EDUCAR
PARA NÃO PRECISAR PUNIR --É SIMPLES!
O
Brasil é um país cruel com os mais pobres. Se a pessoa é negra,
tanto pior. Os números são claros neste tocante: segundo estudo do
Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) sobre racismo no
Brasil divulgado dia 17 deste mês, a possibilidade de um adolescente
negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior do que um branco;
como resultado, a expectativa de vida de um homem brasileiro negro é
menos que a metade de um branco. Na raiz do problema, a questão da
educação. O país busca pelas políticas afirmativas --as
famigeradas cotas raciais!-- resolver a situação. Não vai dar
certo...

O
baixo nível da educação no Brasil não ocorre pela falta de
dinheiro, mas de boa gestão e oportunidades. Num comparativo com
outras nações, o patamar atual de investimento (5,8% do PIB) é
proporcionalmente próximo do observado nos EUA e na Alemanha, e
supera os do Japão, China e até da Coreia do Sul. O país carece é
de ousadia e de planejamento visando a atender demandas estratégicas --se faltam médicos, formemos milhares deles; o mesmo para
engenheiros! Revolucionar a educação corresponde a remunerar os
professores por desempenho e deixar de designar diretores e
supervisores escolares por interesses políticos; equipar as escolas
com laboratório, biblioteca, gabinete médico e odontológico,
serviços de aconselhamento psicológico e constante investimento em
artes: música, teatro, pintura, dança, folclore, artesanato etc.
Além
dessas medidas, a escola precisa ser um farol para as comunidades
onde estão inseridas. Abri-las para receber grupos de pais para a
prática de atividades esportivas e recreativas, cursos de
alfabetização e profissionalizantes (corte e costura, crochê,
renda etc). Cada unidade deve ser instada a promover concursos
(poesia, olimpíadas, artes etc), não apenas para o alunato, mas
para envolver amigos e parentes dos alunos. O propósito da educação
é preparar o indivíduo para as responsabilidades da cidadania.
Escola e comunidades juntas equivalem por altíssimos investimentos
em políticas de efeitos duvidosos e que, ao fim e ao cabo,
provaram-se inúteis para evitar que tantos brasileiros ainda estejam
na pobreza.
Muito
do que aqui foi dito é de simples aplicação e retorno
relativamente rápido. A Coreia do Sul apostou nisso e hoje é um
sucesso de meritocracia social e desenvolvimento econômico --o país
concorre com os mais ricos do mundo e tem sido competente na guerra
comercial e de talentos intelectuais. O Brasil pode dar melhores
exemplos para o mundo do que apenas o futebol, as mulheres bonitas e
as paisagens de tirar o fôlego dos turistas. Precisamos crescer como
nação. É preciso acabar com a matança dos nossos jovens. Educar é
o princípio básico que vai evitar punir no futuro. Uma lição tão
antiga, mas ainda não muito bem assimilada por nossos líderes
políticos e, lamentavelmente, pela própria sociedade, que segue
enganada por políticas públicas embromadoras...
Por
David Leite | 20/10 às 19h55 (Horário de Brasília)