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Quarta-feira,
30/11/2011 | 13h19 | Por David Leite
De
como tenta-se, mais uma vez, responsabilizar profissionais de saúde
que sofrem por falta de condições de trabalho pelo caos
no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), ex-Hospital João
Alves
...
Às
portas da eleição, em março de 2010, o
governador Marcelo Déda lia chocado pesquisas que indicavam o
grave descontentamento da população com os serviços
de saúde pública oferecidos pelo governo estadual,
sobretudo os prestados pelo Huse.
Em
busca de minimizar o problema, que poderia prejudicar sua reeleição,
ele autorizou a contração de 45 médicos
intensivistas para atender áreas críticas do hospital –
UTQ (Unidade de Tratamento de Queimados), UIPC (Unidade Intermediária
de Pacientes Críticos) e SRPC (Setor de Recuperação
de Pacientes Cirúrgicos) –, além de cobrir eventuais
furos na escala de médicos da UTI e Semi-intensiva.
Formado
por médicos de diferentes especialidades – clínica
médica, cirurgia geral,
dermatologia, infectologia –, ao grupo foi dada a tarefa de atender
“de maneira humanizada, competente e efetiva” pacientes críticos.
Todos deveriam receber seus honorários sob a forma de Recibo
de Pagamento a Autônomo (RPA).
Ocorre
que o Ministério Público do Trabalho não aceitou
o “arranjo” e o governo foi obrigado, a partir de setembro de
2010, a contratar os médicos por meio da Cooperativa de
Serviços Médicos do Estado de Sergipe (COOPMED), cuja
responsabilidade era formar um quadro de profissionais qualificados e
pagar seus honorários.
O
inferno astral dos médicos teve início, então,
por várias vias, sendo a principal delas os frequentes atrasos
nos repasses da Fundação Hospitalar de Saúde (FHS)
a COOPMED, e, por conseguinte, desta aos médicos. Com salário
em atraso, quem trabalha satisfeito? Ademais, sem as mínimas
condições de prestar atendimento digno por conta da
falta de remédios, material hospitalar e equipamentos
essenciais...
A
situação de descrédito no compromisso firmado
pela gestão de Marcelo Déda gerou insegurança
entre os médicos, que agravou-se a cada dia. Mesmo após
inúmeras reuniões com o presidente da FHS e com
representantes da Secretaria de Estado da Saúde, a querela
ainda perdura...
Veja como está o atraso no pagamento dos médicos:Dia 17/07/11 – FHS pagou o mês de maio/2011
Dia 10/08/11 – FHS depositou 50% da fatura do mês de Junho/2011
Dia 16/09/11 – FHS depositou restante do mês de Junho/2011
Dia 10/10/11 – FHS pagou parcialmente a fatura de Julho/2011
.
Aos médicos restou ouvir o chavão “devo, não nego; pago quando puder”. Será que, diante do tamanho descaso com profissionais cuja obrigação é salvar vidas, deve-se responsabilizar os médicos do Huse pelo caos que se instalou naquele matadouro? Afinal, apesar das advertências feitas por promotores públicos, a gestão Marcelo Déda descumpriu (todos) os acordos firmados através do Ministério Público Estadual – mas isso os membros do Partido da Imprensa Governista (PIG) não dizem...
Aos médicos restou ouvir o chavão “devo, não nego; pago quando puder”. Será que, diante do tamanho descaso com profissionais cuja obrigação é salvar vidas, deve-se responsabilizar os médicos do Huse pelo caos que se instalou naquele matadouro? Afinal, apesar das advertências feitas por promotores públicos, a gestão Marcelo Déda descumpriu (todos) os acordos firmados através do Ministério Público Estadual – mas isso os membros do Partido da Imprensa Governista (PIG) não dizem...
Reunião
hoje no Ministério Público Estadual
No
programa desta manhã, o deputado-radialista Gilmar Carvalho,
como sempre falando num tom acima do normal para casos delicados,
atacou a “máfia do jaleco” – seriam 4 ou 5 médicos
os responsáveis por atravancar o atendimento no Huse.
Por
“coincidência”, quase no mesmo momento, era realizada uma
reunião – a enésima, diga-se – entre os médicos
cooperados, representantes do governo Marcelo Déda e o
Ministério Público Estadual. Em pauta, os recorrentes
atrasos no pagamento dos honorários.
Houve
desabafo dos médicos, que mais uma vez reiteraram a
insegurança provocada pela falta de um cronograma de
pagamento. A boa notícia é que a promotora de Justiça
dos Direitos à Saúde, dra. Alessandra Pedral de
Santana, assegurou que, persistindo os atrasos, a qualquer tempo os
médicos devem a ela recorrer para cobrar do governo a quitação
de parcelas.
Na
ocasião, o represente do governo estadual garantiu que o
pagamento dos atrasados será feito ainda em 2011 e apresentou
duas datas: 10/12 e 30/12. Os médicos estranharam, pois a
primeira é um sábado e a segunda véspera do
feriado de Ano Novo! Ou seja, seria mais um engodo da turma do PT? É
aguardar para ver...


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