CARTAS DO ALÉM: A
IMPRENSA DE SERGIPE
SE VULGARIZA A
CADA DIA – O QUE DÁ PENA!
Certa feita,
escrevi num artigo publicado pelo Jornal do Dia (04/03/2013),
tratando sobre falatórios no rádio e supostas análises políticas
inspiradas na malandragem, que “o pudor ético de certos colegas de
imprensa parece se esvair com a proximidade de eleições”. O texto
aludia ainda que “o ataque aos adversários ganha ares de
extravasamento, com atos infames, por vezes beirando a obscenidade”.
A profecia enfim se materializou, diante do desespero dos
governistas, cujas ações maldosas já não bastam. Chegou o momento
de apelar para a invenção de notícias.
Em períodos de
campanha eleitoral, torna-se comum a publicação de palavras
distorcidas, de “notícias” horrorosas e “críticas”
apimentadas, vindas de todos os lados. Malfeitos pregressos, gafes e
até questões envolvendo a vida pessoal dos candidatados são
reverberadas um tom acima, como forma de “denunciar” e
“esclarecer”. Até este ponto, a imprensa pode ser classificada
como “azeda”, “parcial” e até “vendida”. Porém, com
fatos fundados na verdade, qualquer meio de comunicação pode e até
deve explicitar seu pensamento sobre qualquer tema, inclusive a
política.
Passado tal ponto
– ou seja, o limite entre a verdade, a meia-verdade, a galhofa e a
mentira deslavada, eivada de maledicências –, a imprensa deixa de
cumprir a norma constitucional garantida pela liberdade de expressão,
para adentrar no campo do crime: a calúnia, a injúria e difamação!
Se mentir sobre algum fato já seria um decreto de morte para a
credibilidade de qualquer meio de comunicação, inventar notícias
extrapola qualquer fronteira da decência e da ética, merecendo o
“profissional” de imprensa que assim age a qualificação de
moleque – em alguns casos, até de perigoso marginal.

Hoje, foi a vez de
Cláudio Nunes, do portal Infonet, publicar uma mensagem supostamente
psicografada, que ele “não imagina quem enviou e muito menos quem
é o destinatário, mas mensagem é mensagem...” Sim, às favas os
fatos jornalísticos. É tempo de eleição! Mais adiante, alguém no
rádio sugeriu que a tal mensagem seria do auxiliar de Edivan Amorim
que cometeu suicídio duas semanas atrás. A questão é: um publica,
como se nada soubesse; outro reverbera, já sabendo de tudo! Com as
cartas do além, a imprensa de Sergipe se vulgariza a cada dia – o
que dá pena!
O primeiro caso
deixou a família Franco perplexa e muito irritada. Contudo, a
decisão da maioria foi a de “esquecer” o triste episódio, em
respeito à memória do ex-governador. Sorte de Luiz Eduardo Costa e
do Jornal do Dia, que escaparam de mais uma reprimenda judicial –
juntos, já colecionam mais de 50. Quanto à apelação de Cláudio
Nunes, ela resume o tipo de alma jornalística que habita aquele
corpo. Tratar de forma jocosa a finalidade espiritual da psicografia,
além desvirtuá-la em favor de um embate político- eleitoral, é
demonstração cabal dos fins a justificar os meios...
Parcela do
jornalismo sergipano parece ter esquecido a máxima segundo qual é
preciso respeitar para ser respeitado. Minha grande dúvida é: a
culpa pelas patifarias seria apenas dos comunicadores sociais ou
estariam eles a agir apenas de acordo com quem lhes encomenda (e
paga) os serviços sujos, aqui denominados de mandantes? Por seu
turno, veículos que aceitam publicar tais vigarices não poderiam
ser tachados como coautores? Da mesma forma, não seria o público
(ouvinte ou leitor) cúmplice, ao garantir audiência aos veículos
que se prestam a publicar tais vigarices?
A campanha de
Jackson Barreto tem utilizado como peça de campanha um trecho de um
discurso de Marcelo Deda, no qual o falecido governador elogia o
candidato governista. Na ausência de fatos concretos que deponham
contra os concorrentes do candidato que apoiam, jornalistas ligados
ao governo usam “mensagens do além” para criticar adversários.
Muita gente comenta que, semanas antes de desencarnar, Marcelo Déda
teria gravado uma mensagem na qual pede votos para Jackson Barreto.
Diante dos abusos atuais, não duvido que, se de fato existir, essa
mensagem não seja usada em breve. A coragem dessa turma para mexer
com os espíritos já está mais do que provada. Fiquemos de olhos
bem abertos!
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Por David Leite ©2014 | 12/08 às
13h45 | Reprodução permitida, se citada a fonte | Com informações
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