PATIFARIA DE
PROCURADORES DA REPÚBLICA
A provar que
vivemos sob uma indisfarçada “Ditadura do Ministério Público”
– assim, com maiúsculas –, o que em si pode ser considerada uma
tremenda vigarice apenas por acusar grave abuso de prerrogativa de
função pública, vê-se o que O Globo faz saber em seu site acerca
da patifaria promovida por essa gente contra o jornalista Reinaldo
Azevedo.
Para quem ainda
ignora a danação, o colega anunciou nesta terça-feira que deixou a
revista “Veja” após a divulgação de uma conversa telefônica
na qual ele discute as denúncias na Lava Jato contra o canalha do
Aécio Neves com a irmã do cujo, a também jornalista Andréa Neves,
ora encarcerada sob acusação de corrupção ativa. No diálogo,
Reinaldo Azevedo critica reportagem da própria publicação sobre
uma suposta conta do tucano em Nova York, [ainda] não comprovada.
Com escritório
especializado em temas ligados à liberdade de expressão, o advogado
Alexandre Fidalgo disse aO Globo acreditar que a crítica de Reinaldo
Azevedo a alguns comportamentos do Ministério Público Federal (MPF)
pode ter motivado “uma espécie de vingança” por parte de quem
divulgou suas conversas. Sendo verdade, cabe severíssima reprimenda
àquele que tratou de executar a “vingança” e, logicamente, ao
mandante.
Disse o jurista ao
site do diário: “O sigilo de uma fonte do jornalista é princípio
básico da liberdade de expressão. O jornalista, sem fonte, não
exerce sua profissão. Uma democracia não é plena se ela não
garantir a este profissional sigilo absoluto de suas conversas”.
Será que é preciso desenhar isso para a turma da PGR?
Alexandre Fidalgo
lembra que, para um jornalista, “é fundamental ter boas fontes”;
e completa: “As boas fontes estão no centro da informação. A
conversa [entre Reinaldo Azevedo e a irmã do fanfarrão mineiro
tirado a esperto] é absolutamente natural no Estado Democrático de
Direito”. Ou seja, alguém do MPF pisou feio – muito feio! – na
bola. Espera-se que, ao menos, haja alguma “explicação oficial”
para tamanha patifaria.
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