... (clique para ampliar).

Placa da Norcon, ao lado da praça Antônio Teixeira, anuncia futuro empreendimento da empreiteira: ao fundo o terreno baldio reservado às casas e apartamentos.

Placa da Norcon e a praça Antônio Teixeira ao fundo: por detrás de centenas de metros de tapumes, as obras de um novo condomínio de apartamentos da Norcon.

Faixas da Secom não escodem a farsa: tentativa descuida de promoção pessoal paga com dinheiro público.

Segunda-feira, 24.03.2008 - Ano II - Edição Número 240

DÉDA SE PREPARA PARA O PIOR
Eleição é sempre uma incógnita. Marcelo Déda sabe muito bem disso. Hoje ele brilha, após derrotar os adversários nos primeiros turnos das eleições de 2000, 2004 e 2006. Todavia, o passado aconselha prudência. Ainda revolve-se na memória coletiva ter sido ele eleito deputado estadual com a espetacular votação para a época de 32.044 votos em 1986 e não obter a reeleição quatro anos depois. O governador sergipano tem um imenso desafio: reeleger prefeito de Aracaju o aliado comunista Edvaldo Nogueira, um político sem densidade eleitoral. Transferir votos não é missão fácil. Embora diga publicamente não existir “questão de vida ou morte no processo de disputa”, Marcelo Déda compreende o profundo desgaste político que a derrota na eleição municipal traria para o pleito de governador em 2010 – e por conseqüência, à escolha do novo presidente da República. Para os petistas, é graças aos mandatos de Marcelo Déda que o aracajuense tem hoje uma vida melhor. Tal melhoria teria dado visibilidade nacional a Aracaju e por esta razão, sentindo-se grato pelas inúmeras e reluzentes realizações visando mais qualidade à vida, o eleitor votaria no candidato dele. No campo das suposições, a argumentação parece lógica. Já a oposição aposta na esperança de o eleitor não estar disposto a reeleger um prefeito clone e ao mesmo tempo discípulo obediente de Marcelo Déda. Neste quesito, a concentração de poder em torno dele e do PT seria o diapasão favorável à alternância de comando. Por seu turno, os governistas se fiam no diametralmente oposto. Recentemente, numa entrevista a radialistas sergipanos, o governador foi taxativo: “Vamos trabalhar para viabilizar a continuidade de uma integração entre os governos federal, estadual e municipal que vem dando certo ". Aos mais chegados, contudo, Marcelo Déda tem externado grande preocupação com as pesquisas. Até já trabalharia a possibilidade de perder um valioso quinhão – e pior, ter de arrebanhar uma multidão de aliados desempregados. Mas pode ir tirando o sorriso dos lábios! Apostar em quem vencerá em novembro, especialmente diante da indecisão do mais forte dos prováveis candidatos oposicionistas, o ex-governador João Alves Filho, ainda é tarefa de alto risco...
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ALBANO FRANCO SAIU DA MOITA?
O sorriso sempre enigmático à lá Mona Lisa pode distorcer a compreensão das reais intenções do deputado federal Albano Franco quanto a quem ele apoiará nas eleições de novembro. O ex-governador diz a uns não ser “eleitor cativo” de João Alves Filho. Enquanto isso, ele recebe afagos de Lula da Silva no palanque da inauguração do Viaduto Déda, bebe café sem açúcar no gabinete do senador Almeida Lima e não renega um bate-papo “político” com o deputado democrata José Carlos Machado. Jeitoso, Albano Franco sempre foi! Aliás, jeitoso e espertamente dissimulado. Ontem, sob o título “Só Love”, a Folha de São Paulo publicou na coluna Painel a seguinte motinha: “Na contramão, os casos da outrora impensável aliança com o PT vão se multiplicando. Em Aracaju, tanto o petista Marcelo Déda quanto os tucanos liderados por Albano Franco devem dividir o palanque em apoio à reeleição de Edvaldo Nogueira”. A dúvida é: teria o ex-governador saído definitivamente da moita? Como Albano Franco é em si uma incógnita, qualquer prognóstico apressado sobre o que ele pensa de verdade pode redundar em rasteira das grandes! Uih...