ANA ALVES ESTÁ
LIVRE; USARÁ TORNOZELEIRA
Como opinei num
escrito anterior, a prisão da Ana Alves teve “cheiro estranho”.
Hoje, após duas tentativas fracassadas da defesa da jornalista, a
Justiça a liberou. Deverá usar tornozeleira, teve limitada a área
de circulação ao bairro de residência e não poderá manter
contato de qualquer natureza com outros investigados ou testemunhas
do processo.

A justificativa do
magistrado, o mesmo que a deteve, para libertar Ana Alves diz: “A
custódia cautelar foi decretada unicamente para preservar a colheita
de provas”. Ué, enquanto Ana Alves depunha no Ministério Público
(e de lá saiu presa), não estava em curso a tal “busca e
apreensão”
Ainda na
justificativa para o relaxamento da prisão, o magistrado comenta
algo muito interessante, uma pérola a demonstrar a total “cegueira”
(comento adiante) da Justiça sergipana. “Embora seja
exageradamente precipitado falar na existência de crime […] há
suspeita fundada de que houve dezenas de nomeações de servidores
‘fantasmas’ como forma de obtenção de apoio político, o que
pode configurar, além do crime de peculato, o delito de organização
criminosa”.
Santa danação!
Por acaso Ana Alves ordenou despesas na Prefeitura de Aracaju? É
investigada no caso dos supostos servidores “fantasmas”? Nomeou
algum cargo comissionado? Recebeu comprovadamente recursos de
corrupção? Nada disso consta dos autos e não está entre os
motivos para a prisão, considerada “desproporcional” pela
defesa, mas integra a justificativa de soltura. É fogo…
A “cegueira”
coletiva foi alvo de ensaio do brilhante cafajeste português, o
comunista prêmio Nobel José Saramago. Mesmo estando diante dos
olhos, por vezes não se enxerga o que outro prolífico canalha,
Nélson Rodrigues, denominou de “o óbvio ululante”. Nomeações
de servidores “fantasmas” como forma de obtenção de apoio
político, naturalmente um crime de peculato e delito de organização
criminosa, fazem parte do cotidiano de Sergipe (e do Brasil) desde o
Império.
Ora, ora, batam-me
um abacate!
Será que se forem
convocados os titulares dos mais de 1000 cargos comissionados à
disposição da Governadoria, Vice-Governadoria e Casa Civil de
Sergipe, haveria espaço no Palácio de Despachos para toda esse
turba? Vão prender os responsáveis pelas nomeações desses cargos,
também? Onde peste trabalham essas almas puras e santas, nomeadas no
Diário Oficial do Estado de Sergipe, que recebem todos os meses os
“(in)devidos” proventos? Quem são esses “filhos e filhas” do
Poder
Melhor deixar
quieto ou a vida de muita gente “boa” seria revirada pelo avesso.
O exemplo está aí…
Ana Alves pode ter
sido presa para atender a vaidade ferida de alguns promotores de
Justiça, por comentários feitos ao telefone por alguém [ela] sem
papas na língua? Não consta dos autos, mas a jornalista prometeu
processar membros do Ministério Público, tidos por ela como
“petistas de carteirinha, perseguidores”. Creiam, um dia a
verdade aparecerá…
Um juiz a
princípio duro na manutenção da prisão, reconhece agora haver
“notícia de que a investigada passa por problemas de saúde,
comprovados por relatórios médicos” e que “a situação deve
ser objeto de ponderação”. Vou conter o choro!
Debilitada também
está a saúde dos pais de Ana Alves, mas isso não importa mais.
Aliás, se não se levou em conta antes, até por questões
históricas – não me refiro à vida política e às realizações
de João Alves Filho, mas ao que ele fez por tantos hoje “ex-amigos”
dentro e fora do Poder –, seja por açodamento de uns ou pela
vaidade de outros, agora nem caberia mencionar, se o faço é por
entender que o prejuízo causado não terá reparação por qualquer
remédio.
Enfim, libertaram
Ana Alves, após uma semana detida. Uma prisão com “cheiro
estranho”, muito “estranho”! Sigamos…