CANDIDATOS
AO GOVERNO EMPACADOS E
UM
NOME NOVO SURGE PARA O SENADO...
Fosse
a eleição para a escolha do novo governador de Sergipe e do
representante do estado no Senado realizada entre os dias 28 e 31 de
outubro, conforme apurou o Instituto W1 EMCAMPO nos 30 maiores
redutos eleitorais, com margem de erro de 3,5% e oitocentas pessoas
ouvidas, haveria segundo turno para o governo e a senadora Maria do
Carmo reconduzida ao cargo. Os dados podem ser comparados nos
gráficos apresentados em anexo (Clique na foto para ampliá-la).
No
caso do governo, a surpresa é constatar uma leve queda na opção do
preferido do eleitorado, o prefeito de Aracaju João Alves Filho, num
comparativo com a pesquisa do mesmo instituto realizada em agosto.
Ainda dentro da margem de erro, o Negão perdeu 3% dos votos,
enquanto os demais concorrentes mantiveram-se em patamares idênticos,
com 23% para o atual líder da oposição Eduardo Amorim e 20,3% para
o governista Jackson Barreto.
Em
se tratando da campanha do Negão, ainda há muitas dúvidas. João
Alves Filho tem-se declarado disposto a permanecer no cargo, o que
pode favorecer uma aliança com Eduardo Amorim, união cujo mérito
seria definir a eleição ainda no primeiro turno. Mas há liderados
do Negão trabalhando para fazê-lo unir-se a Jackson Barreto, fator
que complicaria muito a campanha da oposição, pois criaria uma
superforça política, com poder incomensurável.
Não
há dúvida que João Alves Filho jamais arriscaria o conforto da
prefeitura por uma campanha onde não houvesse um eleitorado bastante
bem disposto a apostar nele para um quarto mandato de governador. Ou
seja, venham as pesquisas a indicar porcentual inferior a 50% das
intenções de voto, mesmo diante da possibilidade de crescimento
sendo apontada pelos marqueteiros, o Negão não deixaria a
prefeitura para disputar uma nova eleição.
Por
sua vez, apesar de ser o senador Eduardo Amorim um político “novo”
e cercado de boas expectativas, ele tem enfrentado dificuldades para
convencer o eleitor de que tem uma penca de propostas para tirar
Sergipe do atual desgoverno. O jornalista Gilmar Carvalho conjecturou
sobre um dos motivos para, após o anúncio sobre a pré-candidatura
do PSC, não ter havido crescimento nas intenções de voto do
senador. “É um homem preparado, é o único realmente novo, mas
precisa se apresentar como o novo, como ele é... Existe um grave
erro no setor de comunicação de Eduardo Amorim”.
Para
Gilmar Carvalho, e eu concordo com o colega, a comunicação do
senador estaria mais “preocupada em responder às acusações de
governistas, que muitas vezes baixam o nível... Adversário você
não responde, trata-o com indiferença. A comunicação está toda
errada.” O que Gilmar Carvalho aponta como falha é a conduta
reativa em detrimento da pró-ativa, que trataria das propostas e
pensamentos do senador e não da pauta dos adversários.
Neste
tocante, apesar de ser uma metralhadora giratória no ataque verbal
ao concorrente, o governador Jackson Barreto aproveita cada ocasião
para divulgar as obras que inaugura e promete realizar em comícios
disfarçados de atos públicos. Usa ainda prestadores de serviço na
imprensa, travestidos de comunicadores sociais independentes, para
detratar o adversário e divulgar informações do interesse do
candidato governista. Tem um passado de máculas administrativas
sérias, mas o ignora pontuando sempre os fatos positivos.
Por
que, então, apesar de divulgar de forma tsunâmica até inauguração
de bica d'água, Jackson Barreto não deslancha no coração do
eleitorado? Mesmo não estando exposto no gráfico da pesquisa
(anexo), o índice de rejeição do governador em exercício é
altíssimo e o eleitor resigna-se quanto a possibilidade de entregar
a Jackson Barreto um mandato executivo --pesquisa encomendada pela
Secom estadual aponta que o governista danado teria boa chance na
disputa pelo Senado, até num confronto com a senadora Maria do
Carmo.
Por
falar em disputa pelo Senado, não há novidade sobre a reeleição
da esposa do prefeito João Alves Filho. No entanto, familiares dizem
que Maria do Carmo talvez preferisse voltar ao convívio mais
estreito com o Negão, atuando na periferia de Aracaju, onde
construiu a imagem de “mãe dos pobres”. A saúde da senadora,
apesar de estável, seria outro fator de preocupação da família.
Neste quesito, caso também esteja fora da disputa o governador
licenciado Marcelo Déda, por motivo de saúde, a única vaga ao
Senado poderia sobrar para um nome novo, atuante na política
nacional e bem disposto para cativar o eleitorado.
Líder
do PSC na Câmara dos Deputados e presidente do Diretório Estadual
do partido em Sergipe, o jovem parlamentar André Moura aparece como
segunda opção do eleitor, estando bem à frente de nomes
tradicionais como o do ex-prefeito de Estância Ivan Leite e da
estrela do PT o doutor (ele gosta de ser chamado assim) Rogério
Carvalho, provável futuro presidente da agremiação em Sergipe.
Filho de políticos e bem enturmado entre os próceres do Congresso,
André Moura trabalha pela reeleição, mas como ele próprio costuma
dizer, “em política as oportunidades surgem as vezes de modo
inesperado, e não se deve jogar fora uma boa oportunidade, por mais
difícil que possa parecer”.
Eis
então o quadro eleitoral há quase um ano do pleito! Mudanças
poderão ocorrer, mas ao que tudo indica, não deve surgir nada de
novo nesse cenário já bastante contextualizado.
Por
David Leite | 18/11 às 18h10