OPOSIÇÃO, CADÊ
TU?
A eleição da
Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) é sempre
o acontecimento político que marca o início do ano, sobretudo após
a posse de um novo governo – não que a gestão de Jackson Barreto
seja uma novidade para os sergipanos, mas pelo caráter de agora
começar um período novo, como disse o próprio governador, “pós
Marcelo Déda, pós PT”.
Não se estranha
que o modelo republicano adotado no Brasil privilegia, desde sua
fundação, o Poder Executivo em detrimento dos demais poderes,
sobretudo o Poder Legislativo, tratado como subalterno. Vimos no
plano nacional o Mensalão ser desvendado pela coragem de uns pouco
homens públicos como o fio de um novelo gigante fabricado pelo PT,
engrossado neste momento pelo Petrolão, com métodos ilegais de
fomento e manutenção de uma bancada governista cativa a soldos
generosos.
Em Brasília, três
candidatos concorrem pela presidência da Câmara Federal, havendo um
quase eleito (Eduardo Cunha, PMDB-RJ), que promete não fazer
oposição ao Governo Federal, mas que diz, também, não será
submisso à gestão Dilma Rousseff. Ele esclarece: “Estamos
tentando construir uma candidatura partidária, uma candidatura da
Casa, que busca o equilíbrio entre os Poderes”. Outro candidato, o
governista Arlindo Chinaglia (PT-SP), luta com as armas terríveis
que tem, ao que parece, sem chance de vitória. Enquanto um terceiro
(Júlio Delgado, PSB-MG) marca presença, mostrando que existe um
núcleo divergente do tal “consenso”.

Diz o bem
informado jornalista Diógenes Bryner que “a chapa (governista) foi
formada com o objetivo de desconstruir qualquer outra candidatura.
Dela também participam dois deputados do PSD – Jéferson Andrade e
Luiz Mitidieri –, o que isola o persistente Gustinho Ribeiro (do
mesmo partido deles), que ainda mantém a candidatura e
hoje terá encontro com o governador Jackson Barreto para uma decisão
final. Se a própria legenda (PSD) não apoia o candidato, fica
muito difícil.”
Trocando em
miúdos: como até governistas muito ligados ao governador e apoiados
pelos colegas deputados, caso de Gustinho Ribeiro e Garibalde
Mendonça, enfrentam dificuldades para se firmar, a oposição, por
seu turno, optou por não peitar o governador, talvez ainda aturdida
com a fragorosa derrota de outubro, que deixou muita gente sem norte,
como se ganhar ou perder não fizesse parte do jogo. O “luto”
psicanalítico pode ajudar...
Convenhamos, quase
nenhum político quer brigar com um governador em início de mandato,
especialmente com um trator como Jackson Barreto, disposto a impor
novas regras de gestão e um estilo político próprio de
administrar. Como trabalha feito um jegue, por certo o novo
mandatário não dará trégua a uma oposição cada vez mais
minguada e vacilante. Talvez venhamos a ter uma oposição muito
fraca, talvez a mais fraca dos últimos 30 anos, posto que poucos
oposicionistas – diria até, raros oposicionistas! – aguentam
ficar mais quatro anos longe das tetas do poder.
Em resumo: a
oposição perde muito com a saída de Venâncio Fonseca da liderança
e com sua indicação à Mesa Diretora – 3ª secretaria. Perde mais
ainda por não lançar candidato próprio e disputar com os
governistas, uma ação política que teria o condão de mostrar as
fragilidades do candidato danado que o governador JB escolheu para
comandar o Legislativo estadual.
A oposição
calou, ninguém teve coragem de dizer que Luciano Bispo, mesmo sendo
gente boa e um cabra de fino trato, está melado dos pés à cabeça
de malfeitos praticados durante suas gestões em Itabaiana.
Improbidades que lhe serão cobradas pela Justiça mais adiante e
poderão até custar seu próprio mandato – e isso é algo que não
se pode desprezar numa “guerra”...
Por fim, lançar
candidato próprio seria mais uma oportunidade para desgastar um
governo que começa mal e tende a piorar, com o tempo. Ao mesmo
tempo, parafraseando Eduardo Cunha, ajudaria a construir uma
candidatura partidária (PSC e agregados), uma candidatura da Casa,
que buscasse o equilíbrio entre os Poderes. Isso é óbvio, como as
estrelas que despontam no céu no ocaso.
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Por David Leite
©2014 | 28/01 às 10h50 | Reprodução permitida, se citada a fonte
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